Cult of Justice #6 – Quando dois egos se juntam…

“(…) Brock Lesnar, i have a advice for you. Show up at Wrestlemania, like your career is on the line. Come to Wrestlemania to fight, like your life depends on it. Because, Brock, it very well might. I´m not coming to Wrestlemania Brock, to wrestle, i´m not coming to fight. I´m coming to kick your ass!” – Triple H

Em Agosto de 2012, todos nós fãs da modalidade em si, nos preparávamos para assistir a uma batalha apelidada de tempestade perfeita. Envolventes? Triple H e Brock Lesnar. Sim esses mesmos. Triple H o múltiplo campeão mundial, que já possuí todos os títulos possíveis de se obter dentro da WWE, e até outros inalcançáveis pelo comum mortal. Do outro lado, o seu oponente. Considerado uma das maiores “bestas” de sempre da WWE. Antigo campeão da WWE e acima de tudo antigo campeão de MMA, mais precisamente ao deter o titulo mundial da UFC nesta modalidade.

Duas montras da WWE capazes de atrair atenções de todos os lados. De um canto detínhamos os fãs somente da WWE que apoiavam triple H, e isto não só por este ser o babyface da história, mas por acima de tudo, representar a companhia e a modalidade que nós assistimos. No outro canto, o legado não só dos fãs mais antigos de wrestling, mas também os fãs da UFC, que gostaria de ver um Brock Lesnar ao estilo MMA, uma vez que esta é a personagem de Lesnar dentro da WWE, castigarem uma das maiores lendas dentro da indústria do Wrestling.

Mais que um simples combate em si, mais do que um combate de wrestling com determinada estipulação, estes dois apresentavam um combate entre companhias. WWE vs MMA (UFC). Resultado? Contraditório, mas seguramente satisfatório. Passo a explicar o meu argumento.

A chegada de Brock Lesnar á WWE, mais do que um retorno de uma grande estrela do wrestling dos tempos modernos, teve como principal cariz a vertente económica. Não quero dizer que o papel do wrestling seja desvalorizado ou ficado para segundo plano, pois acredito que a intenção da WWE não seja essa, mas a gestão com que a WWE está a tomar em relação ao Brock Lesnar, no meu ponto de vista não se apresenta como a mais correcta.

Situemo-nos um pouco no espaço temporal. John Cena na Raw que se sucedeu á Wrestlemania 28, normalmente, encontrava-se destroçado pela derrota que sofreu na noite anterior às mãos de The Rock. E qual o melhor momento para um monstro como Lesnar, regressar, se não quando a cara principal da companhia se encontra fragilizada? Poderia haver um maior ímpeto que este?

Tal como já disse numa crónica anterior, as temáticas das Lendas, e o correspondente deste no que toca ao seu uso, deverá ser feita de uma forma racional, na medida em que procurará garantir o presente a fim de assegurar o futuro.

Mas também como vocês, seguidores desta crónica, já sabem, a WWE prima pela falta de imprevisibilidade. Pelo menos, acho que esta minha opinião coincide com a vossa. Imprevisibilidade, futuro e presente. Uma salgalhada de palavras. Esmiucemos isto então.

Nos últimos tempos a WWE, tem olhado cada vez mais para o presente e deixando o futuro um pouco estagnado. A falta de star-power apresenta-se como grande exemplo do que mencionei, na medida em que existe atualmente de uma forma vincada no balneário da WWE.

Não, não existe falta de talento, mas a simples falta de aposta nestes talentos, origina a que o índice de renovação de gerações, se assim o podemos chamar, não seja assegurado. Nomes como Cody Rhodes, The Miz, Dolph Ziggler entre muito outros são o exemplo perfeito disto mesmo que acabei de mencionar. Talento sim. Mas também tal como já referi anteriormente, talento não se apresenta como o único ingrediente no seio da WWE para que estrelas consigam brilhar.

Na minha modesta opinião a WWE deverá olhar mais para o futuro. Neste ponto encontra-se seguramente o foco essencial da discussão em si. Então em que consiste os nomes de Brock Lesnar e Triple H na WWE neste mesmo caso?

Ora bem, no meu ver, são estes elementos que devem assegurar estas renovações de gerações. Quando a WWE faz regressar, alguém que no passado já conquistou tudo o que poderia alcançar, estas mesmas estrelas, deveriam ser usadas de uma forma eficiente. E afirmo eficiente, aqui na medida em que passa por estas estrelas a afirmação das novas estrelas emergentes, ajudando o presente atual da indústria a conquistar o seu lugar ao sol.

São rivalidades com lutadores já conceituados, que origina que as estrelas atuais consigam ver a sua reputação entrar num crescimento exponencial. Isto se tudo normalmente acontecer, e obviamente se o lutador em causa souber agarrar a oportunidade que a empresa lhe está aparentemente disposta a dar.

Entrando agora em casos concretos do que falei em cima, e mencionando os lutadores em análise nesta crónica, triple H após a sua reforma a tempo inteiro dos ringues da WWE, conseguiu com que duas estrelas ficassem com o seu reconhecimento aumentado. Falo particularmente de Sheamus, em que este foi o seu ultimo rival a full time da WWE, e grande “responsável” pela sua reforma. E depois disso, já em 2011 também ajudou a contribuir a que a personagem de CM Punk, um rebelde na altura, conseguisse obter uma popularidade ainda maior, do que aquela que tinha vindo a ter até então.

É certo que esteve envolvido em duas Wrestlemanias contra Undertaker, contrariando assim um pouco o rótulo que mencionei acima, mas para esta rivalidade pode-se abrir um grande parêntesis, uma vez que estamos a falar de Undertaker.

Assim do meu ponto de vista, Triple H tem sido usado pela WWE e pela sua direção de uma forma racional, ajudando a que novas estrelas se erguem. Podemos questionar outros pontos, nomeadamente em termos económicos. Mas se algo não resulta, não podemos atribuir a culpa a uma única pessoa. Pois tal como diz o povo (provérbio again) “são precisos dois para dançar o tango”.

Então e Brock Lesnar? Ora bem desde que Lesnar regressou, que muito sinceramente não me tem empolgado muito. É certo que teve uma boa rivalidade com John Cena, mas aqui é o ponto fundamental. No meu ponto de vista, o antigo campeão mundial da UFC, não tem sido usado dentro dos contextos ideais da WWE. Exemplos de falta de imprevisibilidade? A rivalidade com John Cena.

Vimos, nós que frequentamos recorrentemente o Wrestling.pt, que os rumores de um regresso de Lesnar eram muito fortes onde aumentavam de dia para dia. E qual o melhor momento para o fazer? Pois bem atacar John Cena quando este se encontrava em sitação precária. Vamos a factos.

Este combate no extreme rules entre ambos e a rivalidade em si, apesar de ter sido relativamente positiva, não acrescentou nada á carreira, quer de John Cena, quer de Brock Lesnar. São dois lutadores consolidados, em que nenhum deles ajudaria o outro a subir de “escalão”, se assim se pode dizer.

Ocorre assim um único pensamento da WWE. O pensamento do presente. E este argumente ainda é mais fácil de se explicar se pensarmos que um lutador por e simplesmente por querer encher John Cena de pancada é tónico suficiente para que as vendas do evento sejam bastante positivas e disparem para números elevados. E se a este argumento juntarmos Brock Lesnar, então temos matéria suficiente para um lucro financeiro, bastante acima da média.

Não terei a cometer erro se mencionar que o mesmo se passa com triple H. É certo que a rivalidade entre ambos se tornou mais pessoal do que a com John Cena, um pouco por culpa da intervenção de Paul Heyman, mas levanta-se a mesma questão. Para quê que estes dois se vão enfrentar?

Esta pergunta ainda hoje me faz um pouco de confusão, se por um lado a história com John Cena, até foi minimamente empolgante, pois tornou Cena num verdadeiro desfavorecido, em parte devido ao seu brilhante trabalho, com Triple H isto não acontece. Ainda para mais sendo um combate repetido.

Mas neste ponto, mais uma vez o campo económico entra em funcionamento. Se procurarmos calcular a rendibilidade financeira de um determinado evento, assente nas suas vendas, poderemos verificar que o nome Brock Lesnar vende. Não só pelo que já fez na WWE, mas pelo passado nas MMA. Vende, pois o simples facto de existir um poder destrutivo, ajuda a que os olhos dos fãs, fiquem cegos, no bom sentido, ajudando assim a componente lucrativa da WWE.

E seguramente, posso afirmar que independentemente de quem seja o seu oponente, este combate em que Lesnar esteja envolvido, irá seguramente aumentar as receitas da WWE. Posso opinar que se a esta equação económica, retirarmos John Cena e adicionarmos Triple H, o resultado não será muito dispare em relação aos números financeiros. É certo que John Cena vende muito mais que Triple H, ainda por cima estando este em fase terminal de carreira, mas o grande fator do combate em si, é Brock Lesnar.

Todo o universo WWE, quer assistir ao evento pelo simples facto de poder ver um massacre humano, independentemente do seu oponente.

Se o primeiro combate entre ambos no Sumerslam resultou, porque não repetir? Resultou economicamente, e assim a WWE, mata dois coelhos de uma só cajadada. É certo que na Wrestlemania, este combate não vai ser o combate principal, mas seguramente este combate vai atrair atenções. Seguramente vai haver um número de pessoas, que futuramente irão comprar o DVD da Wrestlemania, para ver Brock Lesnar a destruir o seu oponente. Independentemente do desfecho do combate em si.

E enquanto render, a WWE vai continuar a utilizar tais ferramentas. Esquecendo um pouco o futuro da sua companhia. Pois, tal como já referi, estes dois podiam ser melhor aproveitados para a Wrestlemania. Onde eu detenho o gosto pessoal de ver Lesnar, combater com alguém do plantel atual, com quem ele ainda não tenha trabalhado no passado. E acredito que tal chegue a acontecer, algures entre a Wrestlemania 29 e Wrestlemania 30.

Deixando agora os campos do empregue destas lendas, e das questões lucrativas, deixem-me dizer-vos que, a parte contraditória que sinto em relação a esta rivalidade, volta a fazer das suas. Em que aspecto? Na medida em que estes dois intervenientes fizeram com que a minha intenção de visualizar o combate em si tenha subido consideravelmente.

Se bem se lembram, afirmei que este combate, não me aquecia, nem me arrefecia. Era-me absolutamente indiferente. Porém, a WWE mais uma vez conseguiu surpreender-me, sendo agora, para mim, o terceiro grande combate da noite (deixo para vós tentar perceber quais serão os outros dois, não é difícil pois não?).

A rivalidade começou em meados de Abril/ Maio de 2012. Já na altura levantei várias reticências ao combate entre estes dois, mas tal como tudo o que a WWE faz, a hipótese de me surpreender estava bem patente.

Para o Sumerslam, muito sinceramente esperava um grande combate. E seria simples de explicar porquê.

Primeiro, porque estávamos a falar de um dos quatro grandes PPV do ano da WWE, onde esta gosta de presenciar os seus fãs com grandes momentos. Segundo, pelos nomes dos intervenientes em si. Tal como já disse, vendem. É certo que um mais que outro, mas para venderem, é porque no passado, acontecimentos que marcaram estes dois, foram momentos únicos para os fãs. E por fim, presença de Paul Heyman na história em si.

Estava tudo conjugado para um combate inesquecível. Uma autêntica batalha. Mas nem de perto, nem de longe, tal aconteceu. Foi como se o grande ímpeto que eles tinham vindo a ter fosse desvanecido em cada manobra que iam fazendo. E diga-se de passagem que foram muito poucas. Sim senhora, no final Brock Lesnar venceu, e partiu da WWE.

Era mais do que evidente que ia ocorrer uma desforra, não só pelo que já mencionei acima, mas também devido ao nome Triple H estar envolvido da mesma. Quer se queira quer não, Triple H tem um dos maiores egos da história do Wrestling. É caso para dizer que não dá ponto sem nó. Ajudou Lesnar a vencer no Sumerslam, mas agora quer a sua desforra na Wrestlemania.

E aqui concordo com tal feito. Pois para mim a WM é o palco onde rivalidades devem ser findadas, e não mais um palco onde se cimentam rivalidades, para no futuro, num PPV secundário sejam finalizadas. É o maior palco do mundo que está em campo, logo deve ser tratado como tal.

Para este combate da WM 29 estes dois conseguiram surpreender-me bastante pela positiva. Pois, acima de tudo, pensei que o argumento de construção tinha atingido o limite para o combate entre ambos para o Sumerslam. Até porque a vertente pessoal, já tinha sido atacada para esse combate entre ambos. Mas sejamos francos, Agosto de 2012 já vai longe. A rivalidade entre eles ficou parada muito tempo, por isso o retomar de mesmos caminhos, apesar de seguir trilhos diferentes, apresenta-se como algo assimilável pela WWE e por grande maioria de quem assiste ao produto.

Era por este ponto que afirmava que não me despertava grande interesse este combate, pois seria mais do mesmo. Na teoria o combate seria diferente, pela estipulação escolhida, mas na prática representa a mesma vertente.

E agora, devo realçar que o trabalho de Heyman foi sensacional. E para além do mais, devo considerar genial a ideia de por a carreira de Triple H em jogo, apesar de um pouco previsível. Pois toda a gente quer ver se a porta fechar-se-á para Triple H na Wrestlemania. Um pouco á imagem de Shawn Michaelis na sua rivalidade com Undertaker, salvaguardando-se as devidas diferenças, obviamente.

Será um combate brutal, disso não terei duvidas nenhumas, e seguramente que as minhas expectativas estarão bem baixas, até porque apesar de tudo o que referi, ninguém me tira a ideia, de que este combate, detém a fórmula económica presente como primordial para as questões da WWE.

Daí não esperar um combate de 5 estrelas, mas um combate minimamente eficaz, tanto para a WWE, que me parece assegurado, como para os fãs que vão assistir ao evento, deixando-os minimamente satisfeitos. Além disto procuram atrair novos elementos para o seu Univero, pois tal como já disse Brock Lesnar vai atrair muitos espetadores oriundos de outras paragens.

Este embate envolve um todo de jogo de interesses, como é fácil de detetar pelo que foi descrito em cima. Sinceramente tenho muitas duvidas, que a carreira de Triple H acabe na Wrestlemania 29, pois tal como já disse Triple H tem um ego enorme e duvido que a sua carreira termine já este ano. Poderei estar enganado, mas se assim for, tiro o chapéu á WWE por tal acontecimento. E para levantar as diversas questões, basta utilizar a palavra Brock Lesnar. Agora é uma questão de pensar.

Lembro-vos que na próxima semana a crónica irá ser lançada, no domingo e não na segunda-feira como habitualmente, uma vez que é semana de Wrestlemania. Boa Semana a todos e boa Raw :)

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2 Comentários

  1. Fillipe - há 4 anos

    Na minha opiniao essa feud só nao terminou por causa do ego do HHH, concerteza ele quer a desforra… só penso o que sera do Brock depois… ele sempre teve a imagem de monstro destruidor e mostra isso mas perder 2 de 3 combates a imagem dele caira muito… ainda acho que aquela derrota pro Cena nao teve sentido nenhum e estragou a imagem que o Brock queria passar…

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