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Olá, equipe do Wrestling.PT, e em especial, Luís Salvador.

Espero que esta mensagem os encontre bem.

Sou leitor assíduo do Wrestling.PT há aproximadamente 14 anos. Ao longo desse tempo, acompanhei diariamente as notícias, análises, artigos e debates publicados no portal, que se tornou muito mais do que uma fonte de informação sobre wrestling para mim.

Hoje escrevi um texto intitulado “Believe in The Shield”, no qual conto não apenas a história da stable, mas também a minha própria trajetória como fã de wrestling e a importância que o Wrestling.PT teve na minha formação.

No texto, relembro como, ainda adolescente, morando em Rio Branco, no Acre, acompanhava a WWE por meio das publicações do portal, já que não tinha condições de assistir aos programas regularmente. Foram os textos de autores como DanielLP12, Akuja1, Jorge Rabelo, Salgado, José Sousa e Mário Magalhães que despertaram em mim o interesse por enxergar o wrestling de uma forma mais analítica e, principalmente, pela escrita.

Hoje curso Jornalismo, escrevo sobre esportes e percebo que parte dessa paixão nasceu justamente lendo o trabalho de vocês. Achei que seria justo compartilhar esse texto como forma de agradecimento por tudo o que o Wrestling.PT representou — e continua representando — para mim.

Independentemente de o texto ser publicado ou não, gostaria apenas de registrar minha gratidão pelo trabalho realizado ao longo de todos esses anos. Vocês ajudaram a formar uma geração de fãs de wrestling em língua portuguesa, e tenho certeza de que não fui o único impactado por isso.

Muito obrigado pela dedicação, pelo profissionalismo e por manterem viva essa comunidade durante tantos anos.

Um grande abraço,

John Vítor Lima
São Paulo – SP, Brasil

Capítulo I – Believe in Rio Branco

O ano era 2012.

Eu morava na minha amada Rio Branco, no Acre, e, olhando para trás, percebo que minha paixão pelo wrestling começou muito antes de conhecer Dean Ambrose, Seth Rollins e Roman Reigns. Ela nasceu nas pequenas coisas: num celular pirata que mal servia para alguma coisa, numa conexão de internet que demorava uma eternidade para carregar uma página e na ansiedade de um adolescente que queria apenas acompanhar a WWE.

Não existia computador em casa. Assistir aos shows era um luxo que simplesmente não fazia parte da minha realidade. Meu celular nem cartão de memória tinha; eu conseguia ouvir praticamente uma única música e, quando a internet funcionava, precisava escolher muito bem como gastar aqueles poucos minutos de conexão. E a minha escolha era sempre a mesma: Wrestling.PT.

Durante muitos anos, aquele portal foi a minha janela para um mundo que parecia impossível de acompanhar morando tão longe dos grandes centros. Enquanto muita gente conhecia a WWE pelos programas de televisão, eu conhecia pelos textos. Lia absolutamente tudo: notícias, análises, opiniões, artigos e crônicas. Até hoje consigo lembrar dos nomes de alguns autores que, sem saber, mudaram a minha vida: DanielLP12, Akuja1, Jorge Rabelo, Salgado, José Sousa e Mário Magalhães.

Talvez vocês nunca imaginem isso, mas existe um garoto do Acre que começou a gostar de escrever por causa de vocês.

Hoje, quase quatorze anos depois, percebo que muito do que aprendi sobre construção de texto, narrativa e análise esportiva nasceu justamente ali, lendo cada publicação que aparecia na página inicial do Wrestling.PT. Vocês me ensinaram que o wrestling podia ser discutido com profundidade, inteligência e emoção ao mesmo tempo. Se hoje escrevo sobre esporte, existe um pedaço dessa história que começou naquele site.

Naquela época eu já acompanhava a WWE, mas de uma maneira completamente diferente. Eu torcia, comemorava e ficava bravo quando meu favorito perdia. O Wrestling.PT mudou isso. Passei a entender conceitos como booking, storytelling, construção de personagem, psicologia dentro do ringue e desenvolvimento de rivalidades. Descobri que uma luta podia ser muito mais do que golpes bonitos; descobri que uma boa história era capaz de transformar qualquer combate em algo inesquecível.

Talvez tenha sido ali que perdi um pouco da ingenuidade de torcedor e passei a enxergar a WWE de uma forma mais técnica. E, ironicamente, isso não diminuiu minha paixão. Apenas a transformou.

Também lembro das intermináveis discussões na área de comentários. Sempre tinha alguém jurando que nunca mais assistiria à WWE, alguém pedindo a aposentadoria de John Cena ou dizendo que Vince McMahon estava destruindo a empresa. Engraçado como algumas coisas realmente nunca mudam.

A WWE vivia um momento curioso. CM Punk protagonizava um dos reinados mais importantes da Era PG ao lado de Paul Heyman, Ryback recebia um push gigantesco e parecia destinado a ser o próximo grande monstro da companhia, enquanto John Cena continuava praticamente presença obrigatória na rota do título mundial. Havia boas histórias acontecendo, como a excelente rivalidade entre Sheamus e Big Show pelo World Heavyweight Championship, mas olhando para trás percebo que existia um problema enorme: o elenco era extremamente talentoso, porém mal aproveitado.

A WWE parecia presa aos mesmos nomes. Os novos talentos dificilmente recebiam espaço para crescer. Bastava olhar para Drew McIntyre. Anos antes apontado como “The Chosen One”, agora fazia parte da 3MB, uma stable cômica que parecia ter enterrado qualquer esperança de vê-lo novamente no topo da empresa. Era difícil acreditar que alguém realmente novo pudesse quebrar aquele ciclo.

Por isso, quando novembro chegou, eu não fazia ideia de que estava prestes a acompanhar um dos momentos mais importantes da história da WWE.

Na verdade, eu nem consegui assistir ao Survivor Series de 2012.

Como não tinha computador e minha internet era extremamente limitada, minha única forma de descobrir o que havia acontecido era fazendo exatamente o que sempre fazia: abrir o Wrestling.PT e acompanhar os resultados. Até hoje consigo lembrar da sensação. CM Punk havia derrotado John Cena e Ryback na luta principal, mas aquilo nem era o mais importante.

Três homens vestidos de preto apareceram no combate, atacaram Ryback, aplicaram uma Triple Powerbomb através de uma mesa e garantiram a vitória de Punk.

Dean Ambrose.

Seth Rollins.

Roman Reigns.

Naquele momento, dois daqueles nomes já não eram totalmente desconhecidos para mim. Eu acompanhava a FCW e lembrava muito bem da excelente rivalidade entre Seth Rollins e Dean Ambrose antes mesmo da criação do NXT como conhecemos hoje. Nos fóruns e nos comentários do Wrestling.PT existia uma enorme expectativa pela chegada deles ao elenco principal. Muitos defendiam Kassius Ohno como o terceiro integrante; outros apostavam em Corey Graves. Quando Roman Reigns apareceu, confesso que minha primeira impressão foi de estranheza. Entre os três, ele parecia o mais cru, o menos preparado e aquele com menos bagagem.

Mas bastou olhar aquelas primeiras imagens para perceber que havia algo diferente. A postura. As roupas pretas. O silêncio. A maneira como caminhavam. Eles não pareciam três lutadores estreando. Pareciam uma ameaça.

Mesmo sem assistir ao combate naquele dia, passei horas lendo análises, comentários e imaginando quem eram aqueles três homens. Foram cinco dias alimentando a expectativa até conseguir ver a luta completa. E, quando finalmente consegui…

Entendi que estava vendo nascer algo especial.

Mas, ao mesmo tempo, um pensamento não saía da minha cabeça: “É o Vince McMahon.”

Quantas boas ideias ele já não tinha desperdiçado? Quantos talentos promissores ficaram presos no midcard? Quantas stables começaram bem e terminaram esquecidas?

Meu maior medo era justamente esse: que aqueles três desconhecidos se tornassem apenas mais uma boa ideia descartada alguns meses depois.

Mal sabia eu que estava prestes a acompanhar uma das maiores histórias que a WWE já contou.

E, sem perceber, também estava começando a escrever uma parte importante da minha própria história.

Capítulo II – A noite que mudou tudo

Passei cinco dias tentando evitar spoilers.

Hoje isso parece uma tarefa simples. Em 2026, basta abrir qualquer rede social para descobrir o resultado de um show poucos segundos depois de ele acontecer. Mas, em 2012, minha realidade era completamente diferente. Eu não tinha computador, internet rápida e muito menos condições de assistir aos PPVs ao vivo. Minha experiência com a WWE começava lendo resultados e terminava dias depois, quando finalmente conseguia assistir às lutas.

É engraçado pensar nisso hoje. Antes mesmo de ver as imagens, eu já conhecia o vencedor, sabia quem havia interferido e tinha lido dezenas de opiniões sobre o combate. Ainda assim, quando finalmente conseguia assistir, parecia que estava vendo tudo pela primeira vez.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Survivor Series de 2012.

Quando vi aqueles três homens atravessando a barricada, vestidos de preto, usando coletes táticos e caminhando em silêncio pela arena, tive a sensação de estar assistindo a algo completamente diferente do que a WWE costumava apresentar. Eles não tinham fogos de artifício, poses exageradas ou uma entrada cheia de luzes. Eles simplesmente apareciam. E, quando apareciam, alguém seria destruído.

A Triple Powerbomb em Ryback através da mesa foi o ponto final daquela noite, mas também o início de uma nova era.

Naquele momento, ninguém sabia exatamente quem eles eram. A WWE os apresentava como mercenários dispostos a combater a injustiça, homens que lutavam contra um sistema corrupto e protegiam aquilo que consideravam “o certo”. Era um discurso simples, mas que funcionava porque os três transmitiam uma sensação rara: eles realmente pareciam acreditar no que estavam fazendo.

Durante semanas, ninguém sabia ao certo qual era o objetivo do grupo. Seriam aliados de CM Punk? Mercenários contratados por Paul Heyman? Ou tinham uma agenda própria? Essa incerteza fazia parte do encanto.

Eu, como tantos outros fãs, passava horas lendo teorias no Wrestling.PT. Cada episódio do Raw gerava discussões enormes, e os comentários nunca terminavam na página principal; continuavam durante dias, enquanto todo mundo tentava adivinhar qual seria o próximo passo daqueles três desconhecidos.

Foi também nessa época que percebi uma diferença importante. Ao contrário de outras stables que surgiam fazendo longas promos para explicar suas intenções, o Shield falava pouco. Quem contava a história eram as ações. Eles interrompiam lutas, atacavam campeões, invadiam a arena pela plateia e transformavam qualquer segmento em algo imprevisível. Era impossível assistir ao Raw sem pensar: “Será que hoje eles aparecem?”

Poucas semanas depois veio o primeiro grande teste: TLC 2012.

Ali, pela primeira vez, o Shield pisaria no ringue para provar que toda aquela construção não dependia apenas de interferências. Do outro lado estavam Kane, Daniel Bryan e Ryback, três dos nomes mais fortes da empresa naquele momento.

Hoje essa luta talvez seja lembrada apenas como mais um grande combate da história do grupo. Naquela época, porém, ela significava muito mais. Ryback havia acabado de disputar o WWE Championship e era tratado como uma das grandes apostas da companhia. Daniel Bryan vivia uma fase brilhante ao lado de Kane na Team Hell No, enquanto Kane já era uma lenda consolidada.

Na lógica da WWE daquela época, existia um caminho muito previsível: os veteranos venceriam, Ryback pisaria sobre os novatos e o Shield seguiria como uma stable interessante para o midcard. Era exatamente isso que eu esperava. Afinal, durante anos vimos Vince McMahon construir novos talentos apenas para, pouco tempo depois, colocá-los abaixo das grandes estrelas.

Meu pensamento era simples:

“Vai acontecer de novo.”

Mas não aconteceu.

Desde os primeiros minutos do combate, cada integrante mostrou aquilo que carregaria pelo resto da carreira. Dean Ambrose era o caos em pessoa, lutando como alguém movido pela violência. Seth Rollins impressionava pela velocidade, criatividade e por movimentos que pareciam impossíveis para alguém daquele porte. Roman Reigns ainda era claramente o menos experiente dos três, mas cada golpe parecia pesado e cada Spear transmitia uma sensação de destruição.

Foi naquele combate que percebi algo que talvez nem a própria WWE imaginasse ainda: os três eram completamente diferentes, e justamente por isso funcionavam tão bem juntos. Não existia competição entre eles. Cada um ocupava um espaço específico. Dean era a mente imprevisível. Seth, o atleta espetacular. Roman, a força bruta.

Durante quase vinte e cinco minutos eles enfrentaram três homens muito mais experientes e, ao invés de parecerem intimidados, dominaram boa parte da luta. Quando Ryback atravessou a mesa após a Triple Powerbomb coletiva, eu simplesmente fiquei parado olhando para a televisão.

O Shield havia vencido.

E não venceu roubando. Não venceu por interferência. Não venceu por acaso.

Venceu porque foi melhor.

Naquele instante senti algo muito raro. Pela primeira vez em muito tempo, tive a impressão de que a WWE estava realmente apostando no futuro.

Até hoje considero aquela luta uma das maiores estreias de uma stable na história da empresa. Ela não serviu apenas para apresentar três lutadores; ela legitimou o grupo. Quando o PPV terminou, ninguém mais perguntava quem eram Dean Ambrose, Seth Rollins e Roman Reigns. A pergunta havia mudado:

Quem conseguiria pará-los?

Enquanto boa parte do elenco parecia estagnada, o Shield transmitia exatamente o oposto. Eles tinham direção, propósito, identidade e, acima de tudo, uma química impressionante. Era impossível olhar para aqueles três e imaginar que haviam estreado juntos havia poucas semanas. Pareciam uma equipe que lutava lado a lado há anos.

Lembro de terminar aquele PPV com uma sensação que nunca mais esqueci. Não era apenas empolgação. Era certeza.

Pela primeira vez desde que comecei a acompanhar a WWE, eu olhava para novos talentos e acreditava que eles realmente poderiam mudar a empresa.

Naquele momento eu não imaginava que os três seriam campeões mundiais, que Roman Reigns construiria um dos maiores reinados da história da WWE, que Dean Ambrose reinventaria sua carreira longe da empresa ou que Seth Rollins se transformaria em um dos maiores storytellers de sua geração.

Mas, naquela noite de dezembro de 2012, tive uma convicção que nunca havia sentido antes.O Shield não era apenas mais uma stable.O Shield era o futuro da WWE. E o mais incrível é que o melhor ainda estava por vir.

Capítulo III – O ano em que eles dominaram a WWE

Existe uma frase muito repetida no wrestling:

“É mais difícil se manter no topo do que chegar até ele.”

O The Shield não apenas chegou ao topo. Eles atropelaram o caminho até lá.

Quando 2013 começou, eu ainda carregava aquele medo de que Vince McMahon simplesmente desistisse do projeto. Afinal, a WWE tinha um histórico enorme de desperdiçar talentos. Quantas vezes vimos lutadores estrearem cercados de expectativa para, poucos meses depois, desaparecerem do card? Era quase um ciclo natural da empresa.

Mas o Shield foi diferente desde o primeiro dia.

Depois do TLC, eles não desapareceram. Pelo contrário. Toda segunda-feira parecia que a WWE encontrava uma nova maneira de mostrar que aqueles três homens estavam um degrau acima do restante do elenco. Continuavam surgindo pela plateia, vestidos da mesma forma, falando pouco e, acima de tudo, continuavam vencendo.

Naquela época, eu acordava ansioso para abrir o Wrestling.PT antes mesmo de fazer qualquer outra coisa. Era quase um ritual. Eu queria saber se o Shield havia aparecido no Raw, quem eles tinham atacado e, principalmente, qual era a opinião da comunidade.

Lembro das intermináveis discussões sobre quem era o melhor dos três. Alguns apostavam em Dean Ambrose pelo carisma e pela intensidade com que interpretava o personagem. Outros enxergavam em Seth Rollins o wrestler mais completo do grupo, graças ao estilo explosivo e ao repertório impressionante de golpes. Roman Reigns, por outro lado, ainda era uma incógnita. Era comum ler comentários dizendo que ele era o elo mais fraco, que era limitado e estava ali apenas pelo porte físico.

Confesso que eu também tinha dúvidas. Dos três, Roman era quem menos me impressionava tecnicamente. Eu o via como um gigante necessário para equilibrar a stable, mas jamais imaginaria que, anos depois, ele se tornaria o rosto da empresa.

O primeiro grande teste

O verdadeiro teste veio no Elimination Chamber de 2013. Do outro lado estavam John Cena, Sheamus e Big Show, praticamente a definição de velha guarda contra nova geração. Mais uma vez pensei: “Agora acabou.” Era difícil acreditar que Vince McMahon colocaria três novatos para vencer nomes tão estabelecidos.

Mas ele colocou.

E não foi apenas uma vitória. Foi uma declaração.

O Shield derrotou Cena, Sheamus e Big Show em um combate caótico, cheio de momentos memoráveis, consolidando de vez a ideia de que eram imparáveis. Naquela noite, a WWE deixou de tratá-los como uma promessa. Eles passaram a ser uma realidade.

Quando chegou a WrestleMania 29, o desafio aumentou ainda mais. Muita gente esquece que a WrestleMania costuma ser o palco onde as histórias terminam. No caso do Shield, ela serviu para mostrar que a história deles estava apenas começando.

Eles enfrentaram Randy Orton, Sheamus e Big Show. Outra vez, três gigantes. Outra vez, três favoritos. E, outra vez, o Shield venceu.

O combate foi importante porque eles já não pareciam novatos enfrentando veteranos. Pareciam veteranos enfrentando veteranos. A química era absurda. As trocas rápidas, a movimentação, as entradas para salvar um ao outro e o timing perfeito faziam parecer que aquele grupo existia havia anos, quando, na verdade, ainda completava poucos meses de vida.

Talvez essa tenha sido a maior qualidade do Shield. Eles elevavam qualquer rivalidade. Depois da WrestleMania passaram a mirar nomes ainda maiores, como Undertaker, Team Hell No, Kane, Daniel Bryan e John Cena. Qualquer segmento envolvendo o grupo automaticamente ganhava importância.

Era curioso perceber isso assistindo ao Raw. Muitas vezes o programa parecia cansativo, mas bastava a câmera mostrar a plateia — ou tocar a sirene característica do grupo — para todo mundo prestar atenção. Eles transformavam o previsível em imprevisível. Nunca sabíamos quando apareceriam nem quem seria a próxima vítima.

A WWE foi inteligente. Em vez de colocá-los imediatamente na disputa pelos principais títulos, construiu sua credibilidade por meio da dominância. Durante meses parecia que ninguém conseguia pará-los. A Triple Powerbomb virou uma sentença. Quando os três cercavam alguém, a luta praticamente acabava.

Poucas stables conseguiram criar uma identidade tão forte usando elementos tão simples.

O auge daquele domínio veio no Extreme Rules de 2013. Dean Ambrose conquistou o United States Championship ao derrotar Kofi Kingston, enquanto Seth Rollins e Roman Reigns venceram Daniel Bryan e Kane para conquistar o WWE Tag Team Championship. Pela primeira vez, o Shield segurava ouro, e aquilo fazia todo sentido. Os cinturões pareciam ter sido feitos para eles.

Ainda assim, existe uma crítica que mantenho até hoje. O reinado de Dean Ambrose como campeão dos Estados Unidos ficou muito abaixo do potencial que ele tinha. A WWE simplesmente não sabia tratar seus títulos secundários com a importância que mereciam. Eu imaginava que, por fazer parte do Shield, Dean teria grandes rivalidades individuais. Não aconteceu. Ele quase sempre aparecia acompanhado dos parceiros, defendia pouco o cinturão e o título acabou funcionando mais como um símbolo da força da stable do que como um capítulo marcante de sua carreira.

Por outro lado, a divisão de duplas ganhou uma vida que não tinha havia muito tempo. Durante anos a WWE tratou as tags como uma obrigação, investindo pouco e dando pouca importância à divisão. O Shield ajudou a mudar isso. As lutas de Seth Rollins e Roman Reigns eram intensas, rápidas e diferentes do padrão da época. Mais do que isso, ajudaram equipes como os Usos a crescerem junto com eles. Foi ali que comecei a perceber o enorme potencial dos irmãos samoanos.

Outro momento que guardo com carinho foi a rivalidade contra Cody Rhodes e Goldust. A história envolvia muito mais do que cinturões. Era sobre orgulho, família, emprego e legado. Quando Cody e Goldust finalmente derrotaram Seth e Roman no Battleground 2013, encerrando um reinado que parecia interminável, não senti frustração. Senti que aquela derrota também fazia parte da grandeza do Shield. Porque grandes campeões também precisam saber perder.

Se existe um momento de 2013 que antecipou tudo o que viria depois, foi o Survivor Series. Na tradicional luta de eliminação, Roman Reigns eliminou quatro adversários sozinho e terminou como o sobrevivente da equipe. Talvez nem todos tenham percebido na época, mas aquele combate foi um recado claro. A WWE estava mostrando quem enxergava como o futuro rosto da companhia.

Lembro de terminar aquele PPV pensando exatamente isso. “Eles estão preparando o Roman para algo muito maior.” Mesmo gostando mais de Dean Ambrose, eu conseguia enxergar os sinais. A empresa havia escolhido seu futuro protagonista.

E, curiosamente, isso nunca diminuiu o brilho dos outros dois.

Era como se cada integrante do Shield estivesse destinado a ocupar um espaço diferente na história. Roman seria a grande estrela. Seth se tornaria o wrestler mais completo. Dean seria a alma do grupo. Nenhum precisava apagar o outro para brilhar; eles se completavam. Talvez tenha sido exatamente isso que tornou o Shield tão especial.

No final de 2013, eu já não tinha mais medo de que Vince McMahon enterrasse a stable.

Esse medo havia desaparecido.

Agora existia outro.

Um medo muito maior.

Porque toda grande história um dia chega ao fim.

E, pela primeira vez, comecei a me perguntar:

Como a WWE teria coragem de separar um grupo que parecia simplesmente perfeito?

Capítulo IV – A cadeira que destruiu uma geração

Existe uma frase de Santo Agostinho que diz:

“A medida do amor é sofrer quando ele acaba.”

Naquela época, eu nunca tinha lido Santo Agostinho. Mas, olhando para trás, percebo que senti exatamente isso quando o Shield acabou. Porque o fim deles não foi apenas o encerramento de uma stable; foi também o fim de uma fase da minha adolescência.

No início de 2014, o Shield já não precisava provar mais nada. Eles haviam derrotado praticamente todos os grandes nomes da WWE, conquistado títulos, revitalizado a divisão de duplas e se tornado uma das atrações mais importantes do Raw. A pergunta já não era mais se seriam grandes, mas até onde poderiam chegar.

Antes do fim, porém, ainda existia uma última grande história a ser contada. E ela veio na forma de três homens igualmente vestidos de preto: a Wyatt Family.

Até hoje considero essa uma das melhores rivalidades da WWE na década de 2010. Era muito mais do que heel contra heel. Era o confronto entre duas filosofias completamente diferentes. Bray Wyatt acreditava que o medo libertava; o Shield acreditava na força da unidade. Bray manipulava. O Shield executava. A Wyatt Family parecia uma seita. O Shield, um esquadrão militar.

Quando finalmente dividiram o ringue no Elimination Chamber de 2014, entregaram exatamente o combate que os fãs imaginavam. Não havia cinturões em jogo nem disputa por posição no card. Era apenas orgulho. Talvez por isso tenha funcionado tão bem.

A luta foi intensa do começo ao fim. Dean Ambrose parecia um homem possuído. Luke Harper e Seth Rollins protagonizaram sequências técnicas impressionantes, enquanto Roman Reigns e Erick Rowan transformavam cada troca de golpes em uma colisão de caminhões. Quando Bray Wyatt conquistou a vitória para sua equipe, curiosamente não fiquei frustrado. Pela primeira vez, uma derrota do Shield fazia sentido. Eles não perderam porque eram inferiores, mas porque começaram a deixar o ego falar mais alto. Foi a primeira rachadura. Pequena, quase imperceptível, mas suficiente para mostrar que nem mesmo eles eram invencíveis.

Pouco tempo depois veio a WrestleMania XXX. O combate contra Kane e os New Age Outlaws foi rápido e, sinceramente, muito abaixo do que o grupo merecia. Mas talvez aquela luta nunca tenha sido o verdadeiro objetivo. O verdadeiro capítulo começaria na noite seguinte.

Triple H enxergava algo que o público ainda levaria alguns meses para perceber. O Shield havia se tornado grande demais para continuar atacando qualquer adversário aleatoriamente. Eles precisavam enfrentar a maior autoridade da empresa. Precisavam enfrentar a geração anterior. Precisavam enfrentar a Evolution.

Triple H, Randy Orton e Batista representavam tudo o que dominou a WWE durante mais de uma década. Do outro lado estavam três homens que haviam estreado havia menos de dois anos. Não era apenas uma rivalidade. Era uma passagem de bastão.

Naquele momento, o Shield já havia se tornado face de forma completamente natural. Eles nunca mudaram sua essência. Continuavam invadindo pela plateia, falando pouco e agindo da mesma forma. O público simplesmente decidiu torcer por eles. Talvez pela química impossível de ignorar. Talvez porque ninguém quisesse vê-los separados. Ou talvez porque algumas histórias simplesmente encontram seu caminho.

O Extreme Rules de 2014 marcou um dos melhores combates de trios da história moderna da WWE. Triple H tentava controlar o ritmo da luta, Batista apostava na força e Randy Orton usava toda sua experiência. Mas havia um problema: o Shield parecia lutar como um único homem. Eles não precisavam conversar nem olhar um para o outro. Cada movimento parecia ensaiado durante anos. Quando Roman aplicou a Spear decisiva e garantiu a vitória, tive a sensação de que a WWE estava dizendo oficialmente: “O futuro chegou.”

No Payback, veio a revanche. Muitos acreditavam que a Evolution recuperaria sua moral. Afinal, eram Triple H, Batista e Randy Orton. Parecia impossível imaginar duas derrotas consecutivas.

Mas aconteceu.

O Shield venceu novamente.

Limpo.

Sem interferências.

Sem desculpas.

Naquela noite, eles derrotaram definitivamente a geração anterior. Parecia impossível imaginar um adversário maior. E talvez esse fosse justamente o problema. A história parecia completa.

Lembro perfeitamente da sensação depois daquele Payback. No Wrestling.PT, as discussões começaram imediatamente. “O que a WWE faz agora?”, “Será que finalmente vão separar o grupo?”, “Quem vai trair quem?”. Eu não queria pensar nisso. Toda grande stable acaba, mas torcia para que, quando chegasse a hora, a WWE soubesse fazer isso da maneira certa.

Mal sabia eu que esse momento chegaria menos de vinte e quatro horas depois.

Na segunda-feira seguinte acordei cedo, como fazia desde 2012, e abri o Wrestling.PT antes mesmo de assistir ao Raw. Queria apenas conferir os resultados. Então li a manchete:

“Seth Rollins trai o The Shield.”

Por alguns segundos achei que fosse uma brincadeira.

Cliquei na notícia.

Vi Roman caído.

Dean tentando entender.

Seth segurando uma cadeira.

Meu coração afundou.

Passei o resto do dia adiando aquele momento. Não porque queria evitar spoilers, mas porque simplesmente não queria acreditar que aquilo tinha acontecido.

Quando finalmente assisti ao segmento, foi ainda pior.

Triple H entrou no ringue, elogiou o Shield e pronunciou a frase que ficaria marcada para sempre: “There’s always a Plan B.”

Seth olhou para Dean.

Olhou para Roman.

Por um instante, parecia hesitar.

Então veio a primeira cadeirada.

O barulho do metal ecoou pela arena.

Dean Ambrose congelou.

Eu também.

Depois veio outra.

E mais outra.

Até hoje consigo lembrar da expressão de Ambrose. Não era apenas raiva. Era a expressão de alguém que acabara de perder um irmão. Enquanto Triple H sorria ao fundo, Seth continuava golpeando Roman sem demonstrar qualquer remorso. Quando Dean tentou reagir, também foi derrubado.

Naquele momento, não existia heel turn, booking ou roteiro.

Existia apenas tristeza.

Nunca imaginei que um segmento de wrestling pudesse me atingir daquela maneira. Eu sabia que tudo era combinado, mas isso não fazia diferença. Durante quase dois anos, a WWE havia conseguido algo raríssimo: me fazer acreditar que aqueles três realmente eram irmãos.

E, quando Seth levantou aquela cadeira, não foi apenas Roman Reigns que caiu.

Caiu o grupo que acompanhou minha adolescência.

Caiu a stable que me fez voltar a acreditar que a WWE ainda sabia contar grandes histórias.

Caiu uma parte daquele garoto de Rio Branco que acordava ansioso para abrir o Wrestling.PT todas as manhãs.

Muita gente pergunta qual foi o maior plot twist que já vi no wrestling.

Para mim, nunca houve dúvida.

Foi aquela cadeira.

Porque ela não destruiu apenas o Shield.

Ela destruiu a ilusão de que algumas histórias poderiam durar para sempre.

Naquela noite, o The Shield acabou.

Eles ainda voltariam outras vezes. Vestiriam novamente os coletes pretos e dividiriam o ringue em reuniões especiais. Mas, para mim, o verdadeiro Shield morreu ali.

Naquela Raw.

Naquela cadeira.

Naquele silêncio que ficou depois do último golpe.

E, curiosamente, foi justamente daquele fim que nasceriam três das maiores carreiras da história do wrestling nesta década.

Capítulo V – Três homens, três destinos

Existe uma expressão muito usada no esporte: “Grandes equipes nem sempre formam grandes jogadores. Mas grandes jogadores quase sempre passam por grandes equipes.”

O The Shield foi exatamente isso. Quando Seth Rollins acertou aquela cadeira nas costas de Roman Reigns, não nasceu apenas um dos maiores vilões da WWE. Nasceram três carreiras completamente diferentes. Talvez esse seja o maior legado do grupo: nenhum deles precisou do Shield para se tornar uma estrela, mas nenhum seria a estrela que se tornou sem ter passado por ele.

A rivalidade começou imediatamente. Seth Rollins tornou-se o protegido de Triple H e da Authority, abandonando os coletes pretos para vestir terno e assumir o papel de um oportunista disposto a fazer qualquer coisa para chegar ao topo. Dean Ambrose seguiu o caminho oposto. Se antes era o membro mais imprevisível do grupo, agora parecia completamente consumido pela obsessão. Ele não queria títulos nem reconhecimento; queria apenas vingança. Era justamente esse contraste que fazia a rivalidade funcionar tão bem: enquanto Rollins lutava pensando no futuro, Ambrose permanecia preso ao passado.

Roman Reigns, por sua vez, foi rapidamente colocado na rota do Campeonato Mundial. Eu entendia a decisão da WWE. Roman tinha presença, era o integrante mais protegido durante a trajetória do Shield e sua Spear arrancava reações imediatas. Ainda assim, como fã, eu não estava totalmente convencido. Para mim, Dean era a alma do grupo, Seth era o melhor dentro do ringue e Roman ainda precisava amadurecer. A impressão era compartilhada por boa parte do público naquele momento.

Foi também em 2014 que minha relação com a WWE mudou completamente. Depois de anos acompanhando os shows apenas por textos, finalmente ganhei minha primeira televisão LCD e assinei TV a cabo. Passei a assistir aos programas ao vivo pela saudosa Fox Sports 2. Pode parecer algo simples, mas para mim era enorme. Durante anos eu havia imaginado as lutas através das descrições do Wrestling.PT; agora podia acompanhá-las em tempo real, sem precisar fugir de spoilers.

Mesmo assim, um hábito nunca mudou. Na manhã seguinte ao Raw eu continuava abrindo o Wrestling.PT. Queria ler as análises, discutir booking e acompanhar os comentários da comunidade. Era impossível não conhecer usuários como Frederico_WWE, DanielP21 e tantos outros que, sem saber, fizeram parte da minha rotina durante anos. Hoje as redes sociais ocuparam esse espaço, mas sinto falta daquela época em que os debates eram longos, as teorias surgiam a cada programa e a comunidade parecia realmente viver o wrestling.

Enquanto isso, Seth Rollins crescia cada vez mais. No Money in the Bank de 2014 conquistou a maleta, e eu achei a escolha perfeita. Depois de trair o Shield e se tornar o principal aliado da Authority, parecia inevitável que chegasse ao título mundial. Foi exatamente o que aconteceu na WrestleMania 31, quando protagonizou um dos momentos mais marcantes da era moderna. Enquanto Roman Reigns e Brock Lesnar travavam uma guerra no evento principal, Seth apareceu correndo com a maleta, realizou o primeiro cash-in da história em um main event de WrestleMania, transformou a luta em uma Triple Threat, aplicou o Curb Stomp em Roman e saiu campeão. Até hoje considero aquele um dos melhores finais de WrestleMania que já assisti.

Enquanto Rollins alcançava o topo, Dean Ambrose parecia seguir um caminho diferente. Sempre foi o meu favorito, talvez por ser o personagem mais humano, imperfeito e imprevisível dos três. Ainda assim, a WWE parecia nunca enxergá-lo da mesma forma. Sem o brand split existia apenas um Campeonato Mundial. Roman orbitava essa disputa, Seth era o campeão e restava a Ambrose o Campeonato Intercontinental e rivalidades que muitas vezes pareciam menores do que seu talento permitia. Mesmo assim, nunca deixei de acreditar que sua oportunidade chegaria.

Em 2015, Seth Rollins realizou um reinado extraordinário. Era um heel covarde quando precisava, brilhante dentro do ringue e carismático mesmo sendo odiado. Hoje é fácil reconhecer sua grandeza; na época, eu apenas tinha a sensação de estar assistindo a um wrestler especial. Minha rotina também havia mudado. Agora eu já tinha computador, assistia aos PPVs e acompanhava o Raw ao vivo, mas a primeira aba que eu abria na internet continuava sendo a mesma: Wrestling.PT. Queria ler as críticas, comparar opiniões e participar daquela comunidade que havia me acompanhado desde a adolescência. Tenho saudade não apenas da WWE daquele período, mas da forma como consumíamos wrestling. Tudo parecia mais lento, mais debatido e, por isso mesmo, mais especial.

Infelizmente, o reinado de Rollins terminou da pior maneira possível. Uma grave lesão no joelho obrigou a WWE a retirar dele o Campeonato Mundial justamente quando tudo indicava o início de uma longa rivalidade contra Roman Reigns. Com o cinturão vago, a empresa organizou um torneio que terminou no Survivor Series de 2015, com Roman derrotando Dean Ambrose na final. Foi um combate agridoce para mim. Ver dois antigos irmãos disputando o maior prêmio da empresa era emocionante, mas também tornava impossível escolher um lado. Roman finalmente conquistou seu primeiro Campeonato Mundial, apenas para perdê-lo minutos depois para o cash-in de Sheamus. Depois de tudo o que havia enfrentado, parecia cruel vê-lo perder daquela maneira. Mas esse sempre foi o wrestling: uma mistura constante entre expectativa e surpresa.

A história, porém, estava longe de terminar. Em 2016, Roman reconquistaria o título, Seth voltaria da lesão e Dean finalmente teria sua grande oportunidade. Pela primeira vez desde a separação do Shield, os três voltariam a disputar o topo da WWE ao mesmo tempo.

E o destino ainda preparava uma noite que, até hoje, considero uma das mais felizes da minha vida como fã de wrestling: a noite em que os três ex-integrantes do The Shield seriam campeões mundiais no mesmo evento, diante dos meus olhos.

Capítulo VI – A noite em que o Shield conquistou o mundo

Se existe uma coisa que o wrestling me ensinou, é que grandes histórias raramente seguem o caminho que imaginamos.

Quando Seth Rollins acertou Roman Reigns com aquela cadeira em 2014, parecia impossível imaginar que, apenas dois anos depois, os três ex-integrantes do Shield estariam novamente no centro da WWE. Mas cada um chegou ao topo de uma maneira diferente. Roman foi escolhido pela empresa para ser o principal rosto da nova geração. Seth conquistou seu espaço sendo, talvez, o wrestler mais completo daquela época. Dean, por outro lado, precisou convencer todo mundo de que merecia estar ali. Talvez por isso sua conquista tenha sido a que mais me emocionou.

O começo de 2016 foi turbulento. Roman Reigns finalmente havia retomado o Campeonato Mundial, mas sua relação com o público continuava extremamente desgastada. A WWE insistia em apresentá-lo como o grande herói da companhia, porém boa parte dos fãs simplesmente não queria aquele herói. Eu era um deles. Nunca odiei Roman e jamais achei que ele fosse um mau lutador. O que me incomodava era o caminho escolhido pela empresa. Tudo parecia forçado. O fantasma do Yes Movement ainda pairava sobre a WWE, e muitos de nós continuávamos acreditando que outros nomes mereciam aquele espaço antes dele.

Mesmo assim, seria injusto negar sua evolução. Roman já não era o lutador inseguro de 2013. Seu timing havia melhorado, sua presença em ringue era muito maior e, principalmente, ele começava a demonstrar uma qualidade que só seria plenamente reconhecida anos depois: uma enorme capacidade de contar histórias durante os combates. Na época, poucos percebiam isso.

Enquanto Roman carregava esse peso nas costas, Seth Rollins iniciava sua recuperação. A grave lesão havia interrompido um dos melhores reinados da década justamente quando tudo indicava que ele e Roman iniciariam uma rivalidade histórica ainda em 2015. O destino, porém, resolveu adiar esse encontro.

Dean Ambrose seguia sendo o mais subestimado dos três. Era curioso perceber isso. O público o amava, seus combates eram excelentes e suas promos fugiam completamente do padrão da WWE. Ainda assim, parecia existir um teto para ele, como se a empresa nunca tivesse certeza de que Dean poderia carregar a companhia nas costas. Eu nunca compartilhei dessa dúvida. Para mim, ele já havia provado isso fazia tempo.

A WrestleMania 32 simbolizou perfeitamente aquele momento. Roman derrotou Triple H e reconquistou o Campeonato Mundial em uma vitória importante para sua carreira, mas lembro claramente da reação do público. As vaias eram ensurdecedoras. Era estranho assistir à empresa comemorando enquanto boa parte dos fãs parecia assistir a um espetáculo completamente diferente.

Do outro lado, Dean Ambrose enfrentou Brock Lesnar em uma No Holds Barred Match que tinha tudo para entrar na história. Confesso que foi uma das minhas maiores decepções daquele ano. Eu esperava uma guerra. Recebemos uma luta muito abaixo do que aqueles dois poderiam entregar, e saí com a sensação de que Dean merecia muito mais.

Pouco tempo depois, Seth Rollins finalmente voltou. Seu retorno aconteceu no Extreme Rules de 2016, atacando Roman Reigns logo após a defesa de título contra AJ Styles. A arena simplesmente explodiu. Existe uma ironia maravilhosa nesse momento: Roman era oficialmente o mocinho, Rollins era oficialmente o vilão, mas quem recebeu a maior reação da noite foi justamente Seth. Aquilo mostrava que, naquele momento, a divisão entre heróis e vilões já não importava tanto. O público torcia por quem conseguia emocioná-lo. E Seth emocionava.

A rivalidade entre os dois foi marcada para o Money in the Bank. Finalmente teríamos o primeiro grande confronto individual entre Roman Reigns e Seth Rollins em um PPV, uma luta que eu esperava havia muito tempo.

Mas existe um detalhe curioso que sempre me faz sorrir quando lembro daquele domingo.

Minha atenção estava completamente dividida.

Ao mesmo tempo em que acontecia o Money in the Bank, também era disputado o Jogo 7 das Finais da NBA entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers. LeBron James buscava o título mais importante de sua carreira, enquanto, no Brasil, Flamengo e São Paulo se enfrentavam pelo Campeonato Brasileiro. Lembro perfeitamente de Alan Patrick desperdiçando aquele pênalti. Até hoje fico irritado quando lembro.

No meio de tudo isso estavam Roman Reigns, Seth Rollins e Dean Ambrose.

Nunca mais vivi um dia esportivo parecido. Televisão ligada, computador aberto, celular na mão, tentando acompanhar tudo ao mesmo tempo. E, curiosamente, consegui.

A luta principal entregou exatamente o que prometia. Roman e Seth mostraram por que haviam sido os pilares do Shield. Não parecia apenas um combate; parecia uma conversa entre dois homens que carregavam anos de história. Cada golpe fazia referência ao passado. Cada olhar lembrava o que haviam vivido juntos.

Quando Seth aplicou o Curb Stomp e conquistou novamente o Campeonato Mundial, pensei apenas: “Finalmente.” Depois de tudo o que havia passado, ele recuperava o cinturão que nunca perdeu dentro do ringue.

Mas a noite ainda reservava algo maior.

A música tocou.

Dean Ambrose apareceu segurando a maleta do Money in the Bank.

Naquele instante, eu já sabia o que aconteceria.

Cash-in.

Dirty Deeds.

Um.

Dois.

Três.

Dean Ambrose era campeão mundial.

Confesso sem vergonha nenhuma: comemorei como uma criança.

Dean sempre foi meu integrante favorito do Shield. Durante anos tive a sensação de que era o menos valorizado dos três e, naquela noite, finalmente recebeu o reconhecimento que merecia.

O que tornou aquele momento histórico, porém, foi o seu significado. Roman Reigns entrou no evento como campeão, Seth Rollins conquistou o título durante a luta principal e Dean Ambrose encerrou o show como campeão mundial. Pela primeira vez na história da WWE, os três integrantes do The Shield haviam sido campeões mundiais na mesma noite.

Até hoje arrepio quando lembro disso.

Era impossível imaginar, naquele Survivor Series de 2012, que aqueles três rapazes vestidos de preto chegariam tão longe.

O último capítulo dessa história veio poucas semanas depois, no Battleground 2016. Pela primeira — e única — vez, Roman Reigns, Seth Rollins e Dean Ambrose disputariam o Campeonato Mundial em uma Triple Threat Match.

Até hoje acho esse combate extremamente simbólico.

Foi como se a WWE estivesse encerrando oficialmente o ciclo do Shield.

Não existiam mais irmãos.

Não existia mais stable.

Existiam apenas três homens tentando provar quem era o melhor.

Dean saiu vencedor e, olhando para trás, gosto de enxergar aquele combate como um ponto final. Não porque eles nunca mais dividiriam o mesmo ringue, mas porque, dali em diante, cada um seguiria definitivamente sua própria jornada. Roman buscaria se tornar o rosto da empresa, Seth construiria uma carreira baseada em reinvenções e Dean, alguns anos depois, procuraria novos desafios longe da WWE.

O Shield havia acabado em 2014.

Mas foi no Battleground que senti, pela primeira vez, que seus três integrantes finalmente haviam aprendido a caminhar sozinhos.

E, sinceramente…

Eu não fazia ideia de que ainda existia um último capítulo esperando por todos nós.

Capítulo VII – O legado de uma geração

Quando o Battleground terminou, em julho de 2016, tive a sensação de que um livro havia sido fechado. Roman Reigns, Seth Rollins e Dean Ambrose dividiram um ringue pela primeira — e única — vez disputando o maior título da WWE. Dean saiu campeão, Roman seguiu seu caminho e Seth iniciou uma nova fase da carreira. Naquele momento, achei que aquela seria a última grande página da história do The Shield.

Como eu estava enganado.

Os anos passaram. A vida mudou. Eu também. Confesso que, entre 2017 e boa parte de 2021, já não acompanhava a WWE com a mesma intensidade. Não era falta de carinho, era simplesmente a vida acontecendo. Vieram novas responsabilidades, trabalho, faculdade, a mudança de cidade. Aquele adolescente que passava horas discutindo booking no Wrestling.PT estava crescendo.

Mesmo quando assistia aos shows, a sensação era diferente. Os reencontros do Shield, que antes certamente me emocionariam, já não causavam o mesmo impacto. Pareciam acontecer sempre por necessidade: para aumentar a audiência, fortalecer uma storyline ou despertar a nostalgia do público. Funcionavam, mas lhes faltava espontaneidade. O Shield sempre foi um grupo que parecia surgir de forma natural; agora dava a impressão de ser um recurso acionado sempre que a WWE precisava de uma grande reação.

Ainda assim, existe um momento dessa fase que sempre me incomodou: a despedida de Dean Ambrose. Quando a WWE anunciou sua saída, sabia que seria difícil, mas esperava uma homenagem à altura do que ele representava. A empresa realizou o especial The Shield’s Final Chapter, e foi emocionante ver os três juntos pela última vez. Mesmo assim, sempre achei pouco. Estamos falando de três homens que redefiniram uma geração, carregaram a WWE durante anos e se transformaram nas maiores estrelas da década seguinte. Mereciam um encerramento muito maior, um adeus proporcional ao tamanho da história que escreveram. Talvez o wrestling tenha dessas coisas. Nem sempre as maiores histórias terminam da maneira que gostaríamos.

Dean saiu, tornou-se Jon Moxley e foi interessante acompanhar sua transformação. Pela primeira vez desde 2012, parecia completamente livre: livre para lutar, falar e construir sua própria identidade. Era como se o Jon Moxley sempre tivesse existido por trás de Dean Ambrose, apenas esperando o momento certo para aparecer. E, sinceramente, fiquei feliz por ele. Alguns personagens precisam mudar de palco para continuar crescendo.

Enquanto isso, Roman Reigns fazia exatamente o caminho oposto. Durante anos, a WWE tentou transformá-lo no principal herói da companhia, mas quanto mais insistia, maior parecia ser a resistência do público. Até que, em 2020, aconteceu a decisão que mudaria sua carreira para sempre. Roman deixou de tentar ser o herói. Nascia o Tribal Chief.

Confesso sem medo: foi uma das maiores reinvenções de personagem que já vi no wrestling. Não era apenas uma mudança de atitude, mas uma transformação completa. A forma de falar, de caminhar, de olhar para os adversários, o ritmo das promos… tudo parecia diferente. Pela primeira vez, Roman deixou de interpretar um personagem e passou a transmitir a sensação de que estava apenas sendo ele mesmo. Foi justamente nesse momento que o público começou a reconhecê-lo como aquilo que a WWE tentava construir desde 2015: o verdadeiro rosto da empresa.

Mas existe um detalhe que sempre achei fascinante. Mesmo durante o reinado histórico do Tribal Chief, havia um fantasma que nunca desaparecia: Seth Rollins. Ninguém conhecia Roman melhor do que ele. Ninguém sabia exatamente onde atingi-lo. Era como se, toda vez que dividissem o ringue, o The Shield voltasse a existir por alguns minutos — não pelos coletes pretos ou pela música de entrada, mas pelas lembranças que compartilhavam.

Isso ficou evidente no Royal Rumble de 2022. Até hoje considero aquela rivalidade uma verdadeira aula de storytelling. Roman chegou como campeão absoluto, dominando a WWE e parecendo invencível. Seth apareceu usando a antiga música do Shield, vestindo roupas que remetiam aos tempos da stable e sorrindo da mesma forma que sorria em 2013. Foi uma escolha brilhante. Rollins não tentou enfrentar o Tribal Chief; tentou enfrentar Roman Reigns, o irmão, o parceiro, o homem que um dia descia as escadas da plateia ao seu lado.

Durante toda a luta, parecia que Seth não atacava apenas Roman, mas também suas memórias. Cada golpe carregava a mesma pergunta: “Lembra de quem você era?” E, pela primeira vez em muito tempo, Roman deixou de ser o Tribal Chief. Por alguns minutos, voltou a ser apenas o integrante do Shield, o homem que um dia foi traído por Seth Rollins.

Quando Roman perdeu completamente o controle e se recusou a soltar a guilhotina mesmo após a desqualificação, percebi o verdadeiro acerto daquela rivalidade. Seth não precisava vencer. Seu objetivo era entrar na mente de Roman, e ninguém fazia isso melhor do que ele.

Depois daquele combate, sempre tive a sensação de que a história entre os dois ainda não estava completa. Parecia existir um último capítulo esperando para ser escrito. Durante anos imaginei que ele aconteceria na WrestleMania, o palco que ambos mereciam. Mas o destino resolveu guardar esse desfecho para outro momento.

E, curiosamente, foi justamente esse momento que fez um garoto de Rio Branco voltar a sentir exatamente a mesma emoção que havia sentido em 2012.

Segue uma versão condensada, mantendo a essência emocional e o fechamento da sua história, mas com um fluxo mais natural em parágrafos.

Capítulo VIII – Believe in The Shield

Quatorze anos. Foi esse o tempo que separou aquele garoto de Rio Branco do homem que hoje escreve estas linhas. Às vezes parece que foi ontem, outras parece que aconteceu em outra vida. O menino que acompanhava a WWE por um celular pirata já não existe mais. Hoje moro em São Paulo, trabalho, estudo Jornalismo e escrevo sobre esporte. Realizei sonhos que, em 2012, pareciam impossíveis. Mas a nostalgia não pede licença; ela simplesmente aparece.

Quando anunciaram Roman Reigns contra Seth Rollins no SummerSlam de 2026, senti isso imediatamente. Não era apenas mais uma luta. Era o reencontro de dois homens que passaram mais de uma década contando a mesma história. A maior rivalidade da carreira de Roman nunca foi Brock Lesnar, Cody Rhodes ou CM Punk. Sempre foi Seth Rollins. Ele conhecia Roman antes do Tribal Chief, antes da Bloodline, antes dos títulos. Conhecia o homem que um dia desceu a escadaria da arena vestindo um colete preto, e isso fazia toda a diferença.

Durante anos imaginei que esse confronto aconteceria na WrestleMania, mas o wrestling nem sempre escolhe o palco mais óbvio; às vezes escolhe apenas o momento certo. Enquanto assistia à luta, percebi algo que não sentia havia muito tempo: eu não estava pensando em booking, star ratings ou tentando prever o vencedor. Pela primeira vez em anos, apenas assistia. Como aquele garoto de 2012. Achei, por muito tempo, que aprender sobre storytelling e psicologia de combate tinha diminuído minha capacidade de me emocionar. Naquela noite percebi que não. A emoção nunca foi embora; ela apenas ficou escondida atrás de anos analisando wrestling.

O combate parecia revisitar toda a trajetória dos dois. Cada golpe carregava uma lembrança. Cada olhar remetia ao passado. Quando Seth provocava Roman, eu lembrava do Royal Rumble de 2022. Quando Roman reagia tomado pela raiva, voltava imediatamente à traição de 2014. Era como assistir a quatorze anos de história condensados em um único combate. E, quando surgiram as referências a Dean Ambrose, hoje Jon Moxley, fui pego de surpresa. Não importava que ele estivesse em outra empresa. Por alguns instantes, ele também estava ali. Porque o Shield nunca foi apenas Roman e Seth. Sempre foram três.

Quando Roman venceu, não senti euforia nem tristeza. Senti paz. Aquela vitória representava mais do que derrotar Seth Rollins; era como se Roman finalmente superasse o último fantasma que carregava desde o fim do Shield. Durante anos, Seth foi o único homem capaz de fazê-lo esquecer que era o Tribal Chief e lembrar quem havia sido. No SummerSlam, pela primeira vez, pareceu fazer as pazes com o próprio passado. E, de alguma forma, eu também fiz.

Depois do evento, permaneci alguns minutos em silêncio diante da televisão. Não pensava apenas na luta, mas em toda a caminhada que ela representava. Lembrei do celular pirata, da internet lenta, do Wrestling.PT, das discussões intermináveis sobre John Cena, das teorias sobre Kassius Ohno, das manhãs antes da escola, da minha primeira televisão, do primeiro computador e da Fox Sports 2. Percebi que o wrestling nunca foi apenas wrestling. Ele sempre marcou fases da minha vida. Cada rivalidade me lembra uma época; cada campeão, uma versão diferente de mim.

Hoje entendo algo que aquele adolescente jamais compreenderia. O Shield não marcou apenas uma geração da WWE; marcou também uma geração de fãs. Nós crescemos junto com eles. Erramos, amadurecemos e mudamos ao lado deles. Dean encontrou liberdade, Seth encontrou redenção, Roman encontrou sua verdadeira identidade. E eu encontrei minha paixão por escrever.

Se hoje escolhi o Jornalismo, se escrevo sobre esporte e acredito que uma boa história pode emocionar tanto quanto uma final de campeonato, existe um pequeno pedaço dessa escolha que nasceu em um portal português chamado Wrestling.PT. Nasceu lendo DanielLP12, Akuja1, Jorge Rabelo, Salgado, José Sousa e Mário Magalhães. Talvez vocês nunca saibam disso, mas um garoto de Rio Branco aprendeu a amar as palavras por causa de vocês.

O wrestling sempre nos ensinou que alguns personagens entram, outros saem e alguns retornam. Mas as melhores histórias permanecem. Quatorze anos depois, percebo que o The Shield nunca foi apenas uma stable. Foi a trilha sonora da minha adolescência, a companhia de um garoto que sonhava olhando para uma tela pequena, o motivo de inúmeras conversas, debates e madrugadas. Foi a história que me mostrou que personagens fictícios também podem deixar marcas reais. Talvez seja por isso que, até hoje, quando escuto aquela sirene, volto instantaneamente para Rio Branco, para aquele quarto, para aquele celular e para a sensação de acreditar que três homens vestidos de preto poderiam mudar o mundo.

Epílogo

Hoje percebo a maior ironia dessa história. Em 2012, eu achava que estava apenas acompanhando a ascensão de uma nova stable. Na verdade, estava vendo nascer três futuros Hall of Famers e, sem perceber, acompanhando também o meu próprio crescimento.

A vida mudou. A cidade mudou. Os sonhos mudaram. As responsabilidades aumentaram. Mas algumas coisas continuam exatamente iguais. Ainda me emociono com boas histórias. Ainda acredito que o wrestling, quando bem feito, é uma das formas mais bonitas de contar histórias. E ainda sorrio sempre que ouço aquela velha sirene.

Ela me lembra de onde tudo começou.

Obrigado, Dean Ambrose.

Obrigado, Seth Rollins.

Obrigado, Roman Reigns.

Obrigado, Wrestling.PT.

E, principalmente, obrigado àquele garoto de Rio Branco que nunca deixou de acreditar.

Porque, no fim das contas…

He believed in The Shield.

8 Comentários

User

  1. Tosse!
    Tosse!4 dias

    Top,adorei!
    Obrigado

  2. John Vitor

    É a realização de um sonho compartilhar a minha história no Wrestling.PT.

    Obrigado a toda a equipe por publicar o texto e confiar no meu trabalho. Também agradeço a todos os leitores que tirarem um tempo para conhecê-lo.

    Escrevi esse texto de coração, colocando um pouco da minha alma em cada capítulo.

    Espero que gostem da leitura !

  3. Esquecido
    Esquecido4 dias

    Está muito longo … porém foda pra c**alho 🔥🔥🔥🔥
    Arrasou irmão !

  4. Lucas C. dos Anjos
    Lucas C. dos Anjos4 dias

    Meus parabéns meu amigo

  5. danielLP21

    Opá, não esperava nada disto! Nem era para abrir, mas felizmente que o fiz!

    Obrigado pelas palavras, John Vitor! Entretanto a vida mudou de rumo e todas essas pessoas que mencionas seguiram o seu rumo (apenas o Mário vai publicando aqui de vez em quando), mas de certeza que falo por todos quando agradeço e digo que, no fundo, até temos alguma noção de que essa geração do WPT deixou um legado que não se repetiu entretanto.

    Foi uma fase das nossas vidas em que, ainda sem grandes complicações, ali entre os 18 e os 21 (mais velhos uns, mais novos outros), passámos horas e horas a fio a comentar e a debater. Bonitos tempos, que infelizmente já não voltam, seja porque a vida agora nos consome o tempo, seja porque o nível da caixa de comentários baixou bastante, seja porque, a bem da verdade, a paixão pelo Wrestling já não é a mesma.

    Quanto ao teu texto, muito longo e podia ter sido dividido em duas ou três partes, mas foi um gosto lê-lo e revejo-me em tudo. Ainda há duas noites, enquanto assistia ao Roman Reigns vs Seth Rollins, pensei nessa noite em que foram os 3 Campeões da WWE. Pena o Triple Threat entre eles não ter sido numa WrestleMania… acho que ainda é possível, mas a cada ano que passa é cada vez mais improvável.

    E concordo que aquele primeiro combate deles foi decisivo. Foi um TLC fantástico e no qual eles mostraram ao que vinham. E os dois combates contra os Evolution, apesar de terem precedido o fim do grupo e de o Triple H ter saído por cima com o seu “plano B”, acabaram por definir para sempre o legado dos Shield.

    Mais uma vez, muito obrigado pela parte que me toca e muitos parabéns pelo texto! Boa sorte na carreira como jornalista e, caso tenhas tempo, continua a escrever por aqui! Um abraço!

  6. Luís Salvador

    Hey John, mais uma vez, muito obrigado por nos acompanhares há tantos anos e por partilhares este trabalho connosco.

    Ficamos muito felizes em saber que o Wrestling PT representa algo significativo na tua vida e, em especial, enquanto fã de wrestling.

    Desejamos-te a maior das sortes no curso de jornalismo e no teu futuro profissional!

  7. IglesiasBringBackLarsSullivan
    IglesiasBringBackLarsSullivan4 dias

    Li tudo. Fantástico. Sempre interessante notar como o pro wrestling e o que lhe permeia chegam a impactar tanto na vida de quem o acompanha. Me vi um pouco na história. Sucesso.