Brain Buster #24 – Um título com duas coroas… ou três

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Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Depois de, na última tour da NJPW, se ter falado bastante num possível combate Winner Take All em que tanto o IWGP Heavyweight title como o título Intercontinental estariam em jogo, venho esta semana, analisar no meu artigo, tal possibilidade e de como a mesma se poderia distanciar dos combates deste género mais tradicionais, procurando respostas e exemplos históricos que sustentem a minha ideia.

Tal ideia nasceu da mente de Naito, que havia dito no início do ano que gostaria de ser o primeiro lutador a possuir os dois maiores títulos da NJPW, pois se é verdade que o IWGP title é o cinto mais prestigiado da NJPW (e até do mundo), também não será menos verdade que o título Intercontinental da NJPW é, de seguida, o mais importante, sendo muitas vezes, o título dos main-eventers que se encontram afastados da rota do título principal – o caso de Shinsuke Nakamura, Hiroshi Tanahashi e até Testuya Naito -, seja porque razão foi.

Foi o primeiro título individual da NJPW a ser o main-event de um show principal a seguir ao IWGP title e, ao contrário do que sucedeu com o título dos EUA e com o NEVER Openweight title, o seu prestígio nunca foi posto em causa (salvo no início da sua existência), ao contrário destes últimos dois cuja importância, até hoje, somente apareceu com a qualidade ou star power dos seus campeões. Fará sentido que num combate com tanto em jogo, a decorrer (até ver) no maior evento do ano, que seja disputado pelos títulos mais importantes da empresa.

Tal ideia tem ganho cada vez mais adeptos por parte de lutadores da NJPW, como é o caso de Kota Ibushi, Jay White e até de Zack Sabre Jr., parecendo hoje, algo muito mais possível de acontecer do que parecia no início do ano.

Contudo, acho que aqui a NJPW tem a oportunidade quase perfeita para fazer algo diferente, recuperando fórmulas do passado. Inspirando-me nas palavras de Zack Sabre Jr. depois de reconquistar o seu British Heavyweight title a Hiroshi Tanahashi, porque não a criação de um Triple Crown championship? Composto por três títulos prestigiados e que determinaria, de vez, qual o maior título da empresa e o campeão que todos deveriam perseguir.

Algo muito parecido aconteceu com a AJPW. O seu atual Triple Crown title aparece num título unificado (dado os velhinhos cintos terem chegado a um ponto de muito desgaste), mas durante a maior parte do tempo o campeão carregava três cintos, o que estética e simbolicamente deixa-nos, a nós fãs, ainda mais entusiasmos e entrega uma aura ao campeão, de valorização tal que não deixará dúvidas acerca do homem a derrotar. Tal título nasceu em 1989, quando o NWA International Heavyweight champion Jumbo Tsuruta o PWF World Heavyweight and NWA United National champion Stan Hansen, continuando a ser, até hoje, um dos títulos mais prestigiados e cobiçados, em boa medida diga-se, principalmente no Japão.

Mas, desde logo, porquê o título Intercontinental e o título da RevPro e não, por exemplo, o dos EUA e o da ROH?

Quanto ao IWGP IC title, como já referenciei tem hoje uma valorização e história que o IWGP US title ainda não tem. Ainda muito abaixo do IWGP title, o título dos EUA tem tudo para crescer nos próximos anos. Com um aspeto muito bom e sem um título do mid-card acima de si, tem tudo para ser o título das próximas estrelas e dos up-midcarders.

Já quanto ao NEVER Openweight title, consegue oferecer algo de diferente que o título Intercontinental ou dos EUA não oferece: a sua disputa é feita entre divisões; ao contrário dos restantes títulos do mid-card que pertencem todos à divisão de pesos-pesados.

Deste modo, a existência de um título principal (o suposto Triple Crown title), de um título secundário (o título dos EUA) e de um título sem divisão de peso, traria diferenciação ao produto da NJPW e acabaria com um dos seus pontos menos positivos: o excesso de títulos. É certo que todos, ou quase todos, têm um booking invejável, mas tal quantidade de títulos retira-lhes uma aura especial, que todos os títulos devem ter.

Acontece até que um desafiante de um título num mês seja o candidato a outro título no mês seguinte, o que não é bom para o produto porque se torna repetitivo, assim como acabam por acontecer, ou muitas trocas de título (para o desafiante não perder duas vezes seguidas por títulos diferentes), ou demasiadas derrotas para certo lutador, que, sem esta quantidade de cintos, seriam absolutamente evitáveis.

Associada a esta ideia está também o título da RevPro, que por estar ora nas mãos de Zack Sabre Jr., ora nas mãos de outros lutadores da NJPW (Katsuyori Shibata, Tomohiro Ishii, Minoru Suzuki e Hiroshi Tanahashi), tem sido quase que transformado num título da NJPW, sendo defendido em variadíssimos shows da empresa nipónica.

E porque não o título da ROH? Ou um da CMLL? Porque a relação da NJPW com a RevPro é, a meu entender, diferente da que a NJPW tem em terras de sua majestade. Se, para mim, a relação NJPW-ROH é, sem dúvida, uma parceria, com trocas de lutadores e eventos realizados em conjunto, a relação NJPW-RevPro apresenta-se, a meu ver, quase que como uma fusão de territórios, quase ao estilo da NWA. Seria, pois, uma boa oportunidade de coroarem um derradeiro campeão, que defendesse o seu título pelos dois territórios: o triple crown champion. Um campeão que se aproximaria até, e recuperando, mais uma vez, modelos e sistemas do passado, do velhinho (pois o atual não segue estes moldes) NWA World Heavyweight champion.

Já quanto à CMLL, se a ROH tem uma relação mais fraca com a NJPW do que a RevPro, mais fraca ainda tem a empresa mexicana, funcionando quase como uma tour anual, a Fantastica Mania, e com algumas trocas de lutadores ao longo do ano. Isto aliado ao facto da quantidade de títulos da NJPW ser abismal e até ridícula, seria mais difícil ao espectador mais casual de NJPW entender a importância e o significado de um título da CMLL. Por fim, convenhamos que um combate de unificação desta importância a ter lugar no WK, é um palco para alguém credível como Sabre Jr., do que para qualquer lutador mexicano neste momento.

Por todas estas razões, parece-me ser uma ótima solução a qual vos proponho.

Conversa diferente já é agora os contras que esta decisão acarreta. Desde logo, do ponto de vista físico e pragmático, os títulos em questão (IWGP, IC e Brith Heavyweight titles), são bastante grandes e como dizem vários lutadores, o IWGP Heavyweight é bastante pesado. Deste modo, se os títulos fossem mais pequenos ajudaria, não deixando até o campeão quase que coberto de “ouro” onde nem a sua cara importasse.

Por outro lado, a forma como a NJPW poderia fazer tal combate de unificação também me deixa dúvidas. Confesso que vejo como a melhor opção na 1ª noite do Wrestle Kingdom 14, os três títulos serem disputados, enquanto na 2ª noite seriam unificados num 3-way match.

Se isto me parece plausível, o contrário acontece com os lutadores que disputariam esses combates na 1ª noite. O combate pelo título Intercontinental acabaria numa nova disputa entre Jay White e Tetsuya Naito, não vejo outra opção, assim como o IWGP Heavyweight title match seria disputado por Kazuchika Okada e Kota Ibushi (vencedor do G1 Climax).

O problema está mesmo em encontrar um adversário para Zack Sabre Jr. Hiroshi Tanahashi já teve a sua vez e deverá ajustar contas com Chris Jericho no maior evento do ano. Tomohiro Ishii também já foi campeão e, apesar de ainda não ter defrontado o crónico campeão britânico este ano, a sua rivalidade com Sabre Jr. é mais do que documentada, pelo que seria até mais do mesmo. Hirooki Goto seria um bom nome para aparecer nesta equação, mas tudo dependerá de quem desafiar KENTA pelo Never title no WK14, se ele, se Katsuyori Shibata (por quem estou a torcer).

Já na 2ª noite, confesso aos meus caros leitores que acabaria por desejar uma vitória de ZSJ (como definitivo e único representante do território britânico), de Tetsuya Naito (para obter finalmente a sua vitória sobre Jay White e de Kazuchika Okada (sei que todos torcem por Ibushi, assim como eu, mas o que é verdade, é que não podemos ter um combate tão importante sem o melhor IWGP champion de sempre estando disponível).

No derradeiro main-event na 2ª noite do WK em janeiro, Tetsuya Naito levaria a melhor. É certo que Okada seria um ótimo campeão e coloca-lo a vencer tal combate trazer-lhe-ia uma aura de invencibilidade ainda maior do que a que já tem, mas será mesmo necessário? Ou é mais apetecível ver Naito, ao fim de tantos anos de frustração por ter sido secundarizado no WK8 pelo combate pelo título Intercontinental, mesmo tendo vencido o G1, se tornar o primeiro detentor dos dois títulos ao mesmo tempo, sendo o próprio alguém que critica o facto de a NJPW possuir muito títulos, como ele diz e eu acordo, demasiados.

Não obstante, acredito que a NJPW acabará por optar pela fórmula tradicional e fazer um combate onde o vencedor leva tudo. É também, para ser sincero, o booking mais simples, certo e responsável, que no final de contas, sempre defendo. Poderá nem ser um combate de unificação, mas em que os títulos continuação separados, cuja semelhança será terem o mesmo campeão.

Gostei, no entanto, de ter analisado a possibilidade do título principal ter 3 coroas e não apenas 2 e tentar formular um booking que abandonasse um pouco a coerência e a simplicidade, para algo mais arrojado e interessante. Pelo que os meus caros leitores percerão foi mais um artigo de fantasy booking do que propriamente de opinião, mas que achei divertido e, no final de contas, criei uma ideia para todos debatermos.

E então? O que achas desta ideia? Preferes um Double champion ou um Triple Crown champion? Independentemente do resto, o que achas que acontecerá dia 4 de janeiro?

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

4 Comentários

  1. Sandrojr3 semanas

    Um dos melhores artigos que vc fez até agr, nunca pensei nesta possibilidade de unificação dos titulos, seria incrivel esse main-event, ainda mais com o NAITO saindo com o titulo unificado. Forte abraço.

  2. Bom artigo.Eu na minha opinião prefiro um Double Champion.

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