Faz login e reduz a publicidade

Brain Buster #6 – “From Lisbon, Portugal”

Foto de perfil do Facebook há 4 semanas Artigos 10

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Aproveitando o tema da semana passada e, em especial, o último parágrafo relativo ao conteúdo do respectivo artigo, hoje venho-vos dar a conhecer um pouco sobre o rumo da nossa querida Killer Kelly até este momento da sua carreira.

Claro que não estou a falar de uma espécie de “biografia”. Tal não vai de encontro à minha vontade ou intenção, nem eu mesmo alguma vez falei com a Kelly para apurar todos os momentos ou sentimentos da sua jornada até hoje.

Como expliquei no artigo a semana passada, mesmo nada ou pouco patriótico, penso todavia ser uma óptima fase para ser fã de wrestling atualmente, entre muitas variadíssimas razões, mas em especial em Portugal por podermos assistir e acompanhar uma lutadora portuguesa a receber tanto destaque no mundo a que todos nós nos conectamos todos os dias.

Claro que muitos wrestlers portugueses mereciam aqui uma distinção e uma oportunidade igual à da Kelly ou até melhor, como o Bammer, o Corvo, o Pégaso ou o Cougar, mas a verdade é que a Kelly é verdadeiramente a primeira lutadora portuguesa, quer no feminino, quer no masculino a receber uma oportunidade tão grande, e que bem merecida que ela é.

Não há aqui portanto, que não elogiar o seu trabalho e, acima de tudo, o grande esforço pelo qual o wrestling português sempre se pautou ao longo dos anos. Realmente, a proeza de “fazer omeletes sem ovos”, é a que mais se aplica na sua situação e uma palavra elogiosa aplica-se-lhes mais do que bem. Foi, exactamente deste nosso wrestling que a carreira da Kelly nasceu.

Com muita pena minha nunca assisti a um show ao vivo do Wrestling Portugal, por isso não cheguei a assistir aos combates da Kelly no WP, embora pelos pequenos vídeos, imagens e feedback, me pareça que o WP esteja numa fase positiva, assim como as prestações da Kelly e de todos os restantes e não menos meritórios envolvidos.

Lembro-me de a ver em muitas entrevistas de backstage quando o WP ainda lançava os seus shows no seu canal de youtube, mas fora disso, até a mesma começar a lutar na wXw, eu não conhecia verdadeiramente nada do seu trabalho.

Antes de continuar não queria deixar de esclarecer um aspecto. O qual não desejo mesmo que fique mal esclarecido. Não estou aqui, de modo nenhum, a criticar o WP por esta tomada de decisão. É uma decisão mais do que justificada e que faz todo o sentido. A sua produção não é a da WWE, nem se lhe pode exigir que seja. A distância entre a realização dos shows e a sua chegada ao youtube eram muito demoradas, assim como o principal problema é que impedia, que se realizassem espectáculos mais frequentemente, que é o que uma pequena promotora de wrestling deve, na minha opinião fazer. Ganhar nome, estabilidade, garantir os primeiros passos e depois sim apostar em voos mais altos. Decisão mais que inteligente e que leva os verdadeiros fãs dos seus combates a ir ver os shows ao Centro Shotokai de Queluz. Maior recente e uma recompensa meritoriamente recebida. Além disso, os lutadores têm um maior número de oportunidades para fazer aquilo que gostam, lutar.

Mas voltando ao tema que nos trouxe aqui esta semana, não podemos esquecer que o WP não tem propriamente um roster muito grande, pelo que a Kelly acabou por ser a única lutadora feminina do mesmo. Por isso, teve de lutar várias vezes com wrestlers masculinos. Embora hoje seja uma prática cada vez mais corrente, principalmente nas promotoras mais pequenas, sendo que já o é, de longa tradição, no México e em toda a lucha libre, a verdade é que não nos podemos esquecer que estávamos, e ainda estamos a falar de uma lutadora jovem, cuja experiência não é assim muita.

Mas tal a meu, apesar de ser sempre um aspecto a considerar, sem nunca nos podermos esquecer, não é o que faz mais moça na balança entre as qualidades de um profissional, seja no futebol, na advocacia, na medicina e, para o que nos interessa, no wrestling. É capaz quem é competente e é competente quem trabalha e/ou tem talento natural. A experiência é um aspecto cada vez mais acessório, que não determina o profissional no seu todo. A Kelly mostrou ser uma profissional, algo que tem continuou na xWx, e que tem, a meu ver, continuado até hoje.

Lembro-me de em setembro de 2017, num Battle Royal do Basílio, este dizer que a Kelly iria emigrar para a Alemanha e começar a treinar na academia da wXw. Note-se que, além da dificuldade em mudar de país, a Kelly tinha ainda o handicap da língua. Todavia, como já assistimos na WWE, o inglês não parece ser um problema para a mesma. Kelly já admitiu também, numa entrevista ao Diário de Notícias, que teve de deixar o seu emprego e que a própria família não aceitou muito bem esta sua decisão. Mas justificou-a com o seu sonho e, para ser sincero, a ambição deve sempre ser louvada. É a ambição que nos leva a ter objectivos e a concretizá-los. Foi sem dúvida uma jogada arriscada, mas que no futuro, e até mesmo já, podemos considerados que terá levado a pena tê-la tomado.

Como alguém que acompanha mais ou menos regularmente a wXw fiquei bastante contente e entusiasmado com esta ideia e, mal podia esperar para a ver como a Kelly, mais uma lutadora portuguesa fora do país, juntamente com a Shanna, numa promotora que sigo.

E, então não foi logo no último grande show do ano da wXw nesse ano e talvez o seu maior show anual que a Kelly se tornou a primeira campeã feminina da história da wXw? Decisão surpreendente, que não consegui entender na altura. A questão da qualidade, trabalho ou talento da Kelly não está sequer em cima da mesma. Embora me tenha parecido algo tremida nos primeiros shows, sempre cumpriu e com o tempo a progressão tem sido ainda mais entusiasmante de acompanhar, mas estávamos a falar de nada mais do que uma rookie à altura na wXw, num roster com Martina, Toni Storm, que é quem nós sabemos e à altura já o era, e ainda com a Mellanie Gray que praticamente foi a grande impulsionadora daquela divisão, com uma personagem heel perfeita, que era a divisão feminina, antes mesmo de esta existir. Não se percebia então, o porquê desta conquista tão precoce.

Na mesma entrevista ao DN, a Kelly admitiu que fora provavelmente pelo pessoal da wXw querer “recompensar” o facto de a Kelly ter feito um esforço enorme para lá estar. A própria admitiu não estar preparada à altura. Mas a verdade é que, na minha maneira de ver as coisas, a wXw não teria tomado tal decisão se já não visse um bom potencial na Kelly. As notícias e perspectivas para o seu futuro, eram assim bastante animadoras.

A mesma acabou, naturalmente, por perder o título um mês mais parte para a Toni Storm. Assistimos, portanto, nos próximos meses, a um recomeçar da jornada. Com o tempo, a Kelly foi consolidando a sua posição na wXw, tornando-se umas das principais e mais regulares (em quantidade e qualidade) caras da empresa alemã.

Isto até junho de 2018 em que participou nos shows do WWE UK Tournment. Mais uma vez tudo a acontecer bastante depressa na sua carreira, mas não de forma que a mesma não tenha merecido. A Kelly admitiu mesmo que perguntou como é que “eles” sabiam que a mesma existia”. Função no combate em que esteve envolvida e que levou à sua oportunidade garantida mais tarde no ano no Mae Young Classic.

Antes de lá chegarmos, a Kelly estreou-se ainda pela PROGRESS no Reino Unido, promotora da qual eu sou particularmente grande fã e foi sendo cada vez mais consistente na wXw, fosse em óptimos rematches com a Toni Storm pelo título, fosse em multi-man matches, fosse até num divertidíssimo combate em que fez equipa com Marius Al-Ani contra Mellanie Gray e Absolute Andy.

Chegados então ao Mae Young Classic, Kelly tirou mesmo um difícil embate para poder avançar no torneio na Meiko Sotomura. Na minha opinião, a maior lenda do wrestling feminino atualmente fora dos EUA. A mesma tem um estilo impetuoso, quase sem falhas e um estilo bem japonês que presta uma boa homenagem ao puroresu. Mas a Kelly esteve muito longe de desiludir ou não se aguentar no ringue com esta lendária lutadora. Mostrou até que consegue ombrear com as melhores, quer no wrestling, quer num estilo mais agressivo.

A destacar uma oportunidade pelo título feminino da PROGRESS contra a Jinny em shows desta empresa na Alemanha, que levou os fãs alemães a estar do lado da Kelly, cujo respeito e adoração dos fãs de wXw é cada vez maior.

Daí para cá, a Kelly tem desempenhado um lugar na divisão feminina no NXT UK a colocar over outras lutadoras, mas um lugar do qual pode descolar a qualquer momento, embora tal não se preveja para muito breve ainda. Note-se, aliás, que o seu lugar na WWE a continuar neste rumo poderá ser para bastantes anos. Se nos lembrarmos da política integracionista da WWE, de representar o máximo de países possíveis no seu produto, Kelly assumirá um bom plano para nos manter a nós, fãs portugueses, a continuar a ver o produto da WWE.

Por fim, mencionar o combate pelo título feminino da wXw no 16 Carat Gold deste ano entre a Toni e a Kelly. Que óptimo combate que nos proporcionaram, com agressividade, drama, emoção, ao mesmo tempo que me diverti imenso a vê-lo. Parecia que a Kelly teria o seu regresso ao topo, com mais experiência, com outro à vontade e, sem dúvida, com outro apoio do público, mas a Toni tirou um coelho da cartola, usando táticas de vilã para sair ainda campeã.

História bem contada, entre uma lutadora mais experiente contra uma cujos melhores anos ainda estão para vir, mas que já mostra resultados desde os primeiros combates com a mesma. Bela forma também de separar a Killer Storm (a equipa que estas duas formaram por uns meses) e de lhe dar uma boa utilidade (visto não haver títulos de tag team femininos na wXw), sendo que através do mesmo, conseguiu-se trazer maior relevo e interesse àquele título.

Concluindo, podemos falar de uma história e um trajecto que nos deve inspirar, servir de referência e sentir um orgulho genuíno. É a prova para todos os portugueses que alguma vez sonharam em exercer alguma função no wrestling, que apesar da desvantagem do país em que nascemos no que diz respeito a esta modalidade, tal não é impossível.

Ambição, trabalho e progresso são as palavras que penso definirem melhor esta jornada e gostava igualmente de parabenizar a Kelly e desejar sucessos ainda mais altos para o futuro.

E então, o que achas da Kelly? Qual o vosso combate preferido em que a mesma esteve envolvida? O que vos diz esta história?

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

10 Comentários

  1. Espero mesmo que a Raquel chegue longe , orgulho mesmo !!!

  2. Maravilhoso! Irei seguir todos os passos dela e quem sabe, um dia, se não estaremos no mesmo ring a representar Portugal!

  3. Sandrojr há 4 semanas

    Otimo artigo, mas vc já assistiu alguma luta da bwf, é uma empresa brasileira, que não tem tanto pop, mas que eles fazem wrestle por amor.

    • Foto de perfil do Facebook

      Obrigado.
      Sim, já vi um ou dois combates da BWF.
      Acho que o wrestling brasileiro está mais à frente do portuguesa no que diz respeito a infraestrutura, apoio, cenário e interesse, mas não quanto ao wrestling, pelo menos na minha opinião.
      Gostava de também dar alguma atenção à BWF mas não há mesmo tempo para tudo ne ahahah.

  4. Espero que um dia a Kelly chegue ao roster do Raw ou do Smackdown.

Comentar