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Impacto! #36 – Dobrar ou Adicionar?

Esta semana fiz uma pausa na análise que está a ser feita à carreira de lutadores que passaram pela TNA sem grande sucesso, para reflectir sobre uma questão: Deve a TNA negociar um segundo programa semanal ou uma terceira hora de Impact Wrestling?

Um dos principais problemas actuais da TNA é o pouco tempo que a organização dispõe todas as semanas para apresentar o seu roster (muito alargado), as diferentes divisões que possui e claro, construir as diferentes histórias e rivalidades. Este é um problema que tem sido reconhecido por várias pessoas dentro da TNA, incluindo Dixie Carter e Hulk Hogan. Acredito que esta deve ser uma prioridade para a empresa.

A solução óbvia e até ideal, seria negociar com a Spike TV (ou o outro canal da família Viacom) um novo programa de uma ou duas horas de duração. Desta forma, teríamos o Impact Wrestling a ocupar as Quintas-feiras e um segundo programa (por exemplo, uma nova versão do Xplosion) num outro dia da semana.

As negociações entre a TNA e a Spike TV neste campo apenas têm permitido à TNA algumas experiências muito pontuais, ao ter direito a uma terceira hora de emissão após as duas horas regulares do Impact Wrestling. Exemplo desta experiência foi o TNA Reaction, um programa produzido por Eric Bischoff e Jason Harvey, com a finalidade de captar algumas entrevistas e momentos de bastidores. Apesar das boas audências e sobretudo, criticas positivas ao estilo documentário do Reaction, a Spike não mostrou interesse em renovar este formato por mais que 13 episódios.

Recentemente, têm surgido várias noticias que apontam para que a TNA possa ter 3 horas de emissão. Há cerca de 3 semanas atrás, essa experiência foi feita mas a hora extra apenas serviu para repetir o Impact Wrestling da semana anterior.

Vejo alguns pontos muito positivos nesta terceira hora, se for bem aproveitada:

Primeiramente, a terceira hora é certamente mais apelativa (em termos de custos de produção) que um segundo programa. Ao mesmo tempo, representa um aumento de 50% no tempo de transmissão e, presumo que daria à TNA mais 50% de lucro daquilo que a empresa faz com o Impact Wrestling semanal. Claramente o factor económico perdura a favor da terceira hora, até mesmo porque a criação de um novo programa implicava um esforço enorme para divulgar um novo produto, criar uma marca e uma audiência. O Impact Wrestling já tem este trabalho consolidado. A Spike TV não parece disposta a arriscar um investimento sem certeza de algum retorno e a prova disto está na recente decisão de prolongar o Impact Wrestling em directo até ao final de Setembro. Claramente que qualquer esforço financeiro está a ser avaliado numa base a curto-prazo. Ora para a Spike, ter uma terceira hora de emissão, não só traz custos reduzidos de produção, como serve um público-alvo já identificado e estabelecido. O risco é muito menor.

Um dos factores que facilita em muito a opção de uma terceira hora, é o facto de a TNA ter alterado o seu horário de emissão, começando uma hora mais cedo. Se consideramos que uma terceira hora de emissão aconteceria depois do Impact Wrestling, a Spike TV e a TNA poderiam contar com a fidelidade de um público acostumado a ver o show já nessa hora. O esforço de informação seria muito reduzido. Todos podemos perceber que as pessoas têm hábitos televisivos e no toca a alterá-los é algo muito complicado, por isso a TNA estaria a usar trabalho já feito.

Em termos de custo de vencimentos, uma terceira hora seria mais rentável para a TNA. Imagino que o Xplosion num formato semanal na grelha da Spike TV, levaria a que a TNA usasse os mesmos talentos que utiliza no Impact Wrestling e numa fase inicial teria até que recorrer aos nomes mais sonantes para atrair a atenção do público. Tendo em conta, que muitos atletas na TNA recebem por combate/aparição, isto significa uma enorme despesa em vencimentos. A terceira hora daria espaço para desenvolver as histórias e a alguns talentos para aparecer, mas não teria impacto muito significativo nessas despesas.

Só nestas contas os cálculos são simples, um segundo programa envolve sempre um risco muito elevado e um investimento muito forte, sem garantias de retorno.

Outras despesas a acrescentar a estas contas, seriam as gravações do programa. Mesmo que a TNA optasse por manter um segundo programa gravado (e não em directo) isto significa duplicar todos os encargos de produção. Uma terceira hora apenas obriga a algum trabalho técnico e de pessoal, por mais uma hora, uma vez que toda a estrutura já estava instalada.

Penso que estas são razões bastante fortes para a TNA justificar uma Terceira hora de programação em vez de um segundo programa. Penso que está na hora de a TNA se sentar à mesa de negociações e argumentar que a empresa considera importante não só o que se passa no ringue, mas também nos bastidores. É fundamental que o público conheça os atletas, saiba quais os seus objectivos individuais, as suas motivações e as suas rivalidades. Esta construção tem que ser feita para que cada combate tenha o máximo de emoção. Uma terceira permitia exactamente esta construção, sem pôr em causa o número de combates por episódio.

Por último o ponto mais forte. A TNA nunca iria se sentir perdida para saber como usar a terceira hora. A organização têm 3 divisões esquecidas neste momento – KO Division, KO tag-team Division e Tag-team Division. Além disso, se excluirmos a Bound for Glory Series, mais de metade do roster não está envolvido em qualquer storyline e cerca uma dezena de atletas não aparece há semanas no Impact Wrestling. Isto só mostra a falta de tempo que a TNA tem para espelhar todo o seu potencial. As três horas seriam pouco, mas ajudariam a desenvolver o produto final.

Até ao próximo Impacto!

Sobre o Autor

- Colaborador do Wrestling.PT para os conteúdos da Total Nonstop Action!

2 Comentários

  1. Willian Silveira - há 4 anos

    Ótimo artigo.
    Argumentas-te de forma que eu mudei de ideia, visto que achava um programa secundário melhor.Faz sentido uma terceira hora, pois de semanas pra cá não vejo tag teams, a tempo não vejo KO tag teams(nunca percebi o porque dessa divisão), e a cada IW falta um Angle, um Hardy ou um Anderson…

  2. João Macedo - há 4 anos

    Excelente artigo, pegaste num assunto de boa discussão que justifica a paragem da análise dos talentos.

    Concordo, a TNA tem muito para a apresentar e a duração do iMPACT acaba por ser curta, sendo que olhando as coisas desta forma, a criação de um novo programa seria a melhor opção.

    Mas a terceira hora acaba por ser melhor para a TNA, por motivos financeiros (como referiste) e porque o esforço de informação seria reduzido.

    Gostei do que disseste no final, a TNA poderia usar bem esta hora para fortalecer as divisões de Tag Team e KO’s.

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