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Worst of: The Great American Bash 2006 – Top Ten #237

Sejam bem-vindos a um novo Top Ten, de assunto menos ortodoxo, como já eu tinha sugerido na semana anterior. É malhar em algo mas é um malhar leve porque não está aqui algo de muito horrendo em mãos, não foi um mau evento, mas lembro-me de ter muita coisa que me perturbou na altura, em catraio e que faz deste card um dos mais azarentos que se possam apontar.

Estamos no mês de Julho e muitos diferentes PPVs já se “comemoraram” nesse mês. Por uma feliz coincidência que nem eu fui capaz de calcular de propósito, no dia em que este Top Ten sai “para o ar”, completam-se doze anos desde este Great American Bash. Evento do Smackdown, que atravessava um ano muito bom e que caiu vítima de… Alguns azares. Azares misturados com algumas decisões mais questionáveis. Mas atenção, não foi um mau evento! “Worst of” é um nome cruel mas é o nome da série, e não é nenhuma Wrestlemania IX, a já condecorada com esta medalha. Mas dez defeitos, azares, etc. a apontar a um evento que me marcou, em miúdo, pela confusão.

10 – Sem Funaki ou Simon Dean

OK, vou admitir. Não foi muito fácil preencher as dez posições. Isso acontece, mas também não ia mudar o tema quando já tinha tudo semi-formulado e quase tudo preenchido. Então, para encher, vamos lá queixar-nos de outra coisa qualquer.

O dark match foi entre Funaki e Simon Dean e é disso que me vou queixar. De terem sido o “dark match”! Tinham uma história e razão para estar no card principal? Claro que não. Eram presenças regulares em PPV? Nada disso. Qualquer evento poderia usufruir da presença de Funaki ou de Simon Dean? Ah podem bem crer que sim. Se há gajo que se levanta para reclamar a não inclusão de Funaki ou Simon Dean, podem bem crer que sou o primeiro e até subo a uma mesa.

Pronto, última posição preenchida, podemos avançar. Até a vou defender mesmo. Que raio de evento é esse que não se digna a ter Funaki e Simon Dean?!

9 – Grande feud… Do nada

Um dos principais pontos de atracção a vender bilhetes para este Great American Bash era um grande regresso. Acontece que Batista estava no seu auge de popularidade e era World Heavyweight Champion, no seu primeiro reinado interrompido não por alguém lançado capaz de o derrotar mas sim pelos azares de uma lesão. Isso aconteceu no início do ano e finalmente o “Animal” voltava.

Quem o tinha arrumado tinha sido Mark Henry, com quem já rivalizava, e com quem retomaria agora. Já estava tudo a postos para o encontro entre os dois. Mas, à boa moda do Mark Henry como o conhecíamos mais ultimamente, lesionou-se ele. E Batista teve que se amanhar com regressar combatendo Mr. Kennedy. É uma entrada bizarra neste Top Ten, em que listo uma emenda que até ficou melhor e mais interessante que a ideia original.

O “problema” ou impasse que aqui aponto é que Mr. Kennedy estava na sua fase de tremenda ascensão meteórica e também ele estava recém-retornado. O seu encontro com Batista seria fantástico e de ansiar… Mas mais à frente e com melhor construção do que… Uma “open challenge” por Batista, que precisava de um adversário. A feud propriamente dita viria a partir daqui, mas seria curta e com o risco de interromper o ímpeto a algum deles. Foi antecipado algo que podia ter sido mais.

8 – Grande combate, do nada

Um dos principais males que sofreu o Great American Bash foi a abundante alteração de combates na própria noite. Dava em combates bons, mas que podiam ser melhores ainda com feud e que ficam algo “thrown in” num PPV, palco onde culminam as grandes rivalidades e campeonatos. Mas, no caso de uma falta, substitui-se, até aí fazem tudo bem. Aqui só se comenta o agridoce da situação.

Gregory Helms era o Cruiserweight Champion e estava agendado para defender o seu título contra o talentoso veterano Super Crazy. Mas, na noite, um problema de elevadas enzimas no fígado obrigou Super Crazy a ficar de baixa. Como substituto, nem combate pelo título, nem um Cruiserweight, foi mesmo o velho amigo de infância Matt Hardy. Dois bons atletas e com a química familiar que dois amigos próximos têm. Tudo óptimo. Mas sem história!

Semelhante ao caso de Batista e Mr. Kennedy, a história começaria depois. Mas já depois de uma pausa após uma pequena paragem por lesão de Hardy. E prolongou-se bem. Levando outro factor agridoce. Helms, que já se esquivara à regra dos 30 dias, ao manter o título durante uma lesão, entrou em feud com um não Cruiserweight, acabando por se tornar o Cruiserweight Champion com o reinado mais longo… Sem que andasse propriamente a defender muito o título… Ao menos já ninguém faz isso hoje em dia!

7 – Grande combate, do nada II

Além da repetição deste ponto, há que salientar que a coisa parece que aleija mais quando o raio do combate é melhor ainda! Melhor que o exemplo anterior, é ao que me refiro, mas também não se nega que seria ainda melhor que o original, que teria o seu interesse. Está aqui um combataço, sim, o que começa a acumular entradas para que me perguntem “Então o evento foi espectacular, para que raio estás a fazer este Top?” Calma! Isto na verdade está tudo no pódio só e o resto é só para encher! Ou então, o tal agridoce, e está aqui mais um caso de fantástico que podia ter sido mais ainda.

Finlay tinha-se tornado United States Champion há pouco tempo, surpreendendo Bobby Lashley que teria aqui o seu rematch. Soa a algo interessante, ainda para mais com toda a cena da corte do Rei Booker. Mas o que é que acontece? Acontece que o raio do Lashley também estava com problemas das enfizemas no fígado e não pôde competir! Quem atiram para o substituir? William Regal. Uau. William Regal. Finlay vs William Regal a acontecer em PPV. E aqui este gajo a queixar-se. E sem que avisassem ou tivessem construído algo épico antes.

Foi porrada tremenda como sabemos que qualquer encontro entre esses dois seria sempre, mas ficou ali isolado, como um “suplente”, quando isto vendia tanto bilhete com a categoria de “dream match” a cada vez que aconteça – eles conhecem-se bem, não é. E outro factor. Não era a melhor altura para um combate entre Finlay e Regal. Demasiado “Little Bastard” a interferir. É deixá-los fazer a cena deles, sem ninguém a estorvar.

6 – Continue a Eddiexploração

Um caso de bom combate que traz algo podre por trás. Sim, a vitória e reinado de Rey Mysterio foram um grande momento “feel good” mas não se evita aquele desconforto com a exploração do nome de Eddie Guerrero, recentemente falecido, para vender bilhetes e dar um push a alguém. Aqui, Rey perderia o seu título para King Booker.

Após uma traição matreira de Chavo Guerrero. Foi um tremendo momento de choque? Foi e um grande fecho, após um muito bom combate. Deu origem a uma boa feud? Tremenda e aquele combate “I Quit” então foi fantástico, nada a apontar por aí. Chavo Guerrero agia de forma desprezível? Sim, mas… Não tinha ele razão? Ele queixava-se precisamente dessa exploração, apenas de forma egoísta porque a queria para ele porque ele é que tinha o nome Guerrero, mas tocou na ferida.

Mas mesmo quando estamos para lhe dar razão, apercebemo-nos… É exactamente o mesmo, mantém-se tudo igual, continua a exploração a Eddie, agora ainda mais forte, porque estão mesmo a construir uma feud baseada quase em puxá-lo cada um para o seu lado. Foi muito boa sim, mas será sempre um episódio com sujidade na história do Smackdown…

5 – Big Show Chorão

É um pormenor só. Mas às vezes é no pormenor que estão as cenas. E este é um pormenor algo grande visto que o homem em questão é bastante grande. Mas não vai atrás das cantigas do “homem não chora” e faz muito bem. Mas alguém que lhe desligue as torneiras que o homem é um pouco desamparado demais no que toca a montar o toco.

Big Show era ECW Champion e não tinha lá grande razão para estar cá. Aliás, não tinha razão para estar aqui. Mas já lá vamos, um problema de cada vez. Competiu com Undertaker nesse lendário e épico combate que é o Punjabi Prison. Mas também já lá vamos, um problema de cada vez e este é grande. O combate que já foi constrangedor de si, fez questão de ter um pós-combate embaraçoso com Big Show a chorar de joelhos, como quem suplica aos deuses ou como quem quer emular um Marlon Brando.

Se um “cry off” entre Big Show e Ric Flair é digno de Wrestlemania, este momento no Great American Bash foi só muito embaraçoso. Reacção demasiado histérica por ter perdido o Punjabi Prison. Ou será por ter participado no Punjabi Prison? Agora vendo bem, se calhar não o podemos culpar…

4 – Peguem lá as vossas Divas

A malta hoje em dia queixa-se que tal Campeã é overrated, que estão saturados das histórias com a Sasha Banks e a Bayley, até os grandes combates entre Sasha Banks e Charlotte foram uma porcaria sobrevalorizada porque ser do contra equivale a ter uma personalidade vincada não encheu totalmente as medidas de alguns.

Então pronto, temos que fazer como sempre se faz quando o bom e velho fã está cheio de razão, que é voltar-se para o passado. No tempo do “aí é que era.” Lembram-se de muita lutadora talentosa deste tempo, com certeza. E estão certos. Então pronto, no Great American Bash de 2006, tivemos um Fatal 4-Way! Fantástico! Muitas lutadoras de alto calibre a trocar spots emocionantes. Ou então… Era um “Fatal 4-Way Bra & Panties.” Peguem lá a vossa divisão feminina de ouro.

Neste combataço de cinco minutos, Ashley Massaro venceu porque ela vencia os Bra & Panties todos, era a especialidade dela. Tirar a roupa a pessoas. Derrotou Jillian Hall, Kristal Marshall e Michelle McCool, como podem ver, há talento por entre esses nomes. Quem precisa dessa competiçãozeca de agora se neste tempo é que era?

3 – Ah, a velha desqualificação…

É danado. Se há coisa mais azeda e que desiluda um público é ver um combate concluir-se de forma tão… Inconclusiva. Não estou a dizer que nunca deva acontecer, há casos em que faz sentido, em que já podemos sentir de antecedência que um combate simples não poderá culminar tudo e que os integrantes não serão capazes de se conter.

Isso quando uma história está intensa. E mesmo assim… Deixem o máximo de desqualificações para TV, onde estão a construir as cenas todas. Aqui a rivalidade era uma feita encima do joelho e, de facto, a partir daqui é que a coisa descolaria para campos mais pessoais. Mas não se justificou e desapontou quem tinha curiosidade pelo combate que era, de facto, curioso. O tal entre Batista e Mr. Kennedy. Podia ser para impor qualquer um dos dois. Mas eles não queriam mandar nenhum para baixo, então tiveram que inventar alguma coisa para que saíssem os dois por cima. Sem que nenhum dos dois realmente saísse por cima.

Já Kennedy sangrava abundantemente, quando Batista não largou um chokehold no canto, ignorando a contagem. Kennedy estava feito num oito e completamente vulnerável. A sofrer aquele abuso, podia sentir-se simpatia por ele. A rivalidade não estava tão pessoal quanto isso para que Batista não fosse capaz de controlar as suas emoções, em vez disso ficou apenas visto como um jogador sujo. Desqualificação para Batista, para que ele perdesse mas não perdesse. Kennedy ganhou mas não ganhou. O combate foi engraçado mas até nem foi, com esse final…

2 – OS ENZEMAS!

Lá o raio da virose! No entanto dá para relacionar com um caso recente. Lembram-se do passado Tables, Ladders & Chairs a sofrer com o surto de meningite, que deixou Roman Reigns e Bray Wyatt de baixa, obrigando à alteração de dois combates? Pronto, a coisa até ficou bem compensada mas lá está o tal azedume do card alterado – apesar que, da forma como víamos a feud entre Wyatt e Finn Bálor a andar, somos capazes de nos ter desviado de uma bala. Só tivemos um AJ Styles a substituir, afinal.

O Great American Bash de 2006 também sofreu imenso com um mal semelhante. Não sei o que aquela malta comeu no dia ou no dia anterior mas devia ser bonito andar lá perto e vê-los todos a chamar o gregório a um canto diferente. Bobby Lashley estava com um número elevado de enzemas no fígado. Super Crazy estava com um número elevado de enzemas. The Great Khali estava com um número elevado de enzemas. E não puderam competir. Claro que souberam avançar e compensar as suas faltas, mas foi um card com três combates (de sete) alterados, isto já depois de um ter sido alterado anteriormente, devido a diferente lesão.

São daquelas coisas em que não se pode culpar ninguém e só se deve sublinhar o quanto souberam lidar com isso. Aqui é mesmo um azar. E, infelizmente, azares trazem sempre consequências negativas e neste caso foi um card muito fragilizado. Concretizado e bem compensado, sim, dou todas as vénias, mas um balde de água fria em tudo o que estava construído e no que estava a vender bilhetes e compras de PPV. E, como catraio a ansiar isto, por acaso até me fez bastante diferença, mesmo que tivesse gostado dos combates… Não eram os que eu estava a contar ver… Lá o raio dos enzemas!

1 – Punjabi Prison

Pois, claro. Qual mais seria o problema de um Punjabi Prison, além de ser um Punjabi Prison? Por acaso era para ser Undertaker e Great Khali mas lá por causa dos enzemas, passou a ser Undertaker e Big Show. Nada de outro mundo, mas aí a coisa até é capaz de ter melhorado qualquer coisinha. O primeiro de três combates deste tipo na história da WWE, o que demonstra que não é combate para fazer muitas vezes mas que não demonstra qual a quantidade verdadeiramente ideal para se fazer – nenhuma.

Temos então um combate lento, dentro de uma jaula, que está dentro de outra jaula, feitas de cana de bambu, com péssima visibilidade para o público, com um espaço limitado no exterior da jaula pequena e com pouca criatividade e desenvolvimento obrigatoriamente lento dentro da jaula pequena. Um combate aborrecido que mal se vê, registem esse. Tivemos que levar com ele e isso ficará sempre marcado como a principal mancha que se espalha por todo este Great American Bash.

Mas querem um facto divertido e curioso? The Great Khali é visto como o perito neste combate, esta é a especialidade dele, que ele apresentou. É o seu combate. Existiram três na história. Ele só participou num. E perdeu-o. E a julgar por este, também não parecia estar agendado para o vencer. Está aí o vosso especialista! Ah e o bónus: Big Show a chorar. Começo a achar que isso dá a volta e se torna a melhor cena no meio disto tudo.

Pronto, aqui fica a análise sempre muito positiva que se faz a um evento, nesta série que até é capaz de voltar em breve – nem é maneira de falar, tenho mesmo planos para brevemente. Não foi um mau evento não, mas achei que tinha fragilidades suficientes para estar aqui destacado e abordado como evento aniversariante. Podem defendê-lo, claro, até eu mesmo o fiz, e podem mesmo afirmar o quanto dariam para um destes hoje em dia – vocês querem é Bras & Panties, qualidade.

Comentem de vossa vontade, participem, quer leiam realmente os textos ou não, isto está livre para todos. Eu devo voltar na próxima semana com mais qualquer coisa que eu espero que divirta sempre. Fiquem bem, boas férias a quem as desfrutar e até à próxima!

4 Comentários

  1. belo artigo. Este PPV foi um pouco “antes do meu tempo” e portanto não estava a par de algumas destas coisas mas este Top Ten foi uma excelente maneira de as descobrir.

  2. Rui Ribeiro há 4 meses

    Muito bom.

  3. HardKing há 4 meses

    Como habitual leitor deste artigo achei o tema fraquíssimo.

  4. KILL OWENS KILL há 4 meses

    Ótimo artigo. Que PPV mais merda e esse ME, rumhum.

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