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More Than Words #40 – Live-Event Disfarçado

O Super Showdown, o evento especial que a WWE passou os últimos meses a promover, foi mais ou menos o que eu estava à espera, pelo menos em termos de resultados, o que foi uma pena, porque me esqueci de fazer as apostas na League. Não houve praticamente nada que me surpreendesse ao longo do PPV, tirando talvez o final do combate entre Miz e Bryan e o facto de Brie Bella não ter lesionado ninguém. Ok, não, mas fora de brincadeiras, tirando o final bizarro e anticlimático do combate entre Miz e Bryan, não houve praticamente nada que eu não estivesse à espera, o que não sei se é bom, se é mau, visto que isto por um lado era um Live-Event e por outro um PPV, ou seja uma espécie de Live Event disfarçado de PPV.

Pois bem, este Live-Event disfarçado de PPV teve o seu começo com um combate de Tag-Team, onde os New Day conseguiram reter os  seus títulos face aos seus rivais, The Bar. Eu pessoalmente acho, aliás, não acho, tenho a certeza de que estas duas equipas conseguem fazer melhor, fiquei com a sensação que eles se resguardaram um bocadinho e que se calhar devido ao fator tempo não puderam mostrar o melhor que conseguem fazer. No entanto não deixou de ser um bom combate, gostei bastante da forma como terminou, mostrou toda a criatividade e capacidade de execução dos New Day, que continuam provar que o término de uma tag-team/stable não tem de ser uma obrigatoriedade, nem é algo necessário, quando as coisas continuam a funcionar bem após 4 anos.

Quem diria que um geek, um falso jamaicano e um ex-guarda costas poderiam ser tão bem sucedidos como equipa

A este combate seguiu-se mais um da Brand Azul, Becky Lynch vs Charlotte Flair pelo título feminino do Smackdown. A rivalidade entre estas duas, tem vindo a ser uma das melhores coisas na WWE neste momento, se não a melhor e por isso toda a gente estava com grandes expectativas para este combate. Na minha opinião estas expectativas foram correspondidas, este combate foi melhor do que o anterior, no Hell In A Cell e tudo correu às mil maravilhas até àquele final. O meu único problema com aquele final, foi o facto de ter retratado Becky Lynch como uma Heel cobarde que precisa de se desqualificar para manter o título. Seth Rollins funcionava como Heel cobarde, The Miz sempre funcionou, Becky Lynch não. Eu percebo que era de forma a proteger Charlotte, mas para garantir isso bastava por exemplo colocar Becky a ser desqualificada por violência excessiva e depois Charlotte sair por cima com um ataque pós combate, não era assim tão difícil. Mas pronto, pelo lado positivo, Becky mantém-se mais uns dias como campeã. Resta esperar para saber se não são só uns dias…

WWE Photo

Há uns tempos atrás isto não passava de uma montagem muito bem feita ou de uma foto tirada em 2016.

De seguida, vou fazer como no meu artigo de Hell In A Cell e vou agrupar os dois combates seguintes, pois acho que foram o mesmo tipo de combate, um típico combate de Live-Event. Primeiro foi a vez de Naomi e Asuka enfrentarem as IIconics e este combate não foi nada mais do que uma maneira de dar uma alegria ao público australiano. O combate, como eu disse, foi típico de um Live-Event, ou seja, nada de especial e apenas serviu para mostrar o quão over Billie Kay e Peyton Royce estão no seu país (que não é nada a comparar com Buddy Murphy) e para mostrar o quão vertiginosamente a carreira de Asuka caiu.

Depois foi a vez de Bobby Lashley e de John “Layfield” Cena unirem forças contra Kevin Owens e Elias e sobre este combate também não tenho grande coisa a dizer. As únicas coisas que quero destacar são o ótimo trash-talking de Kevin Owens, o terrível penteado de John Cena e a igualmente terrível Sixth Move Of Doom com a qual Cena acabou o combate. Aliás, o destaque deste combate esteve apenas no regresso de John Cena e na forma como ele em 30 segundos conseguiu terminar um combate. Eu pessoalmente preferia que os heels tivessem ganho, pois cada vez mais adoro estanova tag-team, mas isto no era um Live-Event e os faces tinham de ganhar, ainda por cima sendo um deles John Cena.

Mas agora a sério… que cabelo é este? Se o objetivo era ficar igual ao JBL, conseguiu, mas meter um chapéu era estéticamente mais agradável.

Após estes dois combates de Live-Event, seguiu-se talvez o melhor combate da noite, como já era de se esperar. AJ Styles e Samoa Joe protagonizaram mais um ótimo combate, consegiu talvez superar o do Hell In A Cell e começou se calhar demasiado devagar, mas foi ganhando ritmo à medida que o tempo ia passando. Gostei do spot em que mais uma vez Joe fez o teaser do Muscle Buster e não sei porquê, cheira-me que este só ganhará o título com essa manobra. Fiquei com pena por Joe não ter ganho, mas acho que a rivalidade entre dois ainda não termina aqui, apesar de já estar anunciado o combate por este título para o próximo PPV, que não inclui Joe. Apesar disso, estou contente por Styles ainda ser campeão e para mim, este segundo reinado só vem comprovar que de facto ele já é considerado uma peça fulcral para Vince McMahon e que é alguém em quem a WWE confia.

Até o árbitro se torna num smark ao ver estes dois lutar, também quem é não se tornaria?

De seguida foi a vez de Ronda Rousey e as Bella Twins enfrentarem as Riott Squad. Este foi um combate decente, ali a roçar o bom. Todas estiveram bem, gostei do spot final do duplo armbar de Ronda Rousey e confesso que estava à espera de um ataque pós-combate das Bellas à Ronda Rousey, mas também consigo compreender o porque de não o terem feito, afinal um Heel Turn não tem tanto impacto num evento deste tipo, como na programação semanal da WWE. Mas mesmo assim, acho que o turn está para breve, até porque não falta muito tempo para o Evolution e à acontecer pelo menos garante uma rival para Rousey que não se chame Alexa Bliss e isso é algo positivo a reter, pelo menos do meu ponto de vista.

Toda a gente sabe que isto vai durar tanto como o último combate de Rousey na UFC.

Logo a seguir a este six-man tag-team match, veio talvez o momento alto da noite. Buddy Murphy torna-se Cruiserweight Champion, com um pop que provavelmente atingiu territórios fora da Oceânia e deixa assim de ser o Best Kept Secret da WWE. Este foi um excelente combate, Alexander e Murphy têm uma excelente química em ringue, foi talvez o melhor combate da noite juntamente com Styles vs Joe e sem dúvida nenhuma Buddy Murphy mereceu a vitória, não só por estar na sua terra natal, como também por ser um autêntico monstro em ringue, no bom sentido claro. Todos os spots mais díficeis foram impecavelmente executados, principalmente aquele Minchoku Driver de Alexander, mas no final Murphy levou a vitória e temos assim um novo campeão na WWE.

Boas vidas…, para além de namorar com a Alexa Bliss, é também agora campeão, há quem tenha sorte na vida.

Chegámos agora aos últimos três combates da noite. O primeiro foi The Shield vs The Dogs Of War (Braun Strowman, Dolph Ziggler e Drew McIntyre). Este também foi um bom combate e gostei especialmente do storytelling, o Superman Punch acidental do Roman ao Ambrose, o subtil teaser de que este último se iria juntar aos seus rivais e aquele spear magnífico de Reigns a Braun Strowman de maneira a redimir-se e a salvar Ambrose, foram todos excelente pormenores que contribuíram muito para a qualidade deste combate. Os The Shield venceram e por agora parecem estar unidos, por agora…

Reparem bem na mão direita de Seth Rollins, a mim não me parece coincidência…

O segundo dos três últimos combates da noite foi The Miz vs Daniel Bryan por uma oportunidade de lutar pelo título da WWE. Este foi talvez o pior combate da noite, na minha opinião e tudo porque lhes dão meia dúzia de minutos! Estão a ver quando alguém faz anos, vão num instante à casa de banho e quando chegam à sala já está o bolo sem velas, foi assim que eu me senti com este combate. Ou geriam melhor o tempo dos combates que interessavam menos ou bookavam menos combates para o evento, agora, fazer isto numa rivalidade destas e com a estipulação que lhe estava associada, por amor de deus… Mas pronto, Daniel Bryan ganha assim a sua primeira vitória contra The Miz e vamos ter uma luta de indie darlings na Arábia Saudita, que é algo bom, não me intrepretem mal.

Estão a ver a expressão na cara dele, a minha foi exatamente igual.

Chegamos assim ao último combate da noite e sobre este nem sei o que dizer. Por um lado é bom ver estes ícones da minha infância em ringue mais uma vez, mas por outro, ao ver os combates que eles agora proporcionam, cada vez mais percebo que os ícones não são imortais. Este foi um combate de um storytelling relacionado com a nostalgia e com o passado e é muito por isso que já não resulta. Já o vimos no passado, quando estes atletas estavam no seu auge, agora estes não passam de entradas e taunts que quando chegam ao ringue se transformam em apenas wrestlers em que a meia idade já pesa. Eu não desgostei do combate, desgostei da forma física em que Undertaker infelizmente se encontra e da falta de cabelo de HBK, mas fora isso o storytelling foi bem feito e não há muitos que o façam tão bem como estas 4 lendas. Esta rivalidade possivelmente vai continuar, especialmente depois daquele ataque no final do combate e agora resta esperar para ver se o dinheiro fala mais alto na cabeça de Shawn Michaels.

Acabo o artigo com esta bonita imagem de Undertaker a segurar-se a Triple H para não cair redondo no meio do ringue.

Obrigado a todos o que leram este artigo, peço desculpa por me ter alongado, mas a culpa também é da WWE, não eram necessários 10 combates, mas pronto. Volto para a semana com mais um More Than Words e até lá boa semana para todos vocês.

5 Comentários

  1. PedrKo há 2 meses

    Bom resumo daquilo que se passou no evento.
    Ao lado do clássico Cena vs Undertaker da última wrestlemania este main event foi um hino ao wrestling, agora um bocadinho mais a sério já passou a hora destas lendas pendurarem as botas.
    Nota também para o bom sentido de humor na legenda das imagens.

    • Vasco Reis há 2 meses

      Obrigado. Claramente que ao lado de Cena vs Taker, este foi um combate de 7 estrelas e definitivamente eles já deviam ter pendurado as botas, principalmente Undertaker, cujos combates já são um sofrimento ver, não tanto pela qualidade, mas sim pelo seu estado físico, que já não aguenta de maneira nenhuma este tipo de combates.

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    Codebreaker há 2 meses

    Ótimo artigo. Para mim no geral foi um bom PPV. Vejo desta forma pois tivemos algumas lutas no card que faziam Justiça ao nome. Concordo com o que foi dito sobre segurarem um pouco alguns combates por não ser um PPV declarado, mas no geral o show foi bem interessante.
    PS: Não precisa se incomodar com o tamanho do artigo, pois o teor cômico o tornou a leitura bem leve.

    • Vasco Reis há 2 meses

      Obrigado, eu também acho que o show foi bastante interessante e teve bons momentos, mas acho que algumas pessoas se calhar tinham as expectativas demasiado altas, quando já se sabia que isto ia ser uma espécie de Live-Event com a diferença de ser transmitido e ter um card mais preenchido.

  3. Kick_Ass há 2 meses

    Bom resumo do que foi este evento.
    Concordo principalmente no combate Miz vs Bryan…. aquilo foi algo para esquecer, aliás esta feud está muito fraca visto o esperado.
    Quanto ao main event discordo em um ponto, penso que com a idade do Taker e o Triple H não ser um wrestler activo, conseguiram dar mais que um combate decente.

    PS: Adorei as descrições por de baixo das fotos, principalmente a do arbitro com a boca aberta no combate AJ vs Joe ahah

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