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Brain Buster #11 – Continuar a Evoluir

Foto de perfil do Facebook há 2 semanas Artigos 5

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Passados quase 3 anos desde o nascimento do 205 Live, aqueles que assistiram à sua evolução e história ao longo deste período saberão que o mesmo teve uma história bem curiosa e atribulada, com alguns pontos baixos, mas ao qual nunca faltou o que é indispensável numa marca com as suas características: óptimo wrestling.

Posto esta introdução falarei, então, nesta edição do Brain Buster, do 205 Live, percorrendo um pouco do seu passado, analisando a sua situação actual e prevendo como ambos se podem projetar no futuro da brand que acaba por ser a mais esquecida do main-roster da WWE.

Começando exactamente no ponto em que havia ficado a um parágrafo atrás, este programa semanal sempre se pautou por nos oferecer óptimos combates. Basta somente pensar nos seus primórdios: o Cruiserweight Classic; um torneio que, à altura, agradou à esmagadora maioria dos fãs desta modalidade, incluindo não só os que estão atentos aos que se passa fora da WWE, assim como aos menos familiarizados com essa realidade. Deu aos primeiros a oportunidade de ver alguns dos seus lutadores preferidos em ação pela WWE e aos segundos vários combates diferentes do que estavam habituados a ver.

Foram shows que, igualmente, abriram precedentes na história recente da WWE até à altura. Pela primeira vez em muitos anos, podemos ver lutadores fora da WWE bastante conhecidos à altura em eventos promovidos pela WWE, sem que tivessem necessariamente um contrato, fosse de exclusividade ou não.

O regresso de um programa para os Cruiserweights protagonizado pela mais conhecida promotora de wrestling do mundo foi oficializado com o anúncio, minutos antes da final do CWC do WWE Cruiserweight title, atribuído ao eventual vencedor desse mesmo combate. Por outro lado, foram entendidos como exclusivo do RAW a partir dessa semana, mas o que foi, na minha opinião, o iniciar de um começo bem difícil para os lutadores associados a esta nova marca. Não querendo deixar de fora o facto do RAW ter mais tempo de antena que o SmackDown, o que fazia com que esta decisão fosse compreensível, a verdade, é que a forma como o fizeram não foi a mais inteligente.

Desde logo, porque ignoraram o facto do brand azul estar, à altura, a ser liderada por um Shane McMahon face, juntamente com o Daniel Bryan, como a marca da “land of oportunity”, assim como o mesmo havia sido, semanas antes anunciado por Stephanie McMahon no RAW. Relembro que, à época, tratava-se da maior heel da companhia, pelo que pouco ou nenhum sentido fez a mesma anunciar um novo programa, baseado, à grande escalada, no wrestling e na qualidade dos seus lutadores, ao mesmo tempo que pensávamos fazer mais sentido, ter sido Shane a anunciar uma medida dessas para o SmackDown. Um simples anúncio nas suas redes de divulgação de notícias teria sido, a meu ver, mais simples e menos conflituante com as histórias que decorriam ao mesmo tempo no main-roster.

Exactamente no RAW de estreia dos Cruiserweights no RAW, eis que uma das decisões da WWE que mais me espantaram ocorreu: o campeão, TJ Perkins não apareceu, limitando-se a estreia a um 4-way pela nº1 contendership. Ora, para os fãs que não seguiram o CWC, que interesse teriam de ver um combate para determinar um candidato principal a um título e a um campeão que nem conhecem? Mais uma vez, medida pouco inteligente, que fazia com a entrada em cena deste programa se fizesse com o pé esquerdo.

Os primeiros meses de vida desta marca fizeram-se exactamente como o resto dos títulos e histórias da WWE na altura e até há pouco tempo: rematchs, atrás de rematchs; só que com uma variável que a enfraquecia ainda mais – a falta de tempo. Os seus combates passaram a ser, ou os mesmos, ou outros que girassem sempre à volta das mesmas histórias, assim como algum desse tempo se haveria também de perder com a estreia dos vários lutadores, que sem algo que os diferenciasse, passariam, naturalmente, a ser vistos pelos fãs mais casuais como “mais um cruiserweight”, não acrescentando verdadeiramente nada de novo perante os seus olhos.

Foi então que, ao tentar contrariar esta situação, a WWE criou o 205 Live, esperando-se que a junção de uma hora extra ao seu tempo no RAW voltasse a trazer mais interesse aos lutadores que haviam transitado do CWC. Mas a verdade é que se resumiu exactamente a isso, mais carga horária de wrestling semanal para os fãs, sem que o conteúdo mudasse muito.

Um novo lutador e quase de imediato campeão desta divisão trouxe o que a mesma ainda não tinha tido: star power; não esquecendo que os primeiros nomes do CWC acabaram também por não aceitar um contrato da WWE. Estou a falar, claro está, do Neville, que com o seu heel turn valorizou bastante o título, contando para isso, com óptimas feuds, seja com o Austin Aries, seja com o Tozawa que, sem dúvida faziam valer a pena ver o 205 Live. Embora no restante o programa nada acrescentasse de muito valor, mais uma vez não é de ignorar que o wrestling nunca havia deixado de ser bastante atractivo.

Tal situação veio a mudar drasticamente quando Enzo Amore venceu o título, poucas semanas depois de se ter estreado, vindo do RAW. Sinceramente, como alguém que tenta compreender todas as decisões e opções que se lhe apresenta, valorizando os aspectos positivos, confesso que tal não o consigo fazer aqui. Depois de uma feud paupérrima com o seu antigo parceiro, onde nem uma vitória havia tido, Enzo estreia-se no 205 Live e vence, de imediato o título. Em que posição e nível de credibilidade ficam os restantes lutadores desta divisão?

Sem dúvida que estamos a falar de um lutador com capacidade excecionais de entretimento e capacidade de mic skills, mas será a aposta certa para cara de uma divisão que se pauta pelos seus bons combates e lutadores? Conseguiria ele entregar a mesma qualidade nos combates que os seus colega de brand todas as vezes que subisse ao ringue? Neste caso não tenho dúvidas: à altura, assim como agora, tenho a certeza que não, assim como o tempo haveria de não provar que estava errado, infelizmente. O título dos Cruiserweights parecia agora um espécie de Hardcore-24/7 title, e a vontade dos fãs em continuar a ver o programa diminuiu e, para muitos, como eu, deveras acabou.

Depois de fazer a típica história da “batata quente” numa rivalidade com o Kalisto, eis que por razões extra-wrestling, Enzo Amore deixou a WWE e o título dos Cruiserweights é declarado vago. O 205 havia, deste modo, batido no fundo, mas sem que tivesse oportunidade de se poder levantar e tentar novamente.

Esta brand passou a ser controlada pelo Triple H, que trouxe muito do booking inteligente que utiliza no NXT e agora, também, no NXT UK, que se pauta pela consistência e estabilidade, algo que já elogiei e me revi em outros artigos que já escrevi. O número de combates por programa semanal foi reduzido, deixando mais tempo para os óptimos lutadores desta divisão brilharem, tendo, assim, todos a mesma oportunidade de o fazer, assim como deixaram de aparecer no RAW, nada mais agora que uma entidade estranha, referência de um começo e fase que não mais se espera que voltem a esta divisão.

Epicentro deste recomeço foi um torneio anunciado pelo título vago, a fazer lembrar o CWC que esteve na sua origem, algo que foi corroborado pelos lutadores escolhidos para o mesmo e pela qualidade impregnada a cada combate. Deste modo, quem havia, desiludido, deixado de acompanhar esta brand, tinha agora razões mais que válidas para o voltar a fazer. Confesso que foi, igualmente, o meu caso.

Outro aspecto bastante positivo, a meu ver, foi a atribuição de destaque aos lutadores certos. Cedric Alexander foi o novo campeão desta nova fase do 205 Live, um dos melhores lutadores da divisão e que havia estado apagado nos primeiros anos da sua carreira na WWE. Também Buddy Murphy, aproveitando uma nova oportunidade de revitalizar a sua carreira, torna-se uma das personagens mais interessantes deste programa, conquistando posteriormente o título.

Mas deixando o ano passado para trás, em 2019, há outras questões que se podem colocar quanto pensamos na melhor forma desta brand continuar a evoluir.

Depois de um booking quase perfeito, resta pensar noutros aspectos. Um dos pontos menos positivos que penso estarem a assolarem a brand neste momento é a falta de vivacidade do seu público, o que não é, de todo, algo bom, tendo em conta que estamos a falar de uma brand conhecida pelos seus combates frenéticos e emocionantes, pelo que um público apaixonado e bem vivo valorizaria os shows deste programa. Penso que o mesmo resulta quer do horário do programa, quer da arena e local em que se transmite os eventos.

Quanto ao primeiro, o facto do 205 Live ser transferido a seguir ao SmackDown não ajuda, dado que é irracional e ilógico, que lutadores abaixo dos grandes main-eventers lutarem depois dos mesmos. Gostemos ou não dos lutadores desta divisão, o que é facto é que em termos de star power estão muito abaixo dos lutadores que temos no SmackDown. Os cards e eventos começam de baixo para cima e não o contrário. Para um fã mais casual que já viu estrelas como Roman Reigns minutos antes, que energia e vontade terá ele agora para torcer por um Jack Gallagher? Não estou a dizer que o dia do 205 Live tem de ser mudado, mas penso que seria favorecido por uma mudança de horário. Pelo menos não depois do SmackDown.

Já relativamente ao segundo, penso que a brand beneficiava se fosse transmitida em arenas mais pequenas, como o NXT, nem que isso implicasse deixar de ser feito em directo. Embora considerando a probabilidade dos fãs menos interessados em ler os spoilers, a verdade é que as arenas mais pequenas, impedem que lutadores façam o que gostam para muitos lugares vazios, o que acontece com marcas bastante pequenas como o 205 Live, assim como tornam a atmosfera de um show muito mais intensa. Assim acontece com o NXT em Full Sail e como por exemplo com a PWG, entre muitos outros exemplos.

Por outro lado, historicamente, o 205 Live tem acabado muitas vezes por ser a válvula de escape para muito lutadores que não encontram sucesso nas suas brands anteriores. Isso aconteceu com o Neville, com o Enzo, com o Hideo Itami e, mais recente e aparentemente com o Chad Gable, entre outros exemplos. Não vejo mal algum em lutadores talentosos procurarem destaque onde o mesmo lhe seja dado, mas penso que duas variantes devem ser consideradas: se esse lutador for digno desse destaque e não passar à frente dos que anteriormente já lá estavam; a constante com que tomam essa decisão. Penso que tal decisão não poderá estar sempre a ocorrer, pois é algo que desprestigia a brand e os lutadores que já lá estavam antes. Mas se estas variáveis estiverem em cima da mesa e terem sido pensadas com cautela, penso até que o 205 Live só tem a ganhar com lutadores mais conhecidos de outras paragens da WWE.

Por fim, tomando como ponto de referência o início deste artigo, esta divisão, desde sempre, e somente em alguns casos, não apresentou wrestling de qualidade, pelo que a mesma assim se deve manter, devendo tal aspecto ser complementado pela diversidade dos combates apresentados, algo que vemos bem hoje em dia. Não podendo o 205 Live ficar “refém” de constantes combates entre high-flyers, com lutadores como Humberto Carrillo, deve, assim, ser complementado por combates mais técnicos, a partir do Drew Gulak, por exemplo, assim como nos combates mais explosivos, onde encontramos, entre outros, o Oney Lorcan.

E então, que relação tens com esta divisão? O que achas da sua situação actual? Encontras algum proposta para a melhorar?

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

5 Comentários

  1. Eu acho que a divisão no geral é boa, apesar de maior parte das vezes só assistir o combate que dá nos PPV’S. Acho que a divisão está até boa, apesar dos grandes nomes terem saído.

    • Showstealer há 2 semanas

      Subscrevo! Mais um bom artigo, continua assim 😉

    • Foto de perfil do Facebook

      Obrigado pelo comentário. Eu até acho que os combates nos PPV´s acabam por ser muito ofuscados pela quantidade imensa de title matchs que temos em todos os cards. Também o facto de apresentar algo diferente não ajuda. O público acaba até muitas vezes por não dar muito atenção, infelizmente.

      Muito obrigado 😉

  2. Sandrojr há 2 semanas

    Grande artigo, o 205 live é a válvula de escape pra quem gosta de verdade do PRO-WRESTLING, e não de novelinha da globo como o smackdown faz, continue esse otimo trabalho.

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