Frank casino

Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Nas últimas duas semanas formos presenteados com três shows que serviram de comemoração dos 20 anos da empresa japonesa Pro-Wrestling NOAH, uma histórica promotora da qual já falei aqui no Brain Buster, e cujos eventos de aniversário serão o objectivo do presente artigo. Trata-se de uma promotora que passou por substanciais alterações no último ano, que têm dado bons resultados, não só ao nível da qualidade do wrestling apresentado, o que, verdadeiramente em 20 anos nunca faltou, mas principalmente na forma de apresentar o seu produto, que tem obtido sucesso na divulgação da NOAH e no seu potencial crescimento para níveis que chegou a ter no passado, bem como de uma possível reaproximação à posição da NJPW, se bem que tal será bastante difícil, ainda para mais em contexto de pandemia.

Porém, será necessário introduzir a notícia de que a NOAH e a DDT uniram esforços para ultrapassar algumas dificuldades causadas pela pandemia, pertencendo agora ambas a uma única empresa, a CyberFight. Embora nos tenha sido garantido pelas caras de ambas as feds que nenhuma das promotoras iria perder a sua identidade, há sempre a possibilidade de uma agravacção das adversidades a qualquer momento, pelo que as intenções da CyberFight podem mudar forçosamente, o que poderia obrigar a uma nova reformulação da NOAH, o que espero que não venha, de todo, a acontecer. Para voltar a esta posição, a NOAH passou por várias reformulações (como o conceito de NOAH reborn ou a parceria com o Impact Wrestling), o que não foi benéfico para si. Somente esta última concecção funcionou e, por isso, deveria manter-se. Mas passadas estas notas introdutórias iniciais, olhemos para os principais combates dos eventos.

GHC National title: Kenoh venceu Katsuhiko Nakajima (c)

No main-event do primeiro show relativo ao 20th Aniversary, tivemos uma autêntica guerra. Provavelmente, foi um match entre os dois melhores strikers da NOAH que, com toda a certeza, farão parte até do top5 dos lutadores com melhor capacidade de strike do mundo. Foi, sem dúvida, um combate muito duro para ambos, e prova disso foi o inchaço na cara do Kenoh, visível nas declarações que proferiu no dia a seguir. Por outro lado, se é verdade que o reinado do Nakajima ainda vinha com muito pouco tempo, também não é menos verdade que este ano não estava a ser particularmente muito bom para o Kenoh. Na verdade, desde o seu combate pelo GHC Heavyweight belt no início do ano, que tinha andado bem apagado. A meu ver, foi uma boa opção dar o título ao Kenoh, até porque com o N-1 Victory a aproximar-se, um Nakajima sem um título torna-se um dos favoritos e, sinceramente, penso que o mesmo deve ser um dos grandes destaques do torneio este ano.

Quanto ao futuro do Kenoh como o campeão do mid-card, penso que está na posição perfeita. Quando o mesmo foi GHC Heavyweight champion o seu reinado acabou abruptamente e nunca mais teve uma merecida oportunidade de chegar ao main-event, mesmo dando dos melhores combates da NOAH. Agora como campeão secundário terá mais espaço para mostrar toda a sua qualidade e estabelecer-se aos olhos dos fãs da NOAH, bem como da sua direcção e, quem sabe, voltar ao main-event, posição da qual, aos meus olhos, nunca deveria ter saído.

GHC Heavyweight title: Go Shiozaki (c) venceu Naomichi Marufuji

Se no primeiro show tínhamos tido em destaque um combate que valeu essencialmente pelo que os dois fizeram no ringue, no main-event do segundo evento, tivemos um combate que, para além do excelente wrestling apresentado, valeu muito pelo que a história entre os dois simbolizava. Ambos se auto-proclamavam como “I am NOAH” pois, efectivamente, desde o início da sua carreira na promotora foram sempre elevados ao estatuto de estrela e, ao longo dos anos, sempre assumiram essa posição na empresa. Mais do que isso, depois da morte do Misawa, da retirada do Kobashi, da saída do KENTA, tornaram-se os dois grandes nomes da NOAH, e foram os únicos dos grandes que estiveram na empresa durante os seus anos mais difíceis, em que o seu produto não tinha muito de interessante, e até havia alguma falta de público. Por isso, era mais do que legítimo que ambos se intitulassem dessa forma. Não conseguiria, de todo, pensar num outro combate para celebrar os 20 anos de NOAH.

De notar também que a construção deste combate foi deliciosa. O Shiozaki é o campeão há vários meses e, quase sempre, tem sido bookado como intocável, até que num tag team match o Marufuji consegue um pin sobre ele. Mesmo no primeiro show de aniversário, o Marufuji conseguiu outra vitória sobre o Shiozaki num tag team match promocional do combate, desta vez fazendo-o desistir, algo que não vemos o Shiozaki fazer todos os dias. Este booking foi perfeito, pois nos fez pensar que era mesmo possível o Marufuji vencer o título, assim como o Shiozaki passa então a ter um pouco mais para provar no title match.

O campeão acabou por reter o título num combate interessantíssimo, talvez melhor do que o da primeira noite. Mas o que acabou por saltar mais à vista foi quem foi colocado como o próximo candidato ao título, que foi, nada mais, nada menos, que o GHC National champion, Kenoh, que veio no fim do combate e desafiou Shiozaki. Depois destas duas noites, com defesas dos dois maiores títulos da NOAH, o main-event para o terceiro e derradeiro show de aniversário estava marcado, com um title vs tile match winner take all entre Go Shiozaki e Kenoh.

IPW: UK Jr. Heavyweight title match: HAYATA venceu Daisuke Harada (c)

O terceiro show, realizado em Yokohama, e não no Korakuen Hall, como os primeiros dois, teve três combates em destaque. O primeiro foi um embate entre ex-companheiros de stable pelo IPW Jr. belt, um título de uma empresa do Reino Unido, mas que nos últimos tempos tem sido até mais da NOAH. Tudo começou há uns meses quando o HAYATA traiu os seus membros da facção RATEL´S e se juntou aos STINGER e, desde aí, estes últimos têm conseguido todo e qualquer tipo de vitória e em qualquer momento sobre os primeiros. Os STINGER já têm o GHC Jr. title e os GHC Jr. Tag titles e conseguiram mais uma vitória, num combate cuja história adorei. O HAYATA conseguiu várias vitórias em tag matches sobre o Harada até este title match, causando grande desgaste sobre a sua stable. No dia do show, os dois companheiros do Harada nos RATEL´S, YO-HEY e Tadasuke tiveram um tag match, em que Tadasuke traiu YO-HEY. Desta forma, o Harada que chegou ao match já era um lutador emocional e cujo o foco já não era bem o seu combate, acabando por perder novamente.

É verdade que sou um grande crítico de todas estas alterações de stables na divisão dos Juniores da NOAH, mas desta vez dou o braço a torcer. Foi um booking extremamente inteligente. No entanto, não sei que futuro podem ter os RATEL´S neste momento, agora reduzidos a apenas dois elementos. Não sei se terão mais membros que lhes permitam regressar à rota dos títulos, ou se a stable ficará por aqui. A resposta estará nas interacções entre o Harada e o YO-HEY no futuro, por isso há que ficarmos atentos. Um dos grandes pontos fortes da NOAH, neste momento, é a sua Jr. division, espero que dela tratam bem e dêem bastante destaque.

Keiji Muto venceu Kaito Kiyomiya

Um outro combate que também não poderia faltar num show de aniversário foi este, um autêntico Dream match entre uma lenda vida e um génio do pro-wrestling e um super-nova e, com certeza, a futura cara da NOAH. A forma como este match foi construído também foi óptima e bastante simples. Um duelo de gerações é sempre agradável de ver e fácil de construir, pelo que resultará sempre, e principalmente quando a qualidade e overness dos envolvidos é da magnitude destes dos. Quanto ao wrestling apresentado, tendo em conta que o Keiji Muto já tem 57 anos e, obviamente, muitas dificuldades em se movimentar, foi tirado dali o melhor combate possível.

Mais uma vez, a história contada neste combate foi deliciosa. O Kaito Kiyomiya, talvez demasiado confiante, talvez demasiado ansioso, foi cometendo vários erros ao longo do combate, que depois lhe custaram a vitória, história que só posso aceitar, se da mesma vier a resultar um rematch para o futuro. Se a NOAH quer mesmo fazer do Kaito o próximo “ace”, não faz sentido que o mesmo saia por baixo nesta história. Prevejo que, mais tarde, haja novo combate e que, dessa vez, a lenda Keiji Muto ponha over o jovem super-nova.

GHC Heavyweight e GHC National title match: Go Shiozaki vs Kenoh (60-time limite draw)

Antes de falar deste match, confessar que me antecipei na projecção e cheguei mesmo a achar isto uma má ideia. Neste momento, em que está na moda haver um double champion em quase todo o lado, pensei mesmo que a NOAH ia aderir a isso e dar dois títulos a alguém, o que não faria sentido, pois o GHC National belt, criado há muitíssimo pouco tempo ia ser já unificado, sem ter tido a oportunidade de sequer se estabelecer e consolidar como título relevante, sendo colocado ao lado do GHC Heavyweight title que, em termos de importância está, obviamente, duas décadas de main-events acima.

Contudo, foi um bom “swerve” este da NOAH, ao fazer um empate por limite de tempo, permitindo que cada campeão fique com o seu título, ao mesmo tempo que é mais uma defesa de cada campeão e, principalmente, e permitam-me a expressão, dando-se um combate do caraças! Se foi o melhor combate que já vi com este resultado? Não. Todavia, não deixou de ser excelente, com uma boa história construída desde o primeiro momento do combate, a alternar entre momentos mais rápidos e mais lentos, com momento mais baixos e outro mais altos, característicos dos combates que têm esta duração.

Não só colocou o Kenoh ainda mais over, como deu mais um óptimo trabalho ao Shiozaki neste seu reinado, cada vez mais o posicionando como lutador do ano, não só na NOAH, ou no Japão, mas em todo o mundo. A única coisa que faltou neste combate foi mesmo um público que pudesse falar. No Japão, o público é permitido mesmo com a pandemia, mas não pode fazer mais do que bater palmas, o que infelizmente tornou o combate mais aborrecido em certos momentos. Talvez tivesse sido melhor ideia guardar este combate para outra altura, mas perante a incerteza do momento e não sabendo quando essa altura seria, fez bem a NOAH em avançar com este combate, enchendo-nos a semana de óptimo wrestling.

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

6 Comentários

  1. Sandrojr1 mês

    Nossa, que grata surpresa falar da Noah, para você quem será o próximo GHC heavyweight?, Ótimo artigo.

  2. 13 cm1 mês

    Um excelente artigo. É sempre bom ver pessoas falando sobre outras empresas.

  3. Crack Neto7 dias

    Muito bom.