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More Than Words #49 – Underdogs e Heróis

há 8 meses Artigos 4

8 de outubro de 2017, Sami Zayn ajuda o seu inimigo de longa data, Kevin Owens, no seu combate contra Shane McMahon. 19 de agosto de 2018, Becky Lynch revolta-se e destrói a sua então melhor amiga Charlotte, à cadeirada. 24 de outubro de 2018, Johnny Gargano é revelado como o homem por detrás do ataque a Aleister Black num parque de estacionamento, que o deixou de fora durante três meses. 13 de novembro de 2018, Daniel Bryan vence o título da WWE, derrotando AJ Styles após um golpe baixo a este último.

Portanto, 4 dos babyfaces mais puros e credíveis da WWE, deixaram de o ser. 4 dos poucos underdogs que ainda restavam na WWE, são agora tudo menos isso, tendo mais sucesso com as suas novas gimmicks, do que alguma vez sonhavam ter enquanto underdogs. A WWE, neste ano, matou por completo o termo underdog.

O significado deste termo, que é maioritariamente aplicado no mundo desportivo, é uma pessoa ou equipa que tendecialmente tem menos hipótes de vencer, quer seja pelo físico, quer seja pelo poder que tem, quer seja mesmo pela personalidade. O underdog é aquele que luta de forma árdua e honesta para chegar ao topo, aquele que vai vencendo todos os obstáculos que lhes vão sendo impostos, sempre de forma honesta e que vai sendo substimado em relação a outras pessoas. Becky, Sami, Johnny, Daniel, todos estes foram este tipo de personagem, todos estes tiveram que vencer barreiras e obstáculos e todos eles foram considerados heróis e aonde é que isso os levou? A nada. Sami Zayn andava perdido pelo Smackdown, a fazer aquilo que Finn Bálor no RAW atualmente, ou seja, tentar enfrentar os maus da fita, saindo sempre por baixo. Becky Lynch, examente a mesma coisa. Johnny Gargano lá ia ganhando uns combates, mas nunca conquistando nada a solo e Daniel Bryan, era popular, ganhava combates, mas já não era o favorito dos fãs, já estava a deixar de ser especial.

Quando um ex-vaudevillain te derrota em pouco tempo e se ri da tua derrota, é sinal que estás a fazer algo de errado.

Assim sendo, estes 4 superstars, todos de maneiras diferentes, viram o papel que desempenhavam, mudar totalmente. Sami, Johnny e Bryan ficaram com o papel de heels irritante e Becky não bem como heel, mas sim como anti-herói, mas todos eles, por motivações diferentes, tiveram que deixar de ser underdogs, possivelmente porque este termo foi mudando, ou melhor, foi deixando de estar relacionado com o que era, um underdog era considerado uma espécie de herói, mas será que atualmente ainda o é?

Um herói é um indivíduo que se destaca por um ato de extraordinária coragem, valentia, força de carácter e alguém que é admirado por qualquer motivo, constituindo o centro das atenções e isso na WWE já não é possível sem uma atitude que vá contra as “regras do jogo”, já não é possível com o simples derrube de obstáculos e um indíviduo até pode reunir todas as qualidades acima referidas, como a coragem e a valentia, mas no final não é capaz de obter as vitórias que carregam consigo a admiração e o centro das atenções. E é isso tem que acontecido com Becky Lynch e Daniel Bryan. Becky era e é uma guerreira e como tal estava sempre pronta para um desafio e isso ainda não mudou, mas enquanto há uns meses atrás era uma guerreira sem conquistas, uma guerreira cujo único motivo de admiração era o facto de ser guerreira, agora já conquistou não só o prémio que tanto queria, o título, como também uma ainda maior legião de admiradores que a considera como uma heróina, não por estar a fazer o correto, mas por estar a fazer aquilo que acha correto – Força de Carácter e Coragem.

O caso de Daniel Bryan já foi mais diferente e ainda é muito recente para tirar grandes conclusões, mas a verdade é que Bryan estava a começar a perder a relevância. O termo que este ajudou a popularizar, estava já espalhado por muitos superstars do mesmo roster que ele, AJ Styles era o herói do povo e não ele, Cien Almas era aquele que os fãs mais queriam ver em ringue e não ele, de que é que lhe valiam virtudes como a coragem e a valentia, quando os outros é que recebiam uma maior atenção e eram o centro das atenções? Bryan era só mais um membro do roster e neste momento é campeão da WWE. Jogar um jogo limpo foi a sua primeira opção e isso levou-o a ser ofuscado após um retorno quase milagroso aos ringues, Por isso foi necessário mudar o esquema, ser um herói não valia de nada sem vitórias significantes.

Se não tivesse feito o que fez, provavelmente nesta foto estava só a segurar o título para entregar a Charlotte.

E um herói precisa disso, precisa de vitórias significantes, precisa de conquistas que possam provar aos seus fãs que aquilo que estão a fazer compensa e para os 4 superstars, para os 4 ex-underdogs que eu referi neste artigo, isso não estava a acontecer, estes estavam apenas a demonstrar aos seus admiradores que por mais que se esforçassem, a sua única recompensa seria o respeito e o carinho das pessoas e por mais louvável que seja, não é o suficiente. Um herói, tal como um underdog, precisa de vencer, caso contrário é apenas um fraco, apenas alguém que faz o percurso quase todo e não consegue chegar à meta e isso não inspira ninguém.

Por esse motivo os underdogs foram praticamente extintos, aqueles que o eram tiveram que adotar novos papéis, Sami teve que se aliar ao seu inimigo de longa data, pois era talvez a única forma de conseguir algo que consolidasse os seus anos de trabalho, Becky teve que atacar a sua melhor amiga, pois os frutos do trabalho que tinha, eram todos colhidos por Charlotte, Gargano foi forçado a recorrer a uma tática cobarde, pois provavelmente sentiu que essa era única forma de conseguir mostrar aos fãs que não é apenas um fraco e Bryan recorreu também a uma certa cobardia para provavelmente dar a confirmação a todos estes que viraram heels antes dele, que de facto só a jogar sujo, é que neste momento na WWE, se alcança a meta cujo percurso demorou anos a ser percorrido.

2018 foi por isso, um ano dominado pelos heels, os vilões, por aqueles que vão contra as regras e ainda aqueles que têm uma clara vantagem física em relação aos outros, ou seja, o oposto de underdogs. O campeão universal é uma besta imparável que raramente aparece, a campeã feminina do RAW é uma Powerhouse que atira seguranças pelo ar, o campeão do NXT é o homem que traiu o seu melhor amigo a sangue frio e a cara da companhia, que embora esteja agora ausente, não é propriamente alguém que costume jogar pelas regras. Para além disso, indo agora para outro universo, vimos nos cinemas, num filme de super-heróis, o vilão a aniquilá-los todos e portanto, se o termo herói.

Uma imagem do repugnante heel, que apoia fervorosamente o ambiente e o veganismo, que falta de carácter e de bom senso, apoiar o planeta terra?…, só pode ser doente…

Obrigado a todos os que leram este artigo, em princípio para a semana não irá sair artigo e por isso vemo-nos daqui a duas semanas com a 50ª edição do More Than Words, que irá ser especial!

4 Comentários

  1. Bom artigo mas fiquei com uma dúvida quanto ao mesmo :p a quem te referes quando falas da cara da companhia que está ausente e que não costuma jogar dentro das regras?

    • Obrigado, eu estava a falar de Roman Reigns, que não era um heel, é certo, mas também não era de todo um babyface que agia sempre de acordo com as regras.

    • Falando nele, não sabes nada a respeito da sua recuperação?

    • Por acaso não, a WWE não tem revelado nada, o próprio Roman também não, acredito que ele queira manter isso um assunto privado, o que é totalmente compreensível.

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