O Cantinho do Ferreira #8 – Liberdade

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Olá a toda a comunidade do Wrestling PT! Espero que a semana passada tenha corrido às mil maravilhas. Desta vez, por sorte, consegui ver um pouco do G1 Climax da NJPW. Preciso de ver o resto, mas o que vi gostei. Quem ainda não viu, recomendo a que o façam. Está qualquer coisa. Também não é nada que vocês já não saibam, não é?

Como podem ver, o título deste artigo é pequeno. É apenas uma palavra, mas que acho que é algo que deveria ser tomado como um direito muito importante, não só nas nossas vidas, mas também como a nível profissional.

Liberdade. É uma palavra muito poderosa, cheia de sacrifícios. Muitos sofreram para que esta palavra pudesse existir nas nossas vidas, no mundo. Uns merecem, outros nem por isso, contudo é um direito universal que deve ser respeitado.

Eu não estou aqui para falar sobre a história por trás da palavra. Estou a escrever este artigo para vos falar que, no mundo do pro wrestling, a liberdade é também um fator bastante importante para o negócio, e também, para o wrestlers.

Todos nós sabemos que, um wrestler, quando assina um contrato, passa a trabalhar para uma empresa. Mesmo sendo Indie ou não, tudo não passa de uma empresa com um dono, recursos humanos, gestores, entre muitos outros cargos importantes que gerem a sobrevivência da marca. No entanto, muitas das vezes, quando um wrestler assina um contrato, também poderá estar a escrever a sua sentença.

Vocês podem estar a pensar de o porquê de eu estar com esta conversa, mas eu acho que vocês irão entender onde quero chegar.

Nós sempre ouvimos falar da liberdade criativa. Isto é um aspecto muito importante para que, o produto e o wrestler, seja apresentado de uma maneira tão apelativa que nos prende a ele. Cativa a imaginação e o possível percurso que poderá tomar. Infelizmente, nem sempre isso acontece.

Temos vários relatos, dentro e fora das empresas, que às vezes nos fazem pensar o que realmente se passa por trás das cortinas. Nem sempre as coisas são tão espectaculares como pensamos. Muitos de nós já tivemos o sonho de ir trabalhar para estas empresas, de fazer parte deste mundo, como por exemplo, a WWE. Quem é fã, com certeza que já sonhou em fazer parte daquela família.

O problema disto tudo, é que muitas das vezes, só vemos o que nos é mostrado, a superfície. Vemos apenas a imagem. Mas e o resto? O que se passa lá dentro? Bem, a resposta nem sempre é fácil de se dar, mas há uma palavra que se destaca entre eles todos. Essa palavra é reconhecimento. Outra palavra muito forte que, nem sempre, está presente.

A questão continua. Porquê de eu ter Liberdade no título do artigo? Porque eu quero falar sobre da falta de liberdade que existe, muitas vezes, nestas empresas. É estranho, eu sei, mas infelizmente é algo que acontece a toda a hora.

As empresas de pro wrestling têm um departamento criativo, como todos nós sabemos. Contudo, durante o processo de criação, os envolvidos, muitas vezes, não têm liberdade criativa para dizer o que se poderia fazer ou não. Acredito que não haverá ninguém melhor para dar ideias do que os próprios wrestlers. Mesmo que seja algo fraco, ou com pouca imaginação, isso seria resolvido através da equipa criativa. É para isso que eles servem.

Esses tipos de caso, que é algo bastante recorrente, passam-se na WWE. Os wrestlers raramente têm liberdade criativa. Eles nem podem escolher nomes para os finishers. Muitas das vezes, nem para darem ideias de uma música de entrada têm. Um dos grandes problemas é que, quando temos alguém com muito poder, envolvido na criação de conteúdo, acaba por tornar o produto muito limitado. Porquê? Porque, maior parte das vezes, eles não vêm pessoas, mas sim cifrões. E voltam a reciclar o mesmo, e o mesmo, e o mesmo, pois é algo que eles já estão habituados a fazer.

Quando nos mantemos, demasiado tempo na nossa zona de conforto, algo se encarrega de nos mostrar que isso não é a resposta. Os resultados vergonhosos, e as críticas acesas de fãs, mostram que é preciso haver um risco. E eu, na minha modesta opinião, acho que um dos riscos seria dar alguma liberdade aos wrestlers no processo criativo das suas storylines. Acredito que seria algo bonito de se ver.

Quantas vezes é que já não lemos artigos de entrevistas, de wrestlers que estão insatisfeitos com a sua carreira derivado à falta de liberdade para se criarem e recriarem? Muitos deles até conseguem chegar ao ponto de desenvolverem depressão. O amor é tanto por aquilo que fazem que, quando são limitados, as consequências são demasiadas, e bastante prejudiciais. Não só para o wrestler, como para a empresa.

Essa é uma das grandes razões da qual muitos se queixam, e estão dispostos a abandonar o seu sonho de serem uma superstar da WWE, ou de outra empresa, para tentarem a sua sorte noutro lado. É triste de se ver, mas acontece. Vejam casos como Chris Jericho, Dean Ambrose, Jim Ross, Cody e Dustin Rhodes. Eles desde que saíram da WWE que admitem estar mais felizes. Sem contar que têm tido liberdade e envolvimento no seu processo criativo. Acredito que este seja um dos ingredientes, mais importantes, para o sucesso da companhia e do wrestler.

É claro que temos de ter em consideração que nem todos são bons. Uns são muito bons, outros bons, outros medianos, e outros fracos. É a mais pura das verdades. É tal e qual como na vida. Mas, quando é dada essa oportunidade de liberdade para decidir os seus passos, quem sabe se não poderá nascer uma grande estrela do nada?! Nunca se sabe.

Eu sei que é muito fácil falar. Temos de ter sempre em consideração que tudo isto não passa de um negócio. Há planos a serem seguidos, existem metas para serem cumpridas e que não existe muito espaço para erros. Mas será que esse risco, essa liberdade, seria realmente um erro? Ou apenas o medo de quem está no poder, perder influência e confiança da empresa? É sempre algo que dá que pensar.

Por isso, WWE, AEW, NJPW, ROH, Impact, Triple A, e os restantes, eu sei que provavelmente não chegarei até vós, mas se algum dia se cruzarem com isto, por favor dêem liberdade aos wrestlers. Eles merecem isso. Nunca se esqueçam que, muitos deles, dão a sua vida pelo pro wrestling. A felicidade deles é o segredo para um produto de sucesso.


Vocês acham que essa liberdade seria uma boa ideia? Ou deve ser restringida? Digam as vossas opiniões. Tenho curiosidade em saber o que pensam.

4 Comentários

  1. Eu acho que deveria de haver um pouco mais de liberdade nas promos, porque depois de tanto tempo a ouvir ” as mesmas coisas” fica chato para toda a gente que assiste. Aqui no site, saiu uma notícia a dizer que o KO esteve com alguma liberdade para fazer uma promo contra o Shane, e gostei do que ele disse e é disso que o pessoal quer. Mais liberdade para falar

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      É verdade. Concordo. Ouvir algo várias vezes, mas com outras palavras, torna-se chato.

      Sim, eu sei sobre essa notícia. Mesmo sendo algo ao estilo Stone Cold, até acho que correu bem. Pelo menos eu até achei piada. Mas preciso de mais trabalho. Vamos ver até onde isto vai dar.

  2. Liberdade criativa torna o produto melhor. Basta olhar para a AEW. Basta ver a promo do Chris Jericho. Basta ver a bela performance do Kevin Owens que mudou drasticamente a sua imagem nos ultimos tempos, sendo já comparado a Stone Cold, ajudando o Smackdown a tornar-se muito mais interessante. Liberdade criativa todos devem ter, e ainda mais os mais talentosos, para que possam brilhar ainda mais, como foi o caso referido.

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      Ora nem mais. Acho que, quando o wrestler tem liberdade criativa, consegue adaptar-se melhor e consegue mostrar mais de si. Pelo menos é como eu penso.

      Eu espero que, com as mudanças que estão para chegar, essa seja uma delas.

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