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Impacto! #91 – Conference Call com Gail Kim

Como o prometido é devido, hoje o Impacto! traz um resumo da Conference Call que contou com a presença da TNA Knockoout Gail Kim, que respondeu a diversas perguntas colocadas por orgãos de informação de diferentes países. Como havia referido anteriormente, o Wrestling.pt foi o único representante da Língua Portuguesa a estar “presente” no evento.

Estes Conference Call são eventos que se realizam mensalmente, onde vários órgãos de informação da Europa, Ásia e Oceania, são convidados a estar “presentes” por via de chamada telefónica e assim podem colocar algumas questões a alguns dos nomes mais importantes da TNA. Este mês, dada a proximidade ao TNA ONO “Knockouts Knockdown” dedicado à divisão feminina da TNA, foi Gail Kim que respondeu às questões.

Agradeço desde já todas as sugestões de perguntas colocadas por todos vós. Tive apenas oportunidade de colocar uma única questão à Gail Kim. Muitas das vossas sugestões incidiam sobre os melhores/piores combates ou momentos da Gail (seja na TNA, seja na WWE) e essa questão já tinha sido colocada de diferentes formas antes de eu ter a oportunidade de falar com a Gail. Desta forma, alterei o meu guião e fiz uma pergunta que me pareceu pertinente na altura. Desde já saliento que a Gail me pareceu bastante acessível e muito simpática (algo muito diferente da habitual imagem de heel que ela transmite semanalmente no Impact Wrestling). Sem mais começo pela questão WPT:

“Kim a minha questão recai mais sobre a tua perspectiva do wrestling enquanto mulher. É dificil ser mulher nesta indústria? Frequentemente fico com a ideia que deve ser complicado para uma mulher ser respeitada num negócio maioritariamente masculino, onde muitas vezes a opinião sobre as mulheres recai mais no aspecto visual/fisico do que propriamente no talento.”

Resposta da Gail Kim na íntegra: “Eu concordo que este é um mundo de homens e que continuará a ser assim no futuro, mas isso não quer dizer que não haja espaço para as mulheres. Na nossa organização sempre houve pódio para podermos brilhar e a Dixie Carter insiste em que sejamos respeitadas e por isso as coisas tornam-se mais simples aqui, não sentimos tanto essas dificuldades. Na minha experiência pessoal eu sinto que sou mais respeitada nesta organização, pelas storylines, pelas nossas personagens e temos liberdade de representar quem queremos ser. Eu adoro wrestling, eu adoro estar naquele ringue, eu adoro dar um bom combate aos fãs e poder mostrar que conseguimos ser tão atléticas como os homens. De forma genérica, os fãs hoje percebem isso. No passado eu já estive em combates em que se percebe perfeitamente que os fãs não estão a prestar atenção ao que estamos a fazer e que até chegam a gritar coisas que são muito…perjurativas (risos). Isso é muito frustante e eu relaciono isso com a forma como a organização nos contrói como personagem e com a nossa personalidade, mas há medida que o tempo foi passsando eu percebi que o tempo que te dão para desenvolveres a tua gimmick, desenvolver a história, fazeres as promos acabamos por ganhar o respeito dos fãs. Quando nós vamos para o ringue e trabalhamos ao máximo os fãs reconhecem isso”.

Agora fazendo um resumo dos momentos mais importantes da conferência:

Sobre os combates mais recentes contra a Taryn Terrell e se ficou surpreendida com a prestação da Taryn:

“Havia muitas pessoas cépticas em relação à Taryn Terrell. Eu trabalhei com ela na WWE, mas ela estava ainda a começar a sua carreira e acabámos por sair ambas de lá na mesma altura. Ela veio para a TNA como árbitra e eu tinha muitas dúvidas que ela pudesse combater. Quando nos colocaram num combate com estipulações eu adorei a ideia porque sou algo louca e esses combates permitem-nos fazer de tudo. (…) A Taryn aceitou o desafio e nunca conheci ninguém que quisesse arriscar tanto num combate daquele tipo. (…) Penso que ninguém tinha grandes expectativas para o nosso Last Knockout Standing Match. A maioria devia pensar que era mais um combate da Gail Kim e surpreendemos toda a gente. A Taryn sobretudo esteve brilhante e os dois combates que fiz contra ela são dos melhores que tive na minha carreira. Muito diferente dos que tive com a Kong, eu própria tinha expectivas diferentes, mas a Taryn fez um enorme trabalho”.

Comparando o estado actual da divisão feminina da TNA com a que encontrou na sua passagem pela WWE:

“Eu tenho muita sorte em estar nesta indústria ao tempo em que estou e tive muita sorte em fazer parte daquele período e encontrar nomes como a Trish, Victoria, Jazz e a Molly Holly. Nesse tempo eu era muito verde e estava em aprendizagem, mas foi incrível fazer parte dessa era. No estado actual da TNA, a maior queixa que ouvimos é que estamos a perder muitos talentos. Há muitas lutadoras a sair. Eu tenho isto para vos dizer: Coisas boas acontecem a quem sabe esperar. As coisas não acontecem da noite para o dia e vão haver muitas novidades. Eu lembro que quando vim para a TNA nem sequer havia uma divisão feminina e eu implorei durante quase um ano para não ser apenas uma manager. Quando a TNA decidiu criar a divisão e trazer as 10 primeiras atletas foi uma loucura, fomos um sucesso imediato. Esse tempo foi o periodo da minha carreira que mais gostei, muitas caras novas, muita gente diferente. É verdade que hoje não somos muitas, mas continuamos a fazer um excelente trabalho e as coisas vão animar. Sejam pacientes”.

Sobre se a TNA deveria criar um reality-show dedicado às Knockouts:

“A TNA tem cuidado da imagem das suas atletas. Há um novo website dedicado às KO, o site da TNA dá-nos destaque, houve uma actualização dos nossos perfis no roster, há sempre iniciativas como a “Knockout do mês” ou entrevistas, novas fotos…Um programa desse tipo não desagradaria às KO, até porque parece que o WWE Divas está a ter sucesso. (…) o mais interessante seria os fãs nos poderem ver como realmente somos e como são as nossas vidas reais. Eu estaria aberta a uma ideia dessas”.

Sobre as diferenças entre as TNA KO e as WWE Divas:

“São duas empresas muito diferentes. Eu já trabalhei duas vezes em ambas as empresas e penso que a minha primeira caminhada na WWE foi a época dourada (Golden Era), com a Trish, a Victoria, a Jazz, a Molly…Elas tinham muito tempo no ringue, tinham histórias pensadas e as pessoas importavam-se com o que lhes acontecia. Isso passou, eu sai e vim para a TNA onde comecei como manager e mais tarde foi criada a divisão feminina. Com a Dixie Carter, ela quis apostar nas atletas femininas, deu-nos tempo e quis mostrar que conseguíamos ser sexys e atléticas ao mesmo tempo. Essa é a maior diferença hoje entre as duas empresas. As KO têm grandes combates, são mais atléticas no ringue e têm aquele…pacote completo. Os combates que eu tive com a Taryn, por exemplo, eu não acredito que tenham isso na WWE, genericamente falando. A TNA está preparada para educar os fãs e mostrar que as wrestlers femininas podem dar combates com a mesma qualidade que os homens”.

Sobre quais os nomes que participaram no TNA ONO Knockouts Knockdown que gostaria de ver no roster:

“De todas as lutadoras deste show apenas não conhecia a Santana Garrett. (…) A Ivelisse veio do desenvolvimento da WWE e nunca tive oportunidade de trabalhar com ela. Há alguns talentos ex-TNA que nunca voltei a trabalhar com elas novamente. Há muitas atletas muito competentes, que merecer ser vistas na televisão. A Mia Yim trabalhei com ela no circuito independente (…) A Lei’D Tapa é uma rapariga que esteve no Gutcheck e que está agora na OVW. Ela é daqueles talentos que assim que a vi, pensei logo na enorme presença que ela tem. Óbviamente que ela está ainda em aprendizagem, mas é para isso que serve a OVW e ela será uma das atletas que vale a pena estarem atentos. Eu gostava de a ver no futuro, pois de certa forma faz-me lembrar a Kong. A Serena Deeb é uma óptima atleta e gostava de trabalhar novamente com ela, óptima personalidade e apesar de estar actualmente no Japão gostava que um dia voltasse e trabalhasse connosco. A Santana Garrett tem um grande visual e a Tessmacher disse-me que ela é uma óptima atleta no ringue.

Sobre as diferenças entre Vince McMahon e Dixie Carter:

“A Dixie está sempre disponível. Com ela é possível falar sobre qualquer coisa relacionada com a TNA, mesmo as coisas que me preocupem, em termos da minha personagem ou do trabalho no ringue, apesar de normalmente não precisar de chegar até ela, já que a equipa criativa é muito disponível. Com o Vince é mais dificil chegar até ele, é preciso marcar uma reunião ou esperar que ele queira falar connosco. Mas a diferença maior é a maneira como as mulheres são representadas. De forma genérica, a divisão das Knockouts tem uma base mais atlética, enquanto a WWE procura uma base mais “reality-show” em que as Divas têm de actuar de uma forma diferente…”.

Sobre qual o ponto mais alto da sua carreira:

“As pessoas dizem que eu consegui imenso na WWE, mas na verdade eu penso que consegui mais do que podia sonhar quando comecei a sofrer os primeiros golpes. O meu momento alto provavelmente terá sido a primeira vez que ganhei o TNA KO championship, porque essa foi uma batalha enorme de quase um ano e meio para conseguir que esta divisão existisse”.

Sobre a sua inspiração:

” Quando eu comecei a ver wrestling em criança eu ficava acordada com a minha irmã e tentávamos não adormecer para acordar cedo ao Sábado e ver wrestling. O meu atleta preferido era o Tito Santana. Ele é talvez o inicio do estilo cruiserweight, com aquele estilo fast-pace, high-fly. (…) A Trish sempre foi uma inspiração para mim. Ela é linda e conseguiu vingar nesta indústria vindo de uma carreira como modelo de fitness. Depois há a Molly Holly e a forma como ela lutava sempre me fascinou. Ela mexe-se com tanto atleticismo e tanta graciosidade, era admirável. (…). O Jason Sensation levou-me a conhecer a Molly Holly e ela viu-me a lutar e gostou do meu visual, disse que tinha algo de diferente e que me mexia bem no ringue e falou de mim a algumas pessoas. Foi assim  que tive o primeiro try-out na WWE. A Molly era fenomenal”.

Sobre se a vida familiar (tendo casada) influenciou a sua carreira:

“Eu estou num ponto da minha vida em que sinto que estou num enorme equilibrio. Eu adoro wrestling, adoro o que faço e quero continuar por muito tempo e sinto-me bem sabendo que tenho uma família. Nós (Kim e o marido) estamos muito bem, adoramos as nossas profissões e os nossos estilos de vida”.

Sobre o último combate que fez na WWE em que Kim se auto-eliminou num Battle Royale:

“Eu percebo que é um tema controverso e que muita gente penso que não fui profissional, mas eu nunca iria comprometer o combate. Aliás esse foi um combate ridiculo e toda a gente tem de concordar, mas eu nunca faria nada para o comprometer e nos balneários da WWE na altura ninguém ficou chateado. Eu sai da WWE depois disso e toda a gente se despediu de mim no final”.

O próximo Conference Call será em Outubro e dedicado ao Bound For Glory. Nessa altura irei novamente recolher as vossas perguntas e irei tentar colocar mais que uma questão (apesar de o tempo ser bastante limitado). Ainda antes de me despedir, relembro que no próximo dia  6 de Setembro (Sexta-feira) será transmitido o TNA One Night Only dedicado às Knockouts e desta vez não serei eu a fazer a antevisão do PPV. O Roberto Barros, autor do fantástico espaço do Universo WPT – ‘Wrestling For All’ fará a antevisão e a posterior análise a este PPV. Não se esqueçam de dar um “pulinho” até lá e comentar o trabalho do Roberto.

Até ao próximo Impacto!

Sobre o Autor

- Colaborador do Wrestling.PT para os conteúdos da Total Nonstop Action!

29 Comentários

  1. MR Perfection André Santos - há 3 anos

    Jorge escolheste bem a pergunta.Fiquei contente por também ter sido feita uma pergunta acerca da Taryn. Já não é novidade nenhuma mas a Gail Kim é a minha wrestler favorita e fiquei ainda mais fá com a disponibilidade dela em responder.Demonstra ser bastante acessível,pela maneira como respondeu.

    Já é habitual ler o artigo do Roberto, deveras fenomenal portanto lá estarei para ler!

    • Jorge Rebelo - há 3 anos

      O que me pareceu muito interessante em toda a conferência é que a Kim não se recusou a abordar nenhum tema e como perceberam, muitas perguntas implicavam falar da WWE. Apesar de ela ter defendido a imagem da TNA, ela acabou por revelar algumas histórias muito curiosas.

  2. José Sousa - há 3 anos

    Excelente trabalho, e tal como diz o André também para mim o Gail é a minha wrestler preferida da actualidade tecnicamente, depois tenho outra mas isso são historias que não são aqui chamadas.

    • Jorge Rebelo - há 3 anos

      Então? agora fiquei curioso… lol

      • danielLP21 - há 3 anos

        Deve ser a AJ, da WWE.

      • José Sousa - há 3 anos

        Sim é Daniel. Mas como wrestler é a Gail Kim claramente.

      • Jorge Rebelo - há 3 anos

        Mas há alguma história por detrás dessa tua admiração?

      • José Sousa - há 3 anos

        De quem da Gail pela qualidade que tem tecnicamente sempre gostei dela quer na WWE como na TNA. A AJ é das poucas da WWE que seria boa na TNA porque é wrestler e não uma menina bonita somente.

  3. Roberto Barros - há 3 anos

    Fiquei ainda mais fã da Gail, apesar de não ouvir a entrevista, ela parece falar de um jeito apaixonado pela divisão feminina, fala do jeito de quem realmente gosta dessa divisão e que se esforçou para que ela acontecesse. E sempre falei que ela é o nome mais importante da história da Divisão feminina da TNA.

    Legal também ver que a Tess falou bem da Santana é uma grande atleta mesmo. Parabéns Jorge pelo trabalho, me esforçarei para que o artigo fique bom, difícil chega no seu nível, mas tentarei.

  4. Yitzak Ghazanin - há 3 anos

    Grande entrevista desde já agradeço ah gail kim por ter me respondido , claro que era um ultraje perante a minha pessoa se não tivesse respondido. Grande Gail!

  5. Dolph Ziggler - há 3 anos

    Excelente entrevista. Parabéns pelo trabalho :)

  6. danielLP21 - há 3 anos

    Trabalho soberbo Jorge! Isto deve ter dado uma trabalheira…

    Só não gostei que a Gail Kim dissesse que está disposta a participar num “reality-show”, de resto, não tenho razões de queixa.

    • Jorge Rebelo - há 3 anos

      Também me pareceu estranho e apesar de compreender a questão da maior exposição mediática, eu nunca fui fã desse estilo de programas e quando aplicado ao wrestling é um conceito que, para mim, falha redondamente.

  7. FAlmeida_10 - há 3 anos

    Excelente trabalho, parabéns!

    • Jorge Rebelo - há 3 anos

      Obrigado e o próximo Conference Call será em Outubro, ou seja, mês de Bound For Glory. Sendo o maior PPV do ano para a TNA estou à espera de um nome grande na próxima conference call, algo entre Jeff Hardy, AJ Styles ou quem sabe o próprio Hogan.

  8. Marco - há 3 anos

    Bom trabalho a pergunta foi bem escolhida

    • Jorge Rebelo - há 3 anos

      Obrigado Marco e tendo em conta o momento em que me passaram a vez para eu fazer a pergunta, havia muitos tópicos que já tinham sido abordados. Pareceu-me uma pergunta que poderia dar uma resposta interessante.

  9. LuisMPBO - há 3 anos

    Gostei muito da entrevista. A Gail, pelo que se vê aqui, parece ter estado aberta a falar de qualquer tópico, e quase sempre falou bem.
    Trabalho muito bom Jorge, e escolheste bem a pergunta. Que honra que isto é para o Wpt. Este site está claramente em primeiro no que toca a Wrestling neste país (e não estou aberto a discussão em relação a isso, ainda que aqui obviamente ninguém ma dê).
    Estou para ver quem vai ser o próximo nome. Se for o Jeff ou o Hogan vai haver aqui tanta pergunta…

    • Jorge Rebelo - há 3 anos

      Assim que eu souber quem vai ser vocês saberão logo a seguir, mas novidades agora só no final de Setembro.

  10. pedro0 - há 3 anos

    a gail kim è A MINHA KNOCKOUT FAVORITA e adorei a entrevista nota-se que ela è uma exelente profissional! parabèns adorei :)

  11. danilo'-' - há 3 anos

    Muito legal mesmo, dou parabéns porque consegui isso não é fácil.

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