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Frank casino

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Depois de algumas semanas a antever shows, a construir uma listinha de desejos para o wrestling em 2020 e de ter voltado, por um período muito curto, a 2019 para avaliar os melhores do ano transacto, regresso hoje, ao formato mais usual do Brain Buster: um artigo de opinião sólido sobre um tema específico, sem mudança de tópico ou de tema.

O assunto escolhido por mim esta semana é do agrado dos meus leitores que elogiam o meu espaço, e com muito gosto meu, por falar várias vezes sob o wrestling menos conhecido, ou seja, tudo aquilo que não WWE, NJPW ou AEW actualmente. Esta semana, será a vez da NWA, a histórica promotora de wrestling que outrora foi a Nº1 dos EUA e que regressou verdadeiramente ao activo, embora nunca tenha deixado de existir, mas em termos pouco convencionais no wrestling actual, que não permitem que podemos considerar que estivesse activa à semelhança das outras promotoras.

Para além da sua situação actual e do ressurgimento da NWA, em moldes mais actuais, não deixarei, como é óbvio, fazer umas pequenas menções históricas de enquadramento, que se mostram sempre úteis, para chegarmos ao momento actual e o porquê dele se encontrar nos termos em que se encontra, assim como penso que ajuda aos meus leitores, ganhar mais e melhor em termos de conhecimento e informação sobre o mundo do wrestling.

A National Wrestling Alliance (NWA) nasceu em 1948 e rapidamente se tornou o principal nome do wrestling americano. Consegui-o, principalmente, pelos moldes em que se apresentou e pelos lutadores que conseguir adquirir e construir. Falo do sistema de territórios, isto é, apesar dos títulos continuarem a ser da NWA, esta não apresentava shows só seus, ou programas semanais todas as semanas, em que o wrestling actual assenta – até teríamos de esperar muitos anos para ver uma empresa ter um programa de TV semanal.

Este sistema de territórios correspondia a uma descentralização desta promotora pelos diversos Estados e regiões dos EUA, realizando show um pouco por toda a parte, e adquirindo várias parcerias com empresas menores nos vários Estados que compõem os EUA. Os seus títulos seriam defendidos ora num território um mês, ora noutro no mês seguintes, não sendo, de todo impossível, que um título fosse defendido num Estado em um mês e outro no mesmo mês ser defendido numa região do país diferente. Eram definitivamente outros tempos…

Isto trazia várias vantagens. Numa altura em que a TV ainda não era um bem essencial na casa das pessoas, e em que grande parte da população tinha dificuldades em adquirir um aparelho televisivo, a única forma de ver shows da NWA, era comprar o bilhete e ir ao show. A nível dos campeões, facilmente conseguem imaginar o que seria sempre que o campeão mundial aparecia no evento de um determinado território. Por não estar lá sempre, nem defender o título com frequência lá, o êxtase dos seus fãs e adeptos de wrestling era enorme sempre que o campeão ia a cada território. Era assim fácil a credibilidade que se construía em torno dos campeões e, em principal, do campeão mundial, numa altura em que poucos conheciam o conceito de kayfabe.

Mas os piores dias da NWA acabariam por chegar quando a WWE começou a crescer em meados dos anos 60 e, se é verdade que Vince MacMahon Sr. (pai de Vince MacMahon) teve uma concorrência totalmente leal e justa, não abusando da sua posição dominante com o dinheiro que tinha, o certo é que quando Vince MacMahon Jr. assumiu as rédeas do que agora conhecemos por WWE, o mesmo não aconteceu. Vince conseguiu, para além de construir várias estrelas de que Hulk Hogan viria a ser o maior nome, comprar vários territórios ou promotoras parceiras da NWA, restringindo ao máximo a possibilidade de qualquer concorrência à WWE.

E tal viria ainda piorar com o surgimento da WCW, ao início, um dos territórios da NWA, que conseguiu crescer de tal modo, que se tornou maior que a já velhinha NWA. Com tanta novidade e mudanças no mundo do wrestling durante os anos 70, 80 e 90, a NWA acabaria mesmo por ficar para trás, mas nunca deixando de existir. Principalmente o seu título principal, o NWA World Heavyweight title, continuou a ser um dos títulos mais importantes do mundo.

Para os fãs mais main stream, a NWA só voltaria a ser falada em 2002, quando Jeff Jarrett criou a TNA. Após algum tempo sem um título mundial, Jeff entendeu que a TNA precisaria de um título já credível antes mesmo de sequer aparecer na TNA, e virou-se para o título mundial da NWA, que foi assim sinónimo com os melhores anos da TNA. Do início até 2007/2008, acabou por ser maioritariamente defendido nas bases actuais do wresting: programas semanais e PPV`s. Recordo com grande saudade este tempo da NWA/TNA, em que nomes como AJ Styles, Samoa Joe, Christopher Danieles, Kurt Angle, Christian Cage e até mesmo Jeff Jarrett e Scott Steiner brilhavam antes da TNA começar a declinar.

Mas quando a TNA decidiu criar um título por si mesma, a NWA voltou-se para o wrestling independente menos conhecido novamente, embora ainda tivesse uma espécie de parceria com a ROH durante pouco tempo. Em 2013/2014/2015, em parceria com a NJPW, teve vários títulos e defesas dos mesmos em variadíssimos shows desta empresa nipónica, mas quando tal parceria acabou, ninguém mais se ouviu falar da NWA.

É de notar que durante este tempo todo, passaram pela presidência da NWA vários nomes, foram vários os seus bookers, foram vários os seus campeões. No fundo, a NWA nunca deixara de existir, mas nunca havia conseguido recuperar-se do fim do sistema de territórios, e nunca deixando de o tentar implementar novamente. Até recentemente, os seus títulos eram defendidos pelas várias regiões dos EUA, sem promotora certa, e onde somente os campeões importam. Mas a verdade é que muitas vezes acabavam por fazer shows para cerca de 50 pessoas no público devido à pequenez dessa promotora e só muito raramente víamos os seus títulos aparecem em empresas mais conhecidas como a CZW.

Mas tudo pareceu ter mudado em 2017, mesmo que a materialização dessa mudança só tenha ocorrido este ano. Nesse mesmo ano, Billy Corgan, vocalista dos Smashing Pumpkins, comprou a NWA, depois de uma sua aposta falhada no que restava da TNA da Dixie Carter e foi no final de 2017 que Nick Aldis (ex-Maguns na TNA) venceu o título mundial da NWA. Uma pequena parceria com a ROH e, acima de tudo, um trabalho notável do novo campeão com inúmeras defesas em poucos meses e por todos os cantos do mundo, fizeram com que a NWA, praticamente sozinha, voltasse a ser falada. Não por esta ou aquela parceria, mas porque começava a ter algo bom para apresentar.

A isto acresce-se a lealdade de lutadores como Tim Storm, Jax Dane, Colt Cabana, Jazz, que sendo sinonimo da NWA, fizeram acreditar que era possível um ressurgimento da velha promotora. Mas o ponto fulcral foi a defesa de Aldis no All In em 2018 onde perdeu o título para Cody e onde a NWA foi realmente bem promovida. Mais do que isso, a NWA conseguiu realizar dois shows em pouco tempo, o 70th Anniversary ainda em 2018 e a Crocket Cup já em 2019, aos quais as reacções foram muito boas.

Peça final neste processo acabou por ser mesmo o seu recente programa semanal, que é disponibilizado todas as semanas no canal de youtube da NWA e onde os primeiros episódios despertaram novos fãs e visualizadores do seu produto. A nostalgia de ver a NWA recuperar por tantos anos terá também contribuído para este súbito crescimento.

Durante todos estes anos fui até do que mais pediu por este ressurgimento. Aquele título mundial é demasiado valioso para ser defendido em shows tão pequenos que ninguém fala e o nome NWA merece e deve ser honrado pela história que tem no pro-wrestling. Contudo, se é verdade que os shows semanais têm recebido críticas bastante positivas quanto ao estilo e lutadores resgatados, para mim, tais elogios, em parte são exagerado e, em parte são totalmente falsos. É exactamente o objectivo deste artigo explicar porquê e olhar para os passos em que a NWA tem de dar, se quer realmente recuperar a atenção de uma boa massa dos fãs de wrestling actual.

Começando com tudo o que diz respeito aos factores extra-wrestling, os comentários têm sido bastante bons. Seja com Jim Cornette, que se demitiu após as primeiras gravações do programa semanal, o NWA Powerr, seja agora com Stu Bennet (ex-Wade/Bad News Barrett na WWE) e o formato das entrevistas aos lutadores em plataforma de estúdio foi um dos pontos elogiados pelos fãs. Tudo é feito num pequeno estúdio, onde se encontra o ringue, os comentadores e o entrevistador. Os próprios fãs estão colocados apenas num plateia em frente ao ringue e não existem fãs nas laterais. Já os lutadores nem direito a música de entrada têm (mesmo à antiga). Têm-se feito elogios a isto com o argumento que é tornar um sistema velho em algo novo e mais, que se trata de um sistema clássico que resulta sempre.

Concordo em parte com estas críticas. Em parte, porque gosto bastante da dispensa do espectáculo e que se dê voz, espaço e tempo às principais figuras de qualquer empresa de wrestling, os seus lutadores. Mas se é verdade que voz é dada, até demais, espaço e tempo de combate nem por isso. As promos, as entrevistas, os comentários antes e pós-combate não são muitos, são absolutamente demasiados. Num programa de 1 hora, acabamos por ter um tempo último de 20/25 minutos no NWA Powerr, o que é inadmissível. Menos conversa e mais wrestling é a primeira recomendação que faço à NWA.

Quanto aos combates, apesar de não serem maus, também não se poderá dizer que são excelentes. Nick Aldis, Trevor Merdock, Ricky Starks, James Storm, Eli Drake, Mr. Anderson, Colt Cabana e até Tim Storm têm cumprido muito bem o seu papel até agora. Mas, por exemplo, Aaron Stevens, Caleb Konley e toda a divisão feminina e de tag team têm estado muito abaixado do que se poderá exigir da NWA e mesmo dos lutadores que nestas divisões estão presentes. Chamo até a atenção para a campeã feminina Allison Key, que raramente luta, sendo que os seus combates duraram muito pouco tempo. Assim, faço um parecer com mais tempo para os combates e mais oportunidade para os lutadores que conseguem brilhar de o fazer.

Por outro lado, um dos aspectos mais elogiados pelos fãs trata-se do belo roster que a NWA conseguiu construir, mas com a presença de James Stom, Eli Drake, Mr. Anderson, Eddie Kingston, Homicide, Pope, o próprio Nick Aldis, Kaleb Konley, Allison Key, Marti Belle, não vos faz lembrar nenhum roster? A mim sim, quase 50% do roster da TNA em 2015. Tratam-se de bons lutadores sim, mas a NWA não pode somente recorrer a experiências falhadas e tentar aproveitá-las, ou melhor, não pode só fazer isso. Tem também de criar as suas próprias estrelas, os seus nomes maiores, os nomes que são seu sinónimo, e não é buscando lutadores do passado das empresas mais conhecidas que irá conseguir fazê-lo. Mais diversidade, uma construção de nomes mais pequenos, mas com potencial e de jovens talentos segue-se como um conselho à NWA.

Olhando agora para o booking da NWA, de facto, a meu ver, não tem sido o seu ponto forte. Nick Aldis estava a ter um booking bastante bom, como um campeão heel, mas capaz de fazer o seu trabalho e, mais do que isso, disponível para aceitar todos os desafios, vê-se agora numa facção improvisada, simples, sem nada de novo, que foge dos combates, que não os consegue vencer, etc. Booking totalmente desnecessário e mau, para o que de melhor tinha a NWA para oferecer.

Até hoje, ainda não percebi quem é face e quem é heel na feud entre Eli Drake e Mr. Anderson e foram os fãs que tiveram de escolher de que lado estava quanto a James Storm, que andava indeciso quando a ser face ou heel. A isto acresce-se um booking por capricho e modas (ou “modinhas”) dos fãs. Question Mark, somente porque os fãs acharam piada ao nome e à gimmick vence tudo e todos e tem tido um booking intocável. Mas se os fãs gostam dele, ele é face? Não, heel e parceiro de Aaron Stevens…Este último tem sido outro, com um trabalho e prestação ainda piores que a que teve na TNA e nos últimos anos de WWE, e que tem feito horríveis coisas com o NWA National title,

Por fim, vejo vitórias e pushs sem sentido: Zicky Dice não tem absolutamente nada para oferecer e vence Kaleb Conley; Aaron Stevens e Question Mark vencem Colt Cabana facilmente; os próprios Rock and Roll Express, com mais de 60 anos são campeões de Tag Team e venceram os Wild Cards duas vezes, quando no mesmo roster há a equipa de Homicide e Eddie Kingston, e agora Ricky Mortan até parece pronto para enfrentar o campeão mundial.

Enfim, é um booking de capricho, de nostalgia, de escolha irracional dos fãs, com histórias mal contadas, com lutadores mal aproveitados e onde muito, mas muito potencial podia estar a ser melhor aproveitado.

Posto isto, podem ver agora a minha resposta ao produto da NWA. Tem sido assim tão bom? Não, pelo menos não, comparando com as maravilhas que falam dele. E atenção, refiro-me a isto de forma bastante infeliz da minha parte, porque sempre fui um dos fãs perdidos desta promotora pelo mundo, que havia ficado quase inactiva, mas que se conseguiu recuperar. É preciso, na minha opinião, fazer a partir de 2020, o que foi feito de 2017 a meados de 2019 e não o que se tem feito ultimamente.

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

2 Comentários

  1. Sandro jr2 semanas

    Fiquei agr em dúvida se começo a assistir ou não, mas de resto ótimo artigo

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      Obrigado pelo comentário.
      Se tiveres tempo para acompanhares mais wrestling, não vejo razão para não tentares.
      Agora se tiveres aflito quanto ao tempo, há coisas muito melhores para veres 😉