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Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Desde o início do meu espaço aqui no maior site português sobre wrestling, já se passaram 50 semanas, que contaram com 50 artigos, um por semana, sem nunca falhar, algo que me deixa bem satisfeito e que espero poder manter no futuro. Esta semana, por sua vez, para assinalar a 50ª edição, e como anunciei a semana passada, trago-vos um artigo de resposta às perguntas que vos solicitei na semana passada.

Irei responder não só às deixadas na caixa de comentários, como a algumas que me chegaram pessoalmente. Mas antes de avançar, deixar um grande agradecimento a quem colaborou. Sem perguntas esta edição do Brain Buster não existiria, por isso, a todos um MUITO OBRIGADO. Isto deixou até um bom procedente para voltar a fazer um artigo parecido posteriormente.

POPK: Achas racional a comparação que os fãs de wrestling fazem hoje entre a AEW e o NXT? A meu ver não o é, tanto pelo tempo em que cada um existe, e também pelo fato de, a meu ver, a AEW ter um produto que se aproxima mais dos shows do RAW e Smackdown (em termos de construção de personagens, feuds, etc).

Há uns tempos redigi um artigo fazendo uma análise dos primeiros tempos de competição entre a AEW e o NXT e a comparação entre os seus programas semanais, procurando semelhanças e diferenças. A conclusão a que cheguei na altura foi exactamente a tua. O Dynamite e o NXT, embora ambos programas de wrestling e de bom wrestling, não são produtos concorrentes, porque são diferentes.

Os fãs de NXT não são exactamente os mesmos fãs de AEW e vice-versa, embora algumas camadas suas possam coincidir. Como disse na altura, em termos económicos podemos classifica-los, não enquanto produtos substitutos (se não houver NXT, as pessoas vão ver a AEW), mas sim como produtos independentes (não é por a AEW existir, que as pessoas vão deixar de ver o NXT).

E são diferentes exactamente naquilo que referenciaste. Desde logo, o estilo in-ring é diferente, isto é, enquanto no NXT se valoriza o wrestling mais tradicional, na AEW temos combates com mais história, mais brutais e, por vezes, mais violentos e pessoais. São também distintos nas promos quanto à sua linguagem e nas feus quanto à sua intensidade, pois enquanto no NXT os títulos são o que desencadeia as rivalidades, na AEW são as histórias pessoais, se quisermos, as “blood feuds”.

Também concordo contigo que se aproxima mais da forma de trabalhar do RAW ou SmackDown, embora não sendo semelhante em grande escala. Mas a ser comparada com algum show, sem dúvida, que é mais do RAW e do SmackDown, do que propriamente do NXT. Se quisermos, encontrar-se a meio de ambos os estilos, mas mais próxima do main-roster da WWE.

Por fim, dizer também que isso deriva da competição do Dynamite ao NXT ser apenas indirecta, porque a verdadeira competição é entre a AEW e a WWE. Como referi nesse artigo, quando Cody ou Chris Jericho lançam “farpas” à “rival”, não estão a falar de Triple H nem do NXT, mas de Vince e da WWE enquanto main-roster. É o seu booking que é criticado, a sua forma de trabalhar que é repudiada e o seu pensamento que é gozado.

Leleco: Qual foi a rivalidade melhor construída no wrestling?

A melhor rivalidade que eu já vi, com tudo conjugado, desde os combates, aos maiores palcos, aos títulos envolvidos, aos torneios em que ocorreram, às promos feitas e à realização do objectivo que se pretendia a cada combate, terá de ser a que opõe Hiroshi Tanahashi a Kazuchika Okada. Vejamos, estes dois fizeram crescer a NJPW aos patamares em que ela se encontra hoje em dia.

Os seus combates foram main-event de muitos dos maiores shows que esta empresa nipónica já realizou e, para além do resto, foram combates para os quais as palavras “bons”, “muito bons”, “espectaculares”, “óptimos”, etc. (em suma, as mais tradicionais para dizermos que um combate foi dos melhores que vimos) já parecem gastas de tanto as usarmos para os descrever.

Mais do que isso, as promos foram sempre adequadas à história que cada combate seu contou. Se no início o Okada era um jovem talento com enorme potencial e queria bater o maior nome da NJPW, era essa a história contada; se o Tanahashi queria provar que ainda tinha capacidade de ocupar os grandes palcos, era essa a história contada; se o Okada queria destronar de vez o Tanahashi, era essa a história contada; se ambos eram um obstáculo um do outro em algum torneio ou combate pelo título; era essa a história contada. Tudo muito simples, mas igualmente tudo muito credível.

RawlsLey: Achas que a WWE poderá voltar a criar personagens com profissões, como por exemplo uma personagem que seja advogado?

Resposta absolutamente negativa. Esse tipo de personagens está associada aquela que é considerada e recordada por muitos fãs de wrestling como a pior fase da história da WWE, a New Generation, em que personagens desse tipo abundavam e que fizeram a WWE perder o controlo do maior mercado da modalidade por uns tempos para a WCW.

Personagens do género retiram aquilo que existia com Hulk Hogan, Andre the Giant e Ultimate Warrior e que viria posteriormente a existir com Stone Cold, The Rock e Triple H, isto é, retiram ao wrestling a sua capacidade de ser “larger than life”. Se algum dia personagens desse tipo voltarem nunca será à grande escala. Jobbers serão sempre precisos e, momentaneamente, poderá haver um que interprete uma gimmick parecida. Em suma, advogados, dentistas ou professores do secundário nunca voltaram ao mid-card da WWE e, para ser sincero, ainda bem.

Wolfman23: Achas que a WWE, devido a concorrência da AEW, vai dar mais destaque a novos lutadores e menos aos part-timers, se sim, quais são?

Infelizmente, a concorrência da AEW ainda não é forte ou sequer justificativa para uma tomada de posição vincada da WWE, seja para mudar algo na sua estrutura, seja para mudar o seu booking ou forma de trabalhar. Como disse no artigo sobre os aspectos a melhorar na AEW, esta vence a WWE num confronto entre os seus bookings, mas não por ser manifestamente melhor, ela vence porque a WWE não apareceu ainda para esse confronto, nem precisa de aparecer. Por isso, pelo menos durante uns bons tempos, deverá manter-se a mesma maneira de trabalhar e o booking de recurso constante a part-timers que a WWE tem usado na última década.

Mas achando eu que se dá um milagre e a WWE começa a apostar verdadeiramente em jovens lutadores, para além do Daniel Bryan, do Seth Rollins, do Roman Reigns, e até certo ponto do AJ Styles e do Kevin Owens, há um vasto leque de nomes que gostaria de ver terem este destaque e que considero que seriam mais do que capazes de aproveitar com distinção essa oportunidade. São eles: Andrade, Buddy Murphy, Cedric Alexander, Drew McIntyre (que parece bem encaminhado), EC3, Ricochet, Drew Gulak, Shinsuke Nakamura e Sami Zayn.

Rooben: O que tens achado da AEW até agora? Achas que farão melhor figura que a WCW e que a TNA?

Há cerca de duas semanas escrevi um artigo sobre os aspectos a melhorar na AEW. Vejamos, fazer melhor imagem que a WCW é difícil. As pessoas estão acostumadas a associar a WCW a 2000 e a 2001 e àquele booking horrível do Vince Russo, que levou ao fim da promotora. Mas pensam assim porque a história é escrita pelos vencedores e é essa a ideia que nos transmitiram. É preciso não esquecer que a WCW chegou a dominar o mundo do wrestling quando a WWE estava em baixo e tinha um booking bastante razoável, tanto pela forma como criou a NWO, como reconstituiu Sting, como tinha um bom mid-card e pela divisão de cruiserweights. Se a AEW pode chegar lá? Pode, será difícil pelo menos num curto ou médio prazo, mas os ingredientes estão lá.

Por outro lado, é mais fácil aprender com os erros da TNA do que com os erros da WCW, porque o período temporal é mais escasso. A TNA também tinha óptimo wrestling e um brand cheia de jovens que queriam mostrar o que valiam, tal como a AEW. Se esta não der “passos maiores que a perna” como anunciar guerras de audiências com o RAW precocemente, se não for buscar lendas da WWE para ser os seus principais actores como a TNA fez com o Hulk Hogan e o Ric Flair e manter um booking aceitável, já será fazer bem melhor figura que a TNA, o que não me parece difícil, sinceramente. Porém, na ideia de base, acredito bastante na AEW e estou positivo e confiante que possam chegar a ser competição séria para a WWE.

Sandrojr: Se o Okada e o Roman Reigns lutassem na sua melhor forma, qual dos dois venceria? Mesma pergunta para John Cena vs. Hiroshi Tanahashi. Encare como um booker.

É uma pergunta difícil e que obriga a, mais do que pensar, ter uma capacidade de imaginar e criar situações que não existem. Desde logo, porque o booking não se faz a cada combate, há uma análise sistemática do momento da brand desse combate, pelo que tem sempre de existir um pano de fundo por detrás de qualquer combate ou rivalidade, que lhe possa dar um rumo. Por isso, para poder responder a esta pergunta tenho de criar uma realidade. Realisticamente, só há duas formas de esses combates acontecerem: ou o Okada e o Tanahashi vinham para a WWE; ou o John Cena e o Roman Reigns iam para a NJPW.

No primeiro caso, um Okada vs. Roman, na WWE actual, seria vencido por qualquer um dos dois. Porquê? Porque seria numa feud de destaque e tem de haver um booking 50/50, ou seja, aconteceria mais do que uma vez. Já um John Cena vs. Tanahashi, veria como aparição deste último na WWE, à semelhança do Jushin Thunder Liger fez no primeiro TakeOver: Brooklyn e, nesse caso, John Cena venceria num Dream match que a WWE faria tudo para vender aos seus fãs.

Já na segunda situação, bem mais impossível, Roman Reigns seria apresentado como uma grande estrela, cujo primeiro confronto com Okada seria guardado para um grande palco (não acredito que fosse no G1, por exemplo), por isso, em princípio, Okada venceria. Já no caso do John Cena, não estou a ver a NJPW a fazê-lo perder, até porque ele tem grande popularidade no Japão. Acreditaria mais num empate de 60 minutos nesse tal combate com Tanahashi, mostrando que os dois foram, e sempre serão as duas caras das suas respectivos empresas e países durante os seus melhores anos de carreira, e que coincidirão nos primeiros 15 anos do século XXI.

Gonçalo Fonseca: Quais são os teus lutadores preferidos da história da WWE?

Esta é, sem dúvida, uma pergunta bastante pessoal e me retirou um tema que poderia ter feito num artigo, mas à qual não vou deixar de responder. Note-se, porém, que há muitos lutadores que eu admiro imenso e que fora da WWE estão facilmente nos meus preferidos. Simplesmente por as lesões, o booking ou a sua sorte não permitirem, não foram os melhores na WWE. Eles são, do mais predilecto para o menos: Umaga, JBL, Kurt Angle, William Regal e Chris Jericho.

Pedro Santos: Qual a melhor feud da Attitude Era? Austin vs. McMahon ou Austin vs. Rock?

Foram as duas rivalidades que marcaram a Attitude Era e que muito provavelmente devolveram o controlo das audiências à WWE na altura. Chegaram, por momentos, a coincidir: quando o Rock fazia parte da Corporation. Por isso, convém vê-las enquanto feuds independentes e não esquecer essa ideia.

Começando pela primeira, foi influenciada pelo paradigma recém-criado do patrão heel e que melhor transmite a ideia da Attitude Era, assim como pela primeira vez desde o Undertaker, a WWE tinha uma estrela principal que era face, mas que era tudo menos o face convencional. Não era “bonzinho”, mas fazia de tudo o que conseguia para vencer e que agredia quem bem lhe apetecesse. Os combates não foram purezas técnicas, nem tal se lhes exigia, cumprindo sempre bem o seu papel no possível.

Contudo, olhando para aspectos negativos, vejo dois: acabou por desvalorizar bastantes lutadores que Vince McMahon escolhia como seus representantes (The Rock foi praticamente o único com o qual isso não aconteceu); por outro lado, para o futuro, esta feud teve tanto êxito que fez com que o Vince entrasse em muitas mais histórias e rivalidades, que foram bem piores e não tiveram tantos dividendos como esta. Se Austin vs. Vince não tivesse acontecido, também não teria acontecido Bobby Lashley vs. Vince nem a história em que Hornwoggle foi anunciado como filho do Vince.

Olhando agora para a segunda, foi a rivalidade entre os dois maiores nomes da Attitude Era. Os seus combates são bem conhecidos pela sua intensidade e qualidade e as suas promos, interacções e rivalidades tinham interesse a cada palavra. Começaram por rivalizar à volta do título Intercontinental e, mais tarde, à volta do título da WWE, o que os tornou como o grande rival de cada um. Respondendo à pergunta, diria que a melhor feud é a segunda, exactamente porque fez duas estrelas com futuro e que eram wrestlers, o que Vince não era. Contudo, a pergunta é qual foi a melhor feud da Attitude Era, e aí tenho que responder a primeira, exactamente porque é a que melhor espelha o que essa fase da WWE foi.

Beatriz Lynch: Qual o melhor wrestler que já existiu na WWE? Na sua opinião, qual a melhor Era que a WWE já teve?

Como pediste, irei responder consoantes os lutadores que eu “vi”, ou melhor, os lutadores da minha geração, do qual tenho uma ideia de fundo muito maior. Ora bem, depende de que “melhor” estás a falar. Se estás a falar do melhor lutador em termos de “sports enternaiment” ou wrestling “largher than life”, juntamente com o destaque e títulos que esse lutador teve ao longo da sua carreira na WWE, e que conseguia ser óptimo, quer no ringue, quer no microfone, então tenho que escolher o John Cena, ele foi o lutador que eu vi reunir isso tudo.

Já quanto à segunda pergunta, é bastante difícil escolher, porque todas têm os seus pontos fortes (mais umas que outras), mas acima de tudo, todas têm os seus pontos fracos, mas tenho que avançar com a Ruthless Agression. Porquê? Porque pondo tudo em consideração é a que melhor equilibra os pontos negativos com os positivos. A Golden Era e a New Generation estão muito longe do meu tempo e fogem àquilo que eu procuro no wrestling.

A Attitude Era, pelo artigo da última semana, percebe-se facilmente porque não a podia escolher. E as fase mais actuais (Reality Era e New Era), apesar de darem oportunidades a lutadores dos independentes e os combates serem cada vez melhores, têm um booking paupérrimo.

Ao invés, a Ruthless Agression teve combates muito bons, da mesma maneira que óptimos heels e os faces eram construídos e em que os títulos eram vistos como o grande objectivo. Várias rivalidades desta era são muito boas, apesar da pouca diversidade no roster. É uma fase muito marcada pelo bodybuilding e também uma época em que praticamente só os lutadores grandes (em estatura e largura) chegavam ao main-event. Não obstante é a melhor era da história da WWE, na minha opinião claro.

Bruna Melfe: Qual a melhor lutadora? Trish Stratus ou Lita?

Vejamos de um ponto de vista objectivo. A Trish teve um percurso evolutivo louvável. Entrou no wrestling pela cara bonita e corpo atraente e passou os primeiros anos da sua carreira na WWE a encarar uma gimmick de mulher pouco séria. Não obstante, a partir de finais de 2003/2004 até a sua reforma em 2006,  a divisão feminina da WWE foi totalmente sua. A sua prestação no ringue melhorou e notou-se bastante trabalho seu para chegar àquela qualidade.

Por seu lado, a Lita entrou no wrestling com uma boa capacidade no ringue e fazia coisas que os fãs não estavam habituados a ver numa wrestler feminina. Foi sempre alguém capaz de dar bons combates, embora a divisão feminina na altura não fosse grande coisa. Por isso, é de apreciar o seu esforço e dedicação para estar numa divisão que não lhe permitia brilhar. Por outro lado, quanto à sua personagem fez o percurso inverso da Trish. A história com o Edge e o Matt Hardy tornou a sua gimmick numa “bitch” no pior sentido do termo.

Acabo por escolher a Trish. Acho que os seus últimos anos relevaram que ela conseguiu ser melhor que a Lita, ainda que não de forma assim tão manifesta. Por outro lado, a própria capacidade ao microfone, de representação e seriedade é melhor na Trish.

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

8 Comentários

  1. obrigado por ter respondido a minha questão RFBM

    Quanto a próxima questão:

    Como achas que vai ficar a wwe depois da wrestlemania 36? Poderemos ter uma nova era? e com novos campeões? e mais jovens como Drew Mcintyre ou o Roman Reigns? ou vamos continuar a assistir a Part.timers a dominar a programação semanal?

    • Foto de perfil do Facebook

      Obrigado pelo comentário. Não sei quando vou fazer outro artigo destes por isso respondo já. Acho que vai ficar tudo na mesma. Enquanto a WWE não tiver concorrência a sério nada vai mudar.

  2. Beatriz Lynch2 semanas

    Muito obrigada por responder as minhas perguntas, a resposta da primeira concordo, embora não ser muito fã do Cena, e a resposta da segunda concordo totalmente, justamente por ter visto esse equilibrio que vc citou e ter varias e varias matchs com wrestling in ring de alto nivel(coisa que não tinha muito na Attitude, se é que tinha) e o lado mais “entertainment”(que talvez fique um pouco abaixo da attitude), e menos pontos negativos que a Attitude como certos “enterros precoces” e seguimentos machistas e etc(algo que na Attitude teve muito mais que na Rufhtless, ou pelo menos com mais “destaque”).

  3. Sandrojr2 semanas

    Obrigado por coloca meu comentário no artigo.

  4. Kelly Dos Santos2 semanas

    Aqui é a Kelly Dos Santos, eu gostei muito do seu artigo seu conteúdo vem me ajudando bastante, muito obrigada.