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Frank casino

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Se é verdade que o NXT conseguiu vencer em três semanas seguidas o AEW Dynamite nas audiências, também não deixa de ser verdade que, desde o início da competição entre estes dois programas semanais, o NXT tem ficado quase sempre para trás, perdendo inúmeras semanas consecutivas. Os números desta última semana foram avassaladores para a terceira brand da WWE que, mesmo tendo até aumentado as suas audiências, ficou ainda mais longe do número do Dynamite. Isto tem levado a rumores e a notícias de alterações da equipa criativa do NXT, bem como outras alterações que podem estar a caminho da brand amarela.

A juntar a tudo isto, tenho ouvido e lido várias críticas ao NXT, quer na forma como têm apresentado o seu produto, quer no booking propriamente dito. Na minha opinião, todavia, muitas destas críticas são bastante injustas. Neste sentido, o artigo desta semana servirá para mostrar a minha visão sobre o NXT e de como, a meu ver, quase nada precisa de mudar neste show. Se é perfeito? Claro que não, nenhuma promotora ou brand o são, mas que o NXT continua a ter, a meu ver, um dos produtos mais interessantes da actualidade, lá isso continua.

Vamos começar pelas “designadas” derrotas nos ratings que o NXT aparentemente tem. Já conhecem a minha posição em relação às audiências em 2020 e, principalmente, em relação às audiências de programas de wrestling em 2020, e não vou estar aqui mais uma vez a repetir-me. Mas o que me preocupa mais é se a WWE pretende mudar o NXT, aproximando-o do que é o RAW e/ou SmackDown proximamente, com o intuito de aumentar as audiências. Vejamos uma coisa, é o produto do RAW e do SmackDown actual e a forma como estas duas brands o têm apresentado que tem dado audiências?  Se bem me lembro, também os ratings destas marcas (principalmente do RAW) andam pelas ruas da amargura e já começam a preocupar investidores e accionistas da WWE e que têm feito o seu booking fazer tudo e mais alguma coisa para aumentar as audiências. A cada semana têm tentado uma coisa nova, algo diferente do que fizeram até aí e que, muitas das vezes, não tem qualquer sentido, nem bate certo com as storylines que estariam a contar até esse momento.

Mesmo assim, as audiências aumentaram? Ou aumentaram exponencialmente? Claro que não. A WWE já anda neste negócio e sector de actividade há tempo suficiente para saber que o interesse no produto não se despoleta desta forma. Vince McMahon já e promotor há tempo mais que necessário para também ter essa percepção. O produto de uma promotora ou brand de wrestling torna-se interessante quando é consistente, quando semana após semana tem um show semanal sólido e cativante e, a partir dessa consistência, vai conseguindo criar novas estrelas e rivalidades que interessam aos seus fãs.

Não é isso que o NXT tem feito nos últimos anos? Consistindo no programa de wrestling mais coerente da última década? Poder-me-iam dizer que as audiências estão aquém do produto rival, e então eu respondo: “claro que estão!” O NXT sempre foi tratado, ou como território de desenvolvimento ou, no máximo, como a terceira brand da WWE. De produto sério, conta apenas com 7 anos de duração e, mais do que tudo isso, não nasceu como programa da WWE em que as suas principais estrelas participaram activamente no show, como aconteceu com o RAW e o SmackDown. Para os fãs mais casuais, é difícil para a sua larga maioria tirar da cabeça que o NXT é uma brand inferior da WWE, e isso é algo que demora anos ou décadas a conseguir.

Então, se mesmo assim o NXT foi crescendo massivamente nos últimos anos, e nunca à custa de apresentar algo completamente novo todas as semanas, para quê mudar? O NXT não tem estrelas tão grandes como o RAW ou SmackDown? Pudera, se todos os anos as suas principais caras vão para essas duas brands porque razão é que os fãs mais casuais mudariam a percepção que têm da brand amarela? Acho, neste sentido, que o melhor que o NXT tem a fazer é não mudar. Esta marca tem o seu público-alvo (os fãs mais hardcore), mas assim que comece a ter um roster mais definitivo e menos volátil, e em que consegue manter as suas principais estrelas, tem tudo para também chamar os fãs mais casuais.

Desta forma, não vejo qual é a utilidade que certas pessoas vêm em aproximar o produto do NXT ao do RAW e SmackDown. Preferem continuar a ver wrestling ou que comecemos a ter no NXT cinematches por tudo e por nada? Preferem continuar a ver histórias simples e depois compensar na qualidade in-ring apresentada ou histórias complexas que depois nem os próprios lutadores conseguem interpretar no ringue? Eu, pessoalmente e enquanto fã, não desejo apenas que o NXT continue como está, eu quero que o NXT continue como está!

O meu maior medo é, desta forma, que a WWE inflija alterações ao NXT que deteriorem o seu produto e, mais do que isso, por algo que não vai mudar tão facilmente como os ratings. Já há notícias de mudanças na equipa criativa da 3ª brand da WWE por causa das audiências, mas o que me continuo a perguntar é “para quê?”, o que existe assim de tão mau ou insuficiente no NXT para mudar a curto prazo? A única coisa que vejo que é necessário fazer é manter as suas principais estrelas por mais tempo, mas isso não tem nada a ver com o booking.

Por conseguinte, dizem algumas pessoas que estas alterações são necessárias porque o NXT nos últimos 4 meses piorou bastante e, ou tem apresentado um mau produto, ou um produto muito insuficiente, algo com o qual discordo, principalmente quando à métrica utilizada. O NXT ficou pior com a pandemia e sem público? Claro que ficou. Se ficou aquém por ter ficado sem alguns dos seus principais nomes (o caso do Pete Dunne) durante toda esta situação, vendo-se obrigado a repensar os seus planos? Claro que ficou. Mas era exigível que ficasse melhor? Mais, era exigível que ficasse igualmente bom com todas estas adversidades? Claro que não.

Como referi há umas semanas no artigo sobre o Impact Wrestling e de como foi o produto mais afectado pela pandemia, todos os programas de wrestling o foram, embora uns mais que outros. O NXT não é excepção a esta ideia, e acho que certas críticas são muito injustas, porque são pintadas como algo muito mais grave do que aquilo que são. O NXT se tiver um erro de booking ou de gestão é logo acerrimamente criticado, quando não há produtos perfeitos.

Muitas destas críticas têm incidido no booking que o NXT tem apresentado nos últimos meses. Sim, houveram certas coisas que não fizeram sentido, mas o tipo de booking é essencialmente o mesmo que era antes da pandemia, a falta de público é que tem transparecido tudo pior. Nos últimos meses aponto três grandes erros que realmente para mim fizeram pouco sentido. Acrescento até aqui que, para ter aquele público constituído por lutadores do PC era melhor nem público ter de todo. Parecem lutadores de wrestling que às vezes nem gostam de wrestling, e outras vezes nem percebem e sabem como reagir ao que estão a ver. A forma preguiçosa como cantam “fall and pray” nas interacções com Karrion Kross, ou como batem palmas ou naquele vidro que os separa da zona do ringue quando Dominick Dijakovic está a ser humilhado por Kross são somente alguns dos exemplos que posso aqui apontar.

Um dos erros foi o booking do Drake Maverick durante o torneio pelo título interino dos Cruiserweights. Até esse momento, ele tinha feito de GM do 205 Live e nunca foi mencionado como lutador e, quando começou a lutar foi enquanto gimmick de comédia à volta do 24/7 title. Desta forma, porque razão é que ele andou a vencer nomes como o Tony Nese e o KUSHIDA e a lutar de igual para igual com o actual campeão dos Cruiseweights? E é que em todos os combates a história foi a mesma, o Drake estava por baixo todo o combate e no final consegue fazer o seu finisher ou saca de um rol up ou small package para vencer.

Para além de deixar mal os seus adversários, que parecem pouco credíveis, este tipo de booking nunca encaixa numa personagem ou lutador que não tenha qualquer tipo de contexto por trás. Nunca nos deram qualquer razão para gostar do Drake antes do torneio, por isso, este booking que procuraria reacções do público não bate certo para este lutador. Termino mesmo dizendo que, em relação aos vários cruiserweights que a WWE tem no seu roster, o Drake não é sequer dos melhores. Outros nomes mereciam este destaque que não ele.

Por outro lado, a forma como o Drake Maverick conseguiu a passagem para a final do torneio pelo Cruiserweight belt, que foi a mesma forma que uns dias depois a Io Shirai ganhou o título Feminino não me convence, e o facto de ter sido utilizada duas vezes em tão pouco tempo ainda tornou a situação pior. Em ambos os casos temos um Triple Threat match em que um lutador prende outro numa submissão e o outro aproveita para fazer o pin no lutador que está em posição de desistir. Ora vejamos, se alguém toca em dois lutadores em posição de pinfall, este supostamente quebra, regra que não foi respeitada duas vezes numa semana.

Por fim, confesso que também não gostei da forma como o Keith Lee abdicou do North-American title, embora não seja tão duro nas críticas como certos fãs em relação a esta situação. Acho que aqui o booking não fez grande sentido, porque pareceu até algo escrito à pressa e pensado pouco tempo antes do show, isto porque as últimas duas semanas tinham sido baseadas no facto do NXT ter um double champion, história que podia muito bem ter acabado de outra forma, e que findou desta maneira bem preguiçosa. Haviam imensas hipóteses em que o Keith Lee ficaria sem aquele título

Podíamos ter o Keith a ser bookado durante uns curtos meses como campeão imparável que defendia os dois títulos, simultânea ou separadamente, até que eventualmente perdia o North-American belt por causa do cansaço, para alguém como por exemplo o Cameron Grimes, que ia ganhar ainda mais heat à custa desse momento. Podíamos ter o Keith Lee a perder súbita e abruptamente o título de forma surpreendente, até com alguma interferência por parte de Karrion Kross, e isso também criaria um bom momento, ao mesmo tempo que se contaria a história do main-event.

Desta forma, haviam inúmeras hipóteses, mas o NXT escolheu pela menos interessante. O Keith Lee, depois de semanas a desejar ser duplo campeão, entrega deliberada e voluntariamente o título, numa das promos mais desinteressantes que alguma vez vi um babyface a dar, e em que não se nota qualquer tipo emoção no Keith Lee. Essa é também uma das coisas em que o Keith tem de melhorar. Efectivamente, as suas promos são bastante genéricas e sempre interpretando o Sr. “nice guy”, que sorri a toda a hora, que está sempre relaxado e que não põe qualquer tipo de agressividade nas suas promos. Este aspecto é algo que, felizmente, tem mudado nesta feud com Karrion Kross, em que temos um Keith Lee bem mais agressivo e determinado, e ainda bem.

De resto, tirando estes casos pontuais não vejo onde é que o NXT tem sido mau nos últimos meses. Podemos até ver por divisões. Acho que o main-event não é preciso ser grande adivinho para ver que está bem. Keith Lee e Karrion Kross têm construído uma boa história e o roster continua a ter nomes como Finn Bálor, Johnny Gargano, Tommaso Ciampam Dominick Dijakovic e Adam Cole, que podem entrar no main-event picture sempre que preciso e fazer um excelente trabalho. Mais do que isso, não é por não estarem no main-event que passaram a ter um booking que não os descredibiliza e retira quase todo o destaque, como acontece com os lutadores do main-roster.

Quanto à divisão feminina, tirando o fiasco que foi o Ladder match pelo nº1 Contendership que realmente não correu bem, continua a ser das melhores divisões femininas do mundo, apesar de ter perdido alguns nomes para o main-roster como Bianca Belair, e de estar impedido de utilizar nomes como Toni Storm por causa da pandemia. Tem finalmente a Io Shirai como campeã e um roster recheado de nomes credíveis para assaltar a cara da divisão, e todos em que não se perde a qualidade in-ring.

Relativamente à divisão de tag team tem, de facto, andado mais perdida, mas isso também se deve ao escasso número de equipas da divisão e ao facto de os planos para esta divisão terem sido todos alterados pela separação forçada dos Broserweights. A divisão ficou reduzida aos campeões Marcel Barthel e Fabian Aichner, Undisputed Era, que andam ocupados fora da divisão, Danny Burtch e Oney Lorcan, estes sim que mereciam um verdadeiro push, mas que pelos vistos têm os dias contados enquanto equipa, aos Breezango, que já tiveram a sua oportunidade, e aos Indus Sher, ainda recém-apresentados. A falta de nomes apela a ter um booking cuidadoso e que não gasta os vários matches possíveis em pouco tempo, e é isso que o NXT tem tentado fazer, e bem.

Por fim, quanto à divisão dos Cruiserweights tem andado um pouco apagada, mas isso não quer dizer que tem tido um mau booking. Apesar do campeão Santos Escobar e da sua stable serem bastante genéricos, é algo que resulta sempre, e as últimas semanas têm servido essencialmente para os credibilizar, mas não espero nada mais que daqui para a frente, nomes como “Swerve” Scott, Jake Atlas, Oney Lorcan e KUSHIDA o desafiem pelo título, e nos sejam apresentados óptimos combates. É, de resto, uma divisão em que também começa a faltar “sangue novo”, e em que novos nomes seriam úteis para voltar a criar interesse à volta desta divisão.

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

2 Comentários

  1. Sandrojr1 mês

    O NXT perde pois não se tem tanto Starpower quanto na AEW, juntando o fato de não ter um roster efetivo, daqui a um ano a maioria que está lá hoje não estará mais, isso impede de os fãs casuais criarem um apego ao show, acho que por essas razões eles vem perdendo, mas de resto ótimo artigo.