Reality Check #2 – Cruiserweight Division

Boas pessoal, o meu nome é Luís Correia e sejam bem-vindos à segunda edição do Reality Check aqui no Wrestling.PT.

Nesta edição venho-vos falar nada mais nada menos que a Divisão de Cruiserweight que desde o seu regresso tem sido tema de discussão, seja pelas melhores ou piores razões.

No Verão passado decorreu o Cruiserweight Classic que serviu para marcar o regresso da divisão de Cruiserweight à WWE e também para coroar o primeiro WWE Cruiserweight Champion, visto que o título não dá seguimento ao que foi aposentado pela empresa em 2008.

Aquando do anúncio deste torneio a maior parte do WWE Universe ficou bastante agradado com o regresso da divisão, visto que há quase uma década que não a víamos na WWE e dada a quantidade de grandes atletas que a companhia possuía que podiam ser muito facilmente ser integrados na divisão, nomes como Kalisto, Sin Cara e Rich Swann, este último que acabou por participar no evento.

O veredicto é que o torneio superou as expectativas e levou o público à loucura dada a quantidade de ação e golpes típicos de Cruisersweights que puderam ser vistos durante os 3 meses em que decorreu. O facto de nomes conhecidos como Tajiri e Brian Kendrick terem participado despertou algum interesse extra no WWE Universe para focar as suas atenções no show, dando ao evento um feedback ainda mais positivo por parte dos fãs.

Decorria então o dia 14 de Setembro do ano passado quando TJ Perkins derrotou Gran Metalik na final do Cruiserweight Classic Tournament e se tornava assim o primeiro WWE Cruiserweight Champion. Grandes coisas se perspectivavam para a divisão dado o sucesso do torneio e a grande qualidade dos atletas que entraram nele, sendo que mais tarde a WWE revelou que mais de metade dos participantes acabaram por assinar um contrato com a empresa.

No Hell in a Cell vimos o título a ser defendido pela primeira vez e um velho conhecido do WWE Universe a conquistá-lo, Brian Kendrick venceu TJ Perkins para se tornar o novo campeão da Divisão, isto tudo depois do reinado de TJP ter durado apenas mês e meio, o que levou a pensar o que se avizinhava para os reinados do Cruiserweight Championship num futuro próximo. Será que iriamos ver o título a ser uma espécie de batata quente como já se tinha visto recentemente na WWE com, por exemplo, o Women’s Championship?

Em Novembro presenciámos mais um momento marcante para a Divisão, a estreia do 205 Live no WWE Network, um show semanal que serviria para podermos ver em ação todos os atletas que fazem parte da divisão de pesos-medios da WWE. E precisamente no Main Event deste primeiro episódio vimos o título a mudar de mãos para Rich Swann, este que tinha dado indícios positivos aquando da sua participação no Cruiserweight Classic. Contudo, isto deixou-nos com o reinado de Brian Kendrick a durar apenas 30 dias, mas isto não era um problema, visto que a emissão de estreia do 205 Live era um palco perfeito para se suceder uma mudança de título.

Em Dezembro sucedeu-se, aquele que podemos chamar de melhor momento que a Divisão de Cruiserweight poderia alguma vez pedir. No Roadblock, vimos Neville a fazer a sua inesperada chegada à divisão e a deixar uma mensagem clara que tinha chegado para aclamar o seu torno e tornar-se campeão, visto que atacou Rich Swann e TJP após o seu combate pelo título. Esta chegada do atleta britânico levou o público à loucura dada a sua qualidade que o WWE Universe já conhecia e a capacidade para elevar a fasquia da divisão e do 205 Live.

Tal como esperado, Neville viria a capturar o título logo em Janeiro no Royal Rumble, o que era imediatamente necessário, dada a sua diferença de qualidade em relação ao restante roster. Mas o facto de termos um campeão com uma supremacia enorme não viria a prejudicar os restantes cruiserweights, antes pelo contrário, pois as rivalidades que teve serviram para mostrar que qualidade não falta na divisão.

A sua primeira feud como campeão foi com Austin Aries que vinha do NXT, um veterano do Pro Wrestling que já tinha tido diversas notáveis passagens pela ROH e TNA. Apesar de nunca ter conseguido tirar o título a Neville em 3 oportunidades no espaço de 2 meses, foi-nos permitido desfrutar de grandes combates e ver a sua enorme qualidade e também que a Cruiserweight Division acabava de ganhar um membro de peso para melhorar significativamente a qualidade do 205 Live.

O que acabou por acontecer foi o despedimento de Austin Aries pela WWE e a necessidade a alguém para poder fazer frente a Neville e proporcionar combates de grande qualidade para manter a aderência e interesse à divisão por parte do WWE Universe. O escolhido acabou por ser Akira Tozawa que viria a conseguir capturar o título no Raw que precedeu o Summerslam, apenas para depois perder o cinturão no maior PPV do Verão.

Além das feuds que envolvem o Cruiserweight Championship, ao longo dos meses também assistimos a rivalidades como a de Brian Kendrick e Jack Gallagher, este último que parece ser um dos favoritos do público para ser o próximo detentor do título, mas dada a sua atual situação tal não irá acontecer assim tão rapidamente. Para além desta poucas foram as rivalidades que despertaram a atenção do WWE Universe, o que nos leva a pensar o que podemos esperar do 205 Live nos próximos meses.

É evidente que a chegada de Enzo Amore nas últimas semanas veio a trazer interesse e audiência ao show, dada a sua inegável qualidade no mic e popularidade que trouxe do Main Roster, mas quanto ao resto, pouco ou nada acrescentou. Enzo é bastante limitado no ringue e a sua estadia na divisão poderá muito bem ter os seus dias contados, pois apesar de se ter tornado o candidato ao título no Hell in a Cell deste mês, é mais que evidente que Neville irá reter o Cruiserweight Title.

Mas a WWE tem a faca e o queijo na mão em relação à Cruiserweight Division. Uma subida (ou regresso) de Neville ao Main Roster daria uma oportunidade para talentos como Gran Metalik, Jack Gallagher e Cedric Alexander poderem mostrar com mais regularidade a sua qualidade e despertar novamente um genuíno interesse pela divisão por parte do público. Na última edição do 205 Live podemos ver a tremenda qualidade de Gran Metalik e de Credic Alexander que tiveram uma fantástica prestação no Fatal 5-Way Match, especialmente Cedric.

Uma eventual saída de Neville traria muito mais benefícios do que prejuízos a longo prazo para a divisão. O que é realmente necessário neste momento é alguma rivalidade credível e com um fulcral ponto de interesse que faça com que o WWE Universe fique agarrado ao ecrã e assista todas as semanas ao 205 Live para saber como se vai desenrolar a feud e como já referi, todas as ferramentas para tal se suceder estão presentes na divisão, até em demasia diria eu.

Enzo Amore pode ser um penso rápido para uma ferida enorme que a Cruiserweight Division tem neste momento. A sua chegada à divisão poderá aumentar temporariamente as audiências do 205 Live, mas quando os fãs se fartarem da sua estadia (o que está para breve), irá ser muito difícil para a WWE conseguir manter o WWE Universe interessado no show, a menos que sejam atribuídos papéis de maior relevância a talentos como os que referi anteriormente.

E vocês, o que têm achado da Divisão de Cruiserweight desde o seu regresso? O que pensam que poderia ser acrescentado para captar mais a atenção do WWE Universe e aumentar a popularidade do 205 Live?

Até para a semana. Fiquem bem!

Sobre o Autor

- Acompanho Wrestling há mais de 12 anos e desde então não perdi a minha paixão por esta modalidade. Sou o autor da rúbrica semanal "Reality Check" onde discuto temas da atualidade da WWE.

1 Comentário

  1. Sou do Russo - há 2 meses

    Bom artigo, mais uma vez :).
    Sinceramente acho que a divisão perdeu muito com a saída do Austin Aries… pois embora tenha grandes talentos, há aquela sensação que falta star power, e o austin aries era um nome com star power…
    embora perceba a tua lógica de num futuro próximo o neville subir ao main roster para dar oportunidade a outros de brilharem, acho que isso não devia acontecer, pelo menos enquanto não houver mesmo um substituto a altura pois caso ele saia sem substituto aí é que a divisão perde o interesse por completo…

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