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More Than Words #28 – Legitimidade e Caricaturas

Quem diria que Paige algum dia se iria tornar General Manager do Smackdown e que iria fazer um excelente trabalho ao desempenhar esta função? Eu certamente não, mas estou positivamente surpreendido com o facto de assim o ser. Até agora, apesar de não ser nenhum William Regal ou um Eric Bishoff, diria que ela está a fazer um ótimo trabalho, não sendo excessivamente caricaturada, como é o caso de Kurt Angle, do qual já irei falar mais abaxio e oferecendo um realismo e legitimidade à brand azul, que já estava a precisar, à semelhança do que faz Drake Maverick no 205 live. Um exemplo deste realismo e legitimidade que Paige traz, é o segmento entre AJ Styles e Shinsuke Nakamura no último Smackdown Live.

Antes do último episódio do Smackdown, Paige anunciou via redes sociais, que nele iria decorrer a assinatura de um contrato entre AJ Styles e Shinsuke Nakamura, aquando do seu Last Man Standing Match agendado para o próximo PPV da WWE, o Money In The Bank. Ora após este anúncio, todos previam uma assinatura de contrato ao “estilo WWE”, em que esta iria acabar com uma mesa virada do avesso, com alguém a ser atirado contra ela, ou simplesmente com uma briga em que os respetivos lutadores teriam de ser separados. No entanto, não foi nada disso que tivemos, tivemos pois uma assinatura de um contrato feita num espaço interior, o que criou uma atmosfera mais profissional e que acabou com AJ Styles a ser retirado da sala pelos seguranças, após ter dado um estalo ao seu adversário, fruto das provocações deste último. E qual o papel de Paige nisto tudo? Perguntam vocês. O papel que Paige teve nisto tudo foi comportar-se de maneira profissional, sem reações exageradas e sem fazer um grande alarido da situação. Neste segmento, apesar de não ter feito nada de extraordinário, nada que ficasse na memória, Paige comportou-se como uma verdadeira General Manager deve comportar-se e por mais estranho que pareça, muitos não o conseguem fazer.

O mais recente exemplo disso, é o atual General Manager da Brand Rival, o WWE Hall Of Famer Kurt Angle. Quando Kurt Angle foi anunciado por Vince McMahon como o General Manager da brand vermelha, foi recebido com euforia e entusiasmo, pensando os fãs que este iria fazer um melhor trabalho do que o seu antecessor, Mick Foley. A verdade é que eu não sei qual dos dois fez um melhor ou pior trabalho, Kurt Angle até agora, tal como Mick Foley, tem agido como uma caricatura, ou seja, agindo de forma exagerada, com reações e comportamentos que se vê à distância que não são genuínos. Basta olhar para a forma como este reagiu aos constantes ataques entre Braun Strowman e Roman Reigns, no ano passado, ficando com uma expressão facial algo cómica e estranha, em vez de criar aquela atmosfera pesada que esses momentos precisavam ou para a forma como este fala ao telemóvel em todos ou praticamente todos os episódios, criando sempre um diálogo um pouco estranho e nada realista, com a pessoa que supostamente está do outro lado.

A verdade é que o sucesso e o carisma que se têm em ringue e como wrestler, muitas vezes não transparecem quando se desempenha outro papel, como o de uma figura de autoridade. E Kurt Angle e Mick Foley são os mais recentes exemplos disso. Para se ser uma boa figura de autoridade, é preciso primeiro mostrar que se tem autoridade, não é necessário caír-se no exagero da ditadura de Stephanie McMahon e Triple H, mas é preciso mostrar quem é que manda ali, é preciso levar ou pelo menos fazer parecer que se está a levar o cargo com seriedade e profissionalismo, tal e qual como Paige e Drake Maverick têm estado a fazer até agora nos seus respetivos programas e é preciso acima de tudo saber interagir com o público e fazê-lo acreditar que é de facto ele ou ela, enquanto figura de autoridade, que decide o rumo do seu show e não os wrestlers que fazem parte dele. E ninguém vê isso em Kurt Angle, ninguém vê em Kurt Angle, alguém que já foi vitíma do emasculamento de Stephanie McMahon e Triple e que não é capaz de se afirmar perante eles e alguém que não consegue controlar na maior parte das vezes, os constantes ataques e decisões de muitos dos seus superstars, uma figura de autoridade capaz de representar um show como o Monday Night Raw, a suposta principal brand da WWE.

Mas não são só as figuras de autoridade que precisam de ter legitimidade, esta característica é também ela fulcral para um comentador. E agora dando outro exemplo de um wrestler que teve de pendurar as botas mais cedo do que gostaria, trocando os ringues pela mesa de comentadores, Corey Graves, ex-wrestler, sem qualquer experiência como comentador, é neste momento uma peça essencial na mesa de comentadores do Monday Night Raw. Este consegue conciliar o seu humor sarcástico e sempre a favor dos heels, com um profissionalismo e uma assertividade, que se não se conhecesse o seu passado, diria-se que este tinha sido comentador toda a sua vida. Enquanto nos comentários de Michael Cole se vê claramente que é Vince que lhe está a dar diretamente ordens para o que este deve dizer, tornando-o algo robótico, quando Corey Graves fala, temos uma perspetiva diferente do que se passa em ringue e ao invés de assistirmos a um combate de wrestling como parte de um negócio, estamos a assistir a um combate de wrestling como parte de um show de entertenimento que é suposto ser.

Estou a falar de Corey Graves, como poderia estar a falar de Mauro Ranallo ou Nigel McGuinness, apenas o escolhi a ele, para comparar com o exemplo de Paige como GM, ambos tiveram que abandonar os ringues prematuramente por lesão e ambos se revelaram surpreendemente eficientes nas suas respetivas novas funções e trouxeram nos seus respetivos papeís, uma maior legitimidade e um maior realismo ao produto da WWE e a esta forma de entertenimento que é o wrestling. Aliás, são exemplos como este que me fazem considerar o wrestling como um show de entertenimento e não como um negócio e não é ouvir a toda a hora que a WWE Network é grátis no primeiro mês e que a sua subscrição custa apenas 9,99 doláres por mês, que vai fazer isso. Eu compreendo que a WWE, tal como todos os negócios, tenha de fazer publicidade ao seu produto, contudo não acho necessário relembrá-lo a cada 5 em 5 minutos, mesmo que isso implique desviar as atenções do seu principal produto, que é o wrestling em si.

Com tudo isto, eu pretendo dizer que eu gosto de ver wrestling como um show de entertenimento e não como um negócio, apesar de saber que é ambas as coisas, contudo esse entertenimento, pelo menos para mim e para a maior parte dos fãs, não passa por figuras de autoridade caricaturadas, isso torna o wrestling também ele uma caricatura e cada vez mais suscetível a comentários pouco fundamentados como “isso é tudo a fingir” ou “não vês que isso não é real” e embora sabendo que o wrestling não é um desporto de artes marciais como é o MMA, também sei que têm que existir limites entre o irrealista e o absurdo e neste momento Kurt Angle como figura de autoridade e os comentários formulaicos e repetitivos de Michael Cole e de muitos dos seus companheiros de profissão, cabem na segunda categoria. Daí o facto de estar exaltar o desempenho de Paige e Corey Graves nas suas respetivas funções, que neste ambiente caricaturado da WWE, sobressaem e se destacam pela positiva.

E tu?

  • O que tens achado do desempenho de Paige como GM do Smackdown?
  • Concordas que Kurt Angle tem sido retratado de forma algo caricaturada?
  • Neste momento vês o wrestling mais como um negócio ou como uma forma de entertenimento?

Obrigado a todos o que leram este artigo, infelizmente não conseguirei publicar outro no próximo domingo, devido a exames escolares. Por isso, muito provavelmente, vemo-nos daqui a duas semanas com mais um More Than Words.

6 Comentários

  1. duzonraven há 2 semanas

    Concordo com tudo que falaste, na minha opinião Nigel McGuinnes e Corey Graves são os melhores comentadores, exatamente por trazer um outro olhar sobre o wrestling, mais técnico, e não exagerado e caricaturado como os outros, o mesmo valendo em relação a Paige

    • Obrigado, de facto o Nigel e o Corey são os melhores comentadores na WWE este momento, porque além de serem autênticos e profissionais naquilo que fazem, têm a sorte de não serem “marionetas” de Vince, no sentido em que não estão constantemente a ser bombardeados com aquilo que devem e não devem dizer. E isso dá-lhes mais margem de manobra para serem genuínos e oferecerem algo mais aos combates em questão, do que por exemplo repetir vezes sem conta o preço de subscrição da Network.

  2. Júnior 007 há 2 semanas

    Está certíssimo Paige e a melhor general manager dos últimos tempos só perde para o Erick bishof pois ninguém supera esse homem.

    Kurt angle parece que está meio perdido como general manager , acho que a Stephanie deveria ser a general manager e o triple h o comissário do RAW acho que o público voltaria a assistir o show , de a autoridade foi a melhor coisa que a WWE fez nos últimos anos .

    • Acho que ainda é muito cedo para classificar a Paige como melhor GM dos últimos tempos, mas se no futuro continuar a desempenhar este cargo, como tem desempenhado até agora, será uma das melhores concerteza.

      Quanto à Authority, tenho que discordar um pouco, pois apesar de serem figuras de autoridade muito mais legítimas do que Kurt Angle, os anos em que estes tiveram no comando foram um pouco formulaicos também, abrindo sempre os episódios com uma promo de 15, 20 minutos em repetiam sempre o mesmo. E como disse no artigo, a Authority, mais Stephanie, do que Triple H, exagerava muito no poder que tinha, chegando a prejudicar a credibilidade de muitos superstars do seu show.

  3. BRUNOju. há 2 semanas

    Acho que também é muito difícil se dar bem num mesmo programa que Stephanie McMahon e Triple H (levando em consideração os personagens da dupla), pois o GM parece ser sempre humilhado e rebaixado.

    Só no SmackDown por exemplo, a Paige está sozinha, o Shane não aparece para se meter nas coisas. Deve ser mais fácil, mas, também nada tira o mérito da branquelinha, que está arrasando como sempre.

    • Sim, é verdade, Kurt Angle estando no mesmo programa que Stephanie e Triple H, é constantemente rebaixado, no entanto isso não invalida que ele não pudesse marcar um pouco mais a sua posição face à Authority, eu sei que dado eles serem os seus superiores, isso é um pouco difícil, mas isto de não conseguir fazer nada, de não os enfrentar, está a prejudicar e bastante a sua personagem.

      Quanto Paige, também tens razão, é de facto de facto mais fácil ser se GM com Shane McMahon como chefe, do que com Triple H e Stephanie, mas há que dar o mérito a Paige por até agora ter estado mais que a altura do desafio, mantendo-se sempre assertiva nas suas decisões e simples, mas eficaz, realista e sem caricaturas, na maneira como gere o programa.

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