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Frank casino

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Não será certamente segredo para ninguém que a atual pandemia mundial provocada pelo coronavírus irá provocar alterações enormes na ordem mundial, política e socioeconómica à qual conhecíamos. Essas mudanças vão acontecer em todo e qualquer setor da sociedade, inclusive no pro-wrestling. De facto, e juntando-se os recentes casos do movimento #speakingout, irão ocorrer grandes transformações ao mundo do wrestling como o conhecíamos antes da pandemia.

Este artigo vem a propósito da minha relação enquanto fã de pro-wrestling neste últimos 3/4 meses, que se vem alterando. Porquê? Bem, diria que se tratou de uma reformulação nos produtos que vejo. Ora, o facto de poucas promotoras terem continuado com os seus shows durante este período, permitiu-me ver o que é realmente essencial e o que procuro enquanto fã no wrestling que vejo. Sem dúvida que deu para eu me aperceber de quais empresas eu senti falta e daqueles em que, se ficasse sem elas, não iria notar grande diferença, o que de facto aconteceu quando fiquei sem elas. É sobre este este tema que o Brain Buster desta semana tratará. Irei tentar perceber as diferenças a ocorrer no mundo do pro-wrestling, bem como aquilo que, enquanto fã, considero ser essencial para mim e tentar transmitir aos meus caros leitores essa ideia.

Nunca escondi aqui no meu espaço semanal que sou um espectador assíduo de muitas promotoras em todo o mundo, mas, quando me vi sem a esmagadora maioria delas, tive que me reaproximar de uma brand que, se não fosse por estas razões, não contaria reaproximar-me. Estou a falar da WWE. Sim, após muitos anos voltei a ver muitos dos seus shows semanais e, embora muitas vezes tenha dificuldade em admitir, a WWE é um produto essencial para um fã desta modalidade que todos nós apreciamos. Mas que seja claro, é que eu não retiro uma vírgula das críticas que venho apontando à WWE desde que comecei com o Brain Buster, mas tenho que admitir que, pelos lutadores com que conta nas suas fileiras e, muitas vezes, pelo wrestling apresentado, a maior empresa de wrestling do mundo é indispensável no wrestling que se vê atualmente, mesmo que em patamares mínimos, pois ver todo o seu imenso produto é tarefa impossível.

Vejamos, deixar de ver WWE de um momento para o outro, algo que pessoalmente já fiz, deixa-nos menos fanáticos e mais racionais em relação ao produto que vemos. Passamos a ver outras promotoras com outros produtos que não nos deixam tão aborrecidos, mas dizer não à WWE em 2020, não é o mesmo que dizer não à WWE em 2013. Ficar sem alguns dos melhores anos da carreira de lutadores como AJ Styles, Finn Bálor, Kevin Owens, Cesaro, entre outros é tremendamente impensável e um elogio à estratégia de monopólio da WWE, porque se não nos metem a ver pelo seu produto, metem-nos pelos lutadores que têm.

Durante este período também continuei bastante ligado à AEW e Impact Wrestling e pretendo fazê-lo no futuro. Nos últimos 2 anos, ambas se tornaram duas boas alternativas ao produto da WWE e não mudei em nada a minha relação com elas, principalmente porque, ao contrário da WWE, são produtos acessíveis de ver, dado que têm somente o show semanal e um PPV de 4 em 4 meses, o que não nos deixa desgastados e fatigados do seu booking e lutadores.

Ainda nos EUA, era espectador assíduo de MLW, PWG e NWA e, nos últimos tempos, menos um bocadinho do que estes, no caso da ROH.  Quanto às três primeiras, sem dúvida que pretendo manter a MLW no meu wrestling semanal, mas não digo o resto em relação à PWG e NWA. Se irei recomeçar a ver quando voltarem? Provavelmente, nem que seja pela facilidade de assistir, mas não considero, de todo, must see para qualquer fã de wrestling. A PWG sofreu muito com a criação da AEW, tornando-se, cada vez mais, no que a EVOLVE se tornou para a WWE e, quanto à NWA, já aqui no Brain Buster deixei grandes críticas ao produto apresentado desde o seu ressurgimento.

O wrestling independente tem, nos últimos anos, descido bastante de qualidade, pela forma como a WWE e a AEW contrataram quase todos os seus grandes nomes nos últimos anos. Serão precisas décadas para que voltemos a ter wresting independente como de 2011 a 2015. A tendência será certamente para os fãs verem apenas o produto das grandes empresas, pois se até há uns anos tínhamos apenas WWE, TNA e ROH nos EUA como grandes nomes no wrestling, hoje temos WWE, AEW, Impact Wrestling, ROH, MLW, NWA, entre outras, que se têm aproveitado o máximo que podem dos nomes mais promissores dos independentes.

E mais, com esta pandemia a afectar pequenas indys económica e financeiramente por não conseguirem fazer shows, nem formar os seus próprios lutadores, ao qual se juntou o recente escândalo do movimento #speakingout, indys como a CHIKARA já anunciaram o seu fim, bem como lutadores que nos últimos anos tinham sido importantes para a cena independente (como o caso do Joey Ryan) irão, certamente, ser afastado do mundo do pro-wrestling, só for uns tempos, ou definitivamente. Deste modo, tudo leva a acreditar numa “morte” do wrestling independente, pelo menos por agora. Sim, no futuro pode vir a ter outro boom, mas com a facilidade que começam a perder os seus lutadores para as grandes ligas tão cedo, prevejo que isso não aconteça tão rapidamente.

Olhando agora para o extremo-oriente, das brands que vejo, somente a AJPW e a NOAH continuaram com shows. São nomes, sem dúvida, para qualquer fã estar atento, mais não seja pelos combates e torneios que vão fazendo ao longo do ano, mas confesso que, enquanto fã, senti muita falta da NJPW, Dragon Gate e Stardom. A primeira regressou aos shows há umas semanas e foi com muito gosto que acompanhei todo o torneio da New Japan Cup. Já as outras duas começaram muito recentemente com shows menos importantes. Não tenho qualquer intenção de ficar sem estas 5 promotoras no futuro e a cena japonesa foi a menos afetada pelas circunstâncias dos últimos 4 meses, pois embora feds como a Zero-1 estejam numa situação dificílima, no seu essencial, o que conhecíamos antes vai continuar a existir.

Por fim, quanto ao wrestling britânico, é onde as mais e mais bruscas mudanças irão acontecer. Não é segredo para ninguém que após a criação do NXT UK pela WWE em seu território estragou qualquer hipótese de concorrência no Reino Unido e o facto de muitas promotoras se verem obrigadas a ficar, em regime limitado, de muitos dos seus lutadores, levou muita gente a falar de uma morte do wrestling britânico independente. Somente a RevPro, pelo afastamento da WWE e através da parceria com a NJPW continuou a apresentar algo que já fazia nos melhores anos da cena britânica.

Confesso que mesmo antes desta situação da Covid-19 não me sentia tentado a continuar a ver feds como a PROGRESS, por isso, quando fiquei sem os seus produtos, não senti qualquer falta ou necessidade de os ver. Caso para dizer que estavam a léguas de se incluir no lote do essencial do wrestling que um fã atual deve ver. Contudo, e para além dos problemas económico-financeiros provocados pela pandemia, a cena britânica ainda sofreu uma maior “machadada”, talvez até mais grave quanto à sua sobrevivência, que foi o movimento #speakingout. Sim, é verdade que muitos lutadores americanos também foram envolvidos neste caso de acusações, mas foram essencialmente lutadores britânicos os visados. Se formos ver, muitas promotoras britânicas constituíram o seu roster à volta daqueles lutadores e, com toda esta situação, de um momento para o outro, viram-se privados, se não definitivamente, por uns tempos, dos lutadores que haviam dado mais destaque.

Note-se, antes de mais, que este artigo não é sobre o #speakingout, não estou aqui a formular qualquer juízo em relação à veracidade ou falta dela, nem em relação à forma correta ou incorreta como estas alegações foram feitas. Estou apenas a dizer que, na sociedade em que vivemos hoje, quando alguém sofre deste tipo de acusações e constitui uma das principais caras de uma empresa que vive à custa de patrocínios e contratos televisivos ou de networking, terá, inevitavelmente que ser afastado por uns tempos, até que se provem, ou não, as acusações feitas ou até que um escândalo como este seja levado pelo tempo.

Por isso, muitos dos lutadores envolvidos e acusados neste movimento que explodiu há umas semanas serão afastados das respectivas brands em que trabalhavam caso haja suspeitas sérias, o que não só fará que pequenos independentes ingleses fechem, como os nomes maiores como a PROGRESS e a ICW se tenham que reformular internamente para puderem continuar a produzir shows e continuar a existir.

Note-se que isto está a assumir proporções que podem, inclusive, pôr em causa a existência do NXT UK da WWE, dado que muitos lutadores do seu roster foram visados por este movimento. Mas essa já é uma questão para ver o desenrolar nos próximos tempos e toda e qualquer tentativa de previsão para o futuro será somente isso, uma previsão. Estou, porém, bastante curioso para ver que decisão a WWE vai aqui tomar, pois se é verdade que o NXT UK permitiu estancar o crescimento do wrestling britânico, com toda esta situação tornou-se desnecessário, pois não há nada para estancar no Reino Unido neste momento. Por isso, e tendo em conta que é uma brand que dá mais prejuízo do que lucro à WWE e vivemos numa época de contenção de despesas e, embora os TakeOvers fossem muito bons e o wrestling semanal nada mau, não será, todavia, isso que me parece que irá manter a brand de pé.

Desta forma, se o wrestling britânico já se vinha tornando em algo dispensável, mais agora se tornou. Deixará de contar, com certeza, da agenda de wrestling para ver de muitos fãs e a sua importância descerá ainda mais no que diz respeito a conseguir lutadores de renome do resto do mundo. Prevejo que serão precisos anos para voltarmos a ter uma PROGRESS como tínhamos em 2015/2016, e é com muita tristeza que o digo.

Para além disso, ao contrário do que aconteceria em circunstâncias normais, o wrestling britânico teria uma vantagem que as indys americanas não têm, que é o facto de estar longe do grande wrestling americano, pelo que seria mais fácil formar bons lutadores e criar as suas próprias estrelas, mas não tenho dúvidas que os casos do movimento #speakingout vão abrandar muito os potenciais lutadores britânicos que estariam dispostos a treinar wrestling nas ilhas de sua majestade.

Pode-se até pensar que a WWE poderá ir por aí para arranjar uma justificação para manter o NXT UK, isto é, ter uma brand que aglutinará quase todos os que estejam dispostos a treinar e praticar a modalidade e não dar hipótese a outra brand para crescer, acabando por consumir, inclusivamente, a RevPro e ficar com o território britânico na sua mão. Mas, mais uma vez, é algo para estar atento às notícias nos próximos tempos.

Por fim, quanto ao wrestling mexicano, confesso que só via coisas muito determinadas e precisas e nunca me interessou muito acompanhar a Lucha Libre como o puroresu no Japão, nem como o wrestling americano. Como têm algo muito específico e próprio, deverão, à semelhança das brands japonesas, sofrer poucas alterações nos próximos tempos, mas deixo a ressalva que não sou propriamente a melhor pessoa para falar do presente ou futuro da AAA, CMLL ou Crash.

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

4 Comentários

  1. Excelente artigo. Gostei bastante. E a realidade é que esta pandemia me juntou ainda mais ao wrestling. Como fã de futebol, via muito e não consumia wrestling aos molhos. Via a WWE, AEW não era sempre, NJPW via por vezes e o Impact Wrestling via pouco. Mas com a paragem do futebol, comecei a consumir cada vez mais. Ao ponto de não falhar pelo menos á 4 meses nenhum show da WWE, AEW inclusive o Dark, Impact e NJPW agora com o regresso. Ainda pessei pela WXW os olhos em shows antigos etc. Vejo também o programa semanal da ROH. Portanto nesse aspeto a pandemia trouxe algo positivo no sentido de ver mais wrestling e ter uma visão mais alargada da qualidade dos shows. Mas para mim a WWE sempre foi produto de referência e não consigo abdicar. Nem tudo é bom, mas é essencial.

  2. Sandrojr4 semanas

    Nessa pandemia eu consegui acompanhar mais empresas que não que não via tanto, só isso foi bom pois conheci mais wrestlers incríveis pelo mundo. Ótimo artigo