Brain Buster #22 – Repensar fatores extra-wrestling

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Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Em vésperas de duas grandes mudanças na programação semanal da WWE – a passagem do SmackDown para a FOX e do NXT para a USA Network -, muitos outros aspectos na determinação do horário dos programas, a sua duração, os seus comentadores e a sua continuação/fim têm sido colocados na mesa da discussão, quer pelos fãs, quer pelos jornalistas e mais importantes sites ligados a esta arte, assim como pela própria WWE. O Brain Buster desta semana servirá, então, para analisar esses vários pontos de divergência que alterarão o programa semanal da maior empresa de wrestling do mundo.

Não me querendo alongar muito sobre a duração que penso que o RAW e SmackDown devem ter, até porque já o referi em alguns artigos, repito que sou fã da duração de 2 horas para estes programas, embora saiba, de antemão, que tal não sucederá. Como há uns artigos referi, a quantidade de wrestlers, de títulos, rivalidades e combates não permitirá reduzir o horário do RAW de 3 horas, para 2, mas com prejuízo, como também defendi, para o booking da WWE. Também o NXT, nesta mudança, passará de 1 hora para 2. Uma mudança que, apesar de parecer aumentar ainda mais a programação semanal faz sentido considerando alguns aspectos, sendo que o mesmo pode até nem vir a suceder.

Antes de mais, uma brand com o objectivo de se expandir, seja para outros mercados, categorias de fãs, etc., necessita de ter o seu programa semanal estabelecido em duas horas. Há muito que o NXT deixou de ser uma brand de nicho (dos fãs mais hardcore), sendo hoje uma brand reconhecida por quase todos, em todo o mundo do wrestling, incluindo até os fãs mais casuais, por faz sentido crescer enquanto marca e enquanto programa de televisão.

Depois há que considerar a possível fusão do NXT com o 205 Live. Se tenho pena que esta brand acabe? Sem dúvida. Foi uma hora sempre dedicada aos lutadores da divisão cruiserweight que nunca haviam conseguido o seu espaço e tempo no RAW. Foi uma brand que, durante o tempo que existiu se notou sobretudo o esforço que todos os seus lutadores em conseguir algo maior do que uma simples hora de bom wrestling. Contudo, na minha opinião, o tempo desta brand terá chegado ao fim, e uma fusão com o NXT é, a meu ver, a melhor opção.

Primeiro, porque se o NXT terá mais uma hora no seu horário semanal, isso significa que os fãs terão de dispensar mais tempo a ver os programas semanais da WWE, pelo que quem leu alguns dos meus artigos anteriores entende o quanto critico sou acerca deste exagero de wrestling produzido pela WWE todas as semanas. Assim, acabar-se-ia com a hora que pertence ao 205 Live e o tempo ficaria exactamente o mesmo que anteriormente.

Em segundo lugar, porque o NXT tem um roster perfeito para um programa de uma hora, mas parece-se, sinceramente, “poucochinho” para duas horas, pelo que os lutadores do 205 Live (que não são assim tantos) ocupariam o espaço que, para já, o NXT terá dificuldade em ocupar. Muitos dos lutadores do 205 Live, aparecem, inclusive, no NXT e vice-versa, o que é mais um ponto de aproximação destas duas marcas.

Por outro lado, não serei só eu a notar que no último verão, tudo parece bastante atribulado no 205 Live. Mike Kanellis, ora aparece no RAW ou SmackDown, ora no 205 Live. Sei que a brand dos cruiserweights faz parte dos mesmos PPV´s que as brand do main-roster da WWE, mas o booking é completamente contrário de segunda para terça. Se na segunda Mike vence o 24/7 title, à terça perde para Drake Maverick, um homem que não é sequer bookado como lutador (embora, na verdade, o seja). Se à segunda é humilhado pela sua mulher, à terça vence ex-campeões dos Cruiserweights como Tony Nesse. Entendo que tenha sido uma derrota com o objectivo deste último virar heel, mas nem assim entendo como é que alguém, que não consegue vencer alguém do pessoal directivo, vence ex-campeões.

Mas por falar em Drake Maverick, desde a criação do 24/7 title tem tido um booking hilariante e até brilhante, mas isso só mesmo à segunda à noite, porque à terça, raramente, cumpre bem o seu papel de General Manager do 205 Live. Por esta razão, só mesmo William Regal, General Manager do NXT traria ordem a esta divisão.

Por fim, não terei sempre sido o único a notar que o 205 Live sempre se encontrou muito afastado do resto da WWE, daí que os seus combates nos PPV´s tenham sido quase sempre os que obtiverem menor reacção por parte do público. Posto isto, um Drew Gulak vs. Oney Lorcan pelo título dos Cruisweights encaixará muito melhor num kickoff do SummerSlam, desprezado pelos fãs mais casuais, ou em pleno TakeOver do NXT, aplaudido de pé após a vibração dos fãs hardcore?

Resta saber também, como planeia Triple H fazer essa fusão. Confesso que sou completamente avesso a uma brand dentro de outra como a WWE tentou fazer com os cruiserweights durante o seu pouco tempo no RAW, isto é, completamente à parte do resto dos lutadores, títulos e histórias, onde até a cores das cordas mudavam nos seus combates.

Prefiro, assim, um booking mais aleatório, que envolva os cruiserweights nas histórias do restante NXT e que os seus lutadores possam lutar com os lutadores do NXT, sem se falar em “interpromotional matches”. O que se acrescentaria apenas ao NXT, seriam assim mais lutadores e um título, que pode agora ser disputado por mais lutadores com o peso certo, sem que estes tenham de fazer parte de uma brand especial. Seria um booking semelhante ao NJPW com os Jr. Heavyweights, que têm os seus títulos, torneios e rivalidades, mas que, a qualquer momento podem lutador com heavyweights, quer em combates de tag team, quer em singles matches, quer até nos torneios pertencentes à categoria de peso acima da sua.

Por todas estas razões, difícil será convencer-se que a absorção do 205 Live para o NXT não é a melhor opção para todos os lutadores, para título e até para a programação semanal da WWE.

Falado está da programação semanal da WWE e das mudanças a ser efectuadas ou que deveriam ser. Resta, portanto, falar dos comentadores de todas as brands e quais as melhores opções para cada uma.

A posição de comentador é uma das mais importantes dentro de um show de wrestling. Tal pode fazer de um combate mediano um bom combate, mas também pode fazer de um bom combate um combate mediano. É esta, na minha opinião, a diferença entre o melhor comentador da WWE, Mauro Ranallo e o pior actualmente, Michael Cole. A emoção, drama e carga de intensidade que o primeiro impõe nos seus comentários aumenta o interesse e a expectativa à volta de um combate, ao contrário do segundo, que pelos seus comentários enfadonhos, muitas vezes apáticos, que resultam do facto de fazer a mesma coisa há vários anos, fazem com que, na minha opinião, nesta fase da sua carreira, Michael Cole seja dispensável. Digo isto, obviamente numa perspectiva actual. Michael Cole teve anos extraordinários no SmackDown, onde mais tarde fez uma grande dupla com Tazz. Foi um sucessor muito bom para Jim Ross, mas nos últimos 5/6/7 anos deixa muito a desejar.

Voltando ao primeiro, Mauro, é o comentador perfeito para o NXT, um programa que prima pelo bom wrestling. A sua capacidade de analisar combates ao detalhe e o seu conhecimento técnico do desporto permiti-lhe, na mesa de comentadores, mais do que relatar o que vê, ensinar os fãs mais casuais. Faria, a meu ver, um boa dupla com Nigel McGuinness, cuja experiência que possuiu do wrestling é maior do que a de qualquer um comentador da WWE actual. Esta dupla ocupar-se-ia do NXT e do NXT UK.

Note-se, também, desde logo, que considero que uma mesa de comentadores funciona melhor a dois que a três. Os comentadores épicos sempre fizeram parte de duplas de dois (Jim Ross-Jerry Lawler; Michael Cole-Tazz, etc.), pelo que sou fã de uma mesa a dois e não a três.

Indo agora até ao main-roster da WWE, penso que no RAW, Tom Phillips encaixaria como uma luva. Não sendo brilhante, cumpre mais do que bem o seu trabalho e é o sucessor natural de Michael Cole. Faria, a meu ver, como sempre fez, um bom trabalho com Corey Graves (pensando, para já, que este não sairá da WWE como disse esta semana).

Já quanto ao SmackDown, ficaria entregue a Vic Joseph, actual comentador do 205 Live e NXT UK. Se penso que Vic é/será melhor que Tom Phillips, não tenho dúvidas, mas a experiência necessária para ocupar um programa que conte com três horas está do lado de Tom, pelo que será a aposta mais segura por agora. Ao lado de Vic Joseph no SmackDown, confesso ser mais difícil encontrar um comentador que não me deixe dúvidas. Actuais como Byron Saxton ou Renee Young cumprem, mas a meu ver têm dificuldade em encontrar um tom mais sério quando este tem de existir. Por outro lado, perdem-se sempre em discussões infantis com Corey Graves, o que pessoalmente, já não suporto.

Antigos comentadores disponíveis também seria difícil encontrar. Jerry Lawler há muito que não demonstra, a meu ver, entusiasmo por fazer parte desta posição e Booker T, não sendo péssimo, não me enche as medidas. JBL nem merece uma consideração. De 2006 a 2007 foi muito bom, mas de 2012 a 2017 foi péssimo.
Por conseguinte, Beth Phoenix e Percy Watson nunca me agradaram com os seus comentários. Um nome recente que não se tem saído mal é Aiden English, mas a sua voz não parece ir de encontro ao que é aconselhado como comentador, para além de que acho que o mesmo teria ainda uns bons anos enquanto wrestling. Achei precipitada a forma como, para já, parou a sua carreira.

Paul Heyman era uma solução única e brilhante e a sua presença na mesa dos comentadores em 2001 com Jim Ross prova-o, mas a verdade é que o mesmo já assume outras funções e é ainda manager de Brock Lesnar.

Uma outra solução teria de ser encontrada, a meu ver, mas de entre os nomes que citei, o de Bryon Saxton é o que mais me agrada. É mais experiente que Renee e no main-roster, quer no RAW, quer no SmackDown, sempre foi muito infantilizado com as discussões com Corey Graves. Agora, numa mesa sem Corey gostaria de ver o que o mesmo tem para oferecer. No início da semana tinha Renee como preterida, mas lá está, entre os dois, não é fácil escolher, pois ambos parecem-me iguais.

Posto isto, chegamos ao fim de um artigo menos sério e mais tranquilo, dado não estarmos a falar de wrestling propriamente dito, mas sem dúvida que estes factores extra-wrestling influenciam a qualidade dos shows, assim como o interesse gerado à volta dos mesmos, pelo que são sempre tópicos a importantes e onde se devem tomar igualmente as melhores opções possíveis.

E então? O que achas que estas mudanças na programação semanal nos vão trazer? Algo de novo? E em relação aos comentadores, que duplas/trios gostavas de ver? E em qual brand?

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

4 Comentários

  1. Bom artigo. Concordo com as tuas ideias, na minha opinião acho que uma mesa com só com o Tom Phillips e o Corey Graves qualquer programa ficava bem entregue.

  2. Sandrojr1 mês

    MAURO RANALLO COMENTANDO, É IGUAL A VC ESCREVENDO ARTIGOS: SENSACIONAL.

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