Brain Buster #8 – De volta às velhas rotinas

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Boas a todos nesta grande casa que é o Wrestling PT!

Ainda no rescaldo de mais um evento da NJPW, o Dominion, que é nada mais nada menos que o segundo maior show do ano desta empresa logo depois do Wrestle Kingdom, hoje trago um tema relacionado com esta promotora nipónica.

Nesta edição do Brain Buster irei analisar a situação atual do Bullet Club, debruçando-me sobre os últimos tempos da stable mais cool da nossa era, atravessando um pouco daquilo que o Bullet Club foi e é suposto ser, pelos tempos atribulados que passou na sua designada “Guerra-Civil” entre duas facções que dividiram o grupo, lideradas pelo Omega e Cody, respectivamente, e, finalmente, pela situação e formação do actual do Bullet Club que alcançou mais uma vez a estabilidade que penso que sempre fará falta a uma stable credível.

Não querendo muito entrar em apontamentos factícios ou históricos, é, todavia, importante referir alguns factos ou acontecimentos que servirão de enquadramento e compreensão acerca da opinião que terei sobre este tema.

O Bullet Club nasceu em 2013 tendo como membros originais o líder Prince Devitt (Finn Bálor), Bad Luck Fale, Karl Anderson e Tama Tonga. Estes caracterizavam-se pela forma muito pouco ortodoxa como agiam quer no ringue, quer nas conferências antes e após os eventos. Não é que já não existisse no Japão, mas estes quatro trouxeram muito do wrestling americano para a NJPW, estando aqui eu a falar do quebrar das regras, principalmente para vencer combates, de atacar e ameaçar entrevistadores, enfim, de certa forma, “americanizaram” parte da NJPW, consistindo em algo diferente que esta empresa já não via há alguns anos (se é que alguma vez viu, pelo menos a esta escala) e daí que o interesse nos mesmos tenha crescido exponencialmente.

Outra característica sua, que hoje já quase ninguém traz para a discussão é o facto de terem invocado muitas vezes que eram um grupo que pretendia “destruir” aquilo que havia de japonês, pela forma como os lutadores estrangeiros haviam sido tratados, quer na NJPW, quer em todo o Japão. Por essa razão, durante o primeiro ano do Bullet Club, nenhum lutador japonês haveria de se juntar a este grupo, tradição quebrada pela entrada do Yujiro em 2014.

Até 2016, vimos este grupo crescer quer qualitativamente, quer em quantidade. Apesar de perderem o seu líder, ganharam outro do mesmo calibre ou ainda melhor no AJ Styles e, por diversas vezes, assistimos a um domínio quase completo do Bullet Club no que diz respeito à conquista de títulos.

Assim, até esta altura, este grupo encontrava-se no auge da sua existência, mas cujo declínio, a meu ver, iria começar na noite em que o grupo traiu o AJ Styles e na qual o Omega emergiu como o novo líder. Devo desde já esclarecer que quando falo em “declínio” não falo na falta de qualidade dos seus membros ou na falta de títulos porque o Bullet Club se passou a pautar, até porque isso foi tudo menos verdade. Falo sim na perda de identidade do que deveria ser o Bullet Club, que no médio termo passou a ser “mais uma” stable, que em pouco em nada se diferenciava das restantes que compõe a NJPW.

Se é verdade que até ao fantástico combate entre o Omega e o Okada no WK11, este grupo ainda mantém uma certa cultura heel, também não é menos verdade que, a partir daí, passou a usar cada vez menos tácticas dessa forma de actuar, assim como em relação ao facto da discriminação contra estrangeiros já não nos chegarem alguma notícia.

Acredito que o grupo tenha tomado este rumo exactamente pela forma como este combate correu. Para os fãs japoneses, seria muito mais difícil agora vaiar o Omega, que havia quase destronado um campeão imbatível, depois de vencer o G1 e sem utilizar as tácticas que o Bullet Club costumava usar. Diga-se o que se dizer, o Omega assumiu a posição de um face, embora a grande maioria do grupo continuasse a ser heel aos olhos do público, o que passou a dificultar a forma como encarar o Bullet Club.

A isto junta-se um outro facto, bem menos relevante, mas que para mim faz diferença. Muitos dos seus membros deixaram de usar o preto nas suas roupas, ou pelo menos cores pelas quais os membros originais se pautaram. Sei que para muitos isto é totalmente irrelevante, mas para mim faz diferença. A impressão que temos sobre o grupo passa a ser diferente quando vemos o Omega a entrar com calças coloridas do que quando víamos o Devitt ou o Styles a usar o preto.
O Bullet Club perdeu assim, na minha opinião, grande parte da sua identidade, da sua essência e do que era suposto ser, consequência de um face turn unicamente do seu líder. Apesar do Omega estar agora a ser catapultado para algo mais alto, a marca Bullet Club ia-se diferenciando cada vez mais, situação incontrolável e sem retrocesso que muito provavelmente só mudaria com a mudança de líder, como se viria a provar.

Em 2018 assistimos a uma cisão no grupo com a rivalidade entre o Omega e o Cody. O grupo fracciona-se em dois, situação que se mantém cerca de meio ano. Esta feud foi simplesmente baseada no facto de haverem dois “alfas” no mesmo grupo que não conseguiam coexistir, aliado ao facto de uma rivalidade entre estes dois ser um bom chafariz de fãs americanos para o produto da NJPW, mas não foi uma disputa pela identidade do Bullet Club, mas sim pelo ego dos dois. Em suma, apesar de uma rivalidade bem interessante que até acabou por ser, acabou, no entanto, por enfraquecer o Bullet Club, que com tanta disputa, com tantos nomes envolvidos, era só mais uma marca que servia para chamar fãs e ajudar ao hype desta rivalidade.

Acredito, porém, que em termos monetários este grupo tenha trazido cada vez mais receita à NJPW, principalmente nesta rivalidade, mas o grupo que havia nascido em 2013, esse, já não existia, mesmo com ainda dois membros originais que sobreviveram no grupo e que estavam, afundados no meio de tanto lutador que o grupo passou a ter.

No entanto, dias melhores para este grupo estavam a chegar. Na mesma noite que a rivalidade entre o Omega e o Cody acaba, começa uma nova disputa no grupo. Os Guerrilas of Destiny traem o restante a Elite e aliam-se ao Bad Luck Fale e ao Taiji Ishimori que passam a considerar os únicos membros do Bullet Club. Note-se que estes quatro foram buscar muito dos quatro que haviam formado o grupo e até ao nascimento da AEW assistimos a uma rivalidade entre o Bullet Club Elite e o Bullet Club OG.

Esta rivalidade sim, já se centrou no problema que até agora me fartei de elencar neste artigo e sobre o facto de os OG estarem descontentes pelo rumo que o grupo havia tomado com as decisões do Omega. Um dos argumentos do Tama Tonga foi mesmo que o Omega havia utilizado o Bullet Club para vender a sua nova marca, a Elite, pelo que se não ia usar as cores, nem o nome do Bullet Club, não deveria ser o seu líder, afirmação com a qual concordo.

Mas isto foi igualmente uma jogada mais do que inteligente por parte da NJPW. Perceber o rumo que os lutadores e stables tomam e usar essas mesmas boas/más situações nas suas histórias, quase como se o booking se fizesse a próprio, necessitando-se apenas de tomar uma ou outra decisão, aqui e ali.

Nesta altura, o Bullet Club também ganha o seu novo “Ace”, o Jay White, que se parece muito mais com o Devitt e o Styles do que com o Omega.

Com a saída da NJPW por parte da Elite, o “novo Bullet Club que retornou”, teve agora caminho livre para se afirmar e ocupar vários espaços. O Jay White é o principal Heavyweight, os Guerrilas os Destiny a principal equipa Heavyweight, o Ishimori o seu “Ace” dos Jr. e tudo indica que podemos ter o Robbie Eagles e o El Phantasmo como a equipa para a Tag Team dos Jr. A par destes ainda temos nomes como o Bad Luck Fale e o Chase Owens que serão sempre bons candidatos aos títulos do mid-card. Por fim, o Gedo e o Jado, que ao início me pareciam o menos bom deste Bullet Club cada vez mais me convencem, principalmente o Gedo como braço principal do Jay. Aliás, estes dois sempre foram óptimos heels, pelo que estarem numa stable babyface como os CHAOS os impedia de fazerem aquilo que fazem melhor.

Assim, cada vez mais o Bullet Club recupera a sua identidade, a sua essência, aquilo que foi no início e se foi perdendo ao longo dos anos. Tem tido um óptimo booking e bastante forte, com a conquista de vários títulos e com muitos dos seus membros a terem bom destaque, mesmo que não os vençam. Fase bem interessante em que o Bullet Club enquanto marca e grupo volta a ter interesse e não somente pelo seu líder e/ou submarca como era a Elite.

E então? Que opinião tens sobre o Bullet Club? Gostas do conceito da stable? Ou preferes o Bullet Club da liderança do Omega?

Hoje ficamos por aqui.

Até para a semana e obrigado pela leitura.

12 Comentários

  1. Acho que aos Bullet Club faltam heavyweights para disputar os títulos de midcard, porque tanto o Fale como o Chase Owens têm um glass ceiling muito baixo, que quanto muito dá para os NEVER Openweight 6-Man Tag Team Championships.
    Já se falou neste site de Jon Moxley, que não seria uma má escolha, e que podia perfeitamente ser main eventer, e os BC ficavam com 2 upper mid-card/ main eventers na stable, no entanto, para mim, o Moxley encaixaria melhor nos Suzuki-Gun.
    Jeff Cobb podia ser uma boa posição para mid-carder forte, no entanto não o vejo nos BC, por isso a minha previsão para próximo heavyweight dos BC será alguém que neste momento está em excursão.

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      Obrigado pelo comentário.
      O Jon Moxley era uma boa opção. Tudo nele me diz Bullet Club e penso que o mesmo não teria problema nenhum em dividir o destaque com o Jay, embora continuasse sempre a ser o nº2 do grupo..
      O Cobb simplesmente não encaixa no perfil de heel, pelo menos para já.
      Mas sem dúvida que um 2º heavywight mais forte faz falta ao Bullet Club. O Fale caiu muito nos últimos anos e o Chase ainda se está a tentar encontrar, depois de anos a ser o elemento mais fraco da stable.

    • A questão do Moxley é que acho que ficaria muito melhor nos Suzuki-Gun, do que nos Bullet Club.
      Quanto ao Cobb concordo a 100% contigo, só disse o nome dele, porque não me estou a lembrar de mais ninguém que não esteja em nenhuma stable, e que pudesse ser alguém credível para lutar pelo IWGP US Championship, ou até pelo IWGP Intercontinental Championship

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      Eu discordo ahahah, acho que o Moxley é mais Bullet Club do que Suzuki-gun.

  2. Os Bullet Club são das maiores e melhores stables de sempre na história do Wrestling mundial. Podiam voltar a ser como eram em 2013/2014. Eu pessoalmente punha o Tama Tonga a líder, pelo facto de ser um OG, e por achar que ele tem mic skills.

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      Obrigado pelo comentário.
      A questão é: não será já o Tama Tonga o líder do Bullet Club?
      Tudo bem que o Jay White é a principal figura, mas verdadeiramente quem traça o rumo da stable, quem toma as decisões importantes é o Tama Tonga, embora o Jay esteja sempre em sintonia.
      Mas certamente o Tama Tonga é o elemento atual mais Bullet Club que temos.

    • RFBM concordo em relação ao Tama Tonga, ele respira Bullet Club.
      Já no tempo do AJ Styles, o AJ era o Ace do grupo, mas o líder era o Karl Anderson

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      Bem lembrado.

  3. Sandrojr há 2 meses

    Um dos meus artigos preferidos até agora, continue esse trabalho que é bom demais.

  4. Duzonraven há 2 meses

    Bullet Club é uma das melhores stables desde sempre no wrestling
    Acho que o Jon Moxley se encaixa bem no perfil do grupo, poderia se juntar a eles agora que está na NJPW também

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