Frank casino

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

O tema do Brain Buster desta semana vem no seguimento da competição pelas audiências entre a AEW e o NXT que, nas últimas duas semanas, promoveram programas semanais especiais, com um cheirinho a PPV/TakeOver, cuja única diferença foi mesmo ter sido passado em TV com um horário e duração dos shows semanais normais.

Tudo nas últimas duas semanas nestas duas brands foi feito para buscar o maior número de fãs e expectadores possíveis, dando-nos combates mais longos e muito bons que, ou continuaram as principais feuds e storylines, ou terminaram rivalidades e serviram como das principais defesas dos títulos que estiveram em jogo em ambos os eventos. Foi, sem dúvida, uma competição saudável e que deu gosto de assistir, consistindo em duas brands a dar o seu melhor, como sempre deveriam fazer.

Porém, na minha opinião, aquilo para que elas trabalham todos os dias para serem melhores e todas as semanas para nos conquistar não esteve à altura. Estou a falar de nós, os fãs. Ou melhor, estou a falar de determinados grupos de fãs que fazem questão de fazer destes dois programas uma guerra de trincheira em que se, ou se gosta do Dynamite e odeia o NXT, ou se gosta do NXT e se odeia o Dynamite.

Arrisco-me mesmo a dizer que o primeiro grupo que referenciei está em maioria. Porém, a meu ver, falham logo a premissa de que o NXT é só “mais uma” brand da WWE, igual ao RAW e SmackDown e tratam-no como tal, não porque acreditam mesmo naquilo, mas porque o seu desgosto pela WWE nos últimos anos lhes fez apoiar o produto alternativo. Dito isto, o verdadeiro objectivo do seu ataque é a WWE enquanto o chamado main-roster e não verdadeiramente o NXT. Simplesmente, encontram-se muitas vezes a visar esta brand pois é a que entra directamente em competição com o show semanal da sua empresa predilecta.

Mas vejamos, tanto o NXT como o Dynamite têm a mesma duração e, muito dificilmente, encontramos uma semana em que durante aquelas duas horas fiquemos aborrecidos porque só estão a “encher chouriços”. Ambos os eventos têm bom wrestling, embora com estilos e públicos-alvo diferentes, booking sólido e consistente em quase todas as divisões, e óptimos lutadores, para todos os gostos, independentemente do que cada fã mais gosta, se é um lutador com enorme carisma, um óptimo heel, um lutador com grande credibilidade, entre outros. Posto isto, as críticas deste grupo de fãs ao NXT são, muitas vezes, injustas para com o produto apresentado pela brand amarela da WWE.

Mas também do outro lado, há fãs que alimentam este tipo de discussões, ou dizendo que a AEW não devia existir porque em muitos momentos não é wrestling, ou porque em muitas rivalidades e feuds tem lutadores impreparados para o nível de televisão. São críticas absolutamente legítimas, mas que enquadradas num contexto de discussão criado por vários fãs não ajudam na construção de uma competição saudável.

Em vários sites online, em vários fóruns de discussão, nas caixas de comentário do YouTube, aquilo a que assistimos é a um discurso tóxico de ambas as partes que o torna algo em que supostamente nos deveria divertir numa autêntica medição de pauzinhos a ver qual é o maior. O meu conselho aos vários que fazem isto é muito simples: vejam wrestling porque gostam e vejam o wrestling que gostam.

Se só gostam da AEW, só vejam AEW, se só gostam de NXT, só vejam NXT. O que me parece que acontece é que os fãs da AEW vêm NXT mais para poderem criticar o que se passou no seu produto, do que propriamente porque gostam do que a brand amarela apresenta todas as semanas, da mesma forma que muitos fãs do NXT só espreitam AEW por pura curiosidade e, embora desgostando quase totalmente do que vêm, não conseguem resistir em ver e criticar aquilo que não gostaram de ver.

Mas se estes grupos de fãs têm tanta certeza do que dizem todas as semanas, se sabem antecipadamente e antes do show qual vai ser melhor e pior, e que um vai ser bom e o outro mau, porque vão ver os dois produtos? Só mesmo para estarem informados do que acontece no mundo do wrestling? Então e aquilo que nos faz ver esta modalidade? A diversão perdeu-se completamente?

Uma declaração que me chamou bastante à atenção na última semana, já há semelhança do que Trent, membro dos Best Friends disse aquando do começo do Dynamite, foi a de Dax Harwood, membros dos FTR (Revival na WWE), que através de um tweet expressou o seguinte: “Guys, if you’re burying one company over the other, you’re completely missing the fun. I watched both shows from last night and we are lucky, as fans, to get the wrestling we get! In 1997 I LOVED The Hart Foundation and I LOVED the NWO. I hope you guys can do the same”.

Traduzindo de uma forma simples, Dax referiu que quem anda a enterrar uma das empresas para privilegiar em tudo a outra, não percebeu completamente o ponto e está a perder a diversão, algo que tenho vindo a referir neste artigo. Mas, mais do que isso, e o que me chamou mais a atenção foi o exemplo que ele deu. No passado, podíamos gostar da Hart Foundation na WWE e da NWO na WCW, mas sabem que mais? Só se poderia escolher uma na altura… só havia TV, controlada por horários rígidos que obrigavam os fãs a escolher que produto ver. Isso acontece hoje? Não, nem de perto.

Actualmente, para assistirmos tanto ao NXT como ao Dynamite temos uma carrada de opções para desfrutar. Se não vemos o NXT na USA Network, vemos depois na WWE Network. Se não vemos o Dynamite à hora da TV, vemos depois na FITE TV. E mais, sejamos sinceros. Com todos os serviços de streaming online, etc., legalizados ou não, porque razão é que iríamos abdicar de um show por outro, quando podemos e temos a oportunidade de os ver quando quisermos, no horário mais confortável para cada um de nós?

Percebem a sorte que temos hoje em dia? De todo o wrestling que temos disponível? Não vejo, desta forma, qualquer utilidade em discussões tóxicas no Twitter acerca de que combate semanal foi melhor, qual dos main-events foi melhor ou qual promo foi melhor. Pessoalmente, sou fã dos dois produtos. Apesar de ter a minha preferência pelo NXT, tenho bastante esperança na AEW, sempre o disse aqui no meu artigo semanal. Vejo os shows quando quero, pela ordem que quero ou me dá mais jeito consoante os afazeres que tenho todas as semanas. Adoro os dois produtos e divirto-me a ver quase a totalidade dos seus eventos.

Isto leva-me ao ponto seguintes: as infindáveis discussões acerca das ratings divulgadas todas as semanas e o tremendo significado que elas têm para a concretização dos planos e qualidade de cada um dos shows (percebam a ironia). Neste momento, não só os fãs como muita gente no mundo do pro-wrestling está agarrado a hábitos antigos que, na minha opinião, muito proximamente não terão razão de ser considerados como tão importantes. Sou da opinião, e digo-o abertamente, de que não existe uma Wednesday Night War, e nunca existirá algo parecido ao que eram as Monday Night Wars nos anos 90.

Se um programa de wrestling semanal tem tremenda utilidade actual para qualquer promotora no mundo? Sim, tem, mas não pelos mesmos motivos que tinha nos anos 90. Na altura, era a forma mais rápida e eficaz, se não mesmo a única, de cada empresa transmitir e divulgar o seu produto. Hoje, só ficaram o lucro dos contratos televisivos e dos patrocínios. Como disse há pouco, há milhentas formas de ver o produto de uma brand de wrestling hoje que não através do seu show semanal. São hábitos antigos que me parecem cair num futuro próximo.

Deste modo, na minha opinião, os ratings dizem 0 em relação à popularidade, quer do Dynamite, quer do NXT. Se contarmos com factos e aproximações gerais, já muito pouca gente hoje vê televisão. Prefere-se outras plataformas como as redes sociais. Estará para vir, se é que já não chegou a primeira geração que não conheceu wrestling pela TV, mas pelas redes sociais ou certos serviços de streaming.

Assim, não se pode olhar para as audiências hoje em dia e dali retirar qualquer conclusão acerca da qualidade do produto do NXT ou da AEW e, principalmente, formular juízos acerca de que um deles é melhor porque venceu nas audiências da última semana. Contudo, o que é facto é que muitos fãs utilizam, relembram ou referem constantemente as audiências para justificar a sua posição, argumentos esses que, a meu ver, estão completamente ultrapassados e já nada justificam no pro-wrestling de 2020.

Atenção! Eu acredito que muitos fãs já tenham entrado em discussões do tipo não com o intuito de levar a este ambiente de discussão constante, mas porque calhou, ou porque acreditam genuinamente que determinado produto é melhor em relação ao outro, embora não enterrando o produto que não gostam. Não é a esses fãs que este artigo se dirige, nem se justificava que o fizesse.

O alvo deste artigo são sim os fãs que tentam recriar o ambiente dos anos 90 (que nunca vai voltar a existir), ainda mais pesado pela existência das redes sociais, que dão uma voz a toda a gente. Os discursos de ódio são uma realidade, estão em todo o lado, em qualquer sector da sociedade. Numa modalidade e arte tão subjectiva como é o wrestling, seria impossível esse tipo de discursos infelizes não existirem.

Se, em vez deste artigo, podia ter feito um em que comparava o Great American Bash e o Fyter Fest e os seus pontos positivos e negativos, apelando a critérios comparativos e ver em que aspectos ganhou um e outro? Sim, podia, mas neste momento parece-me mais necessário e útil apelar a todos os fãs que critiquem menos e procurem o que os motivou a começar a ver wrestling regularmente: se é depois irem para caixas de comentários discutir com anónimos; se é procurar aquele animo, aquela sensação de entretenimento que o wrestling é suposto dar. Pareceu-me importante salientar pontos prévios em relação à minha posição em relação isso.

A todos os fãs, de AEW ou de NXT, deixo somente um conselho, aquele que encontram como título desta edição do Brain Buster: falem menos… divirtam-se mais! Vão ver que tudo se torna muito mais apetitoso quando vêm seja que produto for.

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

8 Comentários

  1. Facts2 meses

    Excelente análise. Concordo com a maioria do que foi referido. De facto, as redes sociais acabam por dar aso a muita discussão desnecessária e como referido, já existe uma grande quantidade de público que acompanha o que se passa fora da TV, através de outras plataformas.

  2. Sandrojr2 meses

    Assisto os dois shows e acho burrice quem entra nessa guerrinha de empresas, os dois produtos oferecem wrestling, e wrestling do bom.

  3. Anonimo2 meses

    mds esses fas da AEW deviam estar a chorar por apenas competirem com a segunda divisao da wwe. É tipo o sporting querendo competir com o farense

  4. Leleco2 meses

    Infelizmente o que não falta são pessoas tóxicas, que sabem tentar desmerecer aquilo que não gostam por birra.

    No Wrestling também tem muitos haters infantis de lutadores, que ficam perseguindo lutadores só porque não gostam deles.

    Os últimos 3 anos foram os que mais me diverti e aproveitei Wrestling, comecei a assistir apenas combates dos PPV do Main roster que realmente me interessavam, e comecei a ver outras empresas.

    Hoje em dia me dirvito muito vendo NXT, NJPW, AEW e outras indys, além de sempre estar assistindo combates antigos de todas as empresas e conhecendo mais sobre a história dessa modalidade incrível.