More Than Words #51 – WWE em 2018: O Ano das Mulheres, do Dinheiro e da Afirmação do NXT

há 8 meses Artigos 4

Chegámos ao final de mais um ano, 2018 está mesmo acabar e estamos na altura em que toda a gente começa a fazer uma restrospetiva do seu ano e a formular resoluções para o ano que vem. Na internet fazem-se tops que compilam as melhores, as piores, as surpresas, as desiluções do ano e o que eu vou fazer neste artigo não será muito diferente. Não irei fazer um top, pois os meus artigos não consistem nisso, mas irei pois olhar para o que marcou este ano de 2018 na WWE

Este ano foi sem dúvida um ano de afirmação do wrestling feminino na WWE. Três das maiores estrelas da WWE atualmemente são mulheres, houve lugar para um PPV exclusivamente feminino, o Evolution, que foi só um dos melhores PPV’s do ano da WWE, o Mae Young Classic teve mais uma edição, que contou com excelentes combates, sendo um deles da nossa Killer Kelly, enfim, as mulheres estão em alta na WWE, e é totalmente merecido, pois de facto talento é algo que não falta nestas senhoras, que já não estão apenas a provar que conseguem competir com o wrestling masculino, mas que conseguem inclusive fazer melhor.

Como eu disse, três das maiores estrelas que a WWE tem atualmente são mulheres. Falo portanto de Ronda Rousey, Becky Lynch e Charlotte Flair. Ronda Rousey é a grande estrela da WWE neste momento, não há dúvida, este ano ela sozinha garantiu mais de 50 milhões de visualizações ao canal de youtube da WWE, teve um dos melhores anos de rookie de sempre na WWE e é inclusive a atual campeã feminina do RAW. A diferença de Rousey para as outras duas, é que esta já era uma estrela antes da WWE, Rousey é uma personalidade de Mainstream, Rousey não precisa da WWE, é a WWE que precisa de Rousey e  juntando todo este star power com uma enorme rapidez de adaptação a um desporto diferente, visto que Rousey trocou o MMA pelo wrestling apenas este ano, é fácil de se perceber o porquê de esta ser a estrela que é.

Todo este starpower de Rousey e a forma como a companhia a trata deviam estabelecê-la como a incontestável estrela feminina da WWE, mas não. As duas ex-melhores amigas, Becky Lynch e Charlotte Flair estão neste momento no mesmo patamar de Rousey. Lynch desde que traiu a sua melhor amiga tem sido uma autêntica super estrela intocável, ninguém neste momento é capaz de a ofuscar, nem mesmo Rousey. Becky é a escolhida pelo público, é a anti-heroína que todos querem no topo e que faz com que ela não consiga ser Heel mesmo com todas as tentativas de Vince para que isso acontecesse. Ela é boa no ringue, melhorou imenso no microfone e transborda carisma, ela está no nível de Daniel Bryan há quatro anos atrás em termos de popularidade e espero que em 2019 isso continue.  Já Charlotte flair, embora não estando no mesmo patamar de carisma destas duas senhoras que já referi, o seu trabalho em ringue colmata essa diferença, ela é capaz de ser a melhor wrestler feminina, em ringue, na WWE neste momento, esteve em  praticamente todos os melhore combates femininos da WWE este ano e esse talento, aliado ao seu impressionante porte físico, fazem delatambém uma super-estrela, sem precisar sequer do apelido para tal.

Estas três atletas têm tudo para estar no main-event da WrestleMania este ano. Quer dizer…tudo tudo não, não são part timers…

Do lado masculino, estamos neste momento sem nenhuma grande estrela, visto que a principal estrela teve de se afastar dos ringues, devido a uma doença, no momento mais triste de 2018. Reigns era e ainda continua a ser a maior estrela da WWE atualmente, é o único que consegue talvez equiparar-se aos part-timers em termos de estatuto e star power. Rollins está quase lá e pode eventualmente lá chegar depois de um 2018 fantástico que começou com uma fantástica participação de 65 minutos num gauntlet match do RAW. 2018 foi ano de afirmação de Rollins como The Man na WWE, desculpa Becky, sendo que este através das suas constantes ótimas prestações dentro do ringue elevou o título intercontinental a principal título do RAW e tornou-se talvez no babyface mais credível na WWE, a par de AJ Styles.

Styles também teve um grande ano, talvez não tão bom como 2017, mas na mesma um excelente ano, visto que passou a maior parte dele com o principal título do SmackDown. Styles, tal como Rollins, conseguiu ser constantemente ótimo cada vez que pisou o ringue, vendeu uma data de merchandise e tem algo que não é nada de fácil de conquistar, mais difícil que qualquer título na sua carreira, que é o apoio de Vince. Styles tem todo o apoio e confiança por parte de Vince e isso só mostra o quão fenomenal e especial este é. No entanto, infelizmente nenhum destes dois, Rollins e Styles, apesar dos seus excelentes anos, nem mesmo Reigns, conseguiram atingir bem o star power de Lesnar ou de Cena e é por isso que digo que neste momento não se pode dizer que haja uma grande super-estrela na WWE. Por isso, em 2019, espero grande coisas destes três senhores e que o que está fora dos ringues possa regressar depressa e que quiçá um deles ou de preferêcia os três consigam atingir um patamar que ainda nenhum lutador masculino desta geração atingiu.

Aproveito o poder de invisibilidade do Cena, para mostrar os três nomes que são neste momento as três maiores estrelas da companhia na minha opinião, se forem bookados mesmo como estrelas, daqui a uns anos já se podem dar ao luxo de se ausentar da WWE com títulos e aparecer quando o dinheiro chamar.

Portanto, todos estes nomes que eu referi até agora são aqueles que mais vendem bilhetes, aqueles que estão no topo da pirâmide da WWE atualmente, mas o ano de 2018 da WWE não se resumiu apenas a estes nomes. Não, vimos nomes como Drew McIntyre, Buddy Murphy e Tommaso Ciampa no NXT a resurgirem dos mortos e a marcarem os seus nomes na história da WWE, vimos nomes como Shinsuke Nakamura, Sasha Banks e Kevin Owens a fazer precisamente o contrário, descendo bastante na hierarquia da WWE, vimos nomes como Velveteen Dream e Mustafa Ali a mostrarem o que valem e a surpreenderem tudo e todos com o seu talento, vimos Johnny Gargano, Ricochet, Undisputed Era e Shayna Baslzer a afirmar-se no NXT, assistimos à queda e ao resurgirmento de Asuka, assistimos ao regresso milagroso e ao heel turn chocante de Daniel Bryan, vimos, ou melhor não vimos, nomes como Tye Dillinger, Zack Ryder ou Apollo Crews nos nossos ecrãs durante muito tempo, vimos nomes como Big Cass e Enzo Amore a sairem da WWE  sem muitos remorsos por parte da companhia ou mesmo por parte qualquer pessoa no Roster, vimos Jinder Mahal a encontrar o seu Shanti e a perder o seu título e credibilidade, vimos Nia Jax tornar-se na maior heel feminina e talvez masculina da atualidade, vimos Baron Corbin a perder cabelo e a ganhar uma posição de destaque, mas não por muito boas razões e vimos um nome, Brock Lesnar, como campeão, quase o ano inteiro e que devido a sua ausência frustrou todos os fãs. Foram estes os principais nomes que na minha opinião marcaram o ano de 2018 na WWE.

Escolhi esta imagem deste amigável senhor que vêm na fotografia para representar todos os nomes de superstars que citei em cima, no fundo estou só a copiar a WWE.

Contudo, nem tudo de importante se passou dentro dos ringues na WWE este ano, afinal de contas este foi o ano em que a WWE decidiu começar uma aliança com a Arábia Saudita, um país que supostamente vai contra tudo aquilo que a WWE tem feito até agora com a revolução feminina, foi o ano em que ícones como Bruno Sanmartino e Vader infelizmente deixaram de estar entre nós, foi o ano em Hulk Hogan reatou a sua relação com a empresa, o que não aconteceu claro sem muita polémica à volta do assunto, foi ano em que Randy Orton viu a sua reputação já não muito boa, em risco de ser completamente manchada, foi o ano em que tivemos a primeira comentadora feminina na WWE, Renee Young e mais importante de tudo, foi o ano em que o NXT se afirmou de vez como brand superior, em que o SmackDown se aguentou como A-Show que tem sido nos últimos anos e em que o RAW colapsou completamente.

Portanto, eu não vou seguir os clichês e dizer que este foi mais um ano cheio de altos e baixos para a WWE, o 2018 da WWE esteve uns furos abaixo do expectável, considerando como começou e o talento que têm disponível e se eu tivesse que resumir este 2018 da WWE em poucas palavras, diria que foi o ano das mulheres, do dinheiro e da afirmação do NXT.

Acabo este artigo com a foto que melhor define o ano de 2018 na minha opinião, no meio temos aquilo que a WWE teve de bom, o NXT e a afirmação das mulheres (eu sei que é a Stephanie, mas foi ela que esteve presente em todos os segmentos femininos), na esquerda temos uma representação do porquê de não haver estrelas masculinas na WWE, neste momento e na direita temos o grande responsável pela qualidade que o RAW apresentou este ano.

Obrigado a todos os que leram este artigo e a todos os que acompanharam este espaço ao longo deste ano, é um prazer escrever no maior site de wrestling de língua portuguesa, desejo-vos a todos um bom ano e vemo-nos no próximo More Than Words, que será o primeiro de 2019.

4 Comentários

  1. Anonimo há 8 meses

    nao referir o miz como um dos melhores do ano foi a grande lacuna de um bom artigo.

    • Obrigado, eu tentei incluir tudo aquilo que mais relevante aconteceu este ano, mas claro que iria haver alguma coisa da qual me esqueceria 😅. O The Miz até teve um bom 2018, mas não sei porquê acho que em 2017 ele foi mais impactante e revelou o seu verdadeiro potencial. Em 2018, na minha opinião, este apenas confirmou o seu potencial, portanto acho que mesmo que eu me tivesse lembrando de o incluir no artigo, não faria muito sentido.

  2. Anônimo há 8 meses

    bom artigo, em relação as mulheres, eu só lamento pela Sasha Bank ter sido tão desvalorizada pela wwe, e não poder está incluída estas três estrelas, pois talento para isto a Sasha tem de sobra,
    quanto aos Homens, Seth Rollins só precisa vencer o Royal Rumble Match. e depois ganhar o título universal na wrestlemania para chegar lá, e se firmar como uma grande estrela, quanto a Roman, as últimas notícias sobre ele são muito animadora, Seth Rollins falou em uma entrevista nesta última sexta-feira. que Roman está indo muito bem em seu tratamento, e que mais cedo ou mais tarde, ele deverá retornar as ringues da wwe, que sabe com um pouco de sorte o retorno de Roman seja mais cedo…

    • Obrigado. Eu também gostava que a Sasha pudesse estar no patamar que estas três estão neste momento, ela é uma das minhas preferidas e tem tudo para também ser uma estrela, é pena o booking penoso este ano.

      Quanto ao Rollins vencer o Royal Rumble, isso seria fantástico, pelo menos para mim que sou fã dele e oxalá seja ele a tirar o título ao Lesnar na mania. Em relação ao Roman, ainda bem que está a correr tudo bem, estou curioso para ver o pop dele quando voltar, digo quando e não se, porque acredito que ele volte, mesmo tendo em conta a seriedade da sua doença.

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