Long Horn Peep Show #7 – Arrepios na Espinha

Odeio a WWE. Que ridículo. Estou farto. Não vejo isto para me chatear. Que valente *****, é hoje que deixo de ver wrestling.

Estes pensamentos já passaram pela mente de qualquer fã, em determinado momento. Se não passaram, é porque ainda são verdinhos nestas andanças. Comigo aconteceu, como nunca antes, na noite da WrestleMania29.

Tudo começou a correr mal antes da WrestleMania propriamente dita começar. No pre-show vimos The Miz ser coroado o novo Intercontinental Champion, vitória que me deixou perplexo e incrivelmente frustrado.

Não tenho nada contra The Miz. Pelo contrário, reconheço-lhe muito talento e mérito por ter chegado tão alto na WWE. Mas a verdade é que desde que Miz se tornou face, Miz deixou de ser… Awesome. Tudo começou a tremer naquele que, à partida, tinha tudo para ser o melhor combate da história recente de todos os pre-shows: Cesaro vs Miz pelo US Championship.

No entanto, foi nessa noite que a performance de Miz desiludiu imenso e, desde então, Miz ainda não conseguiu sair da espiral negativa que rodeia os seus combates. Nesta altura, se existe algum lutador cujos combates me parecem demasiado fake de início a fim, são os de Miz. Até aquele seu típico backbreaker seguido do neckbreaker, que Miz fazia tão intensamente, tornou-se numa amostra de como não se fazer um backbreaker (inexplicavelmente agora é raro conseguir aplicar de seguida o seu neckbreaker) e mais parece ser uma forma de Miz bater com o joelho direito no tapete – deve ser para acordar a perna.

Isto, sem abordar o facto da passagem de testemunho do Figure 4 de Ric Flair para Miz ter sido completamente desadequada e forçada. Não sei que tipo de relação é que existe entre os dois (quando estão juntos parece tudo muito anti natura), mas Miz era um dos últimos lutadores que eu indicava como possíveis sucessores do lendário Figure 4. E o que mais me confunde é o facto de Miz passar a maioria dos seus combates sem fazer um único ataque às pernas dos seus adversários – os seus ataques estão concentrados na cabeça do oponente, o que faz sentido, tendo em conta que o seu finisher é o Skull Crushing Finalle – e, mesmo assim, tem ganho a maioria dos seus combates aplicando o Figure 4 (?!).

Sem desviar a rota, aqui vão os motivos pelo qual a vitória de Miz na WM29 foi triste: o combate só foi anunciado 5 dias antes da WM; Miz não teve qualquer tipo de rivalidade digna do nome com Barrett (trocaram umas bocas cinematográficas); Wade precisa muito mais, neste momento, de ser Campeão do que Miz; Miz está em má forma; Barrett está novamente a recuperar algum prestígio ao título que foi novamente empobrecido exatamente pelos reinados anteriores de Miz e Kofi; o título não pode continuar a rodar tão frequentemente de mãos, conforme aconteceu quando McIntyre perdeu o título e este caiu no ridículo até ser reabilitado por Cody Rhodes; só para reforçar a ideia, o Figure 4 de Miz NÃO convence!

Todavia, a tristeza da WM29 continuou e prolongou-se por toda a noite. De facto, bastaram-me ver os 3 primeiros combates para decifrar o que iria acontecer: os faces iriam ganhar os combates com título em jogo ou must win (Triple H); os heels iriam ganhar os combates sem nada em jogo. Porquê? Porque o grande objetivo da WWE para esta WM era, claramente, aumentar o número de fãs e (tentar) agarrar o máximo de seguidores quanto possível.

Verificando caso a caso, a vitória dos Shield era inevitável, a não ser que a WWE quisesse dar um valente tiro no pé. Tal como a vitória de Fandango, já que era o seu primeiro combate e não podia perder o ímpeto. Já a vitória de Henry (que foi a única surpreendente, descontando o pre-show), deu uma perspetiva bem clara do que seria o resto da noite…

Dessa noite, ficam para a memória algumas entradas, das quais a de CM Punk ao som live dos Living Colour foi a que mais se destacou. Até porque ocorreu sem falhas, ao contrário daqueles atrasos nos fogos-de-artifício ou daquela espuma branca que se colou a Triple H – graças a Deus pela garrafinha de água, nunca foi tão útil.

Quanto ao melhor combate… Não houve. Não consigo destacar um combate de uma WrestleMania tão pobre como a que vimos como o “melhor combate”, porque seria admitir que existiram vários bons combates, quando na verdade só um cumpriu os requisitos mínimos requeridos pelo nível de grandiosidade do espetáculo: Undertaker vs CM Punk (aqui vai o prémio de combate “menos mau” da noite), ao qual faltou uma “quase-vitória” de Punk, que aplica o GTS e leva de seguida com um Tombstone. Destaque positivo noutro combate? O facto de Lesnar não ter perdido com o Kimura, quando tudo aparentava para tal, embora o combate tenha sido demasiado sonolento até aos finishers. Isto, apesar de ambos os vencedores me terem desagradado.

Se calhar um tal poliglota tinha dado jeito… A não inclusão de Antonio Cesaro na WM foi inaceitável, bem como o facto de (quem reparou?) o 8 Mixed Tag-Team Match entre Tons of Funk, Funkadactyls vs Rhodes Scholars, Bella Twins não ter ocorrido! Ou seja, dois dos mais relevantes membros da WWE neste último ano, não tiveram o seu “WrestleMania moment”: Damien Sandow e Antonio Cesaro.

Após termos engolido aquele sapo que foi a passagem de testemunho de Rock a John Cena (só faltou mesmo acender uma tocha no final do combate), exigia-se um Raw com qualidade. Mas nem nos meus sonhos mais selvagens esperava ver o Raw que vi.

A primeira nota, como não poderia deixar de ser, vai para a multidão, para o povo que esteve presente e se fez ouvir como nunca: vocês perguntam, porque sei que estão atentos, como é que a multidão da WM29 esteve tão frouxa e a multidão do Raw foi tão incrível, se ocorreram na mesma cidade (New Jersey)? E perguntam muito bem, ávidos leitores da crónica mais badalada das sextas-feiras.

A resposta é simples: ingleses. Um conjunto de adeptos europeus viajaram de propósito para New Jersey para assistirem à WM (como tantos outros fazem). A novidade vem a seguir: esses adeptos europeus decidiram ficar para a noite seguinte, onde se fizeram ouvir num recinto mais pequeno e contagiaram toda a arena com o seu ambiente tipicamente britânico. De facto, ao longo do Raw foram visíveis várias bandeiras de Inglaterra.

Os cânticos que entoaram ao longo do Sheamus vs Orton foram simplesmente brilhantes, tendo o meu momento favorito sido (obviamente) o cântico gigante de “JBL”, evidenciando aquilo que faltou a JBL na sua carreira: um face turn, que podia e deveria ter acontecido quando este era US Champion. Há que destacar muitos outros como “RVD” (que está sem contrato), “ECW”, “Randy Savage” (outro que é grandioso sem ter Streaks, mas isso fica para outro dia) e ainda “Mike Chioda” e “Colt Cabana”, que embelezaram a noite.

Vou recordar para a eternidade o povo a cantar e a dançar o tema de Fandango, o homem que se tornou nesta última segunda-feira a personificação do encanto que rodeia o pro wrestling e que foi rapidamente julgado como “um erro anunciado”. Rico erro, venham mais destes!

Embora nunca tenha duvidado do talento deste “Enrique Iglesias da WWE”, nem da sua capacidade para se impor, nunca imaginei a quantidade de diversão que este Fandango me iria proporcionar, exponenciada obviamente pela atitude dos adeptos britânicos. Brilhante momento em que ele, após Y2J ter acertado contas, pega no microfone para dizer o seu nome adequadamente: aprende Justin Roberts!

Por isso, como sinal de agradecimento, passo aqui a mensagem que alguns desses adeptos têm divulgado pela internet: não parem de cantar e dançar ao tema de Fandango, por todas as arenas que passem o Raw! Espalhem a, já denominada, “Fandango Revolution”! No que toca a mim, contem comigo – nem que seja no conforto do sofá e/ou via Long Horn!

Partindo para a segunda nota, finalmente quebrei o longo jejum e voltei a vibrar como nunca! E logo em dose dupla! E não há prémio para quem adivinhar com o quê… As vitórias de Barrett e Dolph foram simplesmente perfeitas!

Quanto à primeira, imagino que a WWE tenha tremido a nível de correio após a WM ter terminado e/ou alguém se tenha apercebido que na altura tínhamos apenas um heel campeão (Cesaro), algo que era insustentável e que motivou a WWE a rapidamente reparar o erro (eu digo, o crime) que tinha sido cometido com a vitória de Miz. Coincidência ou não, pareceu justiça poética o BullHamer ter saído na perfeição, Barrett recuperou o que é seu por direito e deu-me um daqueles valentes arrepios na espinha, após a contagem vitoriosa.

Quanto à segunda, parabéns à WWE por ter conseguido exatamente aquilo que pretendia: ter uma grande explosão quando se ouvisse “I’m here to show the world” a caminho do cash-in e após a contagem de 3 segundos, Dolph se tornasse Campeão Mundial. Parabéns a Dolph, que bem fez por merecer esta conquista e o meu Obrigado pelo segundo momento arrepiante da noite! As suas palavras após a vitória contam a história (Farooq deve ter ficado orgulhoso):

“I have been too damn good for too damn long! (…) And it’s about damn time!”

Partindo para a terceira e última nota, nunca pensei dizer isto, mas utilizando um ditado que andou na moda até à WM: “The enemy of my enemy is my friend”. E esse “enemy of my enemy” é exatamente… Ryback. Continua a ser o mesmo que era antes do heel turn, mas quem ataca o “Johnny boy” e o manda “suck it” tem o meu apoio! Por isso, nunca pensei vir a dizer isto, mas… Obrigado Ryback!

Como de costume, JBL foi o que melhor relatou o momento e, por isso, despeço-me com uma frase da sua autoria: “Oh, this is the craziest thing I’ve been a part of! I LOVE IT!”

Ah ****-se, adoro a WWE!

 

Sobre o Autor

- Já escrevi no espaço “Long Horn Peep Show”. Atualmente publico notícias, sou moderador do chat e ajudo no que puder o WPT a ficar cada vez melhor.

7 Comentários

  1. danielLP21 - há 4 anos

    Melhor “Long Horn Peep Show” que já li até hoje.

    Não concordo apenas quando dizes que não gostaste dos resultados dos combates CM Punk vs Undertaker e Brock Lesnar vs Triple H, nomeadamente no primeiro ( o segundo era-me indiferente): é impensável que o Undertaker perca na WrestleMania, seja com quem for. Ninguém merece tal prémio. A “streak” vai durar para sempre.

    • Evan Callaway - há 4 anos

      Concordo plenamente. A streak é lendária e acabar com ela (contra quem quer que seja) seria um erro terrível.

    • |Ryback*[Feed Me More]| - há 4 anos

      So eu é que pensei que no inicio do artigo estavam a citar o fred xDD

      • danielLP21 - há 4 anos

        Por acaso também me lembrei dele xD

  2. DiBryan - há 4 anos

    falaste do fandango, nao sei s tb reparaste no cartaz k dizia FANDANGO 1-0, ainda agora só m da vontade d rir, o gajo k o levou foi um dos melhores da noite. tb kero referir grande artigo parabens

  3. TTeixeira - há 4 anos

    Concordei com tudo o que disses-te, Miz é uma nódoa como face e o Cesaro devia ser muito melhor aproveitado.
    O Ziggler mereceu sem dúvida ganhar o título, já devia ter sido mais cedo e espero que lhe deem um reinado decente e de alguns meses.
    Fandango foi uma das surpresas da noite do Raw, os fãs a cantarem a musica foi épico e espero que continue embora este ainda não me tenha convencido totalmente.

  4. Duarte_WWE - há 4 anos

    Artigo absolutamente espectacular! so n concordo em teres dito k a streak deveria ter acabado, mas compreendo que tenhas dito isso nao pelo fim da streak mas pela vitoria do punk, mas ele nao precisava desta vitoria, nem a streak merece acabar! O raw foi absolutamente epico devido ao melhor publico alguma vez visto, que como dizes era europeu na sua grande maioria e gracas ao recinto ser fechado e bem mais pequeno fez-se ouvir de uma forma ensurdecedora.
    Claro que o meu destaque deste raw vai para o cash in do ziggler, toda a gente que é fa de wrestling foi ao delirio com a vitoria do ziggler espero que tenha um grande reinado e seja um grande campeao ele merece por tudo o que tem feito #show off, e depois claro os canticos do fandango aquele video do comboio ta mm do outro mundo quem ainda n viu tem mm de ir ver! Era bom que fosse sempre assim o raw… faz-nos ver o quanto amamos a WWE! GOOOOOOOO ZIGGLER!

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