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Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Algumas semanas passadas após a realização de um dos “big four” da WWE, de um dos quatro PPV´s originais, históricos, tradicionais e anuais da maior empresa de wrestling da atualidade, venho, esta semana, analisar o conceito do Survivor Series e a tradição da luta de brands que se tornou sinónimo deste evento anual. Convocarei argumentos que me permitam ter uma visão global da realidade de novembro no que à WWE diz respeito todos os anos, ao mesmo tempo que tecerei algumas considerações acerca do evento deste ano.

Como comecei por referir, o Survivor Series foi um dos quatro maiores e originais PPV´s que a WWE começou por realizar e, mais do que um evento ou um show, nasceu também e mais importante ainda, como conceito, como uma tradição própria a ocorrer apenas na data em que este show se realizaria. Combates entre equipas compostas por quatro ou cinco lutadores, em que só terminariam quando todos os wrestlers que comporiam uma equipa fossem individualmente eliminados. Tal foi algo inovador na altura da sua criação e permitiu um booking mais arrojado, devido à formação sempre interessante das equipas, que podiam ir desde lutadores rivais que se uniam para uma causa comum à união das maiores estrelas da empresa para delírio dos fãs.

Contudo, com o passar dos anos, o Survivor Series tem perdido a aura que todos lhe reconheciam, podendo mesmo se considerar ter sido substituído quando ao seu lugar como um dos “big four” por PPV´s como o Money in the Bank que têm muito mais em jogo e também um conceito mais interessante se trouxermos à colação as tendências e preferências dos fãs de wrestling na atualidade. Não se tratou apenas do envelhecimento do conceito do Survivor Series, que até foi inteligentemente utilizado para, muitas vezes, tomar as decisões mais importantes em storylines da WWE, principalmente quando envolvida rivalidades entre fações ou quando eram utilizados para decidir quem detinha o poder sobre o RAW, SmackDown, ou até de toda a WWE.

Permitia, também, promover histórias e feuds entre equipas capitaneadas pelas principais caras das rivalidades, ao mesmo tempo que trazia algo diferente que não um simples combate entre essas mesmas caras, com rematch imediato ou quase imediato para o show, semana ou mês seguinte. Destes combates de eliminação podiam até nascer novas rivalidades, entre lutadores que até esse momento nunca se haviam enfrentado ou conhecido e dos mesmos podiam ainda ser encontrados os novos candidatos aos títulos, no caso de serem os vencedores do combate e, especialmente, no caso de terem consigo o enorme feito (como devia ser sempre entendido) de eliminar o campeão.

Por todas estas razões, o Survivor Series foi, durante anos, mais do que um show com ótimos combates ou de intensas rivalidades, porque isso sempre esteve claramente em défice neste PPV, um evento de momentos de decisão ou de combates que apimentavam as feuds em cujo interesse dos fãs à já muito se encontrava pronto par explodir. Mas hoje, o conceito da luta de brands acabou por matar um evento e um conceito que já vinham numa trajeto de morte lenta, dado que vários foram os anos em que os 5-on-5 Tradicional Survivor Series Elimination matches ocorreram apenas uma vez durante todo o show e em que nem sequer foram os mais esperados, ocorrendo não poucas vezes como opener do show ou mesmo entre simples lutadores do mid-card.

E então uma novidade que foi a luta entre brands introduzida no conceito do Survivor Series é a potenciadora da morte desse mesmo conceito? Sim, e respondo a esta pergunta com a maior assertividade possível.

Desde 2016, com a recriação da brand split, que o mês de novembro se tem reservado praticamente em exclusivo à luta entre o RAW e o SmackDown pela supremacia e averiguação da melhor brand, sendo que o SmackDown tem sido, quase sempre, a principal vítima deste mês, perdendo praticamente todos os anos. Mas, mais do que o SmackDown ou o Survivor Series, também nós, fãs, sofreremos com um produto pelo qual é difícil investirmos muita da nossa atenção.

Este foi, aliás, um conceito com antecedentes e até bons antecedentes. Relembrando, por exemplo, o caso da Team RAW vs. Team SmackDown que ocorreu no Survivor Series 2005, os indicadores de no futuro aplicar este conceito mais regularmente apontavam num sentido positivo. Mas há várias diferenças face ao que se passou em 2005, relativamente ao que é o Survivor Series atual.

Desde logo, o episódio que ocorreu em 2005 foi um episódio pontual e não uma tradição anual, o que trouxe expectativa e interesse ao que era costume ser feito naquela altura nesse ponto do ano. Por outro lado, não nasceu ao acaso, isto é, não nasceu porque os lutadores do SmackDown invadiram o RAW sem razão aparente nem porque os lutadores do RAW achavam que tinham de provar a supremacia da sua brand. O que legitimou esse combate foi uma rivalidade que decorria, à altura, entre os General Managers de ambas as brands, Eric Bischoff de um lado, Teddy Log do outro. Decidiram que ambos iriam escolher as maiores estrelas das suas brands para acabar com a sua mini-feud.

Ora, isto é exatamente o contrário do que ocorre hoje. De facto, os lutadores de uma das brands limitam-se a invasões injustificadas, com o único intuito de termos chegado a novembro…e isto acontece sem que nada legitime esse ataque. Por vezes, tenta-se encontrar uma justificação, ou melhor, uma aparente justificação de que se trata do ego dos McMahons, cada um com a sua marca querendo mostrar ao irmão ou ao cunhado quem tem os melhores “brinquedos”. Mas o tempo dos McMahons terem rivalidades dessas já passou e há muito está esgotado e os fãs de wrestling hoje em dia são muito mais exigentes para se bastarem com uma legitimação tão simples do que estão a ver, uma justificação tão abrupta, e em palavras correntes, tão e nada mais que “rasca”.

Ainda comparando face a 2005, não estamos a falar de rivalidades ou conceitos únicos ou pontuais, mas correntes e já tradicionais, que não geram interesse nem sequer cativam todos os anos da mesma forma como gerariam se se tratasse de algo raro.

Por outro lado, duas razões aliam-se a que o Survivor Series atual seja uma desgraça:

– Os lutadores não estão um período de tempo bastante, nem suficientemente razoável numa brand para que o desejo de os ver a interagir com os lutadores da outra brand sequer exista. Os vários PPV´s interpromocionais em que os lutadores de ambas as brands participam e a tragédia que se mostrou ser a Wild Card rule não cria empatia entre determinado lutador e determinada marca. Somente o simples facto de lutadores poderem saltar de brand para brand sem razão aparente durante o período sem trocas formais, como aconteceu com Jason Jordan impede isso mesmo.

Ainda quanto a este aspeto, mas uma vez o problema da quantidade de que tanto falo entra igualmente neste caso: se os lutadores não tivessem que lutar tantas vezes, em tantos programas semanais, em tantos PPV´s, etc., não se esgotariam todas as possibilidades de rivalidades do restrito grupo de wrestlers que cada marca tem e a WWE não se sentiria obrigada a alternar lutadores entre brands. Se tal não acontecesse, sempre que no Survivor Series os mesmos fossem interagir, não sentiríamos que já tínhamos visto aquilo e tomaríamos mais atenção;

– Em novembro não há heels, nem faces, nem tweeners, nem sequer há rivalidades dentro de uma brand. Quer dizer, todas as rivalidades a ocorrer até ao momento, até novembro, ficam suspensas, como que em stand-by, ou acabam abruptamente sem que se justifique que tal aconteça.
Por que razão, iriam AJ Styles e Dean Ambrose por as suas diferenças de lado para lutarem pela Team SmackDown em 2016? É mais importante o seu desejo individual de vingança, de títulos e, principalmente, de sucesso ou a luta pelo seu show? Ou pelo seu patrão que muitas vezes até o coloca em situações injustas? Do ponto de vista da credibilização dos lutadores, da consistência do show e do sentido do booking, tal não me parece fazer senso absolutamente nenhum.

Esta tendência da luta entre brands evoluiu, desde 2017, para um confronto entre os campeão de cada categoria de ambas as brands, com a realização de um combate entre os campeões principais, intermédios, entre as campeãs femininas e até entre os campeões de tag team. Num show que se deveria pautar por combates de equipas de cinco e por um ou outro combate individual estritamente necessário para o sentido da história em que acontece ou até mesmo para ajudar a vender o PPV, a morte do conceito original do Survivor Series foi antecipada. É mais hoje uma espécie de Bragging Rights (PPV da WWE em 2009 que teve este conceito).

Mas quanto ao Survivor Series de este ano foram notórias algumas melhorias, não propriamente na recuperação original do que este evento anual deve ser, mas no produto e histórias propriamente ditas. Desde logo, inclui a terceira brand da WWE, o NXT. Não acho que isto por si só seja razão de melhoria, mas lá está, a correlação entre termos algo novo que não vimos acontecer todos os anos minimamente interessante é um fator decisivo no interesse que colocamos nisso mesmo.

Mas o englobamento do NXT trouxe, desde logo aquele fator de vermos lutadores a interagir pela primeira vez uns com os outros. E trouxe, principalmente, a empatia entre certos lutadores com a marca NXT, o que fez com que o alistamento às tropas da brand amarela fosse mais credível. E digo mais! Foi encontrada uma justificação para o início dos ataques, pelo menos do NXT. O facto de requerer para si mais atenção e uma equiparação ao designado main-roster foram a razão do seu ataque ter começado, o que legitima a história, tal como havia acontecido em 2005.

E como o booking no NXT é bastante melhor que o do main-roster, trouxe formas de trabalhar que influenciaram a maneira de trabalhar das brands vermelha e azul. No NXT (talvez por ainda terem o seu TakeOver um dia antes do Survivor Series) continuaram as histórias que estavam a ser contadas até esse momento, algo que também aconteceu (em parte!) no RAW e SmackDown. Principalmente os seus campeões principais tiveram o seu candidato da brand, o que ajudou a não termos de assistir a trapalhadas. Neste momento, alguém acreditaria que a WWE tendo Brock Lesnar e The Fiend no mesmo ringue teria um booking inteligente?

Mas se é verdade que o Survivor Series foi, este ano, bastante interessante, não é menos verdade que manteve muitos dos seus problemas anteriores, e trouxe alguns problemas consigo.

Desde logo, ocorreu pouco tempo depois do último draft, que supostamente haveria acabado com a Wild Card rule e instituído novamente a exclusividade estrita de cada lutador à sua brand. E se isso existia no NXT, como disse, não teve tempo suficientemente para se consolidar no RAW e SmackDown.

Por outro lado, levou a combates que eu particularmente não gosto, os que envolvam muita gente, e quando falo em muita gente, falo em demasiada gente, como foi o caso dos tradicionais combates de eliminação do Survivor Series deste ano. Quinze pessoas num único ringue é um completo exagero, que impede a esmagadora maioria desses mesmos lutadores de mostrarem o que vale, ou sequer de sobressaírem e pareceriam mais um número do que um nome. Isso impediu algo tão importante que era tão precioso especialmente este ano, quando novos lutadores estavam a ser introduzidos aos olhos dos fãs mais casuais que só estão atentos ao RAW e ao SmackDown.
Por fim, manteve o mesmo problema que que tem acabado com o histórico PPV de novembro, dado que os combates de eliminação foram secundarizados em comparação aos combates que envolveram os campeões das três brands.

Como puderam notar não vim hoje pedir expressamente que matem o Survivor Series, mas explicar como acho que o estão a fazer. Não argumento com o facto de este conceito ser melhor ou pior que o Survivor Series original e que durante anos nos foi dado a conhecer. Não argumento que para a WWE seja mais fácil uma história mais simples como esta e não argumento até, que para a maioria dos fãs o conceito do tradicional maior show de novembro e de fim de ano da WWE já não se qua duna como wrestling na atualidade.

Argumento sim que este não é o Survivor Series que eu conhecia, nem que me deram a conhecer, não é o show mais soft e divertido do ano, nem sequer onde as alianças improváveis nem as equipas das megaestrelas são formadas surpreendentemente. Não sendo o Survivor Series original que me é apresentado todos os anos, para mim também não é o Survivor Series que vejo todos os anos e nesse sentido, matem de vez o Survivor Series! Não nos apresentam algo completamente diferente com o mesmo nome…

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

13 Comentários

  1. Showstealer1 mês

    Excelente artigo! Concordo completamente em todos os pontos abordados, sendo que o mais grave de todos, na minha perspetiva, é o facto de neste mês de novembro, porque a agenda de PPV’s assim ditou, toda a gente tem de defender a respetiva brand, mesmo que muitos dos lutadores (como sucedeu este ano devido à proximidade do Draft) sejam ainda recém-chegados.

  2. Yago Luiz Marques de Freitas Pereira1 mês

    Eu discordo ,ainda acho a competição entre as brancas bem atraente .

  3. Sandrojr1 mês

    Otimo artigo, concordo com oque vc falou

  4. Cfrp1 mês

    Concordo com absolutamente tudo, antes era um PPV bem mais divertido, agora mais parece um Bragging Rights revamped, basta ver o logótipo do mesmo para perceber isso, não tem o mesmo feeling que tinha à uns anos atrás e isso é certo. E concordo ainda mais com o facto de este PPV se perder no meio de tantos, a WWE apresenta demasiados PPV e torna-se muito saturado, talvez apenas 6 por ano seriam bem melhores, ter mais tempo para desenvolver as storylines e acabar mesmo num PPV, em vez de termos o mesmo combate 2 ou até 3 vezes em PPV dado aquele 50/50 booking

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      RFBM1 mês

      Obrigado pelo comentário. Sempre achei que 12 PPV´s por ano (ou mais…) era um exagero e isso reflete-se na qualidade que o Takeoveres do NXT ou os eventos da AEW têm porque são em nº muito menor.

    • Cfrp1 mês

      Exato, a WWE conseguiria melhorar os seus PPV’s fazendo 6 por ano, e todos eles podiam ser bastante especiais, mantendo os 4 tradicionais, Survivor Series, Royal Rumble, Summerslam e a Wrestlemania, e deixando dois dos mais recentes, talvez o Money in the Bank, e o Elimination Chamber, e tinhamos sempre algo especial porque esperar por cada PPV

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      RFBM1 mês

      De acordo, mas a manter que seja o MITB e outro que não o Elimination Chamber ou qualquer um tematizado.

  5. João Ruiz1 mês

    Isto é exatamente aquilo que eu penso mas ando com preguiça para escrever.
    Wild Card Rules, fazer do Survivor Series um bragging rights, etc, etc, mataram o meu interesse pela wwe.
    Ja nem aos melhores momentos dos shows semanais ou PPV’s assisto, a única que eu sei da wwe são as notícias e artigos que leio aqui, pois este é um site muito competente e por norma fico sempre informado do que de mais importante se passa.
    Subscrevo o artigo a 1000%

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      RFBM1 mês

      Obrigado pelo comentário!
      Se ainda vejo alguma coisa da WWE (que é 10& do wrestling que vejo) é pelos lutadores que não quero perder boa parte da sua carreira, se não nem para lá olhava.

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