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Opinião Feminina #252 – Brand, Ego and Nepotism

A criação de estrelas será sempre um dos assuntos mais debatidos pelos fãs da WWE. É um tópico complexo, pois não há uma resposta certa, nem uma fórmula mágica que garanta 100% de sucesso. Por vezes, aquilo que todos os motivos do mundo para resultar, falha redondamente, enquanto o mais inesperado acontece, contra todas as expectativas.

Este tópico tornou-se bastante mais debatido ao longo da última década, pois à medida que mais fãs acusavam o cansaço de verem sempre a mesma estrela no topo, mais fãs procuravam potenciais estrelas e tentavam justificar os erros que a WWE teria cometido no seu respectivo lançamento.

Ora, enquanto os fãs dedicavam o seu tempo a tentar imaginar as formas mais corretas e efetivas de criar e promover uma nova grande estrela, a companhia fazia de tudo para garantir que não voltaria a estar dependente de uma só estrela.

Imensas estrelas deixaram a sua marca na indústria, mas muito poucas conseguiram mover milhões ao ponto de tornar a indústria realmente popular fora da pequena bolha em que se encontra constantemente inserida. O Wrestling profissional não é, por norma, a forma de entretenimento mais aceite e compreendida, mas quando surgem estrelas de tal forma carismáticas que conseguem transcender os limites da indústria, este acaba por se tornar em algo a que todo o mundo presta atenção.

Os nomes mais famosos que conseguiram este feito são Hulk Hogan e Steve Austin. Cada um “explodiu,” à sua própria maneira, e levou a WWE para as bocas do mundo, gerando uma enorme onda de popularidade. O seu desaparecimento ficou marcado pela descida vertiginosa de popularidade da companhia e da indústria. Aliás, depois de Hulk Hogan, a WWE passou pelos piores anos da sua existência.

Tal não se repetiu de forma tão trágica depois do fim da WCW e das mudanças na carreira de Steve Austin, mas facto é que a popularidade da WWE continuou a descer. Primeiro, vertiginosamente, e depois bastante devagarinho. Um bocadinho mais todos os anos.

A chegada de John Cena como grande estrela gerou uma nova onda de popularidade, validando-o como alguém que consegue fazer a diferença, mas a sua onda de popularidade não se aproximou do que os seus antecessores conseguiram. De certa forma, este ajudou a estabilizar a popularidade da WWE e assim as coisas ficaram durante uns anos.

Depois do fim da WCW, das mudanças na carreira de Steve Austin e das crescentes ausências de The Rock, a WWE tentou recuperar a sua popularidade através de métodos controversos que ainda hoje assombram a companhia, pois são frequentemente usados pelos seus adversários para denegrir a sua imagem. No entanto, a WWE reagiu de forma bastante diferente à estabilização da popularidade da companhia depois do aparecimento de John Cena.

Em vez da combater, aceitou-a e dedicou-se, não à criação e lançamento de novas estrelas, mas sim à sua autopromoção. E assim surgiu um novo foco nas mudanças de vocabulário, na promoção de caridades como a Make-a-Wish, assim como a criação de novas caridades como Be-A-Star, os desafios de leitura, a parceira à fundação Susan G. Komen, entre tantas outras coisas.

Enquanto, todos nós tentávamos encontrar explicações para este ou aquele erro, para o porquê da companhia não ir prego a fundo com algumas estrelas, a companhia tentava limpar a sua imagem e promover-se de forma a erradicar a necessidade de depender de apenas uma estrela.

Depender de apenas uma estrela, por muito sucesso que essa estrela possa trazer, é arriscado. Para além de possíveis lesões e acidentes, essa estrela pode tornar-se, de um dia para o outro, persona non grata, ao envolver-se em certos escândalos que possam representar um perigo para a imagem da companhia.

Esta atitude justifica várias tendências que a WWE apresenta hoje em dia. Podemos começar pelo booking, onde a esmagadora maioria do roster troca vitórias e derrotas à vez. E não estamos a falar apenas dos midcarders que sempre tiveram poucas probabilidades de terem sucesso no futuro. Estamos a falar de estrelas com enorme potencial que, simplesmente, acabaram de se estrear. Volto a repetir o que disse há semanas, neste momento, Kevin Owens seria uma estrela bastante maior, possivelmente com maior impacto no sucesso da companhia, se não tivesse retribuído o favor a John Cena tão depressa.

Ele não está numa má posição, de todo. Nem foi arrasado. Mas, também não está ao nível que a pessoa que venceu John Cena, de forma limpa, no seu primeiro combate na WWE, deveria estar. Rebentaram a bolha de Owens, quando esta ainda estava a crescer.

Este booking, que afecta todos, com exceção das estrelas que lutam part-time e John Cena, impede que alguém consiga destacar-se. É impossível para os fãs investirem-se em alguém ou numa história durante muito tempo, porque seja qual for a vitória, existe uma enorme possibilidade que esta será imediatamente negada na semana a seguir.

Olhemos para a streak de invencibilidade de Ryback e Rusev. O caso de Ryback foi pior, pois depois de ter passado meses a vencer todos os combates, passou meses a perdê-los. Rusev não tem perdido tanto, mas tem perdido mais do que deveria perder, para alguém que passou tanto tempo a vencer e a estabelecer-se como uma força séria e dominante. John Cena provou que Rusev pode ser derrotado, mas não deveria ter provado que qualquer um o consegue fazer.

Outro especto que se tornou mais óbvio com as tentativas da companhia de limpar a sua imagem e de se autopromover é a linguagem. Com isto, estou a falar dos guiões por detrás das promos e da escolha cuidadosa das palavras.

Pessoalmente, não adoto nenhuma posição extremista, no sentido em que não deve haver guião nenhum para ninguém ou deve haver guião para todos. Acho que é bastante relativo a cada pessoa. Há pessoas que são excelentes atores e conseguem debitar um texto que foi praticado, enquanto também há quem se sinta mais à vontade e tenha maior aproveitamento só com alguns tópicos.

Desde que as pessoas consigam ser naturais, falar do coração e convencer os fãs, é-me absolutamente indiferente se o discurso foi escrito palavra a palavra e treinado ou se foi, na sua maioria, improvisado.

O problema é quando mais de vinte pessoas escrevem as promos da grande maioria do roster. Não faz sentido pessoas diferentes, com personalidades diferentes, estarem a falar da mesma forma e usarem os mesmos termos, no entanto, quando o mesmo grupo de pessoas escreve para outro grupo de pessoas, é isso que acontece. Não há diferenciação e não soa natural.  É ainda menos natural quando certas palavras escolhidas pela equipa criativa não condizem com a essência da personagem que as está a dizer.

Com o aumento da sua autopromoção, a WWE isolou-se ainda mais na sua própria bolha criando uma nova linguagem com alguns termos que as pessoas no mundo real estão destinadas a interpretar mal ou a simplesmente não usar de todo.

A história do Wrestling vs Sports Entertainment pode parecer uma embirração de fanáticos, mas a verdade é que as únicas pessoas no mundo que se referem ao Wrestling como Sports Entertainment são as pessoas da indústria que querem, à força toda, validar mais um termo da sua própria linguagem.

Não funciona, parece desesperado e fica completamente ridículo quando se vê personagens um pouco mais desequilibradas ou despreocupadas a dizê-lo. Resumindo, é algo que, por exemplo, alguém requintado e arrogante como Chris Jericho (2008/2009) diria, mas não é algo que alguém despreocupado e algo rebelde como Dean Ambrose diria. Ou alguém como Brock Lesnar, que toda a gente adora por ter esta aura de fazer o que quer e bem lhe apetece, sem se preocupar com as consequências.

Enquanto isso, o mundo fora da bolha em que a WWE vive continua a usar o termo Wrestling.

Outro termo que precisa de uma mudança séria, especialmente nos dias de hoje, é Diva. Na bolha em que a WWE vive, Diva identifica uma mulher forte, talentosa, independente, linda de morrer e capaz de dar uma coça a qualquer pessoa. No mundo real, Diva também tem um significado positivo (embora não tenha nada a ver com Wrestling), mas é frequentemente usado para descrever alguém de forma negativa.

Estes são apenas dois exemplos, mas basta ir ver promos, especialmente as de Stephanie McMahon, para encontrar mais uns quantos. É assustadora a frequência com que as estrelas da WWE falam de forma que poucos, ou ninguém fala. É apenas mais um obstáculo entre os fãs e as estrelas.

Na grande maioria das vezes, tentar promover esta linguagem resulta apenas em promos pouco naturais, especialmente quando são declamadas por alguém que nada tem a ver com a forma como fala. Ou seja, não convencem o público que a WWE já tem, nem são entendidas ou aceites pelo público que a companhia está a tentar conquistar.

Este é um dos grandes exemplos que se vê hoje em dia da forma como as estratégias de autopromoção da WWE impedem a criação de novas grandes estrelas. Mas, há mais, para além de um renovado investimento na linguagem oficial da companhia.

Como referi acima, numa tentativa de limpar a sua imagem e se promover, não só aos fãs atuais e casuais, mas também aos seus patrocinadores, a WWE associou-se a várias campanhas solidárias e promove a sua associação frequentemente.

Durante muito tempo, fiz um esforço para ignorar as constantes referências que fazem ao seu trabalho com a caridade. Primeiro, porque parecia mal reclamar com a ajuda a ações de caridade. É irritante a forma como a WWE promove o seu envolvimento, mas sejamos realistas, hoje em dia, não é fora do normal ver pessoas e companhias envolvidas em caridade para, além de ajudarem, melhorarem também a sua imagem pública.

Segundo, porque em tanta coisa que há para comentar no mundo da WWE, tal parecia ser apenas uma ninharia.

Concordo que é ridículo quando Ryback, no mesmo programa, aparece a comportar-se como um rufia e está envolvido num anúncio da campanha Be-A-Star, mas nunca acreditei que tal tivesse consequências sérias. Sempre vi tal como algo a que as pessoas simplesmente reviravam os olhos e ignoravam.

Porém, sempre houve um argumento bastante forte contra a forma como a WWE mistura a ficção e a realidade. Não faz sentido tentar fazer com que os fãs odeiem esta ou aquela estrela, apenas depois a mostrarem – no mesmo programa – a ser caridosa e, basicamente, boa pessoa.

Seja a Raw, Smackdown ou pay-per-view, todos os eventos da WWE exigem que os fãs se desliguem da realidade, de forma a se investirem nas personagens e respetivas histórias. É essencial para que o produto surta o efeito desejado, tal como qualquer filme, série de televisão ou telenovela.

Ao longo dos últimos tempos, a WWE tem tornado a tarefa mais complicada. Um dos exemplos de tal viu-se na última Raw, onde a Autoridade faz uma promo a falar da nova caridade em que a companhia está envolvida.

A Autoridade, por si só, já é uma dupla difícil de entender. Com ou sem caridades envolvidas, o que não falta são exemplos de momentos em que estes se comportam mais como heróis e menos como os vilões que são desde o início.

Cada vez mais, estes se comportam como os pais que gostam de aparecer nas festas dos filhos e fingir que são porreiros e que se sabem divertir. Aliás, eles agiram assim até nesse mesmo segmento, mesmo depois da promoção da caridade ter terminado. Resumindo, estão a roubar a atenção de todos aqueles que os rodeiam, única e exclusivamente para se promoverem, não como heróis, não como vilões, mas como as estrelas mais importantes.

Humilham, rebaixam, desvalorizam e esbofeteiam todos os vilões que não respeitam. E humilham, rebaixam, desvalorizam e esbofeteiam todos os heróis que encontram pelo seu caminho.

Quando lhes apetece, dançam com os New Day, promovem o NXT e juntam-se à DX ou Kliq para fazer algumas piadas à custa dos talentos que é suposto ajudarem. Com isto, os fãs passam grande parte do tempo sem saber como reagir.

Apoiam Triple H, porque este é uma Lenda da indústria, o responsável pelo sucesso do NXT, aquela pessoa engraçada que faz sempre umas belas piadas e contribui para a caridade, ou apupam-no só porque está a lutar contra Daniel Bryan, Sting, entre outros?

Convém relembrar que, no início do seu combate na Wrestlemania XXX com Daniel Bryan, os fãs gritaram pelos dois. Uns gritaram “Let’s go Bryan,” outros responderam com “Let’s go HHH.” A sorte é que os dois são lutadores talentosos o suficiente para manipular os fãs, de forma a obter a reacção que a história precisava e, no fim do combate, todos estavam do lado de Bryan.

Como é que é suposto os fãs investirem-se em Seth Rollins como possível herói numa rivalidade com Triple H se, na realidade, Triple H é mais vezes herói que Rollins? Ou melhor dizendo, como é que é suposto os fãs investirem-se numa rivalidade da Autoridade contra qualquer herói, se a dupla passa uma boa parte do tempo a portar-se de forma respeitável e honrosa?

Por esta ordem de ideias, estes dois anos de Autoridade não valem de nada, porque não beneficiaram ninguém. A raiva e ódio que os fãs deveriam ter passado os últimos dois anos a acumular, de forma a que o fim da Autoridade se tornasse em algo que estariam a salivar para ver e algo que vão celebrar imenso quando acontecer, dissipa-se e acaba por não ajudar ninguém.

Esse ódio e raiva nunca se transformará em apoio fervoroso pela oposição da Autoridade. Nunca se transformará no sentimento que irá lançar uma potencial nova estrela. Ao se tornarem heróis, estes sugam a energia dedicada à história e fazem reset, sem dar a alguém a oportunidade dos derrotar. Ou seja, passaram dois anos simplesmente a mostrar quão talentosos e generosos são, assim como a própria companhia.

Ora, na última Raw, não promoveram apenas a última ação de caridade em que estão envolvidos e mostraram o seu lado mais divertido com o New Day, mas deram também aos fãs aquilo que eles queriam: Sting a lutar. Depois, no main-event, comportaram-se como vilões novamente.

Como é que suposto os fãs investirem-se numa história e nas respetivas personagens, senão sabem como reagir durante grande parte do tempo às duas personagens mais importantes que a WWE tem? São as mais importantes por escolha da companhia. E, como mais importantes, afetam tudo o resto.

No fim do dia, conclui-se que não há qualquer lógica na apresentação do produto, ou respeito pela inteligência e dedicação dos fãs.

Como referi na edição passada, os membros da Autoridade não são os únicos que não conseguem decidir se são heróis ou vilões, pois as Bellas passam pelo mesmo problema. E, mais uma vez, no mesmo dia em que Nikki Bella é, supostamente, uma vilã a bater um recorde através de batota e desqualificações, esta é também promovida como uma excelente pessoa que está envolvida em várias ações de caridade.

Esta mistura da ficção e da realidade pode ajudar a WWE a autopromover-se, mas impede que os fãs se invistam no que estão a ver e sintam verdadeiro ódio ou verdadeira empatia pelas personagens em questão. Como resultado, resta a apatia, a falta de interesse e a ausência de novas estrelas.

Não admira, então, que as pessoas só sinta verdadeira empolgação quando uma estrela do passado aparece, pois esta não está contaminada pela apatia que assola o dia-a-dia da WWE.

Para as histórias em que estão envolvidos fazerem sentido e serem coerentes, não só com a visão dos fãs, mas também com o que tem sido feito ao longo dos últimos anos, a Autoridade e as Bellas precisam de ser vilões. Quando não o são, mesmo que seja só por dois minutos, tudo descarrila por completo.

Charlotte, neste momento, não tem qualquer impacto. Seth Rollins e Sting não têm qualquer impacto.

A Raw depois do Survivor Series 2014, onde Sting se estreou, teve – na primeira hora – 4.73 milhões de telespectadores. Na segunda, desceu para 3.99, quando se tornou claro que Sting não iria aparecer. Uma descida notável, porque uma porção significativa da audiência estava apenas interessada em ver Sting.

Quase um ano mais tarde, Sting luta no main-event da Raw e o evento, não só tem das piores audiências em quase vinte anos, como perde telespectadores na terceira hora.

Ora, isto é uma ocorrência normal, visto que quando chega a terceira hora os fãs já estão cansados, mas seria de esperar que na véspera do Night of Champions, os fãs estariam no mínimo interessados em ver Sting lutar, tendo em conta que seria a segunda vez que o iriam ver lutar no ringue da WWE.

Não nego que há outros fatores envolvidos que, de certeza, contribuíram para o desinteresse dos fãs. A escolha de Big Show como adversário; o hábito que os fãs têm de verem combates que parecem bons demais para acontecerem na Raw (como todas as vezes que a WWE disse que Brock Lesnar ia lutar) serem promovidos, apenas para depois não acontecerem; assim como a velha história das desqualificações e repetidas interferências.

Os fãs não tinham qualquer razão para esperar que o combate acontecesse e, caso acontecesse, acabasse de forma limpa. Mas, deveriam, pelo menos, ter tido curiosidade para ver o segundo combate de Sting na WWE. E não tiveram.

As audiências desceram para 3.36 milhões de telespectadores na terceira hora. A mesma hora em que, coincidência das coincidências, Nikki Bella iria defender o seu Título de Divas, logo no primeiro segmento.

Isto mostra que a WWE não conseguiu fazer com Sting conquistasse os novos fãs, aqueles que não faziam a mais pequena ideia de quem ele era, e também não conseguiu manter os antigos, aqueles que, por curiosidade, resolveram ver como a WWE tratava a antiga estrela da WCW.

O que é que aconteceu neste ano? Este perdeu na Wrestlemania, depois de uma construção controversa, para alguém que precisou de bastantes interferências e de uma marreta para ganhar. A história do combate (e da rivalidade) revolvia à volta da WWE provar, catorze anos depois, que de facto tinha vencido a guerra contra a WCW – como se ainda existissem dúvidas.

Depois do combate, Sting apertou a mão de Triple H em sinal de respeito. Poucas horas mais tarde, Triple H e Stephanie McMahon dirigiram-se ao ringue, rebaixaram todas as pessoas que se encontravam no roster actual, e vangloriaram-se da forma como Triple H tinha vencido Sting. Meses mais tarde, Sting continua a elogiar Triple H, como sendo alguém digno de respeito.

Qual é a lição da história? Por vezes, a forma como uma derrota é apresentada é mais prejudicial do que a derrota em si. Assim, para afagar o seu próprio ego, a WWE matou o interesse de uma das poucas atrações que tinha à sua disponibilidade e que podia ser hoje usada para validar Seth Rollins.

Seth Rollins, por sua vez, continua a ser extremamente prejudicado pela existência da Autoridade e a incapacidade que a dupla apresenta de escolher uma direção e de a manter durante longos períodos de tempo.

Este continua a ser um campeão irrelevante e inconsequente que, ao mínimo sinal de sarilhos, corre para pedir ajuda a pessoas com bastante mais influência e impacto que ele. Essas pessoas, por sua vez, deixam bem claro que são responsáveis pelo sucesso e que, por isso, podem a acabar com ele a qualquer momento.

A sua rivalidade atual, por sua vez, revolve à volta de uma estátua e de uma potencial rivalidade com Triple H, que não se faz a mais pequena ideia quando será e quem é que será o herói e o vilão. Hoje, no Night of Champions, acredito que Rollins irá manter o Título da WWE – mas, não o de Estados Unidos – e continuar a sofrer com a sua associação à Autoridade. Tal como toda a gente sofre.

No entanto, a Autoridade é apenas a dupla que personifica o verdadeiro problema que a WWE tem. Quando a WWE beneficia a Autoridade, está a fazê-lo para se beneficiar a si mesma, não só para afagar o próprio ego (como foi o caso de Sting), mas também promover a sua imagem para o exterior. Stephanie McMahon e Triple H são as últimas pessoas que a WWE corre o risco de ver envolvidas em vídeos íntimos, discursos racistas ou qualquer outro tipo de controvérsia.

O problema é que o Wrestling não é como o futebol, onde as pessoas – na maior parte – criam afeto por um clube em particular, independentemente dos jogares que tem. Quer gostem ou não dos jogadores, na maioria das vezes tal não tem qualquer impacto na dedicação ao clube.

O Wrestling é diferente. No Wrestling é preciso estrelas. É preciso que os fãs se invistam emocionalmente nas histórias das suas personagens preferidas. A apatia é inimiga do sucesso no Wrestling. Como é que, de outra forma, vão comprar as suas t-shirts e bilhetes de primeira fila, na esperança de obter um autógrafo, fotografia ou simplesmente um aperto de mão?

Foi o sucesso individual de várias estrelas que deu à WWE os seus melhores anos. Não foi uma tentativa de colocar a promoção da companhia à frente dos lutadores. É carisma, personalidade, atitude, garra, talento e paixão que, no fim do dia, fazem a diferença.

Uma coisa é certa. Enquanto a realidade e a ficção se misturarem e a autopromoção for a prioridade principal da companhia, é bastante complicado que surjam novas grandes estrelas capazes de fazer a diferença. Só não digo impossível porque, no Wrestling, nada é impossível.

Mas, neste ambiente, é um milagre se conseguirem criar uma estrela que tenha o mesmo impacto na indústria que John Cena teve/tem. E já John Cena, mesmo sendo um dos melhores de sempre, não se compara ao impacto que Steve Austin e Hulk Hogan tiveram.

Tudo isto é triste, algo compreensível e, a meu ver, a realidade.

Caso estejam interessados, podem ouvir uma antevisão ao WWE Night of Champions aqui, aqui ou aqui. Podem também seguir-nos no Facebook e no Twitter.

Espero que se divirtam, desejo a todos uma excelente semana e até à próxima edição!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

13 Comentários

  1. MicaelDuarte - há 1 ano

    Bom artigo.

  2. A WWE tá um lixo mesmo, só não para de ver por wrestlers como Rollins, Owens e Ambrose. O Raw é tão ruim que eu vejo no maximo 20 minutos e o SD não dá nem pra assistir.

    • giulio - há 1 ano

      lixo nao esta…

    • Vegeta Prince Of All Sayans - há 1 ano

      Lixo não está. Tem alguns lutadores que ainda vale a pena ver (rollins, ambrose, owens, cesaro, rusev, wyatt etc) mas tambem admito que maior parte das 3 horas que eu vejo da raw (que nao vejo ao vivo) é a fazer fast-forward até chegar às partes que mais gosto. Ja tentou ver NXT? Eu demorei para começar a ver mas estou gostanto bastante, e o Lucha Underground (agora em pausa) é o absoluto contrario da WWE.

    • Marco Túlio - há 1 ano

      Das 3 horas que raw que temos, eu devo assistir uma hora no máximo

  3. Miguel Carlos - há 1 ano

    Fantástico artigo!

  4. RFBM - há 1 ano

    Excelente artigo, Salgado, concordo contigo em quase tudo. Apenas acho que o Rollins é sem dúvida um campeão relevante, até porque (defesas limas ou não) já sobreviveu a nome como Randy Orton, Roman Reigns, Dean Ambrose, Brock Lesnar e John Cena.

    • Paige Jadebevis - há 1 ano

      Só sobreviveu do brock lesnar porque o undertaker chegou, ele estava tomando uma surra

      • danielLP21 - há 1 ano

        Mas sobreviveu. É o que fica nos registos.

  5. "Awesome" Hater - há 1 ano

    Eu vejo até o John Cena e lendas sofrendo com o booking horrível da WWE, como o do SummerSlam… Pergunto-me se isso vai continuar sendo exceção daqui alguns anos ou se tornará normal.

  6. danielLP21 - há 1 ano

    O artigo está fantástico, mas não posso concordar contigo quando escreves que o Seth Rollins é um campeão irrelevante.

    Tirando o final do Battleground, a WWE tem feito tudo para o colocar como o maior destaque da sua programação. Já derrotou/sobreviveu a grandes estrelas neste seu reinado, inclusive fez História ao tornar-se no primeiro Campeão da WWE e dos EUA.

    Se vai ser tão popular como o Cena? É impossível saber, mas não é fácil, por melhor que seja o booking e sua promoção. Os tempos mudaram, o Wrestling deixou de ser “cool” e é normal que já não haja estrelas na WWE que se possam considerar “mainstream”. Ainda assim, o Rollins esteve envolvido com o Jon Stewart, tendo revelado uma excelente química com ele, o que é um sinal de que a WWE quer mesmo fazer dele uma estrela.

    No resto, não podia concordar mais contigo.

  7. AE Guy - há 1 ano

    Sem duvidas a auto-promoção está a tornar a wwe cada vez mais previsivel e dificil de acompanhar tanto que chego a preferir, por vezes, o battle royal como o Joao Basilio, do que o show propriamente dito! É mau demais ter de suportar esta PG Era que vai completamente contra todas aquelas carateristicas que me levaram a gostar de wrestling e da wwe principalmente. Não existe star power quase nenhum, todos os wrestlers estão ao mesmo nivel, um nivel baixo diga-se, e de acordo com a ideia que a wwe nos passa constantemente nao estou nem de perto ao nivel de John Cena e dos part timmers. Isso é mau demais e prejudica imenso o negocio que está demasiado centralizado em muito poucos nomes. Não foi assim nem por causa disso que comecei a acompanhar esta modalidade. Longe vão os tempos em que havia uma infinidade de nomes de topo e com credibilidade para tal… A wwe centrou de tal forma o produto em John Cena e numa gimmick aborrecida e desinteressante que até os verdadeiros fas do Cena se voltaram contra ele. É por esses motivos que os shows agora estão repletos de crianças e nao se ve aquelas crows incriveis da AE! Aliás não se ve nada do que se via na AE! Claro que alguns criticos vão vir dizer que na AE havia mais porrada e menos qualidade nos combates mas o que nao podem negar é que foi nessa fase que o wrestling atingiu o seu pico e quando teve mais audiencias. Toda a gente conhece Hulk Hogan, Stone Cold e The Rock até mesmo quem nao ve wrestling da mesma forma que sabem quem são Cena e Randy Orton. Resto é apenas resto atualmente o que é mau demais! É verdade que nao existe ninguem na wwe atualmente com o carisma do Rock e do Austin mas com um pouco de esforço e trabalho nesse sentido a wwe poderia perfeitamente oferecer um produto com wrestlers capazes e rivalidades interessantes. Só tem é de querer. Para além disso os shows são marcados pela presença de uma autoridade ridicula que muda de comportamento conforme o vento. Confesso que fiquei euforico quando o HHH virou heel pois via ali o novo Vince e aguardava ansiosamente pelo aparecimento do novo Stone Cold. Nao foi nada disso que vi. Uma serie de acontecimentos incoerentes, historias muito mal feitas e uma storyline que tinha tudo para ser epica virou algo absolutamente irrelevante, algo que quero que acabe só porque sim e nao para a autoridade pagar, aliás se hoje mesmo desaparacessem nem ia reclamar mesmo que nao explicassem o porquê!

    A wwe precisa urgentemente de pensar um pouco e de fazer a paixão pelo wrestling prevalecer sobre os seus interesses porque oferecendo aos verdadeiros fãs aquilo que eles querem ver estes irão ver. Talvez sem PG Era nao haja tanta criançada a acompanhar mas porra para os putos que inventem um desenho animado de wrestling o pessoal quer wrestling puro, hardcore matches, sangue, combates e rivalidades historicas, maior liberdade nas promos, Brand Split, dois titulos mundiais e um verdadeiro GM. É isso que faz falta ao negocio e talvez quando a wwe tomar consciência disso e o fizer volte a ter aqueles ambientes inesqueviceis dignos da melhor era da historia da industria e da mesma forma devolva um pouco da credibilidade e do destaque que uma empresa deste nivel merece.

  8. Cadu Ito - há 1 ano

    Ótimo artigo!

    Creio que a WWE precisa se concentrar mais nas storylines e parar de repetir lutas, vide Cesaro x Owens, por exemplo, que tivemos 2 meses em todos os shows.

    Uma coisa que vejo, que as pessoas pararam de entender é que wrestling é uma novela, seja na Lucha Underground, numa independente, na TNA ou na WWE.

    Devemos aceitar isso.

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