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Top Ten #206 – 10 estreias femininas interessantes

Cá está mais um Top Ten, o ano está para acabar, o que será relevante de novo no final deste artigo. O que não parece estar para acabar é este espaço semanal, façam lá disso o que quiserem.

O que também não parece estar para acabar, felizmente, são as divisões femininas do Raw e do Smackdown. Numa altura em que parece que deviam achar que ambos plantéis precisavam de sangue novo e quando já devem ter umas boas contratações novas no NXT para que lá a coisa também já esteja bem ocupada, fomos surpreendidos nos passados Raw e Smackdown. Com o que já seria o enorme regresso de Paige, trouxe mais coisas. Trouxe cinco caras “novas.”

Estreia com impacto. Vamos olhar para dez estreias de lutadoras femininas que tenham sido marcantes, interessantes, peculiares, curiosas? Tanto boas como más? Vamos, eu é que mando.

10 – Emma

Vá, a malta ainda a lidar com ter que se despedir dela e venho eu recordar quando ela chegou. Sinceramente mais vale, recordar. Mesmo que a sua estreia não tenha sido propriamente boa. Um bocado para o parva até. Mais valia recordar quando estreou no NXT como uma Heel que achava que sabia dançar mas que o público achou demasiada piada.

Porque no plantel principal quiseram apresentá-la com piada à força toda e assim já não corre tão bem. A sua estreia deu-se como alguém reconhecível no público, que Santino Marella chamaria ao ringue para um “dance off” com Summer Rae que ganharia e que originaria a sua primeira rivalidade. Daí para a frente ficou associada a Santino como um acto de comédia e já aí lhe arremessaram a carreira pela janela fora. Não me interpretem mal, por acaso achava um piadão aos segmentos do Santino com medo de se declarar a ela, não só porque me revia neles, mas também porque o gajo sempre teve jeito para a palhaçada. Mas não, não era maneira de capitalizar os talentos dela, que eram bem superiores aos de muitas.

Lá lhe mudaram a atitude mas também nunca a aproveitaram em condições, até ao seu recente despedimento. O que dá mais pena ainda. Agora uma estreia mesmo boa? A da Emmalina! A sério, adorei aquilo!

9 – Beth Phoenix

Por acaso ainda bem que esclareci na introdução que isto se referia a estreias que tivessem alguma peculiaridade e que fossem mais fora do comum. Que não tinham que ser boas. Porque começo logo com duas más. Beth Phoenix, agora WWE Hall of Famer, será sempre recordada como a Glamazon, uma lutadora notável pela sua força e talento. Dava para uma óptima estreia com domínio, das mais normais.

Mas isso só veio depois. A sua estreia derradeira tem que ser dos maiores “porque sim”. Beth Phoenix estreou-se em Maio de 2006 como uma aliada de Trish Stratus. E todos nos lembrámos da sua rivalidade mítica com Mickie James – e vamos já recordá-la outra vez. Foi tão banal quanto isso. Mickie atacava Trish e Beth Phoenix surgiu para salvá-la. Mickie James só lhe disse que ela “estragou tudo” e Phoenix afirmava que a ainda actual Superstar do Raw lhe tinha “arruinado a vida.” E foi todo o background que tivemos. Uma atleta daquelas estreou-se, vingando-se de alguém porque lhe fez não sei bem o quê.

Desventuras e haveres que estranhamente vêm por bem, Beth Phoenix lesionou-se e foi enviada de volta para a OVW para que, um ano depois, pudesse voltar a estrear como a Glamazon que hoje recordamos.

8 – Bertha Faye

Um exemplo clássico de alguém que talvez muitos não recordarão mas que demonstra o inverso das entradas anteriores. A estreia na WWF foi boa, o que fizeram com ela dali para a frente é que foi mais… vá, estúpido.

Rhonda Singh foi uma lutadora notável que ainda dominou por outros territórios, tendo passado pela WCW, pela Stampede e pela New Japan, entre várias promoções por todo o mundo. Tinha que ser a WWF/E a sua mancha. Mas estreou em força. Com o nome Bertha Faye, estreou com um impressionante ataque à dominante Alundra Blayze, no qual lhe partiu o nariz. Uma mulher assustadora! Foi tão longe ao ponto de vencer o WWF Women’s Championship no SummerSlam de 1995, mesmo que apenas teria o título por dois meses. Que é quando se daria a borrada.

Após a sua dominante estreia, o interesse em wrestling feminino continuava embaixo e perderam o respeito por ela, forçando-a a uma gimmick cómica e limitando-a em ringue para que não lutasse como um powerhouse. E tinha uma gimmick parva de “comédia” em que o principal factor era o seu peso. Bom aproveitamento. Morreu em 2001 com apenas 40 anos, vítima de um ataque de cardíaco – afinal o seu peso e saúde era mesmo algo sério. Infelizmente o seu legado na WWE foi paupérrimo.

7 – Gail Kim

Evito entradas neste Top Ten como a de Asuka ou até de Kharma, que tivesse as suas vinhetas todas a antever a sua chegada, tento voltar-me o máximo para as aparições surpresa. Mas uma que aqui incluo que teve as suas semanas de tease com vinhetas mas que entra aqui porque depois teve uma estreia do caraças, digna de registo.

Já que falámos em despedidas na entrada 10, também estamos nisso com Gail Kim, que já anunciou a sua retirada no Impact Wrestling, onde já é Hall of Famer, e fê-lo como Campeã. Sabe chegar e sabe ir. A sua chegada à WWE deu-se em Junho de 2002, lá está, após semanas de vinhetas, com alguma estranha gimmick de Matrix. E o que teve o seu primeiro combate, uma battle royal, de tão extraordinário para ser aqui destacado? Estreou a ganhar a porra do título, tornando-se WWE Women’s Champion logo à chegada. O reinado só durou um mês, mas se é para estrear que seja assim!

Esteve na WWE por dois anos, até partir para a TNA onde inauguraria a divisão das Knockouts e se tornaria uma lenda. Voltaria à WWE em 2008 para 3 anos de pouco a nada, saindo mesmo em jeito de “walk out” e sabotando o seu próprio combate, que curiosamente também era uma battle royal – o ideal para ser mais discreto. Ficou o seu último feito para aqueles lados ter andado a brincar aos linguados com o Daniel Bryan. Achou melhor voltar para a TNA onde retomou o seu estatuto lendário até agora, à sua reforma. Legado gigante, mas infelizmente não muito na WWE, mesmo com a estreia de sonho.

6 – The Bella Twins

Não sei bem a quem me refiro aqui. A estreia de qual mesmo é o foco daqui? Ou a estreia do conceito de “Bella Twins”. Gémeas são um conceito? Não sei, isto confunde-me, são gémeas, confundem-me. A única razão por que gémeos foram criados foi para confundir, ninguém me venha dizer o contrário.

Bom, a primeira estreia propriamente dita foi de Brie Bella e foi normalíssima. Ela dirigia-se ao ringue e vencia combates, pronto. Mas havia ali qualquer coisa. Por vezes quando a coisa se dificultava e a menina via-se à rasca, ao cair fora do ringue, rebolava para debaixo dele e voltava estranhamente fresca e revitalizada, capaz de vencer um combate. A coisa começou a ficar suspeita mas assim foi durante uns dois a três meses, quando Victoria e Natalya foram capazes de descobrir e desmascarar que ali debaixo daquele ringue se encontrava mais uma pessoa. Igual. Que trocava com ela. Twin magic! Assim se introduziu Nikki Bella ao mundo, mesmo que… Já a tivessemos visto desde o início, não é?

Dava para fazê-lo na altura, hoje em dia só se levantaria a questão do que raio acontecia debaixo daquele ringue para a Brie voltar mais… avantajada. Mas na altura eram mais parecidas e vieram a ter uma óptima carreira de sucesso na WWE até agora, tanto em conjunto como individualmente. Recordo aqui a estreia delas. Ou dela. Ou delas. Não sei, já disse que isto das gémeas é só para confundir!

5 – A seita de agora

Vá, não sejam uns chatos, era muito nome para pôr no título e aconteceu esta semana. Mas pronto, Sonya Deville, Mandy Rose, Ruby Riot, Liv Morgan e Sarah Logan. Sim, são muitas, porque tinham logo que estrear cinco esta semana, duas no Raw e três no Smackdown. Portanto aceitem aquele título simplificado.

Começou no Raw e já ficámos todos abananados só com o regresso da Paige. Tínhamos saudades dela, é verdade e não fazia propriamente dois ou três meses, era já mesmo muito tempo. Mas como ela disse, estava de volta mas não vinha sozinha. No ringue, Sonya Deville e Mandy Rose, caras conhecidas – mesmo que não propriamente das mais vistas – do NXT, já faziam estragos. Nem nos deixaram recuperar desse abalo, no dia seguinte no Smackdown, as miúdas da casa tiveram que levar com a violência de mais três promovidas do NXT: Ruby Riot, Liv Morgan e Sarah Logan. Da mesma maneira: dá cabo delas todas e a malta lembra-se de ti. É assim mesmo.

Estreia assim, em grupo, e com agressividade, quais Shieldettes ou SHEild, ou o que queiram. Para já, estou a gostar. Acho que estamos todos. E até compreendo a subida de tantas de uma vez. O Survivor Series mostrou plantéis escassos – especialmente no Smackdown – e o NXT deve ter agora uma tremenda remessa de novas contratações do Mae Young Classic. Não eram as lutadoras de topo do NXT como Ember Moon, ou as Iconic Duo ou Kairi Sane, ou Nikki Cross, por exemplo, porque essas ainda fazem falta e têm que fazer lá. Arranja-se algo para estas e por mim tudo óptimo. Como se eu precisasse de muitas desculpas para ter a Liv Morgan no meu ecrã.

4 – Mickie James

Eu disse que íamos voltar a recordar a sua grande feud com Trish Stratus. Porque fez tudo parte da sua amalucada estreia. Mas que foi muito bem pensada. Estreou meramente como uma enorme fã de Trish Stratus. Isso é giro. E demonstrou a sua adoração ao ajudá-la e sendo sua parceira em ringue. Isso também é giro e dá um jeitaço.

Mas a coisa começou a ficar cada vez mais esquisita e Mickie cada vez parecia menos alguém mentalmente estável. A admiração rapidamente se tornou em obsessão, imitação e chegou a ter os contornos lésbicos que aquele depravado que hoje se queixa da classificação televisiva bem queria. Claro que Trish se mostrou cada vez menos confortável com isso e a coisa começou a azedar até que a loucura de Mickie James a faça virar-se contra seu ídolo e dar numa grande rivalidade.

É verdade que tudo isso é um desenvolvimento de meses e não corresponde apenas à sua estreia. Mas na sua estreia como uma mera fã a ajudar a lutadora que mais admirava e a inspirava, já a abrir e a antever os contornos seguintes e apresentá-la como uma potencial doida como se veio revelar, estabeleceu Mickie James e fez questão de a apresentar bem, de maneira a que marcasse e ficasse lembrada. Ainda hoje lá está outra vez. E até “re-estreou” como uma misteriosa lutadora mascarada. Muito fina, nunca é!

3 – Paige

Ela outra vez! Um Top Ten em que se fala muito nela e por acaso até nem fica por aqui. É uma rapariga de momentos iniciais marcantes. Quer seja a apresentar umas amigas novas ao público, como o fez esta semana, como a apresentar-se a ela mesma, como o fez há três anos atrás, naquele Raw em que a malta ainda está com toda a loucura da Wrestlemania no corpo.

Paige, então NXT Women’s Champion, apresentou-se já como uma enorme surpresa, para congratular a Divas Champion AJ Lee. E a malta já tinha fritado completamente só com isso. Mas a coisa não se podia ficar por aí. AJ encheu-se de si mesma e desafiou logo Paige, colocando o seu título em jogo… que a jovem Inglesa conquistaria, para a malta pifar ainda mais. E foi assim que estreou, sem aviso, a ganhar o título. Gail Kim, a ti foi muito fixe, mas assim é um estouro ainda maior.

Com isso fez história ao tornar-se a mais jovem Campeã e a primeira e ainda única na história a chegar a ser Divas e NXT Women’s Champion ao mesmo tempo, até deixar o título vago no NXT para avançar, então, para coisas maiores. Desde aí teve uma carreira de altos e baixos, tendo o seu maior baixo até agora, com a sua longa ausência marcada, inclusive por… Bom, digamos que tínhamos muitas saudades dela e que é bom tê-la de volta!

2 – A tal “Women’s Revolution”

Mais uma vez, um título mais prático para juntar vários nomes. Por acaso só foram três mas também foi assim uma multi-surpresa agradável. Eram elas Charlotte, Sasha Banks e Becky Lynch, já mais que bem estabelecidas actualmente, até parece estranho lembrá-las como estreantes, quando já são das principais caras da divisão e já galardoadas com títulos. Especialmente a Sasha e a Charlotte, que devem ter cerca de duzentos títulos cada uma.

A estreia também se deu de uma vez e chamaram-lhe a “Women’s Revolution” porque foi um termo adoptado pela Stephanie McMahon, o crédito disto é da Stephanie, a Stephanie é melhor que todos vocês e se o disputarem a Stephanie vai gritar convosco e bater-vos. Numa altura em que existiam guerras entre um grupo constituído pelas Bella Twins e Alicia Fox, a dupla de Naomi e Tamina, e Paige a solo – ela outra vez! – Stephanie introduz umas caras novas bem conhecidas para causar uma “revolução”. Adicionou Sasha Banks à dupla de Naomi e Tamina, e fez Paige acompanhar-se de Becky Lynch e Charlotte. Três grupos de três a competir entre si.

Pronto, a tal “Women’s Revolution” em si não foi grande coisa, perderam-se muito no que fazer com elas. Mas foi um bom ponto de partida para o significativo créscimo da qualidade da competição feminina actual, que já demonstrava esses sinais anteriormente com Paige, Emma, AJ Lee e todo o NXT. E a estreia em si foi um óptimo segmento e com um bom momento em que vimos uma aplicação colectiva de submissões, curioso por quase dar nome às PCB – as iniciais bem menos originais – de “Submission Sorority”, nome que já pertencia aí a uma cena de entretenimento para adultos. Seria a última vez que associaríamos qualquer uma delas a isso…

1 – Chyna

Bom, tendo em conta quem ela era e o que ela fazia, já devem estar a imaginar que a sua estreia não foi propriamente numa luta de almofadas, num combate de lingerie ou como vencedora de alguma Divas Search. Para além de que é antes do tempo disso, é a Chyna. Que outra maneira de estrear do que a dar na boca a alguém? Só não foi a um gajo porque não calhou mas ela teria mais oportunidades para isso.

Chyna estreou também como membro da plateia, mas não propriamente como a Emma. Foi logo para estrangular a Marlena / Terri Runnels, enquanto Goldust era derrotado por Triple H. Aquela brutamontes viria a tornar-se guarda-costas e membro oficial dos D-Generation X porque era essa a raça dela. Com o nome irónico “Chyna” como referência a “china”, porcelana, por ter tudo menos a delicadeza desse material, a ainda-não-Hall of Famer apresentou-se com a mesma agressividiade com que prosseguiria na carreira. Sim, para ela não podia ser menos.

Depois de uma carreira bastante galardoada, onde até um título Intercontinental teve, Chyna teve a sua queda, o seu recurso à tal indústria de entretenimento para adultos – e já se anda a falar demais disto por aqui, o que é que aconteceu? – e o visível desespero em ser perdoada pela WWE, deixou-nos o ano passado após uma overdose de álcool e vários medicamentos fortes. E ainda sem Hall of Fame, porque as coisas impróprias que fez não a pode colocar no mesmo lugar honroso que a Sunny.

É este o Top Ten desta semana e segue a veia de acompanhar eventos recentes. Espero que tenham gostado e que tenham vontade de comentar estes momentos, estas dez meninas e senhoras, e acrescentar alguma outra estreia feminina que se lembram que acham que tenha sido marcante ou curiosa. Para a próxima semana já estamos no último mês do ano, logo já é altura de andar a montar pinheiros – olhares de julgamento para aqueles que já o tinham feito – e para olhar para o ano que passou. Aqui pelo Top Ten vai fazer-se o mesmo por algumas semanas e já a partir da próxima:

Vamos recordar o ano de 2017 no Top Ten.

Não propriamente com vulgares “Best of.” Mas após mais de duzentas edições, já sabem o que a casa gasta. Até à próxima!

5 Comentários

  1. “E ainda sem Hall of Fame, porque as coisas impróprias que fez não a pode colocar no mesmo lugar honroso que a Sunny.” Ou o Mike Tyson…

  2. BRUNOju. - há 2 semanas

    Ótimo artigo, estava muito inspirado quando o fez né? engraçadinho, hehe.
    Outra estreia de que eu gosto é da Bayley no ano passado, fazendo dupla com Sasha Banks, mas, não colocaria no TOP 10 mesmo.

  3. TENDEU - há 2 semanas

    FALTOU A LITA

  4. 13 Cm - há 2 semanas

    Bom artigo, acrescentaria a Nikki Cross.

  5. KILL OWENS KILL - há 2 semanas

    Mais um excelente Top Ten.

    A estreia da Paige me faz markar demais…

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