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Opinião Feminina #200 – Embellishing Reality

Tornar Brock Lesnar no campeão principal da companhia foi uma das decisões mais arrojadas que a WWE tomou nos últimos anos. Porventura, a companhia é famosa por se ter tornado complacente, algo que se tornou evidente ao longo dos últimos anos.

O conformismo da companhia para com os lucros já alcançados e a falta de pressão são constantemente tema de conversa e motivo de dor de cabeça para os seus fãs. Devido a tal, quando uma decisão desta magnitude é tomada, surgem várias dúvidas e suspeitas sobre as intenções por detrás de tal decisão e possível sucesso da mesma.

Estas dúvidas e suspeitas têm o seu fundamento e vários exemplos, alguns bastante recentes, podem ser usados. Na realidade, nem é preciso mudar de assunto para o fazer. Na mesma história em que a WWE tomou uma decisão bastante diferente do habitual, a companhia tomou outra série de decisões conformistas e preguiçosas.

Tornar Brock Lesnar no monstro imparável que este nasceu para ser foi uma decisão genial. No entanto, não se pode dizer o mesmo da decisão de tornar a rivalidade de Lesnar com John Cena apenas mais uma, onde este último ultrapassa obstáculos imaginários, aprende lições também elas imaginárias e se torna numa versão alegadamente mais madura que a anterior.

Gostaria de dizer que essa foi a única decisão conformista, mas a realidade é que referi que foi tomada uma série delas, pois por cada decisão arrojada e diferente, existem várias outras decisões tomadas que revelam uma falta de esforço e interesse horroroso.

Como é do conhecimento público, hoje realiza-se o Night of Champions, onde se irá realizar a desforra do combate histórico que John Cena e Brock Lesnar tiveram no Summerslam e mais nada de relevante. Pelo menos, mais nada em que a WWE tenha mostrado um verdadeiro interesse ou investido significativamente. O segundo combate mais interessante do evento, Roman Reigns vs. Seth Rollins, foi oferecido aos fãs de bandeja na última edição da Raw.

Se tal foi feito porque se sabia, de antemão, que Reigns iria precisar de cirurgia, não sei, pois diz-se que a cirurgia foi realizada de emergência e que este aparentava estar bem no início do dia de sábado. Todavia, não deixa de ser uma coincidência intrigante. E afinal, no mundo do engano e das ilusões, é apenas normal que conveniências do género causem desconfiança.

Não deixa de ser uma pena que a WWE não tenha interesse em mais nada senão no main-event, porque não tenho dúvidas que a qualidade dos combates de hoje tem tudo para ser elevada. The Miz vs. Dolph Ziggler, Sheamus vs. Cesaro e Usos vs. Stardust e Goldust são combates que têm o potencial de melhorar bastante a qualidade do evento, para não falar do main-event em si. Se Seth Rollins tiver oportunidade de lutar, as probabilidades deste contribuir com um excelente combate também são optimistas.

E mesmo assim, por toda a qualidade e potencial que o card e o roster têm, a WWE não consegue forçar-se a promovê-lo decentemente, mesmo quando o Título principal está nas mãos de uma estrela que os fãs irão ter raras oportunidades de ver semanalmente. Sem o campeão a aparecer regularmente e com os lugares de CM Punk e Daniel Bryan vazios, esta é uma oportunidade de ouro para deixar os restantes ter uma oportunidade.

Mas não é essa a nossa realidade.

Na nossa realidade, a WWE esforça-se demasiado para salientar na mente dos fãs que nada do que se passa, à excepção do combate principal, interessa. Afinal, essa foi a estratégia empregue na passada Raw, onde se guardou o maior momento da noite para o intervalo do jogo que a NFL estava a apresentar.

Não me interpretem mal, acho que tal decisão foi bastante inteligente. O intervalo do jogo seria o momento em que a WWE teria, em teoria, o maior número de espectadores, portanto apenas faz sentido destacar o combate mais importante do Night of Champions durante esse período de tempo.

O que não se perdoa ou entende é a necessidade de esfregar isso na cara de todos os fãs que não estavam a ver o jogo e que estavam a assistir à Raw em directo. O que não se justifica é dizer, em alto e bom som, que nada vai acontecer de interessante ou importante até ao intervalo do jogo. Aliás, tal apenas motiva os fãs a mudar de canal para o jogo, não o contrário, porque os que estão a ver o jogo não viram estes avisos.

Por muito que os lutadores tentem – o que é um ponto que também tem muito para se discutir – este é um tipo de condições bastante complicadas de combater.

Mais uma vez, os exemplos da falta de interesse e da preguiça da WWE continuam a surgir. E depois não admira que, quando as estrelas de topo abandonam a companhia ou estão lesionadas ou estão em filmagens, a companhia entre num estado de caos, onde durante um período de várias semanas não consegue apresentar nada digno do potencial que têm em mãos.

E este potencial é notório. No que toca à história principal, todos os envolvidos são absolutamente soberbos. Brock Lesnar é, entre muitas outras coisas, especial. É uma força da natureza com uma presença que comanda e manipula as atenções dos fãs sem qualquer esforço. E agora está a ser usado como sempre devia ter sido, como a besta imparável que nasceu para representar.

Agora, Brock Lesnar está na sua fase mais perigosa dos últimos anos e nem por um segundo tal deveria ser posto em causa, até ao dia em que a pessoa certa, nas circunstâncias certas, é incumbida com a tarefa de por termo a este reinado.

A representá-lo está Paul Heyman. Os elogios tecidos a Paul Heyman ao longo dos últimos anos são muitos, mas nunca parecem ser suficientes. O seu trabalho é excepcional. É o trabalho de alguém que, tal e qual o mestre manipulador que aparenta ser através dos seus sorrisos diabólicos, sabe perfeitamente o que dizer, o que fazer e sempre na altura certa.

Se Lesnar comanda as atenções dos fãs com a sua presença, Paul Heyman fá-lo com as suas palavras e gestos. E fá-lo melhor do que ninguém, actualmente. Não é qualquer personagem que raramente se envolve fisicamente numa rivalidade tem como tarefa encerrar a Raw com uma promo. Acima de tudo, não é qualquer personagem que torna um anúncio que já todos esperavam à meses digno de main-event.

Porque é isso mesmo que o trabalho de Paul Heyman é. Mais do que parte do que muitos, Paul Heyman merece estar no main-event, apenas pelo soberbo trabalho que faz sempre que lhe é dado tal destaque.

Por muito vaiado que seja, os tímidos aplausos que se ouvem no fim das suas promos são provas de como é difícil odiar a arte que Heyman faz. Mas, como o génio que é, em poucos segundos ele volta transformar este respeito e admiração em ódio. E no fundo, nós gostamos, porque é nos momentos em que este suscita o nosso ódio que nos apercebemos do quanto apreciamos o seu esforço, dedicação e incrível talento.

John Cena não lhes fica atrás. Não é qualquer um que domina o topo da companhia de Wrestling mais reconhecida do mundo durante quase uma década. John Cena é sinónimo de várias qualidades. Talento. Intensidade. Dedicação. Bondoso. A lista continua.

Nos últimos anos, tornou-se também sinónimo de algo mais complicado e menos generoso: rotina. Tudo em John Cena é uma rotina. É uma rotina bastante lucrativa, não haja dúvidas. Mas, no fim do dia, continua a ser uma rotina.

E o problema de qualquer rotina é que, por muito bem executada que seja e por muita qualidade que tenha, existe um limite para a quantidade de vezes que pode ser apreciada sem aborrecer, cansar ou exasperar os seus espectadores.

Este é o principal problema de John Cena. Não se trata de ser um vilão ou um herói. Dependendo da faixa etária que estamos a discutir, este consegue ser ambos. Trata-se de saber exactamente o que este vai dizer e fazer antes de tal acontecer. Trata-se de ver a mesma história a ser contada, vezes sem conta, sempre com as mesmas lacunas e defeitos. Trata-se de presenciar diariamente o receio de uma companhia de colocar em risco a sua maior fonte de lucro.

John Cena é mais do que bastante competente ao microfone. Embora as piadas não sejam o seu forte porque, na esmagadora maioria das vezes, não têm piada, quando John Cena trata o assunto seriamente, este relembra todos os fãs porque é que está no topo.

E os fãs reconhecem-no. É por isso que, várias vezes, acabam as promos dele a aplaudir, embora tenham começado as mesmas a vaiá-lo. Tal como no caso de Heyman, por vezes o talento e a qualidade é simplesmente demais para ser ignorado.

A sua intensidade, paixão e dedicação é evidente em todas as palavras que diz, o que toma um significado completamente diferente quando se sabe o quanto este abdica diariamente da sua vida para dar à WWE. Todos os seus sacríficos colocam as suas promos em perspectiva e dão às suas palavras um peso especial.

Aliando estas qualidades ao talento de Paul Heyman e os fãs têm segmentos de qualidade garantidos. Este é um dos exemplos de quando longos segmentos de apenas promos funcionam. Quando os intervenientes sabem o que estão a fazer e como o fazer, não há absolutamente problema nenhum em diminuir o tempo dos combates para dar mais tempo às promos.

O problema é que ultimamente muito tempo de conversa tem sido dado a quem não tem a menor capacidade de o usar decentemente. Esse aspecto tem sido uma das razões para a fraca qualidade das últimas edições da Raw.

No entanto, por muita qualidade que Paul Heyman e John Cena apresentem e por muito arrepiantes e interessantes as suas conversas sejam, a verdade é que continua a ser uma rotina. Em todas grandes rivalidades ou, pelo menos, em várias situações em que a sua durabilidade no topo possa ser colocada em causa, a colaboração de John Cena com a Fundação Make a Wish, entre outros exemplos, são trazidos para conversa.

Não estou a menosprezar – de todo – a louvável contribuição de John Cena. Aliás, todos nós devemos estar orgulhosos de ter alguém que com tão pouco consegue fazer uma diferença tão grande na vida de alguém a representar aquilo de que tanto gostamos. Também não estou a sugerir que John Cena o faça apenas para depois ter este trunfo na manga. Não é de todo o caso.

A questão é que, quando John Cena o fez pela primeira vez, lembro-me de ter ficado completamente arrepiada e com uma vontade enorme de o apoiar. Senti exactamente o que era suposto sentir dadas as circunstâncias e aquilo que vários fãs sentem, como se pode ver pelas suas reacções. Ora, só que essa reacção foi diminuindo com a quantidade de vezes que tal era mencionado. As ocasiões nem foram muitas, mas como as rivalidades sempre foram de destaque, a exposição é outra.

Este é o problema de desenvolver uma rotina. Quanto mais vezes a vemos, mais indiferentes ficamos. E, neste caso, tal é uma pena, pois as contribuições de John Cena não são, definitivamente, algo a que deveríamos estar indiferentes ou reagir exasperadamente sempre que são mencionados.

Mas lá está, a WWE não é propriamente conhecida pela sua moderação.

Outro trunfo que a WWE gosta de usar com frequência nas rivalidades de John Cena é os alegados desejos da sua audiência mais fervorosa. A WWE sabe perfeitamente que uma porção da sua audiência sabe – ou pensa que sabe – mais do que o comum fã e, normalmente, os seus desejos são sempre um pouco diferentes dos demais.

Por isso, é com bastante frequência que John Cena ou alguém em rivalidade com ele dá a entender, de forma bem descarada, que este poderia tornar-se num vilão. Este trunfo é outro que perdeu o seu lustro há muito tempo, dada a frequência com que é usado.

Antigamente, era algo que intrigava os fãs. Deixava-os a pensar se o impossível poderia mesmo tornar-se possível.

Hoje em dia, é algo recebido com relativo cepticismo. Afinal, foi tantas vezes mencionado e nunca se materializou em algo concreto.

Se a pessoa de que estamos a falar não fosse John Cena, a promo que este fez recentemente sobre a sua possível transformação seria um indício flagrante de que tal iria acontecer no pay-per-view seguinte, de forma a chocar a os fãs que tinham recebido recentemente a garantia que tal não ia acontecer.

Mas, como é de facto John Cena de quem estamos a falar, é apenas mais uma das muitas promos que este fez ao longos dos anos sobre o tópico. É algo com que a WWE gosta de provocar a sua audiência, sabendo perfeitamente que não planeia investir no assunto a sério, especialmente agora com a enorme lacuna que existe no topo do card.

Portanto, tal como a edição da Raw que a WWE gastou ao fingir que John Cena poderia ver a sua desforra contra Brock Lesnar desaparecer, sempre que a WWE fala de um possível heel-turn de John Cena, os fãs sentem que o que estão a assistir é uma perda de tempo. Para quê perder tanto tempo a falar de uma possibilidade que a companhia nem está a considerar?

No fundo, é por isto que para tantos John Cena é um vilão. Os fãs não vaiam John Cena porque este não sabe lutar ou porque é um zero ao microfone. Este já teve demasiados combates de elevada qualidade com os mais variados parceiros para a sua qualidade dentro de ringue ser questionada e ao microfone, ninguém no seu perfeito juízo tem dúvidas do que este consegue fazer.

Na realidade, nem é John Cena que os fãs estão a vaiar. Os fãs estão a vaiar a rotina a que a WWE se habituou a apresentar, onde John Cena, por coincidência das coincidências, é a peça central. Tornar John Cena num vilão seria a surpresa das surpresas, quase tão grande como o fim da Streak. É isso que os fãs sentem saudades. Não das trocas constantes de Títulos ou de ver a mesma personagem tornar-se heel, babyface e heel novamente na mesma noite.

Mas, sim da ideia que qualquer coisa, mesmo qualquer coisa, pode acontecer. Isso definia a Attitude Era. E é por isso que esse período é tão romantizado e embelezado. John Cena é a antítese dessa ideia. Se a Attitude Era é o símbolo da imprevisibilidade, John Cena é exactamente o oposto. John Cena é o símbolo de uma Era em que a WWE se tornou condescendente e sem qualquer motivação.

E por fim, o derradeiro exemplo da rotina em que John Cena se tornou é a alegada transformação a que este teve de se submeter depois de ter sofrido uma derrota chocante.

O próprio Paul Heyman, em conversa com Steve Austin, falou sobre o assunto. Aqui está um curto excerto do que disse:

“(…) It’s a fascinating time for the character of John Cena and for his audience because clearly he’s going to have to undergo some sort of evolution and transformation. And whether that detour leads him to becoming a far more aggressive character, whether that detour leads him to becoming a Paul Heyman Guy, whether that detour leads the character to shift his focus into his matches more so than having the sense of humor and being the ultimate face of the company is going to be a fascinating journey. (…)”

A derrota decisiva para Brock Lesnar no Summerslam deu à personagem de John Cena uma oportunidade de ouro – e a desculpa perfeita – para este se transformar ou simplesmente evoluir. É claro que não precisava de passar por um heel-turn.

Porém, a derrota que John Cena teve contra The Rock na Wrestlemania 28, seguido da tareia que apanhou de Brock Lesnar no Extreme Rules, também foi uma oportunidade de ouro para o fazer.

Oportunidades atrás de oportunidades são desperdiçadas para fazer uma mudança significativa e interessante, apenas porque a WWE não toma várias decisões arrojadas de uma vez só. Há riscos e riscos e John Cena não é um que estejam dispostos a tomar. Uma decisão compreensível, mas frustrante.

A suposta transformação de John Cena passou por se ausentar uma semana e regressar mais forte que nunca, dominando claramente a Wyatt Family. Os dezasseis German Suplexes não significaram nada, pois este não apresentou quaisquer mazelas físicas, o que é de estranhar, dado o poder físico de Brock Lesnar.

Dean Ambrose andou várias semanas – senão meses – com o ombro ligado e nunca esteve sujeito à quantidade de castigo e dor que Brock Lesnar infligiu a John Cena. Jack Swagger, Rusev e Jey Uso são exemplos de lutadores que ao longo dos últimos tempos têm exibido as suas mazelas, no entanto, nenhum dos três foi sujeito a um décimo do que Brock Lesnar fez a John Cena.

É verdade que John Cena está acima do comum dos mortais e que as maleitas que afectam a maioria não lhe tocam, mas não nos podemos esquecer da imagem de besta de Brock Lesnar que a WWE tem trabalhado para restaurar.

Voltar uma semana mais tarde, melhor do que nunca e a distribuir German Suplexes não é, definitivamente, forma de promover a tareia apanhada no Summerslam. E depois da forma decisiva como o combate no Summerslam foi feito, é uma pena que a WWE não tenha dado aos seus fãs mais crédito, pois ter John Cena a exibir mazelas físicas seria perfeitamente aceitável.

Portanto, ou a WWE subestima bastante a inteligência da audiência que acompanha a sua programação – o que não é de todo o único insulto que têm feito ultimamente – ou então o seu receio de colocar em risco o lucro que John Cena trás tomou proporções ainda mais absurdas.

É por isto que as histórias em que John Centa tenta procurar a redenção e precisa de passar por uma fase de reinvenção são uma pura perda de tempo e nunca resultam. Para justificar uma suposta reinvenção, John Cena precisa de perder mesmo algo com a derrota. Ou então, precisa de levar os fãs a acreditar que perdeu. Mas, a WWE não quer isso.

A WWE não quer que os fãs sequer considerem por meros segundos a possibilidade de John Cena ter perdido alguma coisa, porque no momento em que o fizerem, deixam de comprar o merchandise de John Cena e de o apoiar. Porque as grandes histórias de sucesso são aquelas em que os heróis nunca perderam nada ou simplesmente não tinham nada a perder, não é verdade?

Portanto, a WWE tenta contar a história da redenção sem a parte mais importante. Sem a parte que motiva os fãs. Sem a parte que os emociona e move. Sem a parte que torna as personagens que eles apoiam em seres humanos. E uma característica essencial de se ser humano é a imperfeição. É constante necessidade de se reinventar e melhorar, procurando todos os dias ser melhor do que se foi no dia anterior.

Sem esta dose de humanidade, não há qualquer forma dos fãs se envolverem verdadeiramente. Nem sequer há forma de acreditarem no que está a ser apresentado.

Em vez disso, a WWE prefere gastar tempo ao colocar três Lendas no ringue, a recitar de forma robótica e ridícula as falas que lhes foram incumbidas. Em vez de levar os fãs a viver e a sofrer com as tribulações de John Cena, a WWE prefere dizer-lhes o que é suposto sentirem ou pensarem. É o equivalente aos sinais que costumam aparecer à audiência num estúdio dizendo-lhes para aplaudir ou rir nas alturas apropriadas.

A WWE quer dizer aos fãs o que estes devem sentir, mas não quer deixá-los sentir por eles mesmos. Seria mais fácil para a companhia se fosse possível, mas tiraria a verdadeira emoção e magia à arte que apresentam.

Ainda bem que, mais uma vez, a WWE executou mal esta história. Porque se a tivesse executado bem, como a história merece ser executada, a desforra teria de ocorrer na Wrestlemania e John Cena teria de ganhar. E todos sabemos que John Cena é, de todos os lutadores no roster com menos de 40 anos, quem precisa menos dessa vitória.

As entrevistas a Brock Lesnar e Paul Heyman que foram gravadas e depois editadas pela equipa maravilhosa que a WWE tem – e que raramente recebe o merecido crédito – tornaram este combate na grande e antecipada luta que sempre deveria ter sido.

A intensidade de John Cena e o brilhantismo de Paul Heyman fizeram o seu papel, contribuindo de forma essencial para que os fãs não perdessem o interesse com a ausência do campeão.

Mas, nada disto conseguiu disfarçar a falta de história, falta de originalidade e, acima de tudo, a rotina em que tudo se tornou. A rotina de que a WWE não consegue fugir. Ou, pior ainda, a rotina de que a WWE não quer fugir.

Divirtam-se com o Night of Champions, não se esqueçam de apostar na League e até à próxima semana!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

40 Comentários

  1. MicaelDuarte - há 2 anos

    Excelente artigo, Salgado.

  2. Respect the Beard - há 2 anos

    Porque é que toda a gente ainda continua a equacionar o CM Punk no main-event?
    ELE FOI-SE EMBORA.
    De uma forma egoísta e não querendo saber dos fãs e nós fãs(alguns)ainda o idolatoramos.
    Simplesmente inacreditável e esta é a verdade por mais que ela doa a muita gente.

  3. Respect the Beard - há 2 anos

    De resto, grande artigo.

  4. Tunes9 - há 2 anos

    Excelente artigo, mais um tema actual e onde escreves com realismo e com as verdades, muita qualidade, gostei bastante de ler, muito bom.

    Aqui vai a minha opinião, é semelhante à tua, mas pronto.

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    Concordo que a WWE tomou uma decisão arriscada e arrojada ao escolher o Lesnar para ser campeão, mas também uma decisão acertada, e o Lesnar nasceu mesmo para ser a “besta dominadora” que tem sido e um conquistador, está a ser bem promovido, mas depois há o John Cena que foi massacrado e dominado, mas depois diz que aprendeu não sei o quê e não sei que mais, e é um Homem melhor e mais forte, mas confiante e blá, blá, blá, ninguém deveria ficar indiferente a uma coça daqueles, mas o Cena aguenta e ainda consegue sair por cima nas semanas seguintes e humilhar e “enterrar” alguns jovens talentos e isso estraga tudo e demonstra o “medo” da WWE em arriscar mais vezes, ficam em pânico com a possibilidade do Cena ser menos popular, mas isso nunca acontecerá, mas pronto.

    Também concordo que o Paul Heyman é um “Deus” do Wrestling e cumpre o seu papel na perfeição, merece todos os elogios e mais alguns, e o Main-Event é o único sitio possível para alguém como ele, e depois a WWE não ligar nenhuma aos fãs que acompanham regularmente o produto, falando na parte do intervalo do jogo de NFL, não me surpreende e não é nada que a a WWE não nos tenha habituado nos últimos tempos, mas que se há de fazer, adoramos Wrestling e queremos ver, embora não sejamos respeitados como devemos, enfim.

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    Quanto ao Cena, subscrevo e sem duvida que ele é tudo o que disseste, talvez o talento seja menor em termos de ring-skills e até em atleticismo, não força (ele tem muita), mas em termos de agilidade, impulsão e “reach”, mas continua a ser bastante bom e em tudo o resto é talento, e sobretudo um profissionalismo e dedicação como poucos.
    No entanto, a sua “gimmick” estagnou e tornou-se numa rotina de sempre a mesma coisa e isso é aborrecido e até algo irritante, sobretudo nas histórias que são sempre na mesma base, mas dá NÚMEROS à WWE e isso é o mais importante, não para nós, mas para a companhia.

    A WWE podia realmente fazer uma mudança no Cena e trazer alguma novidade à sua “gimmick”, mas não querem arriscar assim tanto a perder o seu lucro e compreende-se, eu não gosto, mas é justificável, mas daí a fazer o Cena levar uma coça de alguém dominador e depois voltar uma semana depois sem mazelas ou marcas, sem ligaduras… nada, é mau demais, visto que passa a ideia de que o Cena é sobrenatural e o Lesnar pode fazer o que quiser que nunca vai “eliminar” o Cena, pode vencer a batalhar, mas nunca a guerra e isso é mais do mesmo e desinteressante.
    O Cena não é um humano normal, é um “super-herói” e pode parecer a mesma lenga-lenga de sempre, mas é a pura verdade, a forma como é promovido e apresentado não é de uma pessoa comum, imperfeita e que tem pontos-fracos, concordo.

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    Por fim, no que toca à parte das lendas, foi mais do mesmo, para além das frases feitas e robóticas e da mesma história de sempre, tivemos o Hulk Hogan do lado do Cena e o HBK e Ric Flair contra e a dizer que o Cena não conseguiria vencer, nem devia ir a combate, mas o Cena contra tudo e contra todos vai em frente e é o maior, sempre a mesma conversa, nem mais, mas já estou cansado desta discussão, tens toda a razão.

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    Bom trabalho Salgado. :-)

    • Salgado - há 2 anos

      Muito obrigado :)

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      Sim, foi a decisão certa, não questiono isso.

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      Sim, às vezes vê-se que ele tenta inventar um pouco e o resultado final é bastante estranho ou até atrapalhado. Mesmo assim, tal é algo que não lhe podem tirar.

      E na semana em que este regressou após o Summerslam, a sua condição de super-herói ficou bastante provada.

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      Muito obrigado :)

      • Tunes9 - há 2 anos

        Não tens de quê. :-)

        Sim, sim, foi a decisão certa, mas não a que nós queremos e merecemos, concordo.

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        Pois, lá está, às vezes tenta umas powerbombs e uns dropkicks e não sai lá muito bem, mas pelo menos é profissional e dedicado e trabalha muito, vai tentando inovar e nisso merece todo o nosso respeito e admiração, não ponho isso em causa, obviamente.

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        Exactamente, nem mais, nós todos já sabíamos que ele era um “super-herói”, mas após o Summerslam essa sua condição ficou provada e OFICIALIZADA, concordo.

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        Muito Obrigado por mais um artigo de qualidade, um excelente Night of Champions para ti e desejo-te uma excelente semana, até ao próximo domingo. :-)

      • Salgado - há 2 anos

        O esforço está lá e fico contente por, pelo menos, vê-lo tentar. É mais do que muitos na sua posição fariam.

        Muito obrigado :) Até à próxima edição!

  5. CMelo01 - há 2 anos

    Excelente artigo Salgado
    A minha opinião é muito semelhante à tua

  6. David_ - há 2 anos

    Bom artigo!

    Já agora, porque removeram o disqus?

    • Foto de perfil de Facebook

      Luís Salvador - há 2 anos

      Opção. O DISQUS tem vantagens mas também tem algumas desvantagens.

      • WWEdge - há 2 anos

        Bem que eu hoje achei estranho estar a conseguir ver os comentários no telemóvel, com o DISQUS não conseguia. Provavelmente por culpa do meu telemóvel, é que ele não é muito avançado tecnologicamente :P
        Pessoalmente prefiro como está agora.

  7. Roberto ''THE VIPER'' - há 2 anos

    Excelente artigo, Salgado.

  8. Arvanix - há 2 anos

    Parabéns pelo artigo , Salgado .
    Excelente .

  9. Mafi - há 2 anos

    Bem primeiro parabéns pelas 200 edições! Um grande marco :)

    De resto concordo e subscrevo o que dizes, mesmo com a ausência do Lesnar,o Cena e o Heyman fizeram um trabalho interessante em apelar à desforra de hoje! A mim mantiveram-me interessada, fizeram o que poderam com o que tinham.

    • Salgado - há 2 anos

      Muito obrigado :)

      Não lhes foi dado muito, mas não há dúvida que o melhor que eles deram foi bastante bom.

  10. Foto de perfil de Facebook

    Luís Salvador - há 2 anos

    Muitos parabéns pelas 200 edições! Um marco que fica para a história deste site e blogosfera do Wrestling! ;)

  11. Hildo - há 2 anos

    Muitos parabéns pelas 200 edições Salgado, que venham mais 200!
    Artigo Excelente, como de costume. Não tenho nada a Acrescentar.

  12. John_3:16 - há 2 anos

    Parabéns pelo artigo Salgado!

  13. Labras - há 2 anos

    Excelente artigo, como sempre!
    E também muitos parabéns elas 200 edições Salgado.

  14. danielLP21 - há 2 anos

    Excelente artigo. Subscrevo todas as palavras.

    Muitos parabéns e obrigado por estas 200 edições. Estás a fazer História xD

  15. Francisco Edge - há 2 anos

    Excelente artigo. Partilho da mesma opinião que tu.
    E parabéns pelas 200 edições!

  16. Tibraco - há 2 anos

    Nada há a acrescentar a mais um excelente trabalho. Mas, tal como a streak, pode ser que um dia eles se passem da cabeça e tornem o Cena heel quando ninguém estiver à espera.

    Muitos parabéns pelas 200 edições. És formidável!

  17. Diogo7 - há 2 anos

    Excelente artigo, Salgado. Muitos parabéns pelas 200 edições do Opinião Feminina.

  18. JoãoRkNO - há 2 anos

    Antes de mais , muitos parabéns pelas 200 edições . Uma marca única que demonstra toda a tua entrega a este site . Em relação ao artigo , nada a acrescentar , a minha opinião vai ao encontro da tua , bom trabalho .

  19. 35antonio - há 2 anos

    Excelente artigo Salgado.

    “Rotina” é o que define esta Era e agora vão sofrer muito porque já entraram num poço que só vão conseguir sair com uma mudança drástica ao estilo da Attitude Era e mesmo assim vão precisar de muita sorte.

    Eu não estou a falar de apostar outra vez nas mulheres nuas, no sangue durante os combates, em palavrões nem nada mas sim fazerem jus às palavras do Jim Ross quando este dizia “Anything can happen in the WWE”, dar quase total liberdade aos talentos para escolherem a sua gimmick e o seu merchandise e para fazerem as suas promos, tomar atenção não só nas histórias principais mas também nas restantes e mudar a forma como tratam os talentos.

    Eu recentemente joguei a Attitude Era mode no WWE ’13, que vale mil vezes mais que o DVD que lançaram, e fiquei a pensar para a desejar que algo semelhante acontecesse agora para sentir a euforia, o encanto e o prazer que na altura todos os fãs sentiram.

    A história do herói Rattlesnake de Victoria, Texas a perder tudo e depois, sem nada a perder, ir contra o vilão McMahon e vencer foi tão atraente e tão bem conseguida que estou com inveja de todos que a testemunharam, para não falar das outras histórias que também ocorreram no mesmo período de tempo com uma excelente qualidade.

    E é isso que já não vemos. São tudo histórias apressadas para caber dentro do “horário” deles de PPV’s mensais e se são boas, são destruídas por incoerências, por terem uma longevidade desnecessária, por um mau booking, etc.. Uma das razões que a Wrestlemania 30 teve tanto sucesso foi por terem espaço e tempo (6 semanas) para criarem uma rivalidade final e credível entre Triple H e Daniel Bryan.

    A WWE ainda tentou criar a ilusão de mudança com a Wrestlemania 30 mas tanto eu como maior parte dos fãs não caíram nessa porque nós todos já sabemos o que a casa gasta e o facto é que tínhamos razão em não acreditar no que nos estava a ser apresentado.

    O que eu quero dizer com isto é: quando chegar a altura para fazer essa mudança, porque irão acabar por fazer de certeza, os fãs não vão acreditar e irão continuar desinteressados no produto. Eu que via os shows inteiros, vejo agora só os highlights no YouTube.

    Alonguei-me um bocado e grande parte do que eu disse já disseste xD

    Btw, parabéns pelas 200 edições!

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