More Than Words #79 – Análise: WWE Crown Jewel

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O evento da WWE em solo árabe, Crown Jewel, teve ontem a sua segunda edição e tal como a primeira, esta não levantava grandes expectativas, tendo muito provavelmente contribuído para isso, toda a polémica em relação à sua localização e a qualidade de primeira edição (na qual o Shane passou a ser conhecido como melhor do mundo).

No entanto, apesar das baixas expectativas, a verdade é que posso afirmar com certeza, de que esta edição foi francamente melhor que a primeira. Não que isso seja uma difícil conquista, mas há que dar o devido mérito. Tivemos combates que custaram a assistir, mas na minha opinião, a maioria foi bastante agradável de se ver e apesar de apenas um acontecimento ter mudado rigorosamente alguma coisa na WWE, aquilo que eu pedia neste evento não eram grandes momentos, mas sim combates agradáveis de se assistir e decisões de booking com pés e cabeça e a meu ver foi mais ou menos isso que tivemos.

Este evento começou com o habitual Kickoff, onde tivemos apenas um combate, sendo este uma Battle Royal de 20 homens, na qual o vencedor teria direito a enfrentar mais tarde neste evento, o campeão dos Estados Unidos AJ Styles. Sobre o combate em si, não tenho nada de substancialmente relevante a dizer. Tivemos um mini segmento engraçado entre o R-Truth e os Singh Brothers e o Eric Rowan e o Luke Harper foram retratados como duas bestas. Em relação ao vencedor, acho que o Humberto Carrillo foi uma escolha acertada, que acaba por fazer sentido se olharmos para o RAW da semana passado onde Humberto quase derrotou Styles.

Quanto ao combate entre estes dois, foi um combate bastante agradável de se ver. Estes já nos mostraram a semana passada que se entendem muito bem em ringue e ontem repetiram a façanha. Confesso que pensava que o Styles ia ganhar com alguma ajuda, mas se calhar a WWE quis colocar um ponto final neste mini rivalidade e em relação ao vencedor, acho que a escolha foi acertada. Humberto apesar de ser um grande talento, ainda tem muito a provar e como tal ainda não tem credibilidade suficiente para tirar o título a alguém mais que estabelecido como Styles. Que continue o domínio dos O.C.

Não percebo porque é que o Styles ainda não nos falou do seu passado no Breakdance, mas pronto.

Agora voltando à ordem cronológica dos combates, o primeiro da noite foi o combate pelo título da WWE entre Brock Lesnar e Cain Velasquez. As minhas expectativas para este combate eram praticamente nulas e ainda bem que assim era, porque o combate foi uma verdadeira desilusão. Foram 2 minutos e 15 de MMA num ringue de wrestling e acho que falo pela maioria, quando digo que isso foi bastante aborrecido. Eu não sei aquilo de que o Cain Velasquez é capaz de fazer em ringue, mas certamente que ele seria capaz de fazer mais, até Tyson Fury o fez. É que para além de terem sido 2:15 de puro aborrecimento, o final tirou por completo a credibilidade que ainda restava em Cain Velasquez. Se tudo isto serviu para construirem uma feud entre o Lesnar e o Mysterio, então pelo menos consigo perceber o motivo deste desfecho, mas de qualquer maneira, se for esse o caso, então a inclusão do Velasquez nesta rivalidade não serviu de nada, especialmente considerando que este está contratado como wrestler a tempo inteiro. Tirar o título do Kofi para fazer isto, enfim…, coisas à WWE.

O pobre do Lesnar só queria um abraço, o Velasquez armou-se em esquisito, teve o que mereceu.

A seguir foi a vez das tag-teams de ambas as brands, RAW e Smackdown, competirem umas contras as outras, num Turmoil match, no qual a equipa vencedora ganharia o direito a auto-proclamar-se como melhor tag-team do mundo. Este foi o maior combate do evento, dada a quantidade de participantes, mas foi bastante bom e deu para perceber que a divisão de tag-teams tem bastante talento e que não é pela falta dele que a divisão não tem mais destaque. Acho que quem se destacou mais neste combate foi Ziggler e Roode, que cada vez mais estão a provar que até funcionam bastante bem enquanto tag-team,  os New Day, que estiveram bem como sempre, pensava que a vitória iria para eles para dar algum ânimo ao Kofi e claro, os vencedores, O.C, que jutamente com o Styles estão se a mostrar cada vez mais dominantes. É bom vê-los a ter destaque.

Ainda bem que criaram este troféu, acho que o Shane está a precisar de aliados…

Quem também seria bom que tivesse algum destaque era o Cesaro. O suíço participou no combate que se seguiu contra o atleta da casa, Mansoor. O resultado já era mais que óbvio, toda a gente sabia que a WWE não ia fazer Mansoor perder na Arábia Saudita, ainda para mais num combate para encher chouriços, mas a verdade é que acabou por se revelar um grande combate, talvez o melhor da noite. Mansoor surpreendeu-me pela positiva e acho que com mais treino ainda pode vir a ter algum sucesso na WWE, pelo menos neste combate mostrou um grande potencial. Tudo bem que o seu adversário era Cesaro. que como sabemos é incapaz de fazer um mau combate, mas é preciso dois para dançar o tango. Só tenho pena que tenham sacrificado o Cesaro para dar uma vitória ao Mansoor, é um bocado triste vê-lo a desempenhar este papel de valorizar os outros, eu sei que ele é não é nenhum ás nas promos e que só por isso não tem o devido destaque, mas o Ricochet também não é nenhum ás nesse departamento e o seu booking é francamente melhor. Mas pronto, foi um grande combate e estou curioso para ver o futuro deste Mansoor.

Este Seth Rollins é mesmo Overrated, sempre a ter destaque, já enjoa, até tem dois comba…, ah espera…

Por falar em futuro, mas espero que o futuro do Tyson Fury não passe pelo wrestling. a menos que este treine muito e consiga eventualmente tornar-se um bom wrestler, é claro. Eu achei este combate simplesmente mau, não foi tão mau como o do Brock e do Velasquez, mas de qualquer forma não foi muito agradável de se assistir. Agradeço a tentativa do Tyson Fury de tentar ter um combate de wrestling e não de boxe, mas os sells deste ao longo do combate foram dolorosos de assistir, parecia que estava em cair em câmera lenta. O sStrowman bem tentou dar algum ritmo e ânimo ao combate, mas era impossível, este combate só era bom no papel. O final foi algo estranho, não percebi o porquê de quererem proteger o Tyson Fury quando este é apenas alguém que veio dar um combate e a seguir vai-se embora, ou será que não vai? Espero que não tenha significado nada, o Strowman merece estar em patamares mais interessantes e relevantes.

Pronto, o Fury tem um combate de wrestling e e já se acha uma vedeta ao ponto de achar que pode roubar uma taunt ao Undertaker.

Falando novamente em futuro, espero que no futuro possamos ter mais combates de mulheres na Arábia Saudita, pois elas também merecem. Mas como isso, caso aconteça, deve levar ainda um longo período de tempo, o melhor é ir tentando fazê-lo os poucos e foi isso que aconteceu neste evento, onde Natalya e Lacey Evans protagonizaram o primeiro combate de wrestling feminino na Arábia Saudita. O combate em si não foi nada de especial, foi decente, nada que não tenhamos visto por parte destas duas lutadoras, mas valeu pelo momento e pela conquista que foi. A emoção tangível de Natalya e Lacey Evans após o combate e o apoio que estas receberam do público foram momentos especiais edeixam-me otimista em relação ao futuro, futuro esse onde espero que esses momentos deixem de ser especiais e passem a ser algo normal.

Na minha primária havia muitas raparigas que passavam o intervalo a fazer isto, mas normalmente juntavam as mãos.

Após este momento especial, foi a vez de Hulk Hogan e Ric Flair nos mostrarem quem é que tem mais jeito para escolher equipas. A minhas expectativas para este combate estavam relativamente altas considerando os integrantes de ambas as equipas e essas expectativas não foram defraudadas. Gostei bastante deste combate, é certo que não havia nada em jogo e serviu para mostrar ao público da Arábia Saudita alguns dos melhores membros do roster, mas a realidade é que estive entretido ao longo dos quase vinte minutos que pautaram o combate. Em relação a destaques, assim de repente não me lembro de nenhum momento ou lutador em particular que tenha sobressaído, mas gostei bastante da química entre o Ricochet e o McIntyre, não me canso de os ver lutar, gostei da prestação de Ali. esteve fantástico e aquele reversal ao RKO é realmente fantástico, gostei de terem “desenvolvido” a rivalidade entre o Lashley e o Rusev e gostei de ter sido o Roman a dar a vitória a sua equipa. Ultimamente o Roman tem andado afastado da rota do título(ainda bem, depois dos anos sem sair dela), mas acho que agora está na altura de ele lá voltar e esta vitória foi um bom passo nessa direção.

Eu gosto muito do Ricochet, a sério que gosto, mas sei o que faça se ele se continuar a vestir como se fizesse parte da Vila Moleza.

O último combate da noite, foi o já esperado embate ente Seth Rollins e The Fiend, Bray Wyatt, num rematch do Hell In A Cell. Para ser sincero achei este combate muito parecido com o primeiro, a estrutura foi a mesma. ORollins desesperado a fazer tudo o que podia para derrotar o The Fiend e este último a resistir a toda a ofensiva de Seth e a apresentar-se como uma força fora do normal. Eu não desgosto deste tipo de combate, apenas acho que descredibiliza um bocado o Curb Stomp, que devia ser uma manobra letal, tal como o End Of Days do Corbin. A única coisa de inesperado a acontecer neste combate, foi mesmo o vencedor. Pensava mesmo que a WWE não ia apostar no The Fiend como campeão, mas parece que me enganei e ainda bem, porque o Wyatt merece isto, depois de tudo o trabalho teve ao reinventar-se desta forma. A questão é que esta vitória de Wyatt veio complicar bastante o futuro, deixando muitas questões, sendo que a principal é: Será que este irá perder o título de volta para Seth no próximo Raw, num suposto Steel Cage? Eu escolho acreditar que não, porque acho que a WWE não iria descrediblizar Wyatt dessa forma, mas já não digo nada, é a WWE, tudo pode acontecer.

Nunca vi ninguém a olhar tão apaixonadamente para uma cadeira, aposto que nem para a Becky olha desta forma. Já agora, estes combates com luz vermelha são para continuar? É que eu já tenho saudades da Eva Marie e esta luz assentava-lhe mesmo bem.

Obrigado a todos os que leram este artigo, espero que tenham gostado da análise e volto para a semana com mais um More Than Words. Até lá, uma boa semana a todos e deixo-vos com uma lista de prémios deste evento, criada por mim.

Prémios

  • Melhor Combate: Mansoor vs Cesaro
  • Pior Combate: Brock Lesnar vs Cain Velasquez
  • MVP do evento: “The Fiend” Bray Wyatt
  • Surpresa do PPV:  Bray Wyatt ganha o título
  • Melhor Entrada: Tyson Al-Fury
  • Pior disfarce de Halloween: Ricochet
  • Vencedor do PPV: Brock Lesnar (ao contrário dos outros, conseguiu sair a horas decentes da Arábia Saudita)

Concordas com estes prémios?

1 Comentário

  1. Showstealer1 semana

    Muito bom! E estou de acordo com os prémios, sim senhor.

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