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Top Ten #203 – 10 WWE Superstars… contentes por estar de volta

Novembro já está aí, o que nos assusta como o lembrete de que ainda ontem era Verão e o Natal já está aí. Ou então porque dias recentes pareciam mesmo de Verão e estou a ver que passar o Natal na praia – deste lado do Atlântico – já esteve mais longe.

Mas não é isso que aqui importa mesmo que se calhar até seja mais interessante. O que é de relevo aqui é mais um Top Ten que vos trago e ainda em seguimento dos temas das últimas semanas, que já tinha anteriormente anunciado. Já falei dos que se andam a safar bem lá fora, do que não se andam a safar tão bem. Agora vou listar os sortudos que saíram e para quem as portas se mantiveram abertas para voltar. Boa malta que deve estar contente por estar de volta “a casa”.

10 – Shelton Benjamin

Também não é caso para dizer que andasse a passar fome antes e que agora esteja aí com as luzes da ribalta todas sobre ele. Ring of Honor, New Japan Pro Wrestling e Pro Wrestling Noah foram algumas das casas por onde passou e levava estrelato no seu nome. Agora, de volta à WWE, anda a recuperar terreno no plantel, na divisão de equipas. Quem acaba por estar mais feliz com o seu regresso acabamos por ser nós!

Mas acho que Shelton também não tem razão de queixa. Com um bocadinho de nostalgia, ao dar-lhe um novo Charlie Haas na forma de Chad Gable e Shelton pode voltar a dominar a divisão de equipas da WWE e exibir os seus dotes extraordinários perante uma plateia bastante receptiva.

Pode nem ser o gajo mais relevante ali mas acredito ainda no crescimento da sua equipa, que já começa agora a sua caça aos Smackdown Tag Team Championships. E não é que ele nas suas passagens anteriores tivesse sido mais do que midcarder. Desde que não lhe tragam a “mãe” de volta à TV, acho que ele se fica a dar muito bem.

9 – The Brian Kendrick

Pronto, já devem ter percebido que o fundo da lista não está repleto dos gajos mais sedentos e desesperados pela chamada para voltar àquela casa. Brian Kendrick também andava a dar-se muito bem, só passava por casas bem concorridas e já é um veterano com um nome a servir de chamariz onde quer que participe. E tendo em conta que esta já é a terceira vez que ele regressa, até dá a entender que a relação entre Kendrick e a WWE é muito instável.

Mas acho que é bom para Kendrick, já como veterano, voltar à WWE, especialmente quando agora ocupa uma posição mais respeitosa. A disso mesmo, um veterano. Já foi treinador no NXT e agora anda pela divisão Cruiserweight onde, não só já pôde desfrutar de ser Cruiserweight Champion, como também vai orientando alguma da outra malta a impôr-se no ringue das cordas roxas.

Também é um caso de sermos nós e o 205 Live a beneficiar mais com a presença de Kendrick e ele, de qualquer das formas, tem a sua própria Brian Kendrick’s Wrestling Pro Wrestling. Mas acredito que seja uma boa fase, não sei se será a sua corrida final ou não, mas é um bom sítio para se retirar. E é ele que em TV muito fala na sua nova oportunidade…

8 – Mickie James

Eu prometo que as coisas intensificam-se e justificam-se um pouco mais após estas primeiras entradas. Para encher aquecer a contagem, começo aqui com alguns casos de malta que não se andava a dar mal, nada disso, e que somos nós quem está bem mais contente por vê-los de novo.

Mickie James também construiu uma carreira estupenda na sua primeira passagem na WWE e levou um nome gigante para onde quer que fosse, sendo a sua primeira paragem a TNA, onde arrecadou mais ouro ainda. Até é cantora country por cima disso tudo, caso os ringues realmente se tornem cansativos demais. Mas foi bom para ela também voltar à WWE, em vez de ir competindo numa independente aqui ou ali. Mesmo que actualmente a sua história tenha a vilã a dizer que ela é demasiado velha – pouco antes da sua saída tinha as vilãs a chamar-lhe gorda – o propósito é exactamente o contrário, mostrar que ela ainda pertence ali.

Mesmo com períodos mais despercebidos, actualmente Mickie James vai competindo pelo Raw Women’s Championship e tem reacções do público, de quem sabe bem quem ela é. É bom tê-la de volta mas também será muito bom para ela fazer parte do tão renovado plantel feminino da WWE… Como uma igual a elas e tão relevante.

7 – Curt Hawkins

Vá, não pensem que estou tolo por incluí-lo aqui. Tenho a perfeita noção do que ele anda a fazer e do seu valor. E posso garantir-vos que nem me importava nada de ser o Curt Hawkins. Curiosamente, mais relevante que o que estava antes de sair e inevitavelmente mais relevante que fora da WWE.

Fora uma passagem pela GFW onde pôde provar ouro de equipas, não era nome que se visse muito por aí. Portanto qual é o mal de regressar à WWE mesmo que seja como um jobber bem pago que até tem a sua streak de derrotas quase recordista como gimmick e a dar-lhe protagonismo? Um muito bizarro protagonismo? O gajo até acaba por ser divertido como o gajo que só leva na boca e ainda diz que só cria estrelas. E eles são obcecados com recordes, não me admirava nada que estivessem a construir um recorde de derrotas de propósito para estabelecer o recorde. Seja qual for o recorde, o que é que ele traz? Lá está, protagonismo.

E duvido muito que ele não soubesse para o que ia. Devia estar no contrato dele que ele voltava para aprimorar o midcard baixo do plantel e servir de jobber. E lá deve ter pensado que, se não rendia muito a saltar de indy em indy… Porque não divertir-se a levar uns bananos… E a ganhar muito mais? Repito-o, não me importava de ser o Curt Hawkins!

6 – Percy Watson

Olha este. Gajo que muitos se calhar nem se lembravam de ele ter lá estado antes e que se calhar até nem se lembram de lá estar agora. Anteriormente, lutador atlético e barulhento na FCW e NXT nas suas antigas encarnações, actualmente comentador do NXT. E já não é mau, toda a gente ouve a voz dele num dos melhores programas semanais da WWE.

Por acaso não é lá grande comentador, não. Há qualquer coisa na WWE que faz com que tenham que ter um terceiro comentador na mesa, que não se tenha safado como wrestler e acaba por dar em comentador, mesmo que também não seja assim muito bom nisso. E aí olho na direcção do Byron Saxton e do David Otunga. E agora temos Percy Watson, de volta à casa onde foi semi-relevante, para voltar a ser o mesmo. Que é melhor que qualquer coisa que ele tenha alcançado fora.

Não anda pelos ringues, mesmo que fosse um gajo atlético e se calhar essa parte até lhe dá pena. Mas ao menos já lá está, até pode ser que a algum momento lhe queiram dar mais uma chance de dar lá uns pinchos. Eu até gostava do splash dele. Pode ser que um dia o tornes a fazer para nós, rapaz!

5 – The Hardy Boyz

Sim, até eles. E eles até tiveram fases em que se pensaria que eles precisariam deste telhado sobre eles. Regularmente batidos pelos seus vícios ou em fraca forma, ambos os irmãos Hardy passaram por fases mais negras. Felizmente souberam reerguer-se e o que fizeram eles? Renovar a sua relevância, tornar-se o acto mais hilariante e “must watch” em todo o wrestling, tornar-se maiores que a própria companhia onde estavam, fazer o mundo adorá-los de uma forma como nunca tinham adorado antes. E estes sempre foram gajos bem amados.

Ainda na TNA, apresentaram o mais tresloucado acto que até acabou por ser inovador em toda a sua loucura e surrealismo. Fizeram o povo assistir ao Impact Wrestling, nem que fosse só por eles. Os “Broken Hardys” eram a melhor cena que nos apareciam dentro de um ringue… E nem sempre estavam dentro de um ringue propriamente. Arenas inteiras na WWE irrompiam em cânticos referentes ao seu acto a cada vez que eram mencionados ou quando alguma palavra os trazia à nossa memória – ainda se lembram quando o Seth Rollins usou a palavra “obsolete” inocentemente numa promo, noutro contexto, e aquele povo já nem se deu ao trabalho de acabar de ouvir o que ele estava a dizer?

Se eles eram um acto assim tão quente, porque será tão importante o seu regresso? Primeiro, o acto não ia poder durar para sempre. E olhando para a nova bagunça – quando não? – em que a companhia se meteu, com crises de identidade, mudanças de nome e as habituais encrencas financeiras e legais e os depois conhecidos conflitos entre os dois partidos… Bem que precisavam de fugir de lá. O seu regresso na Wrestlemania foi um momento inesquecível e são os próprios que se consideram “de volta a casa.” Muitos acham que eles estavam melhor do outro lado por ter a gimmick completamente desenfreada enquanto actualmente não são o principal acto da brand onde estão. Mas tentem lá dizer isso a eles.

4 – Kassius Ohno

Chris Hero, a quem ainda nos vamos habituando a chamar Kassius Ohno, tem um percurso na WWE aos trombolhões. Já era popularíssimo antes de lá chegar – daí se estranhar tanto o novo nome – e já parecia encaminhado para o estrelato. Depois saíram as histórias de conflito com Triple H por este ordenar mais exercício para manter a forma física e Hero/Ohno recusar. Algum tempo depois seria despedido por essa desordem.

Caramba, despedido por isso. Sabendo nós como eles são obcecados com o bodybuilding e a imagem e essas cenas, sem necessidade, fomos quase todos rápidos a tomar o lado do agora outra vez só Chris Hero. Até que começaram a surgir imagens dele no percurso independente. E… se calhar o Hunter e os outros oficiais sabiam o que estavam a dizer. Hero engordara que era uma coisa louca e pareciam caber vários de si só naquela pança larga. Sem querer ser depreciativo, nada disso, mas a diferença foi notável e chocante. Chegámos mesmo a questionar se isso não o prejudicaria a obter bons bookings nas independentes, onde foi sempre uma estrela.

Não perdeu o seu atletismo e ainda se contavam muitos bons combates que ele dava nas independentes. Ganha-se o peso mas não se perde o jeito. Mas aquilo podia piorar e a sua imagem ficar manchada. Logo achei que fosse bom a WWE ir recuperá-lo. Kassius Ohno voltou, ainda bem mais largo que o que era na sua primeira passagem, ainda não tira a camisola para lutar nem por nada, mas já com qualquer coisa a menos e talvez com um regime controlado que o beneficie e ajude. O NXT e nós também saímos a ganhar, mesmo que fosse com um Kassius Ohno a valer por dois!

3 – Kurt Angle

Sim, o gajo é enorme, maior estrela por onde passe, medalhista dourado Olímpico, feito que conseguiu WITH A BROKEN FREAKIN’ NECK. Ninguém lhe tira o estatuto lendário e de um dos melhores wrestlers de sempre. Ele próprio também arranjava os seus problemas, como era o caso do álcool, e pelo qual ainda recebeu uma boa ajuda da WWE quando não estava lá empregado.

Mas o que estaria a seguir para Kurt Angle, após conquistar tudo na WWE, conquistar tudo na TNA e ainda estar só com estatuto de semi-reforma, ainda com algum gás no tanque e uns quantos suplexes e slams para dar? Faltava-lhe ser honrado e homenageado, ter de novo um lugar na ribalta e sacar de uns grandes momentos de vez em quando. Entre a WWE e não vemos como Angle não possa estar contente.

Integrou o Hall of Fame, ganhou um posto como General Manager do Monday Night Raw, até lhe deram um filho e tudo. Ainda usufruiu de grandes momentos em ringue, como o seu regresso no passado TLC e até tem os seus cânticos de “You suck!” de volta, agora com o maior carinho possível. Não precisava de nada para ser relevante ou lá o que fosse. Mas Kurt… Bem-vindo a casa!

2 – Drew McIntyre

O “método McIntyre” podia ser mesmo uma coisa. Já é usado por muitos como exemplo de algo benéfico a fazer para dar um boost à carreira e cada vez o desejam mais a indivíduos a chapinhar na cepa torta como Dolph Ziggler. O tal “método McIntyre” consiste em ter uma queda descomunal na WWE, não conseguir qualquer amostra de protagonismo e relevância outra vez, restando-lhe apenas sair para não se enterrar ainda mais. E fazer um trabalhinho por fora.

Drew McIntyre, ou Drew Galloway, foi grande fora da WWE. Levava estrelato como “aquele gajo muito fixe da WWE a quem nunca lhe deram a merecida chance” e já lhe era permitido fazer coisas como ele sabia e impressionar. Partiu para a TNA onde foi competidor de topo e onde chegou a ser World Heavyweight Champion e era habitualmente um main eventer. E estabeleceu-se como tal. Um main eventer. Resultou essa reconstrução do seu nome e imagem?

Parece que sim. Já regressou à WWE, mesmo que no NXT. Que talvez fosse o lugar indicado para regressar. E lá voltou como uma estrela já formada, tinha respeito e não parecia ter qualquer conexão com o jobber ou gajo dos 3MB que era antes da sua saída. Para selar: é o actual NXT Champion, mostrando que até encabeça a brand onde está e, subindo de volta, para um Raw ou Smackdown, tem que ser tomado em conta e levado a sério. Método McIntyre. Experimentem-no!

1 – Jinder Mahal

Olha o nosso menino! Este é que deve estar nas quintas dele e ainda se deve beliscar e olhar bem para a sua carreira na WWE anteriormente e agora e ver bem quando é que foi mesmo ali o momento da transição. Jinder Mahal era um mero jobber e mais um membro dos 3MB – e não passava do terceiro gajo dos 3MB – antes da sua saída. Fora da WWE, não fez nada de notável, não passou por nenhuma indy que se visse realmente.

Chamaram-no de volta. E estão a ver aquele contrato do Curt Hawkins de que falei? Tinha a certeza absoluta que era um igual para Jinder. Um em cada brand, estão lá para engrossar os plantéis e para jobbar para quem precisasse. Porque era isso que ele andava a fazer. Jinder Mahal era um jobber competente. Depois de vez em quando lá lhe davam alguma passagem pelo midcard médio baixo. Depois foi WWE Champion. Espera, o quê? Como é?

Sim, é essa a vida de Jinder Mahal após o retorno. Saiu como jobber, voltou como jobber, actualmente é o WWE Champion. Já está impresso nos livros de história como o primeiro WWE Champion de origem Indiana, e tem sido o porta estandarte da companhia nessa gigante nação com um enorme mercado que tem sido bastante rentável graças a ele e ao seu reinado, que já dura há quase meio ano e a partir do qual já pôde partilhar o ringue, em posições cimeiras do card, com nomes como Randy Orton e Shinsuke Nakamura e, num futuro próximo, Brock Lesnar ou AJ Styles. Sim, arrisco mesmo a dizer que Jinder Mahal está um bocadinho feliz por regressar à WWE…

São estes dez que assumo eu que estejam contentes por ter recebido aquela chamada a perguntar se queriam fazer uns biscates na velha casa outra vez. Digo eu, se calhar até estão indiferentes e algo tristes. Ainda acho que ali o Jinder deve andar frustrado…

Como seja, todos vivem melhor que eu. Eu cá ando a fazer disto para ter a aprovação de não-sei-bem-quem, a esperar que tenham gostado e que comentem. Não devo ainda passar disto e cá estar na próxima semana, agora com assunto novo. Mas tudo bem, não desgosto disto.

Enquanto lêem isto, é possível que esteja para lados Lisboetas à espera de ver alguma desta malta a rebolar uns por cima dos outros. Para qualquer caso, no recinto, se quiserem gritar pelo gajo do Top Ten para saber se ando lá, experimentem, devo responder. E chamar a polícia a seguir. Estejam à vontade. Até à próxima semana, fiquem bem!

4 Comentários

  1. 13 Cm - há 2 semanas

    Eu sei que é sonhar demais, mas algum dia eu gostaria de ver este tratamento do Jinder sendo aplicado ao Damien Sandow e ao lendário Michael Tarver.

  2. Anónimo - há 2 semanas

    E pensar que o maior talento do 3MB ainda não singrou… Sinceramente, baby.

  3. Rui Ribeiro - há 2 semanas

    Bom artigo.

  4. KILL OWENS KILL - há 2 semanas

    Excelente Top Ten.

    Será que se o Slater tivesse saído e voltado, teria sido campeão mundial num ME de WM? Fica aí a reflexão.

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