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Espaço do Fontes #5 – As Cinco Estrelas De Meltzer

A verdade é que não constitui um fato absoluto, mas as “stars ratings” com que Dave Meltzer classifica os combates de Wrestling que analisa, no seu “Wrestling Observer, tornaram-se já lendárias.

Há quem concorde e há quem nem ligue a este sistema – que, para aqueles que não o conheçam, passa por classificar a qualidade de cada combate através da atribuição de “estrelas” – no entanto, até pelas suas décadas de existência, não deixa ninguém indiferente.

A escala vai de uma a cinco estrelas – apesar de nos últimos dois anos, devido ao nível de excelência que o Wrestling tem atingido, Meltzer ter atribuído a cinco combates disputados na New Japan, classificações superiores á escala, com destaque para a trilogia entre Kazuchika Okada e Kenny Omega, que viu todos os combates serem classificados com seis estrelas ou mais – no entanto, no que a “matches” disputados na WWE diz respeito, esta classificação nunca foi ultrapassada.

Mais do que isso: em toda a história, apenas cinco combates da empresa de Vince McMahon tiveram o carimbo das “five stars” de Meltzer e apenas onze anos após a criação deste sistema surgiu o primeiro!

São essas raridades que vamos analisar neste artigo, por ordem cronológica.

Razor Ramon vs Shawn Michaels – Wrestlemania X (20 de Março de 1994)

Este é daqueles combates que perduram no tempo e que todos, de uma forma ou de outra, já viram, se não o combate completo, pelas menos bastantes imagens.

Teve outro pormenor que ainda hoje é também uma das muitas razões pelas quais sobressai: foi o primeiro “ladder match” televisionado e que por isso conseguiu fazer chegar um estilo de combate até ali pouco visto pelo “mainstream”, a um publico muito mais alargado.

Em disputa estava o Undisputed Intercontinental Championship. Acima do ringue, os “belts” de cada um dos lutadores em confronto. E naquele dia Shawn Michaels e Razor Ramon mostraram ao Mundo que a utilização de escadotes e muito talento poderiam resultar numa combinação para a eternidade.

Foi o que aconteceu: o combate foi emotivo, físico, contou uma história apelativa e no final viu a personagem incorporada por Scott Hall tornar-se o novo Campeão Intercontinental.

Até aos dias de hoje – em que os “ladder matches” são ultra populares e constituem uma das “gimmiks” mais utilizadas pelas Empresas quando pretendem ter um “can´t miss moment“ – é apontado como o grande percursor deste tipo de combates e o verdadeiro ponto de partida para toda a evolução que se seguiria.

Além de Meltzer, também a PWI ( Pro Wrestling Ilustrated) , provavelmente a mais categorizada revista sobre Wrestling de sempre, votou este como “match of the year.

Merecidamente, diga-se.

Bret Hart Vs Owen Hart – Summerslam 1994 (29 de Agosto de 1994) – Steel Cage Match

Depois de terem tido aquele que ainda hoje é considerado por muitos como o melhor “opener” da história do Wrestling, na Wrestlemania X – e que, curiosamente, Meltzer classificou com 4,75, muito perto também das 5 estrelas – Bret e Owen Hart continuaram a sua rivalidade pelo Verão fora tendo este atingido o seu pico no Summerslam desse ano, local onde disputaram um cage match inesquecível.

Este foi daqueles combates que teve um pouco de tudo: foi o climax da “feud do ano “de 1994 – para a PWI – que tinha tido início no Royal Rumble, quando Owen fez o “heel turn” no seu irmão, motivado pelo que achava ser o excessivo protagonismo de Bret. Depois de ter atacado a perna lesionada deste e posteriormente o ter vencido no já referido clássico que abriu a Wrestlemania X, Owen jurou não ser vencido num “match” que sabia ser decisivo para Bret Hart.

E este “cage match” acabou mesmo por ser uma “masterpiece “: mais de 30 minutos da melhor psicologia de ringue alguma vez vista; uma capacidade ímpar para contar uma história com repercussões familiares e que por isso deixou o público “on the edge of their seats” e um “clinic” de técnica, facultado por ambos e que fez deste um dos melhores confrontos de toda a história do Summerslam.

A prova de que as melhores “storylines “são mesmo aquelas onde pelo menos, existe um fundo de verdade…

Bret Hart vs Steve Austin – Wrestlemania 13 (23 de Março de 1997) – No Disqualification Submission Match

E chegámos ao combate onde Steve Austin desmaiou numa poça do seu próprio sangue, enquanto sofria no “sharpshooter” e se recusava a desistir!

Arbitrado por Ken Shamrock – foi o “special guest refere” – este foi um combate que teve origem no “King Of The Ring” do ano anterior, devido ao facto de Austin ter provocado Hart, para que este aceitasse combater contra ele. O desafio foi respondido no mês de Outubro seguinte, quando Bret voltou de lesão tendo sido marcado o confronto para o Survivor Series desse ano. Após a vitória do Canadiano, a “feud” continuou no Royal Rumble seguinte, com a Bret a eliminar Austin mas sem que esta eliminação fosse contabilizada, devido ao fato dos árbitros não a terem visto.

“Fast forward” para o “Final Four”, um dos PPVs entretanto descontinuados pela WWE e que deveu o seu nome a um “four corners match” entre Austin, Hart, Mankind e Terry Funk pelo WWF Championship, ganho pelo segundo.

Na noite seguinte, Austin custaria o título a Hart no Monday Night Raw …e estava lançada uma das “feuds” do ano, culminada com um No Disqualification Submission Match que ainda nos dias que correm é considerado porventura o melhor de sempre.

Dizer ainda que este foi o “match” que lançou a carreira de Steve Austin: mesmo após o árbitro ter dado a vitória a Bret Hart (após o desmaio de “Stone Cold”) este manteve o “sharpshooter”, fazendo o “heel turn” no processo.

Já Austin, devido ao coração e força de vontade em não desistir, transformou-se, da noite para o dia num dos maiores “babyfaces” que a WWE alguma vez viu.

O resto, é história…

Shawn Michaels vs Undertaker – In Your House 18: Bad Blood (05 de Outubro de 1997) – Hell In A Cell Match

Ainda hoje é recordado por ter sido o primeiro combate “hell in a cell “, onde o vencedor seguiu para defrontar Bret Hart, pelo WWF Championship no que ficaria conhecido para a eternidade como o “Montreal Screwjob”.

Outro dos pontos de destaque pelo qual este é um “match” inesquecível, diz respeito á estreia de alguém que ficaria na história posterior da WWE, Kane: o “big red monster” arrancou a porta da “cell” e aplicou um “tombstone” em Undertaker, iniciando aqui uma rivalidade que até hoje é lembrada.

Quanto ao combate em si… bem, foi fantástico e provou aos mais céticos que este formato de “cage” poderia ser utilizado no futuro, com sucesso. Outro dos fatores que contribuiu sobremaneira para que este fosse um combate com uma construção profunda, passou pela “feud” bem estabelecida entre os dois e que vinha já desde Agosto desse ano, altura em que Michaels serviu de “special guest referee” no “match” entre Bret Hart e Undertaker e em que, acidentalmente atingiu este último, fazendo com que perdesse o título.

Com mais um combate pelo meio, para reforçar ainda mais a rivalidade – disputado no “In Your House: Ground Zero” e que terminaria por “count out” – quando finalmente chegámos ao “hell in the cell”, esta fervilhava!

E Michaels e o “Dead Man” provaram dentro desta nova “cage” porque razão os seus nomes ficaram para sempre gravados nos anais da história.

CM Punk vs John Cena – Money In The Bank 2011 (17 de Julho de 2011)

Uma das melhores defesas de sempre do título da WWE, muito por força do que foi construído antes, durante e depois do combate.

A história tinha começado um mês antes, quando após rumores de que estaria descontente com a Empresa, Punk venceu um “triple threat” para se tornar Candidato Principal.

Após essa vitória, o “number one contender” anunciaria ao Mundo que o seu contrato com a WWE iria terminar no dia 17 de Julho, á meia-noite.

Dia 17 Julho. A data exata do Money In The Bank.

Mas homem de Chicago faria mais. Muito mais. Punk prometeria vencer esse combate e de seguida deixar a Empresa e levar o título consigo, para o defender na ROH ou na New Japan.

No processo, insultou todas as figuras de autoridade da WWE. E isto fez com que fosse suspenso e o seu “match” contra Cena, cancelado.

Foi o próprio Cena quem tentou reverter a situação, junto do Vince McMahon ao que este, de forma relutante, acedeu. Com uma condição: se perdesse, seria ele a ser demitido!

O combate seria um tratado, no que á “storytelling” diz respeito, com os lutadores a exibirem uma química excecional durante os mais de 30 minutos de duração.

No final, vitória para Punk, decisão que poderia ter levado a uma das melhores histórias dos últimos anos.

Infelizmente e como habitualmente, a WWE não lhe conseguiu dar o devido seguimento…

Johnny Gargano vs Andrade Cien Almas – NXT Takeover: Philadelphia (27 de Janeiro de 2018)

Desde o combate entre Punk e Cena, relativo ao Money In The Bank, passaram setes anos sem que Dave Meltzer atribuísse a classificação de 5 estrelas, a qualquer combate disputado dentro de um ringue da WWE.

Até que chegou 2018. E o NXT. Que fez algo incrível, sejam quais forem os parâmetros pelos quais analisemos esta proeza: no espaço de quatro meses, a marca de desenvolvimento conseguiu tantos “matches “com as 5 estrelas do Tio Meltzer como praticamente nos vinte anos anteriores!

Sim, leram bem: 3 combates em quatro meses, algo verdadeiramente surreal!

O primeiro deles foi este confronto entre Johnny Gargano e o Ex-“La Sombra” Andrade Almas. Muitos consideram-no o melhor combate alguma vez disputado na WWE: desde as entradas ao nível técnico, passando pela psicologia e terminando no “storytelling”, este foi daqueles “matches” onde tudo foi perfeito! Até o público, parte decisiva quando queremos marcar um confronto como histórico, fez a sua parte, apoiando até á exaustão o “babyface” Gargano e antagonizando até ao limite um excelente Almas, que neste combate provou – se é que seria necessário – que é na realidade uma estrela do mais alto nível.

Quanto ao “match” propriamente dito, foi alvo de uma estipulação após ter sido marcado: se Johnny “Wrestling” perdesse, sairia do NXT. Quanto a Almas, não o tínhamos como certo na altura, mas subiria ao “main roster” pouco depois. Toda esta incerteza, acabou por adicionar ainda mais: todos os “spots” realizados contaram para desenvolver a história; tudo o que fizeram – mais a participação de Zelina Vega, também ela uma parte fulcral – foi parte de uma narrativa perfeita, que culminou na vitória de Almas.

Que no final, Tommaso Ciampa tivesse atacado Gargano dando seguimento a uma das “feuds” do ano, acabou por ser a cereja em cima de um dos melhores “bolos” alguma vez produzidos pelo gigante de Stamford!

Adam Cole vs EC3 vs Killian Dain vs Lars Sullivan vs Ricochet vs Velveteen Dream – NXT Takeover: New Orleans (7 de Abril de 2018) – Ladder Match

Foi o combate de abertura de um grande NXT Takeover: New Orleans e simultaneamente o primeiro pelo North American Championship.

Na verdade, este título não poderia tido melhor inicio: num dos melhores “ladders matches” da história da Empresa – falo da WWE e não apenas do NXT – ainda o “match” não tinha começado e já ecoavam “chants” de “this is awesome “. Adam Cole sagrar-se-ia vencedor, naquele que foi o “payoff” perfeito para uma história deste nível.

Foi daqueles confrontos em que todos os lutadores – e eram seis – tiveram ocasião de brilhar apesar de, naturalmente, o estilo do combate ter beneficiado mais uns que outros. Um desses nomes foi Ricochet, que mostrou a todo o momento o atleticismo que o caracteriza e foi autor de verdadeiros momentos “holy s***” durante todo o “match”.

Mesmo os “big men”, como Lars Sullivan ou Killian Dain acabaram por ser parte importantíssima do combate, acabando por servir como um contraste perfeito aos restantes elementos, fazendo com que toda esta mistura funcionasse de forma fantástica.

Para reforçar, os dois “spots” de The Velveteen Dream – um “rolling Deth Valley Driver “em Ricochet e um “elbow drop” do escadote – puseram um ponto de exclamação num combate incrível, que ficará para a história e a que Meltzer atribuiu 5 estrelas sem hesitar!

Johnny Gargano vs Tommaso Ciampa – NXT Takeover: New Orleans (7 de Abril de 2018) – Unsanctioned Match

É o grande candidato a Combate do Ano de 2018 e teve, claro, por parte de Dave Meltzer, o devido reconhecimento. É um daqueles claros casos em que os atletas “deitaram a casa abaixo”.

Gargano e Ciampa vinham de uma intensa “feud” e o WWE Universe aguardava com inusitada expectativa mais um capítulo de uma história que tinha sido brilhantemente contada até ali. Na verdade, todo o “hype” para este confronto acabou até por ser ultrapassado, na medida em que porventura nem o melhor dos otimistas esperaria tão grande nível de brutalidade, ainda que falássemos de um “unsanctioned match”.

Mas foi o que aconteceu, uma guerra !

Um “suplex” na mesa, uma “powerbomb” no “concrete floor” e uma serie de outras manobras intensas juntaram-se a uma qualidade de “storytelling” levada ao máximo, com a história de dois melhores amigos e companheiros que se tornaram némesis um do outro a ecoar a cada segundo que passava. Além disso tivemos referências a combates anteriores e participação do publico ( com Ciampa a “roubar” umas muletas a alguém da audiência ) numa montanha russa que durou mais de 40 minutos e que quem viu, jamais esquecerá.

Se a tudo isto juntarmos o suspense de “near falls” que fizeram palpitar o mais forte dos corações, ficamos com um dos melhores combates de toda a história da WWE e, na minha opinião, incontestável vencedor de melhor “match” do ano corrente ( e sim, sei que apenas estamos em Maio e que ainda faltam muitos meses para 2018 terminar, no entanto o nível deste confronto foi tão alto que suspeito ser quase uma impossibilidade ser ultrapassado).

E vocês?

  • O que acham do sistema de classificação por estrelas, de Dave Meltzer ?
  • A que combates na história da WWE dariam 5 estrelas e que não estão presentes nesta lista?
  • Dos 8 combates aqui analisados, qual o melhor, na vossa opinião?

Este Espaço do Fontes fica por aqui, mas para a semana estarei de volta: o Money In The Bank começa a aproximar-se e logo que estejamos á porta, contem com uma análise daquilo que poderá ser o PPV.

Até lá … e que o Wrestling esteja convosco!

9 Comentários

  1. Eugen3 há 4 semanas

    Eu incluía pelo menos o 2 out of 3 falls DIY vs Revival ou a Triple Threat DIY vs Revival vs AOP

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      Eugen3, obrigado por teres comentado. Os que falas foram dois grandes combates e tendo em conta que o fato de se classificar com 5 estrelas os que aqui estão apresentados, não invalidar que se classificassem esses também, se calhar mereceriam 5 estrelas também. Agora, se tivesse de escolher ou seja, comparar os 2 combates que referes com os dois melhores – na minha opinião , claro – desta lista, escolheria ainda assim os do Gargano – contra o Almas e contra o Ciampa – que são simplesmente fenomenais e se calhar os dois melhores da história da WWE.

  2. Só uma correção: o Gargano vs Almas não tinha a estipulação de que se o Gargano perdesse tinha de sair do NXT, essa estipulação foi de um combate que eles tiveram no NXT pouco tempo depois!

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      Litos, obrigado por teres comentado e pela correção quando faço estes textos, só vou pesquisar se não tiver a certeza absoluta de algo, o resto faço de cabeça. Neste caso achava estar certo e mesmo depois do teu comentário, continuei a pensar o mesmo, tal era a minha certeza. Logo que pesquisei, fez-se luz: o ” looser leaves NXT ” foi numa taping seguinte ! Tens toda a razão, amigo e muito obrigado pela correção e por estares atento, um abraço!

  3. Vitor Oliveira de Souza há 4 semanas

    Excelente artigo. Acho que tiveram mais “five stars matches” na wwe, mas essa lista do Meltzer são todos grandes combates

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      Vítor, obrigado por teres comentado. Sinceramente, concordo com o Meltzer, todos os da lista são ” five star”, no entanto acrescentaria mais 4 : Bret vs Owen, de que falei aqui no texto, o melhor opener de sempre, na WrestleMania 10; Edge & Cristian vs The Dudley Boyz vs The Hardys, na WrestleMania 17; Shawn Michaels vs The Undertaker, na WrestleMania 25 e Zain vs Nakamura no NXT Takeover. Além destes, não me saltaria á cabeça mais nenhum mas posso estar a esquecer-ne de algum… Grande abraço!

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        Tens também os que o Eugen3 refere acima mas a esses, por exemplo, eu daria 4,90 a ambos: foram enormes combates mas talvez fiquem ainda assim a um milímetro dos que apontei. No entanto, tudo isto é uma questão de opinião e gosto, a verdade é essa!

  4. Bestintheworld há 3 semanas

    Achei o combate do Almas x Gargano melhor, com muito mais técnica. Pra mim, melhor combate do ano até agora.

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      Bestintheworld, obrigado por teres comentado : sendo assim, já somos dois a ter essa opinião, o Almas vs Gargano foi o melhor combate disputado até agora no ano corrente – dificilmente perderá esse lugar, tal foi o seu nível – e quiçá o melhor ” match” algum dia realizado dentro de um ringue da WWE ( apesar de nestas coisas ser sempre complicado apontar apenas um como ” o melhor combate de sempre”). Abraço!

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