Long Horn Peep Show #12 – Keep Believing!

Demasiado tem sido dito sobre o tema de hoje, mas nem tudo tem sido acertado. Pelo menos, as coisas certas não têm sido ditas. Hoje, proponho que se ponha tudo em pratos limpos.

Fazendo uma retrospetiva desde que se estrearam na WWE, as expectativas eram boas, mas o resultado superou-as. Uns prometiam mais do que outros, mas todos cumpriram e superaram o seu papel. E com uma excelência que merece, especialmente em período «off-Punk», um especial destaque nesta edição da Long Horn Peep Show.

Desde o início que as mic-skills lhe foram apontadas como o seu calcanhar de Aquiles, duvidando deste modo da sua capacidade para se impor, mas isso seria sempre algo que apenas o tempo nos iria confirmar ou desmentir tal profecia que lhe tinha sido traçada. Profecia que não se cumpriu, já que com cada promo o seu à vontade em frente à câmara parece aumentar, bem como a fluidez do seu discurso. Dentro do ringue, aconteceu exatamente aquilo que alguns já esperavam, embora talvez não com tanto impacto. Emergiu-se, até ao momento, como o melhor dentro do ringue, sendo que a sua habilidade e destemida coragem na forma old-school como executa cada manobra me fascinam. Ainda pode evoluir mais a nível físico, mas isso sabemos que não é um obstáculo: Daniel Bryan que o diga. No entanto, a melhor surpresa estava reservada para o capítulo das reações que conseguia obter, pois muitas reticências foram igualmente colocadas quanto ao seu carisma. Aqui entra o seu trash-talking, que durante os combates chega a parecer tão genuíno, que cativa o mais sonolento dos espetadores. Parece a personificação de um lobo, pronto a atacar tudo e todos para se afirmar no seu território.

De lobo para tubarão, não era preciso um livro de instruções para perceber qual seria a sua função. A sua presença física destaca-se e fala por si. Mais uma vez, as expectativas não só foram cumpridas, como foram ultrapassadas. Se a sua força impressionou, a sua velocidade não ficou nada atrás, velocidade que sobressaiu aos meus olhos ao longo do combate no último Raw. Exponenciado pela sua imponente figura, tem provocado exatamente o tipo de reações que se pretende a alguém no seu lugar: que se faça sentir. E as suas ações, a “machadada final” acompanhada pelo seu grito de revolta, tornam-no bem-sucedido neste capítulo, onde muitos do seu género costumam falhar. Compreende-se assim o porquê de JR ter dito que esta força da natureza “pode alcançar tudo aquilo que pretender na WWE”. As suas mic-skills são notoriamente o seu ponto fraco, embora têm sido cuidadosamente tratadas: não é necessário falar muito para se dizer as coisas acertadas. Muitas vezes, quatro palavras são suficientes. Enquanto assim continue, não se irá submeter ao ridículo como alguns “main-eventers” que pensam que sabem o que dizem, não é fella? Passo a passo, tem tudo para corrigir este seu defeito e se tornar num dos lutadores mais conseguidos (este termo é o ideal), repito, mais bem conseguidos da nova geração.

Nova geração à qual parece estar destinado a liderar, este wrestler foi prontamente apontado como o “líder”, bem como foi implicitamente augurado como aquele com o futuro mais brilhante pela frente. Não é difícil descobrir porquê: cada vez mais rara é a originalidade e este lutador parece não só ter o tal it-factor associado ao êxito, como tem traços únicos que lhe conferem uma personalidade extramente interessante. É decididamente o elemento mais carismático, sendo que tira partido desse fator durante os seus promos que se confirmaram tão excecionais como o esperado. Inquestionavelmente, uma lufada de ar fresco quanto à beleza e magia de promos bem realizados. Mas se a nível de carisma e mic-skills só há coisas esplêndidas a dizer (o que, por si só, lhe garante futuro na companhia), no ringue tem-se destacado como o mais fraco. Muito poucas manobras (até Cena tem um leque mais vasto), uma maneira de fazer dropkicks que não me convence, um finisher que deve ser aperfeiçoado e pouco mais há a dizer. Não duvido que tenha qualidade dentro do ringue, mas está na altura de mostrar mais e melhor. Espero que tal se veja no Extreme Rules, mano a mano, contra um adversário que certamente lhe pode proporcionar o seu melhor combate desde que se estreou.

Rollins. Reigns. Ambrose. Respetivamente. São estes os homens que fazem, de momento, o Raw um espetáculo minimamente interessante de acompanhar e é em defesa deste trio que hoje me centro.

Em defesa, porque no último Raw esteve demasiado perto de acontecer algo que iria diluir parte do enorme e bem-sucedido trabalho que tem sido construído à volta dos Shield (há que dar crédito a quem o merece pelo afastamento da ligação umbilical aos Aces & 8’s) e pelos próprios Shield. Refiro-me à quase vitória de John Cena no último Raw, quando o combate se encontrava numa situação de Handicap 3 vs 1.

Reparem nas equipas de super-heróis (Cena, Ryback, Sheamus) e de lendas/futuras-lendas (Kane, Bryan, Undertaker) que The Shield têm derrotado e… John Cena derrota os Shield numa situação Handicap?!

Não sei se já foi dito antes, mas aquela história de Cena ser aquele Hércules invencível… Não presta! De certeza que esta mensagem ainda não deve ter chegado a alguns oficiais da WWE, porque só assim se explica o facto de terem quase arruinado grande parte do trabalho que foi feito, quando quase ocorreu uma vitória limpa de John Cena a eliminar e vencer todos os elementos dos Shield, um por um.

Por favor, peço-vos por tudo que há mais sagrado, imploro-vos que não me obriguem a ter de engolir outra vez mais uma onda ridícula de vitórias do Cena, não só por mim, mas pelo vosso próprio bem. Se Cena tem muitos fãs, a verdade é que muita gente acompanha a WWE para ver o próprio Cena levar tareia, perder, ser humilhado e não ser o homem que derrota os Shield, «limpinho, limpinho», sozinho (!) numa situação de 3 para 1.

A intervenção de Reigns e Rollins, evitando a vitória limpa de Cena para terminar o combate por DQ, não foi nada mais do que um alívio muito grande. Sim, os Shield não vão ficar invictos para sempre, mas seguramente que a altura para eles perderem não é esta. Porque perder por DQ… Não é bem perder.

A altura para eles serem realmente derrotados será apenas após um longo reinado enquanto Tag Team Champions que deverá começar, em condições normais (e em condições anormais também), no próximo PPV. Arrisco-me a dizer que, se não for já no Extreme Rules, será dentro das próximas semanas que Dean Ambrose arranca igualmente o ouro das mãos de Kofi e todos os elementos dos Shield estarão repletos de títulos.

Será então após uns meses de mais domínio dos Shield, que alguém lhes conquistará os Tag Team Titles (como eu gostava de ver uma tag-team face relevante a aparecer do nada) e, posteriormente, o US Championship a Dean Ambrose. Aí partirão, idealmente, para voos mais altos… Há quem fale em Money In The Bank para um dos elementos do Shield, hipótese que não me acredito nada, tanto que nem sequer os mencionei há duas semanas atrás. Não vamos apressar algo que está tão bem como está (ou vai estar no Extreme Rules) e tomar decisões precipitadas. Até porque outros valores se levantam como prioritários para passar a main-eventer, a lista de espera tem de ser atualizada.

Esperemos que a WWE continue a acreditar que a invencibilidade é, para já, um fator obrigatório no que ao panorama dos Shield diz respeito, sendo que o ouro à volta das suas cinturas será a consequência ideal desse panorama ideal. Continuem a acreditar que eles são, de facto, o presente e futuro da companhia. Continuem a acreditar que eles são a vossa grande fonte de rendimento, o vosso diamante em bruto. Continuem a acreditar neste plano e não os arruínem como aconteceu com os Nexus. Continuem a acreditar que podem estar perante uma stable que se pode tornar histórica. Para já, continuem a acreditar, keep believing

Believe in The Shield!

Sobre o Autor

- Já escrevi no espaço “Long Horn Peep Show”. Atualmente publico notícias, sou moderador do chat e ajudo no que puder o WPT a ficar cada vez melhor.

2 Comentários

  1. GJD - há 4 anos

    A wwe tem de tomar muito cuidado para não estragar o Shield igual fez com o Nexus , igual a Tna anda fazendo com os Aces, acabar com a tentação de fazer um super man vencer um grupo inteiro , não acrescentar elementos para separar o grupo, não mudar a lógica do grupo como fizeram com o Nexus que falou tanto em um líder que viria e nunca surgiu.

  2. WWEdge - há 4 anos

    I BELIEVE IN THE SHIELD :D

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