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O período entre a WrestleMania e o SummerSlam tem vindo a ser considerado, nos últimos anos, como o período “morto” da companhia, um período em que a WWE não utiliza alguns dos maiores nomes disponíveis no seu plantel com o objetivo de os manter frescos para as grandes ocasiões e como um período onde a companhia decide arriscar e apostar em novos lutadores ou em lutadores que numa Road to WrestleMania ou numa Road to SummerSlam não teriam grandes chances de se afirmar.

Não lhe quero chamar pré-epoca da WWE, porque isso seria deteriorar demasiado este período, quando na verdade já tivemos storylines e combates de grande  qualidade entre a Mania e o SummerSlam, mas o objetivo acaba por ser essencialmente o mesmo, apostar em novos superstars e fazer experiências.

No entanto, tudo aquilo que acabei de escrever no parágrafo anterior não pode servir como desculpa para justificar aquilo que a WWE está a fazer neste momento com Dolph Ziggler e aquilo que tem vindo a fazer nos últimos anos, que é essencialmente colocar alguém numa feud por um título mundial que não tem ímpeto ou não fez nada que justificasse a sua inclusão numa feud por um título mundial. É exactamente isto que podemos constatar com a oficialização do combate Drew McIntyre vs Dolph Ziggler marcado para o Extreme Rules.

Nem há um mês atrás (corrijam-me se estiver errado) Ziggler andava numa feud com Otis na qual saía sempre por baixo. Não me levem a mal, eu sei que Otis é o atual Mr.Money In The Bank e que por isso tem mais credibilidade do que tinha no passado, no entanto passar de uma feud com um teor algo cómico e na qual saía sempre por baixo, para uma feud contra o campeão máximo da WWE é uma mudança algo radical e incoerente.

O que é que em Kayfabe o Ziggler fez para merecer uma chance pelo título da WWE? Foi campeão mundial há um anos? Sendo assim tragam o Great Khali para defrontar o Strowman no próximo PPV.  Se os feitos do passado pesam mais que o feitos do presente, se o legado pesa mais que o ímpeto na escolha de um contender para o título, então o Khali podia perfeitamente receber uma oportunidade por um título mundial.

Agora consegui colocar-vos água na boca não foi? Não me digam que não vos entusiasma a possibilidade de ver o Khali e o Strowman medirem forças dentro de uma Punjabi Prison?

Eu tenha plena consciência de que o Ziggler não passa de um oponente “filler” para o Drew McIntyre, para que este último se mantenha ocupado até ao build-up para o SummerSlam, mas é possível construir “filler matches” sem colocar o campeão a defrontar alguém que não fez rigorosamente nada para merecer uma oportunidade pelo título. Eu sei que esta storyline faz sentido dada a história entre o campeão e desafiante, mas não acho que isso seja suficiente para justificar a inclusão de Ziggler num combate deste calibre sem nenhuma construção para o mesmo.

A WWE tem recorrido muito a esta prática nos últimos tempos, muitos são os superstars que são inseridos num combate/feud por um título mundial sem terem tido qualquer tipo de construção para serem colocados nessa posição. Um exemplo recente disso foi Bobby Lashley, que curiosamente também enfrentou McIntyre pelo título. Eu sei que Lashley e McIntyre têm um passado entre ambos e que o Lashley recuperou alguma da credibilidade que perdera naquela feud bizarra com Rusev, no entanto antes de este ter sido colocado numa feud com McIntyre, não andava a fazer nada de notável que o colocasse num patamar em que fizesse sentido defrontar o campeão. Na altura isto passou-me um bocado ao lado porque eu gosto do Lashley e fiquei contente por ver a WWE a apostar nele, mas agora com esta feud entre o Ziggler e o McIntyre não consegui deixar de estabelecer uma ligação entre os dois casos.

Eu já reparei há muito tempo que a lógica deixou de fazer parte do booking da WWE, mas mesmo assim, acho que construir alguém que já tem alguma reputação para merecer uma oportunidade pelo título principal é demasiado lógico e relativamente fácil de se fazer. Mas esta falta de lógica por parte da WWE não se aplica apenas a esta questão das oportunidades pelo título e da falta de construção para as mesmas, pode também ser aplicada às constantes cruzamentos entre as brand  que temos verificado nos últimos tempos.

Eu tenho conhecimento da existência da regra do Wildcard e que a WWE já a explicou, mas a verdade é que me faz alguma confusão ver superstars a trocar de brand de um momento para o outro sem explicação e superstars a combater em várias brands e em mais que uma feud ao mesmo tempo, como Charlotte Flair. Não é o facto de não estarem a respeitar totalmente a brand split que me incomoda, é mais a forma como a desrespeitam, parece que é tudo feito sem nexo e à base da justificação do porque sim ou porque é melhor para os ratings.

Por esta foto podem ver que me precipitei um pouco ao afirmar que o Lashley não teve construção nenhuma antes enfrentar o McIntyre.

Estas decisões de booking por parte da WWE levam-me a concluir que é evidente que a companhia já não se esforça na construção de coerência porque aquilo que realmente é importa é o resultado final. Porque é que a WWE se há de dar ao trabalho de construir uma pessoa para ganhar uma oportunidade por um título se pode evitar fazer qualquer construção e o resultado final será o mesmo? Porquê cingirem-se à brand split quando existe a opção de colocar superstars com o poder de atrair audiências e dessa forma poderem melhorar os ratings( a verdade é que isto não tem revelado muita eficácia, mas pronto).

Eu acho que se calhar o problema não está na WWE, mas sim em mim e em todos aqueles que estão à procura de encontrar lógica nas decisões da WWE. Eu encaro as storylines da WWE da mesma que encaro um enredo de uma série com várias temporadas, estou sempre à espera que me justifiquem porque é que o personagem A fez determinada ação, porque é que o personagem B foi colocado no caminho do personagem A, etc…, mas cada vez mais percebo que a WWE não é uma série.

Numa série todas as tomadas de decisão por parte dos produtores ao longo das temporadas têm de ser justificadas de forma a não perderem uma parte da sua legião de fãs e correrem o risco de ser canceladas, o seu lucro depende da forma como constroem as histórias. O lucro da WWE não depende disso, depende essencialmente do carisma e do talento dos lutadores que têm ao seu dispor e da consequente capacidade destes em atrair pessoas e gerar lucro para a companhia e a verdade é que a tem tido bastante sorte nesse departamento, contando com um roster com os wrestlers mais talentosos do planeta.

Ziggler e Lashley são lutadores muito talentosos e como tal não há problema nenhum em colocá-los no topo sem explicação nenhuma, porque o seu talento vende mais do que qualquer esforço para ser coerente e fazer sentido.

O que é que importa a forma como ganhou uma oportunidade pelo título, aquilo que importa é que graças ao Ziggler depois deste combate o claymore vai parecer que tem o mesmo impacto de 5 punts do Orton com um botas de biqueira de aço.

Por hoje é tudo,  obrigado a todos os que leram este artigo, espero que tenham gostado e eu volto na próxima sexta com uma edição muito especial do More Than Words, a centésima edição deste espaço.

14 Comentários

  1. Excelente artigo, Vasco! Disseste tudo o que eu penso, nomeadamente na analogia da WWE com uma série. É triste que já nem sequer tentem criar uma história decente, ponho-me a pensar o que tantos writers fazem durante os dias…

    • Muito obrigado pelo comentário, Jorge! Eu também muitas vezes me pergunto o que é que eles lá andam a fazer, mas também como a decisão final é sempre do Vince não sei se é sensato colocar a culpa todas
      nos writers.

  2. Bea Ospreay1 mês

    Odeio esse tipo de fillers matchs, são tão previsiveis, e o Dolph deve ser o recordista de todos os tempos no quesito chances pelo titulo e não ganhar.

    • Eu também não sou muito fã de filler matches, mas a verdade é que eles também são necessários, no entanto isso não é desculpa para colocarem o Ziggler como #1 contender sem qualquer tipo de construção. E o Dolph deve ser sem dúvida um dos recordistas nesse aspeto.

  3. PATRICK ALECRIM SALDANHA1 mês

    Antigamente tinha combates para definir os desafiantes aos títulos.
    Tínhamos Battle Royal, torneios de eliminação, Ladder matches em show semanal valendo contrato…
    Hoje em dia qualquer um sem qualquer lógica, com uma desculpa esfarrapada já vira desafiante, ou seja virou várzea, virou uma bagunça.

    • Tens toda a razão. Esses Battle Royals e torneios podem dar mais trabalho, mas eram excelentes formas de construir alguém para se tornar um desafiante credível por um título. Eu percebo que agora, na situação em. que nos encontramos, esses multi-man matches não sejam muito viáveis, mas pelo menos que dêm façam alguma.coisa para construir o desafiante.

  4. Anonimo1 mês

    great kahly vs brawn strowman numa punjabi prison seria incrivel

  5. Concordo, é algo de que reclamo também frequentemente.

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    Eu também era grande fã do Khali 😂😂 Impacto quando se estreou e depois uma parte mais cómica!

    • Eu nunca fui fã do Kahli por ele ser bastante limitado em ringue, mas compreendo que a estreia dele tenha tido um grande impacto, ele tem uma presença que é muito difícil de ignorar.

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      Sim, eu referia o meu comentário baseado nessa tua resposta. Tal como o Cena, limitados, mas do Khali gostei, do Cena não desgosto, mas também não gosto! Têm mais jeito para fazer Marines e 12 Desafios 🤣😁👍