More Than Words #72 – Análise: WWE SummerSlam

há 1 semana Artigos 3

No domingo foi dia de SummerSlam em Toronto, a WrestleMania de verão, como lhe chamam.A meu ver foi mais um PPV bem conseguido por parte da WWE. O wrestling em si ficou um bocado aquém do que já vimos em anos anteriores, mas a WWE consegui compensar isso com decisões de booking acertadas e bons momentos. Para além disso, esta edição do SummerSlam pareceu-me menos longa que as anteriores, não sei porquê mas pareceu-me que tudo passou mais rápido, o que foi benéfico no geral, pois tornou-se menos cansativo de acompanhar o evento, mas que prejudicou alguns combates que a meu ver terminaram de forma algo abrupta e anticlimática.

Foi desta forma que terminou o primeiro combate do evento, que foi o habitual combate de cruiserweights no Kickoff. Neste combate Drew Gulak defendeu o seu título contra Oney Lorcan e defendeu-o com sucesso. Não tenho muita coisa a dizer sobre este combate, foi bom para o tempo que teve mas poderia ter sido melhor, no entanto compreende-se, foi um combate de kickoff e provavelmente iremos ter um combate de qualidade muito superior no 205 Live. O vencedor foi o acertado e não há ninguém mais indicado para liderar a divisão de cruiserweights neste momento, do que Drew Gulak.

De seguida passamos para outro combate que também podia muito bem fazer parte do 205 Live, pois opunha o ex-campeão de cruiserweights Buddy Murphy a Apollo Crews, que se não se fosse pelo peso podia muito bem integrar o roster do 205 Live. O combate, infelizmente, nem 5 minutos teve e portanto não dá para ter uma opinião bem formada, mas a pouca ação que tivemos foi boa e o ataque de Rowan a Murphy, embora tenha interrompido o que podia ter sido um ótimo combate, teve o seu propósito e foi mais um capítulo na história do atacante mistério de Roman Reigns. Estou curioso para perceber que papel é que Daniel Bryan tem nesta história toda.

O último combate do Kickoff foi o único combate de tag-team em todo o PPV e também a primeira vez que os títulos de tag-team femininos foram defendidos em PPV. As recém campeãs Nikki Cross e Alexa Bliss defenderam os seus títulos contra as antigas campeãs IIconics. O combate não foi nada de especial, foi apenas razoável e a única coisa notável que consigo retirar dele é o facto de aparentemente Alexa Bliss ter tido uma espécie de face turn. Não sei se é mesmo um face-turn ou se Alexa continua heel e está apenas a manipular Cross, mas pelo menos estamos a assistir ao desenvolvimento de personagens dentro da divisão feminina e é triste dizer isto em 2019, mas isso para mim já é motivo de celebração.

Pronto, agora a Alexa e a Nikki vão levar os títulos até ao infinito e mais além.

O PPV em si começou também com um combate da divisão feminina, mais concretamente a da brand vermelha. A campeã Becky Lynch defendeu o seu título contra Natalya, que estava a jogar em casa, num combate de submissão. Infelizmente o “fator casa” de nada valeu a Natalya e Becky Lynch continua o seu reinado. O combate foi bastante sólido para abrir o show, não foi nenhum clássico, mas teve bons spots como por exemplo o sharpshooter de Natalya a Becky Lynch nas cordas e a vencedora foi a acertada, não fazia sentido Becky Lynch perder já o título e muito menos por submissão. Ela é uma das maiores estrelas que a companhia tem neste momento e o seu reinado deve durar mais algum tempo. Quanto a Natalya, não sei o que lhe irá acontecer, mas a verdade é que neste momento não a vejo a ser campeã, especialmente porque não lhe reconheço nenhum traço de personalidade para além de ser sobrinha do Bret Hart.

Não tivesse Natalya a vincar o cotovelo na cara de Becky, diria que eram uma tag-team a julgar pelo que têm vestido. O árbitro coitado sentiu mais o golpe que a própria Becky.

 A seguir tivemos o contender a combate do ano, o combate mais esperado da década, Goldberg vs Dolph Ziggler. Admito que no princípio do combate pensei que Ziggler fosse protagonizar a maior surpresa do ano ao derrotar Goldberg, mas rapidamente verifiquei que nada disso iria acontecer. Goldberg destruiu Ziggler não uma, não duas, mas três vezes, tudo isto porque Ziggler achou que a lenda tinha tido “sorte”. Enfim, Goldberg conseguiu redimir-se do desastre na Arábia Saudita, Ziggler vendeu o spear de Goldberg como se tivesse sido atropelado por um alfa pendular e foi o que tinha de ser, um squash match, só não esperava era que se prolongasse pelo tempo que se prolongou, mas pronto, no fim do dia foi entretenimento.

O Ziggler é aquele irmão mais novo que quando leva uma tareia do mais velho diz que não doeu, ao mesmo tempo que tem quase uma lágrima no canto do olho.

Após este clássico, foi a vez do combate pelo título dos Estados Unidos entre AJ Styles e Ricochet, sendo que Styles veio acompanhado pelos seus amigos OC. O combate foi bom, pois estamos a falar de dois dos melhores wrestlers do planeta, mas poderia ter sido melhor ou pelo menos mais acelarado. Eu percebi que eles quiseram contar uma história à volta da lesão da perna de Ricochet e foi uma história bem contada, mas se calhar por estar à espera de um combate a um ritmo mais acelerado acabei por ficar um pouco desiludido. No entanto,  combate foi bom, apenas não foi aquilo que estava à espera. Quanto ao vencedor, acho que foi a escolha acertada. Este título já mudou de mãos várias vezes este ano e é necessário um pouco de estabilidade. Para além disso é bom ver o antigo The Club a “dominar”, de certa forma, uma brand.

A Marvel tem os Vingadores, a DC tem o Super Homem e o Batman e a WWE tem o Ricochet e este último não precisa de duplo.

Por falar em estabilidade, isso é algo que a divisão feminina do Smackdown precisa neste momento. De seguida tivemos o combate pelo título feminino da brand azul entre Bayley e Ember Moon. Apesar deste combate não ter sido mau, aliás, eu achei que foi um bom combate, ninguém quis saber e tiveram motivos para isso. Este combate foi marcado porque sim e não teve nenhuma história que o acompanhasse, foi apenas um combate 1 vs 1 que aconteceu e que pura e simplesmente não tinha nenhuma storyline e portanto não havia motivo para nos interessarmos pelo o que estava a acontecer dentro do ringue. É pena, porque estas duas são ótimas wrestlers e mereciam melhor, mas a WWE não sabe como bookar Ember Moon, que é apenas uma ótima wrestler que usa lentes de contacto e isso não chega para despertar o interesse dos fãs. O resultado foi o acertado, Bayley merece continuar como campeã, mas se não quiserem que este desinteresse continue, o melhor é darem alguma atenção à divisão feminina do Smackdown.

Bayley a celebrar a sua vitória e o público de toronto a jogar ao jogo do silêncio.

Uma storyline coerente foi o que tivemos no combate a seguir, Kevin Owens vs Shane McMahon. Se o Owens perdesse desistia da WWE, mas felizmente não foi isso que aconteceu e este  derrotou o filho de Vince com um golpe baixo e um stunner. Este combate não foi de maneira nenhuma um combate técnico, mas também não era suposto ser. A única coisa que eu esperava deste combate era uma história bem contada dentro de ringue e foi exatamente isso que tivemos. Eu já me fartei de falar mal do Shane e sei que não sou o único, mas a verdade é que o homem sabe se comportar como um heel e fê-lo perfeitamente neste combate,  ele sabe como mexer com o público, o facto de este no início do combate ter chamado Elias foi só um exemplo. Já Kevin Owens, também esteve muito bem no seu papel e a forma como ganhou ajudou a estabelecer-se, não como um babyface, mas sim como uma espécie de anti-herói, muito à semelhança do que era Stone Cold. Quanto ao resultado, foi o acertado e espero que isto signifique que Shane irá desaparecer por uns tempos dos nosssos ecrãs.

Tal como Ziggler, aqui Shane também é o típico irmão mais novo. Chama os pais, provoca o irmão mais velho e fica à espera que este lhe bata para ficar ele ficar de castigo. E dizem que WWE não se deve ver em família…

Enquanto que Shane deve desaparecer apenas por uns tempos, acho que esta foi a última vez que vamos ver Trish Stratus pisar um ringue de wrestling, pelo menos para lutar. O combate que se seguiu foi apelidado como o último combate de Trish Stratus e não podia ter tido melhor adversária do que Charlotte Flair. Este foi na minha opinião o combate que mais me surpreendeu no evento, não esperava que a Trish depois de tanto tempo fora ainda se conseguisse mexer tão bem, mas ainda bem que assim foi, pois ela e Charlotte deram um bom combate. É de realçar o figure-eight que Trish aplicou em Charlotte e também o sublime hurricarana do topo das cordas aplicado pela mesma. Se este foi de facto o último combate de Trish, então esta foi uma belíssima despedida. Charlotte tinha que sair vencedora e ainda bem que assim foi, pois esta precisa de credibilidade após as derrotas contra Becky e Bayley e nada melhor do que fazer desistir uma das maiores lutadoras da história da WWE.

A Trish tem 43 anos e consegue fazer a ponte como deve ser, eu que sou jovem, nunca consegui, apesar das minhas inúmeras tentativas nas aulas de educação física.

Posto isto, foi a vez do talvez mais aguardado combate do evento, Kofi Kingston vs Randy Orton pelo título da WWE. Eu fiquei sinceramente desiludido com o final do combate. O combate estava a ser bom, nada de especial, mas estava a ser bom e quando parecia que as coisas iam aquecer, eis a que WWE decide jogar a típica cartada de final por desqualificação. Não é que os finais por desqualificação sejam sempre maus, no ano passado fez sentido haver um no combate entre o Styles e o Joe neste mesmo PPV, mas este combate não pedia isso. Ou Kofi derrotava Orton de forma de forma limpa e Orton continuava a antagonizá-lo de forma cada vez mais agressiva ou então Orton derrotava Kofi e este último tinha outra vez que subir ao topo da montanha, mas não tivemos nenhum desses desfechos, para ter um final que não acrescentou nada a esta rivalidade, podíamos perfeitamente ter um final limpo. Mas pronto, a rivalidade vai continuar e espero que eles consigam fazer algo mais interessante do que uma rivalidade à volta da família, já vimos isso no ano passado.

Eu disse que não queria uma rivalidade à volta do agregado familiar de Kofi, mas se isso envolver uma possível inclusão do filho de Kofi como membro honorário dos New Day, então retiro o que disse, o rapaz tem carisma.

O que não vimos no ano passado, nem em ano nenhum foi algo como o The Fiend, o alter-ego de Bray Wyatt. Este foi o regresso de Wyatt aos ringues, embora com um personagem diferente e este regresso não podia ter corrido melhor. O combate contra o Bálor não foi nada por aí além, mas eu gostei, não foi um squash match para não descredibilizar tanto o Bálor, mas o Wyatt, ou melhor, o Fiend dominou e era isso que precisava de acontecer. O carácter já está estabelecido e agora são preciso vitórias para o alimentar, algo que Wyatt não tinha na sua gimmick original. Desde que Wyatt regressou que tudo aquilo que tem feito tem corrido às mil maravilhas e é capaz de ser o superstar mais bem bookado da WWE neste momento, parece que finalmente a WWE se apercebeu de como bookar Wyatt e ainda bem, porque ele é um excelente wrestler. Quanto a Finn Bálor, acho que este agora irá tirar uma férias, mas quando regressar, mal posso esperar por um The Fiend vs Demon Bálor.

E pronto, a partir daqui, a média de horas de sono das crianças na América irá reduzir. Agora têm o bicho papão, o Donald Trump e o The Fiend.

O Main Event deste PPV foi o combate que já se esperava ser, Brock Lesnar vs Seth Rollins. Fiquei agradavelmente surpreendido com este combate, como já disse, quando o Brock quando se esforça e quando o combate começa logo a um ritmo acelarado, tem tudo para ser bom e foi o que aconteceu. Claro que nunca vai receber 5 estrelas, nem do Meltzer, nem de ninguém, mas os momentos que este combate teve e a forma como foram executados foi soberba. O combate foi de tal maneira emocionante, que o público passou de vaiar Rollins, a aplaudi-lo gradual e fervorosamente quando este derrubava Lesnar. Foi um típico combate de David vs Golias que meteu todo o público a torcer pelo herói e eu próprio, que disse no último artigo que não me importava que Rollins perdesse, fui um dos que torci fervorosamente para que ele recuperasse o título. É disto que Rollins precisa, é assim que ele ganha a simpatia do público, através do que faz em ringue e não através das palavras e Lesnar foi o adversário perfeito. A WWE tem agora uma chance de recomeçar o reinado de Rollins, por favor não o metam colado à Becky ou a fazer papel de estúpido, deixem-no apenas fazer o que faz melhor, lutar. Quanto ao Brock, espero que se ausente novamente da WWE ou pelo menos que se afaste da rota do título Universal.

O Brock pega no Rollins como eu pego na mala de viagem para meter na bagageira do carro. Isto não seria nada de mais se o Rollins não fosse um adulto com quase 100kg! Até estou com medo de ver como é que ele agarra nos filhos.

Obrigado a todos os que leram este artigo, espero que tenham gostado da análise, peço desculpa pela extensão, mas é o mínimo que posso fazer num evento com tantos combates. Digam o que acharam do PPV nos comentários e claro, se tiverem sugestões de algo que possa acrescentar a este tipo de artigos análise, não hesitem em dizer, eu volto para a semana com mais um More Than Words.

3 Comentários

  1. Showstealer há 1 semana

    Excelente análise como sempre, Vasco. E as legendas são mesmo únicas xD
    Só uma correção: os títulos de tag team femininos já foram defendidos no Fastlane e na WrestleMania, pela Bayley e a Sasha Banks.
    Já há muito tempo (mais de 4 meses) é que os títulos de tag team femininos não apareciam num PPV, isso sim.
    Continuação do bom trabalho! 😉

    • Obrigado. Pois, tens razão, agora lembro-me desses combates, mas quando estava a escrever o artigo esqueci-me completamente. Verdade seja dita, nenhum deles foi propriamente memorável, mas pronto, obrigado por me corrigires.

    • Showstealer há 1 semana

      Ora essa! É normal, são coisas que não ficam na memória pelas más razões ahahah

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