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Opinião Feminina #351 – The one after WrestleMania

há 2 meses Artigos 13

A cética em mim não acreditava ser possível. Não me deixei acreditar que Becky Lynch, Kofi Kingston e Seth Rollins iriam sair da WrestleMania com os seus respetivos títulos. Três finais felizes numa só noite? Parecia bom demais para ser verdade. Mas foi exatamente isso que aconteceu. Seth Rollins arrasou a besta, Kofi Kingston concretizou o seu sonho e Becky Lynch chegou ao topo do mundo. Desde a WrestleMania 30 que não tínhamos um momento como o que Kofi Kingston desfrutou. Desde a WrestleMania 31 que os fãs não tinham saído da WrestleMania com um sorriso nos lábios, em vez de mostrarem frustração ou ressentimento para com o resultado do combate principal ou com os lutadores envolvidos. Pela primeira vez, em alguns anos, o main event da WrestleMania não foi alvo de frustração, apatia ou revolta.

A noite, ou a porção principal da WrestleMania, começou com o combate pelo título Universal da WWE, entre Seth Rollins e Brock Lesnar. Dos três combates mais importantes da noite, este era o que me fazia temer mais. Como expliquei anteriormente, o regresso de Roman Reigns e a obsessão da WWE em concretizar a sua fantasia de ver Reigns encerrar a WrestleMania, como o herói que derrotou a Besta, ao som de aplausos dos fãs, não me deixavam sonhar com uma vitória de Rollins.

A decisão de começar logo com este combate foi inteligente. Aliás, a forma como a WWE distribuiu os três combates ao longo do evento, de forma a que não fossem seguidos e, assim, os fãs tivessem tempo para digerir e dar a todos a celebração que mereciam, foi bastante inteligente e funcionou na perfeição. Não gostei muito da duração do combate ter sido tão curta. Funcionou, como parte da história, mas achei que foi algo anticlimático e estava á espera de mais. Para a história que estavam a contar, fez todo o sentido. Lesnar achava-se superior a Rollins e a todo o espetáculo e queria despachar o assunto, não só ao querer ser o primeiro combate da noite, mas também na forma como atacou Rollins antes do combate ter começado oficialmente. É apenas justo que perca da forma mais rápida possível como castigo.

Todavia, como fã, não deixo de ficar com alguma pena. É mesmo muito triste que, depois de tantos anos como campeão, tenham sido tão poucos os combates verdadeiramente bons que Lesnar teve. Ao longo destes anos, através das suas decisões criativas, WWE fez tudo o que pode para fazer os fãs esquecer que Brock Lesnar é, na realidade, capaz de ter combates fantásticos e é um dos melhores lutadores da companhia. Ao contrário de Triple H, Goldberg, Braun Strowman e Undertaker, Seth Rollins é um dos poucos adversários que Lesnar teve que podia ter resultado num combate fantástico. Tenho pena de não ter visto esse combate.

Espero que isto tenha sido o fim da era de Brock Lesnar como o campeão ausente. Não preciso de ver Brock Lesnar todas as semanas, nem Lesnar quer aparecer todas as semanas. O que preciso, como fã, é de ver Lesnar lutar, não ser reduzido a uma versão tão minimalista de si mesmo. Brock Lesnar é o melhor de todos os lutadores que a WWE tem a part-time. Em todos os sentidos – seja como lutador ou personagem. Espero que, no futuro, seja usado de forma que faça mais justiça ao seu potencial e qualidade.

Seth Rollins é, sem dúvida alguma, a melhor pessoa para acabar com o reino de Lesnar. A qualidade do seu trabalho é inquestionável e a sua popularidade, junto dos fãs, absolutamente intocável. É ele o pilar do Monday Night Raw, é ele o capitão do navio e é ele que merecia esta honra. Não tenho quaisquer fé na equipa criativa da WWE, mas espero que também façam justiça ao seu trabalho e talento com este reinado.

Nunca pensei celebrar uma vitória de Kofi Kingston, em ambiente algum. Sou fã dos New Day, nunca fui fã de Kingston em particular. E, de certa forma, ainda há uma parte de mim que teme que as suas capacidades tenham sido exageradas demais no calor da emoção da história que temos assistido nas últimas semanas. Esta parte de mim tende a aparecer quando, por exemplo, colocam Kingston ao lado de Bryan, Eddie Guerrero, Chris Benoit e Bret Hart, na lista das derradeiras conquistas da história da WrestleMania. Olhando para o grupo, é fácil ver que o talento não é propriamente equiparável.

Porém, Kofi Kingston foi o protagonista do momento de WrestleMania do ano. As semanas a discutir apaixonadamente com Vince McMahon e a lutar por oportunidade atrás de oportunidade atrás de oportunidade culminaram num combate fantástico – o melhor da WrestleMania – e numa vitória emocionante que juntou família e amigos.

Talvez Kingston não tenha talento suficiente para ser campeão da WWE. Talvez nos tenhamos todos deixado levar pela paixão dele e pela paixão dos seus amigos para acreditar que ele merecia este momento. Mas esta foi uma das situação em que isso não interessa. Este foi um dos momentos que transcendeu o Wrestling e a sua pequena bolha.

Nada, absolutamente nada, foi mais emocionante para mim este fim de semana do que ver a reação de Shad Gaspard e MVP a assistir à vitória de Kingston.

Vitórias como estas não acontecem vezes o suficiente. Se acontecessem, não seriam necessárias. Vitórias que são sinónimo de portas a abrirem, de novas oportunidades, de que tudo é possível para todos. Em alguns sentidos, a edição deste ano irá deixar um impacto a longo prazo na indústria. Quantas crianças não terão assistido à WrestleMania deste ano e sido inspiradas pela vitória de Kofi Kingston? Quantos não terão ficado motivados a tentar lutar por um objetivo que, até há pouco tempo, parecia impossível? Quantos lutadores não irão, daqui a vários anos, dizer que acreditam nos seus sonhos, porque Kofi acreditou no dele? Kingston conseguiu o que Booker T devia ter conseguido na WrestleMania 19, há dezasseis anos, mas a WWE era um sítio diferente na altura.

Há vitórias bonitas e há vitórias que mudam vidas. Talvez Kingston não fosse o lutador mais talentoso ou capaz que a WWE tinha para contar esta história, mas no fim do dia, não é isso o mais importante. Os obstáculos que ele teve de enfrentar foram credíveis porque foram reais e ninguém, com bom senso, consegue duvidar deles. A emoção e paixão com que este lutou pela oportunidade de uma vida também são fáceis de sentir. A história que ninguém esperava ver acabou por ser a história que roubou todas as atenções do fim de semana de WrestleMania.

E assim, a imagem de Kofi Kingston a celebrar com o título da WWE, em plena WrestleMania, enquanto abraça os filhos e os melhores amigos que o ajudaram a concretizar o seu sonho, torna-se num dos melhores momentos da história da WrestleMania. Não só pela paixão e sinceridade que transmite, mas por tudo o que representa. Para muitas pessoas, essa imagem representa o mundo. Um mundo que julgavam ser impossível de alcançar. E como é que este momento surgiu? Não foi planeado, nem orquestrado. Surgiu devagarinho, muito devagarinho e, sem pedir licença ou desculpa, apoderou-se do maior evento do ano. Ainda bem que assim foi.

Ora, se há lutadores que no futuro irão citar a vitória de Kingston como um dos momentos que os motivou, também não duvido que as próximas gerações de lutadoras irão mencionar a noite em que três mulheres encerraram a WrestleMania. Esperemos que quando chegar a altura dessas lutadoras brilharem, a WrestleMania tenha um período de duração razoável e não seja a maratona interminável e cansativa dos dias de hoje. Ser o main-event da WrestleMania ainda tem alguma credibilidade, por tudo o que simboliza, mas transformou-se num verdadeiro presente envenenado e na pior posição do evento para lutar. Os fãs estão mais do que esgotados e, mesmo que queiram festejar, já não têm muita energia para o fazer.

Gostei do combate, mas sinto que o combate sofreu por ter sido o último, o que é a derradeira ironia. De muitas formas, Kofi Kingston teve a vitória e a celebração que Becky Lynch devia ter tido. Lynch, Rousey e Charlotte mereciam mais e melhor do que uma audiência esgotada e cansada. Infelizmente, esse não foi o único aspeto que tornou a vitória de Lynch algo anticlimática e pouco natural. O fim do combate esteve envolto em polémica, porque Ronda Rousey não manteve os ombros no tapete durante a contagem do árbitro, impedindo Lynch de ter a vitória decisiva e clara que merecia e precisava.

Muitos fãs criticaram também o facto de Lynch não ter vencido através de uma manobra de submissão, tendo em conta que tem uma como finisher. Não seria a ironia perfeita, ver Lynch a vencer Rousey com uma manobra de submissão? A ideia é boa e não me importava de a ter visto, mas gostei tanto da explicação que Lynch deu para o fim polémico do combate que acho que preferia que a contagem do árbitro tivesse corrido sem problemas do que trocar a manobra final.

Lynch, numa das suas várias entrevistas após a WrestleMania, explicou que foi importante para ela derrotar Rousey com uma manobra de Wrestling, visto que Rousey tinha insultado a indústria. Gosto bastante dessa ideia e assim, guarda-se o choque das manobras de submissão para uma possível sequela que, muitos dizem, estar já a ser planeada para a WrestleMania 36. Não tenho problemas nenhuns com esses planos. Tenho mais receio que Lynch perca balanço e popularidade ao longo dos próximos meses, visto que, como de costume, a WWE faz muito pouco pelos lutadores e lutadoras que tem à sua disposição, portanto há poucas lutadoras com credibilidade e popularidade suficiente para se equipararem a Lynch.

Será que Lynch vai ter o mesmo destaque, a mesma atenção e promoção enquanto estiver a enfrentar Lacey Evans e os membros do Riott Squad em combates pelo título, em vez de uma celebridade como Rousey? Vai ser difícil.

Apesar de ter gostado do combate e saber a influência que vai ter na indústria, sinto que os problemas no fim e o cansaço dos fãs impediram-me de desfrutar a vitória de Lynch como deveria ter sido desfrutada. Afinal, tal como Kingston, nada disto foi planeado, nada disto era suposto. Lynch é só mais uma pessoa com um sonho e uma enorme paixão e, na WrestleMania, isso fez toda a diferença.

Infelizmente, nem tudo na WrestleMania foram finais felizes. Não precisam de ser. Não me importo que alguns vilões triunfem, mas incomoda-me que, por exemplo, em 2019, ainda tenhamos que aturar Shane McMahon e a sua mania que é bom lutador quando, na realidade, os seus murros e pontapés são tão ridículos que até embaraça o espetador. Fiquei triste com a despedida de Kurt Angle dos ringues. Não me incomoda que tenha perdido. Não me incomoda que tenha sido um combate rápido, pois Angle não me parece ter capacidade para lutar combates mais longos. Não me incomoda que tenha enfrentado uma estrela da atual geração, em vez de outro veterano como John Cena, por exemplo. Incomoda-me, muito, que tenham escolhido Baron Corbin para o lugar. E não, não estou incomodada, porque é suposto estar incomodada, porque Baron Corbin é um vilão tão espetacular que despertou em mim as emoções que é suposto eu sentir.

Estou incomodada porque Corbin não tem talento suficiente ainda para justificar esta honra ou todo o tempo de antena que teve no último ano de programação da WWE. Corbin é um dos principais motivos pelo qual o Raw foi tão intragável durante 2018. As oportunidades que tem não são proporcionais ao seu talento. É esse o problema e Kurt Angle merecia melhor.

Nem vou perder tempo em reclamar com Triple H por, mais uma vez, precisar de ter o combate mais longo da WrestleMania. Ele gosta desta honra, embora ainda não tenha percebido que há anos que não tem capacidade para corresponder à expetativas e que está só a aborrecer ainda mais a audiência. Infelizmente, temos que aprender a viver com Triple H e a sua necessidade de se afirmar como um lutador superior ao ter os combates mais longos da WrestleMania. Ele deu-nos o NXT, nós podemos dar-lhe isto (acho eu).

O grande problema da WrestleMania continua a ser a sua duração. Este ano, o evento contou com 16 combates, quando na realidade só precisa de metade, ou pouco mais. O plantel da WWE tornou-se demasiado grande. É verdade que está recheado de talento e iria custar horrores a esse talento ficar de fora da grande noite do ano. Iria também custar aos fãs e causar revolta quando alguns dos seus preferidos ficassem de fora do grande evento. Todavia, apesar de toda a polémica que iria haver, o evento não pode ser tão longo. Isto já não é entretenimento, já não é lazer. É pura tortura.

Não sei como é que se tornou mais prestigioso fazer parte de um combate com múltiplas equipas ou de uma battle royal que existe, única e exclusivamente, para amontoar corpos de forma a que apareçam na WrestleMania do que simplesmente ficar de fora do evento. Onde é que existe honra em fazer parte de um combate que não tem história, não tem emoção, não suscita interesse e existe apenas para dar um motivo às pessoas para ter algo que fazer no evento?

Acho que a deveria dar recompensar, financeiramente, todos os membros da companhia na noite de WrestleMania, através de bónus. Não acho que a WWE deva castigar os fãs e fingir que presenteia os lutadores ao tornar o evento numa maratona.

Se todos aparecem e se todos têm acesso garantido à WrestleMania, então a WrestleMania não é assim tão especial e inalcançável quanto isso. A WrestleMania precisa de ficar reduzida a histórias e combates que são dignos de tal. E, se calhar, nem todos os títulos deveriam ser defendidos na WrestleMania. Se calhar, alguns deveriam ser defendidos no Raw do dia a seguir ou no último Raw e SmackDown antes da WrestleMania. Se calhar, algumas das rivalidades menos importantes deveriam culminar nessas edições, visto a WrestleMania é, em teoria, uma festa que dura uma semana.

Não vai ser a mesma coisa para os lutadores e muitos vão odiar ficar de fora, mas a situação de agora é absolutamente insustentável e não os beneficia. Nenhum deles ganha absolutamente nada por fazer parte de um combate de equipas ou vencer uma battle royal.

Infelizmente, não acredito que a WWE vá ceder relativamente a isto, portanto veremos quanto tempo esta atitude irá durar. No geral, não foi um mau evento, mas também não achei que fosse algo de outro mundo. Apesar de tudo, esta é a primeira WrestleMania em muito tempo que podemos dizer que foi histórica, verdadeiramente histórica. Foi uma noite que criou sonhos, influenciou carreiras e irá mudar o curso da indústria. Há muito tempo que não tínhamos uma noite assim. Obrigada a todos e até daqui a duas semanas!

13 Comentários

  1. 13 cm. há 2 meses

    Excelente artigo.

    Eu só discordo da afirmação que Brock Lesnar é o melhor de todos os lutadores que a WWE tem a part-time, porque o John Cena também é part-time.

  2. balboa há 2 meses

    a vitória da becky foi celebrada (intensamente) no raw dps da wrestlemania. ali eu percebi o quão essa vitória foi importante.

  3. AMANDA há 2 meses

    Ótimo artigo!

  4. Mais um artigo sensacional!

  5. Anonimo há 2 meses

    Fala por ti para mim o melhor combate foi hhh x batista

    • Leleco há 2 meses

      O fato de preferir algo, não torna ele melhor.

      Gosto é diferente de qualidade.

  6. Anônimo há 2 meses

    só não esquece, que o Seth Rollins não derrotou o Brock Lesnar de forma limpa, ele usou golpe baixo.

  7. Anônimo há 2 meses

    aliás, dos 3 babyface que saíram vitoriosos da wrestlemania, Kofi Kingston foi o único que derrotou seu adversário, 100% limpo.

  8. Anônimo há 2 meses

    e por falar na obsessão da wwe em Roman Reigns, sem querer ofender, mas parece que é a mesma coisa que a escritora de artigo também tem em relação a ele, só que de forma contrária da da wwe, parece implicância mesmo! em todos os artigos opinião feminina Roman é sempre mencionado. e sempre com críticas, mesmo quando o assunto não tem nada ha ver com ele, qualquer pessoa poderia ver. que o ultimo capítulo da storyline do Roman com o Brock Lesnar, terminou no summerslam de 2018…

    • Anyway há 2 meses

      A Mulher tem o direito de escrever sobre o quê tiveres vontade,não é complexo perceber que a WWE tem obsessão pelo Roman não gostaste do artigo só não ler!

    • Anônimo há 2 meses

      o mesmo Vale para ti, não gostou do meu comentário?só não ler!

  9. Anyway há 2 meses

    Sinceramente não curto esses momentos conto de fadas na WWE,a vida é cruel alguns lutadores são feitos para o topo outros não,Kofi ganhou apenas pelo momento OMG seu reinado deve ser curtíssimo.

    Aconteceu a mesmíssima coisa com Rey Mysterio.

    Pontos negativos da WrestleMania :

    *Shane um não lutador vencer um Wrestler Profissional como The Miz todo mundo sabe que WWE é roteirizado,mas isso é ridiculo e sem lógica até para os padrões WWE.

    *Cena de Rapper novamente ? Ele é um Senhor agora, não combina com esse personagem que necessita de juventude e brutalidade.

    *Roman Vencer é Boring,o gajo já conquistou muito na WWE o tio Vince poderia fazê-lo perder para Drew para credibilizar o último como o maior vilão da empresa atualmente.

    *por quê a luta feminina foi uma luta entre 3 mulheres ? Era uma luta pessoal entre Ronda e Becky não era necessário uma terceira Mulher.

    *Lesnar é ótimo como monstro,mas está na hora de lutar mais pro-wrestling,saudades quando Brock Lesnar era fantástico no ringue e fazia lutas 5 estrelas.

    https://youtu.be/_SIPnCd6Bvs

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