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Brain Buster #3 – Sonho Japonês

Foto de perfil do Facebook há 2 semanas Artigos 9

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Hoje trago-vos um tema mais específico, versado sobre um lutador, pelo qual nutro bastante admiração e cada vez maior respeito. Estou a falar, como podem perceber pela imagem do artigo, do Juice Robinson, campeão dos EUA da NJPW. É um lutador, hoje, com uma posição estabilizada, com um lugar certo na NJPW e até mais frequentemente agora na ROH, onde é o líder da stable Lifeblood, mas a verdade é que nem sempre foi assim. Nem sempre o mesmo foi um babyface adorado e um wrestler respeitado, como penso que hoje o é pela esmagadora maioria dos fãs da NJPW e até mesmo dos restantes, mesmo que não o conheçam tão bem.

Assim, terei também como um dos objectivos deste artigo, dar a conhecer a sua história, e trajecto enquanto wrestler, dando a conhecer o seu trabalho, dedicação, esforço e ambição.

Penso que esta espécie de homenagem que aqui acabarei por lhe fazer é mais do que merecida e considero que falo por todos os fãs de NJPW, quando digo que escrevo este artigo com a mesma felicidade com que vemos o Juice trabalhar na empresa nipónica.

Efectivamente, o Juice parece estar a viver um verdadeiro “japanese dream”, consistindo num lutador no qual se nota grande feição, admiração e acima de tudo gratidão pela oportunidade recebida de poder combater na histórica New Japan. Não creio que tenha sido este o seu sonho original, mas é sem dúvida o seu sonho real.

Fazendo um pequeno apanhado da sua carreira e retirando aspectos de cada momento desta, penso que acabarei por me fazer explicar, dando a minha opinião ao mesmo tempo que o faço.

Depois de uns anos pelo circuito independente, em promotoras com uma projecção muito pequena, ou mesmo nula, onde começou a sua carreira, a ambição da maioria dos lutadores bateu à porta do Juice: um contrato com a WWE e uma oportunidade fazer parte do seu território de desenvolvimento, o qual viria a ser mais tarde o NXT, conforme o conhecemos hoje. Estes foram anos de relativo conforto, o Juice era e ainda é bastante novo, pelo que ter uma oportunidade de lutar, já, neste palco relativamente grande acredito que tenha sido considerado (para o Juice na altura) e é considerado (por todos nós agora) como bastante bom.

Quem acompanha o NXT, pelo menos desde 2014, conhecia o Juice antes de este ser conhecido até por este mesmo nome. A última personagem que recebeu da WWE foi de uma espécie de ecologista, chamado CJ Parker cujo aspeto lembrava um hippie, nunca se percebendo se era heel ou face (e isto na WWE costuma ser muito evidente, pelo que quando não é, notamos) e que até tinha uma música “fixola”. No entanto, ninguém o conhecia como alguém do qual esperar grandes combates (também não eram muitas as oportunidades em que este poderia mostrar o contrário diga-se de verdade), promos ou sequer algum tipo de carisma. Era uma personagem que, por muito optimistas que fossemos, estaria sempre condenada ao fracasso.

Era isto a que se resumia a carreira do Juice, até que chegamos a 31 de Março de 2015, dia em que foi noticiado que CJ Parker havia pedido à WWE a sua saída da companhia. Duvido que na altura alguém tenha ficado muito mais que indiferente à notícia. Não era alguém particularmente adorado pelos fãs de Full Sail e pela esmagadora maioria dos fãs de wrestling. Lembremos até que CJ Parker foi o jobber encarregado de perder para Kevin Owens, no seu combate de estreia no NXT, combate no qual, num acidente, fez o CJ partir o nariz do seu adversário. Como alguém que ainda não tinha dado quaisquer provas acerca do seu valor no ringue, o CJ Parker acabou, nesse momento, por ficar, naturalmente, em muita má consideração de todos, inclusive da minha, não eu sabendo o que mais tarde viria a pensar sobre ele.

Contudo, na altura, tivéssemos a opinião que tivéssemos sobre o CJ, a verdade é que as razões pelas quais ele saiu da WWE nutriam uma pura ambição, a qual era impossível não respeitar e/ou gostar. CJ proferira, à época, que saía da WWE para ir atrás do seu sonho, ter mais destaque no mundo que todos adoramos, aprender mais e seguir os passos de muitos outros lutadores que haviam aprendido tudo sobre wrestling fora da WWE e que eram capazes de nos dar combates extremamente bons e emocionantes, citando na altura mesmo alguns nomes, como o próprio Kevin Owens e Luke Harper.

Mais do que isto, se pensarmos bem, estamos a falar de alguém que, apesar de tudo, tinha uma posição garantida na WWE, fazia o que mais gostava e o seu salário era certo ao final do mês. Trocar tudo isto por um salto no desconhecido era arriscado, mas ele deu esse salto.

Depois de um retorno mais ou menos noticiado sobre o seu regresso aos independentes, é então, em Agosto de 2015 que Juice começara a sua carreira na NJPW. Juice não era um wrestler com uma vasta experiência ou com grande nome no mundo que todos gostamos. Ao contrário do que havia acontecido com outros lutadores ex-WWE que acabaram na NJPW, como o MVP, o Shelton Benjamin e até mesmo com o Cody nos últimos anos, era natural e mesmo atendendo à “meritocracia” pela qual a NJPW se rege, que Juice não passasse à frente de muito pessoal que havia trabalhado para esta empresa nos últimos anos e fosse agora ultrapassado por um “quase rookie”.

Conhecendo nós como funciona o mundo fora da WWE, seria natural que Juice tentasse antes ganhar um nome nas indys americanas e europeias, em vez de correr o risco de acabar sem destaque e perdido no card da NJPW. Estamos até a falar de um ano em que a NJPW não apostava tanto em gaijins como costume fazer agora, e dava preferência a lutadores nipónicos.

Mas a verdade é que Juice escolheu a NJPW e não a escolheu simplesmente aceitando combater nos seus shows. Juice propôs-se ao trabalho de young lion, que significava basicamente, recomeçar a sua carreira, voltar ao básico, treinar com os verdadeiros rookies, montar e desmontar o ringue no início e fim de cada show, servir de pessoal autorizado e da crew à volta do ringue (que na NJPW é um trabalho super importante e árduo, até pelos ataques sem resposta que sofrem dos maiores heels da NJPW). Embora mantendo alguma autonomia na sua personagem e música, na sua gear e aspeto, Juice era tratado como mais um young lion, e a prova disso é que tinha o mesmo booking que os restantes relativamente ao resto do roster da NJPW. Combatia e saía valorizado do combate, mas o resultado já saberíamos qual seria.

Juice manteve-se nessa posição até finais de 2016, inícios de 2017, onde largou de vez e pode, finalmente, se concentrar somente nos seus combates. Depois de fazer parceria com o Tanahashi durante a World Tag League 2016, Juice recebeu, mais do que merecidamente uma oportunidade de lutar no maior show do ano, o Wrestle Kingdom 11, no qual faria as honras para o estreante Cody. Foi um óptimo começo, mas comparado com que conhecemos hoje do Juice, era ainda pouco para o potencial que este viria a demonstrar ter.

2017 foi, sem dúvida, o ano de revelação do Juice: title oportunities muito bem aproveitadas, apesar da derrotada final, quer contra o Goto pelo NEVER title, quer contra o Naito pelo título Intercontinental, uma participação muito conseguida no seu primeiro G1, no qual venceria inclusivamente uma das maiores estrelas da companhia, o Kenny Omega, recebendo mais tarde uma oportunidade pelo título dos EUA que o mesmo detinha na altura.

Foi um ano em que, mais do que mostrar a sua capacidade no ringue, dando óptimos combates com quase toda a gente, Juice ganhou grande popularidade, primeiro entre os fãs japoneses, que o passaram a adorar, fosse pela sua paixão e qualidade enquanto lutador, fosse pelo seu estilo Flamboyant, que chamava a atenção. Por fim, mais do que os fãs japoneses que raramente não gostam do que vêm, o Juice foi reconhecido e aceite por todos nós. Parecia estar marcado o destino deste lutador enquanto um dos grandes e mais adorados babyfaces da NJPW.

Se 2017 tinha sido o ano de revelação deste lutador, 2018 foi o ano da confirmação. Depois de uma boa prestação na New Japan Cup desse ano e de mais uma oportunidade pelo NEVER title perdida, é então que no G1 Special in San Franscisco, Juice vence finalmente o seu primeiro título na NJPW, o título dos EUA. Porém, este acabou por ser um reinado pobre, numa opinião que abrangeu grande parte da crítica, marcado por uma participação que desiludiu no G1, com imensas e desnecessárias derrotas e pela perda do título na sua primeira defesa para o Cody.

No entanto, a sua posição no card nunca se alterou, sendo uma boa notícia no sentido em que a sua posição e importância na NJPW estão mais que garantias. Juice haveria viria reconquistar o título que havia perdido no Wrestle Kingdom deste ano, sendo que este sim, tem sido uma title run mais consistente, que já conta com várias defesas.

Em suma, podemos concluir dizendo que a história de Juice representa trabalho e ambição. Foi realmente um trajecto atípico comparado com os outros grandes lutadores da NJPW, mas que lhe tem permitido aguentar a sua posição com muita importância no roster da empresa e, mais do que isso, com tendência para crescer cada vez mais. Se Juice será um lutador para conquistar o IWGP Heavyweight title já é outra questão, até porque este título é bastante fechado no que toca ao seu número de reinados e, principalmente, de campeões, o que também lhe tem permitido assumir uma relevância que mais nenhum título actual tem. Todavia, Juice será sem dúvida, a curto prazo, um contender relevante e até mesmo fundamental ao mesmo, enquanto babyface adorado pelo público e enquanto lutador mais que capaz de dar combates espetaculares, apanágio dos main-events desta companhia.

Então, que relação tens com este lutador? O que achas da sua história? Será um lutador a considerar como main-eventer nos próximos anos?

Hoje ficamos por aqui, espero que tenham gostado.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

9 Comentários

  1. George há 2 semanas

    Anotado, amore.

  2. sandro silva há 2 semanas

    juice juice juice juice. só soco na cara

  3. O Juice foi só +1 ”vítima” da WWE que conseguiu encontrar sucesso fora dela. Na minha opinião acho que ele se um dia for main-event primeiro terá que ganhar o título Intercontinental 1 ou 2 vezes para se puder lançar para o título máximo. Portanto se continuar o bom trabalho que tem feito é capaz de um dia ser o campeão dos campeões da NJPW.

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      Obrigado pelo comentário.
      Não acho que o Juice tenha sido uma “vítima” da WWE, pelo menos não ao nível de outros que realmente mereciam uma outra e melhor oportunidade.
      A verdade é que à época, no NXT, haviam outros lutadores que mereciam mais destaque do que ele. E era ele próprio que sabia disso, por isso procurou outros caminhos.
      Sem dúvida! Se algum dia o Juice for IWGP Heavyweight champion terá sempre de começar por baixo e quando digo começar por baixo refiro-me a vencer ainda o título Intercontinental, a NJC e até mesma o G1 antes disso.

  4. Gonçalo há 2 semanas

    Bom artigo, faz um sobre o Baron Corbin 😂

  5. Jóse do Japão há 2 semanas

    Ótimo artigo, eu acho legal o nosso querido Juice e a história dele é fantástica, desde que ele saiu da WWE até agora, quando se tornou uns dos bons babyfaces da NJPW, acho isso muito legal. Porém, eu não consideraria ele um futuro main event na NJPW nos próximos anos , acho, que a posição atual em que ele se encontra, está de bom tamanho para ele, na minha visão, ele é um cara para disputar USA Title, Never Openweight, até os títulos de tag seria interessante. Somente posso descorda de uma coisinha em relação ao reinado dele como USA Champion, eu acho que ele não esta tendo uma boa run como USA Champion, tirando a match contra o Barreta no New beginning USA, o resto das defesas dele foram muito ruins, principalmente contra Chase Owens que simplesmente eu dormi naquela luta kkkkkkk. Tirando essa discordância, eu adorei ler essa história do Juice. (desculpa pelo textão)

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      Obrigado pelo comentário 😉
      Sim, também acho que ser main-eventer não está nos planos para o futuro mais imediato.
      A verdade é que os combates não têm sido do outro mundo, mas na minha opinião não têm sido maus.
      Têm sido pelo menos sólidos, tal como está a ser este segundo reinado dele.

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