O nosso YouTube está de volta. Subscreve!
Frank casino

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

O Survivor Series 2019 não se limitou à já típica luta pela supremacia da brand entre o RAW e o SmackDown. Não, ela introduziu um precedente do qual a WWE começa a gostar cada vez mais de usar: compreender o NXT como uma brand semelhante ao RAW e ao SmackDown; e este Royal Rumble passado foi a confirmação disso mesmo, dado que a sua vencedora, Charlotte Flair, escolheu, no lugar dos tradicionais títulos femininos do RAW ou SmackDown, o título feminino do NXT.

O Survivor Series foi, regra geral, bem recebido pela maioria dos fãs, que adoraram ver algo novo acrescentado à já habitual e secante guerra de brands que o Survivor Series adoptou. E mais ainda. Têm apreciado esta rivalidade que nasceu entre Rhea Ripley e Charlotte. Contudo, farei uso do artigo desta semana, para mostrar que apesar de poder efectivamente a vir a correr bem, também há aspectos que os diversos fãs não estão a equacionar quando falam com sobressalto sobre esta decisão.

Há uma categoria do Brain Buster que serve para falar destes assuntos, que aparentemente toda a gente gosta ou desgosta, e em que eu sou a excepção. O advogado do diabo permite-me defender outras perspectivas e permitir que se tome em consideração outros aspectos quando se está tão hyped para algo ou simplesmente se odeia certa situação. No tema deste artigo, toda a gente parece estar a gostar da elevação do NXT e desta feud entre a Rhea e a Charlotte. Contudo, se a primeira situação me parece trazer problemas para o futuro, a segunda, apesar dos bons sinais que dá, pode correr bastante mal.

Começando pela primeira hipótese, considero que ainda não percebi a necessidade de elevar o NXT ao mesmo ponto do RAW e do SmackDown. Nem que se queira fazer isso, há demasiadas diferenças no conteúdo do produto, na organização da brand, nos seus programas e eventos especiais, que fazem do NXT uma brand única que se distanciava (e ainda distancia) do chamado main-roster da WWE.

Sim, ganhou mais uma hora com a passagem para a USA Network e sim, as suas maiores caras passaram a aparecer mais vezes nos programas semanais, assim como as defesas dos seus titulo a cada semana aumentaram consideravelmente. Contudo, é na esmagadora maioria das vezes realizado na mesma arena, sendo Full Sail já a sua casa e tem, ao contrário do RAW ou SmackDown, uma divisão com programa próprio, o 205 Live, e uma brand completamente independente e autónoma de si, o NXT UK. O RAW e o SmackDown podem ter o Main Event como programa secundário, mas em nada este tem um estilo diferente do seu ou é independente do que acontece semanalmente nos programas principais.

Por outro lado, é conhecido o historial de estreias no NXT. Vale a pena lembrar que há uns anos, foi anunciado pela WWE que o mesmo deixaria de ser um território de desenvolvimento. Mas será isso verdade? Quando a WWE contrata algum lutador ou tem alguns prontinhos a evoluir com origem no Performance Center, é no RAW que eles se estreiam? Ou é no SmackDown que são utilizados? Não, o seu ponto de partida é definitivamente sempre o NXT, o que mais do que diferenciar a própria brand, a deixa uns furos abaixo, como se de uma escala para chegar ao topo se tratasse. Atenção que não estou a dizer que discordo dessa maneira de trabalhar, mas sim que há uma ideia que ainda não acabou, do NXT ser o ponto de partida de quase todas as estrelas da WWE actual.

Isso torna o NXT numa espécie de 2ª linha ou numa brand à parte da restante WWE, mas que pelo número de fãs e historicidade, me parece mais a primeira opção. Ressalvo que 2ª opção nos termos que venho a evidenciar. Não o será nunca pela qualidade dos seus combates e booking muito bom.

Olhando até para os próprios eventos especiais, não me lembro do RAW ou SmackDown terem os seus PPV´s próprios desde 2017, ao contrário do NXT que tem sempre os seus belíssimos TakeOvers. E mais, mesmo que o RAW ou SmackDown voltassem a produzir os seus próprios PPV´s separadamente, há uma sub-brand do NXT, o NXT UK, com autonomia a ponto de produzir também os seus próprios eventos especiais. Mais uma vez, tentar comparar o NXT ao RAW ou SmackDown é errado.

Por fim, quanto a esta primeira questão e olhando para simples razões práticas, se o NXT começar a fazer parte da WrestleMania, não se estarão a adicionar mais nomes e títulos, num show já totalmente preenchido e com uma duração já cansativa? Sim, é certo que este ano pode ser só o título feminino do NXT. E para ano? Quando os Dream match dos vencedores do Royal Rumble consubstanciarem nos dois campeões do NXT, a WWE puxará os dois títulos desta terceira brand para os main-events da WrestleMania? Nem é preciso sequer falar e pensar nessa situação hipotética. Basta pensar que, este ano, com a escolha de Charlotte a ser o título do NXT, tal deixou o título feminino do RAW e do SmackDown para trás e, embora se consigam pensar em boas adversárias para a Mania, esses títulos não estarão sempre numa posição inferior face ao título feminino do NXT?

Posso agora pegar nesta última deixa para entrar na questão da escolha da Charlotte. Sabem quem é o mais culpado de estarmos agora a querer mais um combate em que Rhea defenda o seu título feminino contra a vencedora do Royal Rumble? A resposta é muitos simples, e até óbvia: do booking da WWE. Pensemos, depois das Four Horsewomen, que lutadoras a WWE construiu no seu main-roster como seus pares e equivalentes? Rounda Rosey já vinha construída de outras realidades quando se estreou, Asuka, Natalya e Naomi tiveram pequenos surtos, mas nada de consistência e, no caso mais perto disso, Alexa Bliss foi traída pelas lesões e quando regressou, não foi com tanto ímpeto, ímpeto esse que chegou a conquistar no passado.

Por outro lado, se continuamos com a ideia de que o NXT é uma 2ª linha da WWE, porque escolheria Charlotte o seu título, quando poderia estar a lutar pelo topo da 1ª linha. Deste modo, nem sequer racionalmente, faz sentido esta escolha de Charlotte.

E pensemos agora na situação dos títulos femininos do RAW e do SmackDown. O primeiro deverá ficar entregue a Becky Lynch e Shayna Baszler (recordo que esta acabou de subir ao main-roster) e o título feminino do SmackDown ainda está sem uma candidata credível aparente para a WrestleMania. O nome mais apetecível é mesmo Sasha Banks, que finalmente reeditaria a sua feud com Bayley, depois de em 2018 terem estragado tudo, mas lá está, novamente as Four Horsewomen… Acabar por enfrentar outro nome Naomi ou Carmella ou Lacey Evans, ou as 3 num Fatal 4-Way, por exemplo, não é, na minha opinião, combate digno de WrestleMania.

O booking de ter a Charlotte a escolher o título feminino do NXT pode ser genial, mas na minha opinião é o mais simples e preguiçoso. Reparem, em vez de a WWE ter pensado antecipadamente que combates queria na WrestleMania, passou todo o seu ano a realizar vários combates com as suas maiores estrelas. É por isso que Charlotte vs. Becky não ia chamar a atenção; nem Charlotte vs. Bayley. Afinal, que atenção atrairiam estes dois combates, de tantas vezes que foram realizados nos últimos meses. Houve um draft no final de 2019, porque não introduzir as sementes de um Charlotte vs. Alexa pelo título feminino do SmackDown, por exemplo, já que não acontece há bastante tempo. E quem diz este combate, diz qualquer outro, que podia perfeitamente acontecer na WrestleMania, e só não vai porque não houve um pensamento a longo prazo, manifestação do booking do imediato característico da WWE actual.

Este combate teve até consequências nefastas do booking do NXT, do qual Bianca Belair foi claramente a mais prejudicada. Relembro que estamos a falar de Charlotte Flair, o principal nome da divisão feminina da WWE nos últimos 5 anos. Quem se lembraria, ou sequer equacionara, que Bianca podia arruinar um combate que toda a gente quer ver entre a Charlotte e a Rhea, quando esta passa mais tempo a aparecer no RAW a promover o seu combate com Charlotte do que no NXT a interagir com Bianca? Mas esta teve alguma hipótese no embate com a campeã? Nem por isso, foi rapidamente derrotada no último TakeOver, para deixar a campeã credível para o grande combate da sua carreira. Foi pena uma lutadora tão over como Bianca e com tanto talento e potencial ser tratada deste modo.

E uma causa desta situação, também é a condição da actual campeã feminina do NXT, Rhea Ripley. Sim, esta venceu o título feminino do NXT e NXT UK no mesmo ano, teve boas feuds e desempenhou um bom papel enquanto personagem e heel/face quando rivalizou com Toni Storm e Shayna Baszler, respectivamente, mas ela não deixa de ser uma rookie com um bom primeiro ano quando comparada com Chalotte Flair, a melhor lutadora feminina da última década na WWE. Por isso, foi necessário credibiliza-la ainda mais, e para isso serviu o seu combate com Bianca Belar no TakeOver.

Olhando agora para o conteúdo do combate propriamente dito, hype não falta, pela construção da Rhea nos últimos meses e pelo nome certo que é Charlotte Flair, ambas são boas em qualquer situação, seja enquanto face, seja enquanto heel, e ambas conseguem colocar seriedade naquilo que fazem.

Contudo, o combate tem assim tanto para ser tão bom? É certo que da candidata podemos esperá-lo, não fosse ela a lutadora mais consistente do roster, mas e da Rhea? Os seus combates com Toni Storm foram assim tão bons? E o seu embate com Shayna Baszler valeu pelo combate em si, ou pela vontade de a ver vencer o título? Mas não é sequer exigível que a Rhea, ainda com 23 anos, e com um ano de NXT ao mais alto nível, sem sequer chegar ao main-roster, tenha a destreza e frieza necessária para entregar nos grandes palcos. Estamos a falar da WrestleMania, em que qualquer erro, botch, mau combate, etc., fica lembrado até na memória dos fãs que só vêm WWE nesta altura do ano.

Deste modo, será assim tão apetecível fazer este combate, entregando, desta forma, Rhea aos lobos? Mas atenção, o que espero é que esta feche toda e qualquer crítica, só estou a comentar o facto do custo/benefício deste combate ser claramente desproporcional. É claramente um “tiro no escuro”, mas já vi muitos outros tiros dados nas mesmas circunstâncias que acabaram por correr muito bem. Espero que Rhea seja um desses casos e é por isso que estou a torcer.

Pensemos, agora, nesta situação numa perspectiva futura. Quem deve vencer este combate, em que a campeã é o underdog e a candidata o grande estrela? O mais seguro é Charlotte vencer, mas se for esse o caso, para quê? O draft não é para respeitar? Não nos foi dito no draft que a USA Network com o RAW e a FOX com o SmackDown não lutaram pela exclusividade dos seus lutadores? É que se não for, isso significaria o regresso de Charlotte ao NXT e porque é que um nome tão grande como o seu, haveria de ficar de fora do SummerSlam, por exemplo, ela já é muito mais do que a grande cara do NXT. Mesmo na opção, sem sentido, de Charlotte continuar no RAW e vir ao NXT defender o título quando fosse preciso, aí, colocar-se-ia a sobrecarga de combates e viagens de Charlotte, que nem estaria concentrada no NXT, nem em qualquer outra história no RAW.

Visto do outro lado, coloque-mos a hipótese de Rhea reter o seu título. Sinceramente, vejo mais vantagens nesta situação. Não estou a ver esta lutadora a sair do NXT com tanta facilidade, até porque ainda tem bastantes coisas por fazer na brand amarela, e ainda muitas lutadoras desta marca por enfrentar. Bookar Rhea face para vencer na WrestleMania, no seu primeiro combate no maior evento de todos, a principal cara feminina da WWE, era, sem dúvida, torná-la o mais credível possível, quase intocável, e tal poderia ter dois efeitos na divisão feminina do NXT: colocar as outras lutadoras em patamares muito baixos comparados com os de Rhea; fazer com que elas se elevem também. Quem fosse enfrentar Rhea e se mostrasse capaz, ficaria credibilizada, assim como nome escolhido para a vencer, traria uma carga de aura especial a essa lutadora. Esta deveria ser, na minha opinião, Io Shirai.

Mas em que posição isso deixaria Charlotte Flair? Esta virou heel e face demasiadas vezes nos últimos tempos para haver uma grande transformação na sua personagem, depois de uma derrota tão pesada, pelo que, ou passaria um bom tempo fora dos programas semanais para criar saudades nos fãs, ou passaria uns maus bocados nos primeiros tempos pós-Mania. Mais uma vez, como podemos ver, a desproporção custo/benefício deste booking é evidente.

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

8 Comentários

  1. Apesar de tudo, parece-me que a Charlotte ganha.

  2. Y2Jean1 mês

    Parabéns pelo texto. Realmente a wwe se perdeu e entrou numa sinuca complicada. Eu vou torcer pra bianca Belair começar a pertubar a charlotte e a Ripley. A ponto de se meter no combate. Com isso seja lá quem vença. Acho qie o prejuizo seria menor

    • Foto de perfil do Facebook
      RFBM1 mês

      Obrigado! Para ser sincero, acho que acrescentar a Bianca é ainda pior.

  3. Sandrojr1 mês

    Acho que o melhor é uma vitória da Rhea, pois a Charlotte não precisa deste belt… aliás, em pensar que tudo isso está sendo feito só pelo fato das guerras pela audiência contra a AEW…de resto ótimo artigo

  4. Vitor Oliveira de Souza4 semanas

    Concordo 100%, acho meio forçado quererem elevar o nxt desta forma