Desde que terminou a sua carreira de lutador, Undertaker nunca escondeu ser crítico do estilo mais moderno de wrestling.
Ainda assim e de forma curiosa, é neste momento o líder da equipa criativa na AAA.
Na sua entrevista a Chris Van Vliet, Undertaker começou por dizer que nunca houve atletas como agora no wrestling, mas que a nova geração esqueceu-se do storytelling.
Tento fazer com que eles se acalmem um pouco no sentido de todas aquelas acrobacias loucas, eu chamo-lhes flippy doos e coisas desse género.
É só que o wrestling já é perigoso o suficiente, e provavelmente já me ouviram dizer isto.
No decorrer de qualquer combate, estás sempre a escassos centímetros de algo verdadeiramente catastrófico acontecer, e quando começas a dar duplos mortais para trás a partir de coisas e a aterrar em cima de pessoas, esse risco aumenta exponencialmente.
Este nível de atletas que temos hoje em dia é, de longe, o melhor da história da nossa indústria. Mas o que acontece é que eles tendem a esquecer-se do storytelling.
E o storytelling não é apenas sobre o enredo que o booker cria. O storytelling é a forma como constróis os teus combates e as coisas a que dás prioridade.
Por isso, tento focar-me em fazer com que eles façam as coisas de forma atlética e agressiva, mas que também façam sentido para um fã que esteja a assistir, porque há muitas coisas que vês e ficas tipo: “Perderam-me porque estão a tentar fazer algo de que fisicamente não são capazes.”
E mesmo que consigam, o nosso público é muito volátil. Vês um duplo mortal para trás, com meio giro para cima de alguém no chão, e se vês isso duas ou três semanas seguidas, ficas tipo: “Ok, já vi isso. Agora o que é que tens para mim?” Certo.
Portanto, estás a dificultar o teu próprio trabalho, em vez de fazer com que a personagem signifique algo.
Sabes, tentar fazer com que a personagem evoque algum tipo de emoção, seja boa, má ou indiferente. Esse é o segredo a longo prazo: ter as pessoas envolvidas ao ponto de quererem ver-te ganhar, perder, dar uma tareia em alguém ou levar uma coça.
Há uma linha muito ténue entre o atletismo e o aspeto do storytelling, e eu tento apenas fazer com que os mais jovens pensem um pouco mais no storytelling.
Às vezes na vida tens mesmo de aguentar a pedalada e dar no duro.
Às vezes tens apenas de suportar os maus momentos, tal como no ringue, tipo: “Este gajo tem estado a levar uma coça, a levar uma coça, a levar uma coça, e finalmente acontece algo e ele acaba por ter o seu push.”
A vida é a mesma coisa, meu. Às vezes só tens de te levantar todos os dias, engolir em seco, aguentar o osso e continuar a dar no duro.
É aí que a vida e o wrestling se imitam, e às vezes demora mais tempo.
Concordas com esta opinião de Undertaker?
8 Comentários
Concordo, ele não é contra o atletismo dos lutadores, mas sem o storytelling o wrestling vira apenas circo.
Este acha-se o maior. Teve uma carreira épica mas cada vez que fala só enterra a sua imagem ainda mais. Melhor seria ficar calado e se afastar de vez do Wrestling.
Clone alert…
Andas desesperado,andas
Uma Mensagem para as focas.
Que agora em modo clone
Mais facil que argumentar,diga-se
Concordo
Acho que desta vez ele se explicou bem e concordo com o que diz!
O que me sempre cativou no wrestling e ainda hoje é a história que vai sendo contada.
Seja através do booking em geral, como da história que vai sendo contada em ringue!
O problema de hoje é que, principalmente na WWE, são combates mais curtos e mais rápidos e sempre com grandes moves e tudo o mais e acaba por perder o interesse mais tarde ou mais cedo.
Dando um exemplo para mim, o JeVon Evans, super atlético e cheio de potencial, mas primeiro ganhava em melhorar o seu aspeto físico, pois tem um ar um pouco banal para estar no topo da empresa (mas já nem vou só por aí) e depois perde-se muitas vezes em alguns combates, pois parece que procura apenas spot atrás de spot.
Quando consegues encontrar o equilíbrio perfeito entre o que ele faz e o que um Gunther faz é o ideal.
AJ Styles no seu pico era isso mesmo. Conseguia entregar excelentes combates técnicos, com algumas surpresas pelo meio, com moves de highflyer, mas sem deixar o storytelling para trás…
Isto tudo
100% de acordo!