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Opinião Feminina #260 – MexAmerica

O reinado de John Cena com o Título de Estados Unidos foi, sem sombra de dúvida, um dos grandes destaques da programação da WWE em 2015. Tal como Daniel Bryan e The Shield fizeram no passado, através do US Open Challenge, John Cena presenteou os fãs excelentes combates quase todas as semanas, tornando as três horas de Raw bastante mais toleráveis.

Não só o Título de Estados Unidos voltou a ter verdadeiro destaque e importância, dada a qualidade do talento que lutava pelo Título, como vários talentos tiveram oportunidade de se exibir e criar momentos especiais. Desde as aparições de Sami Zayn e Kevin Owens até aos combates com Cesaro, o US Open Challenge credibilizou o Título de Estados Unidos e destacou alguns dos melhores talentos que a WWE tem.

Exatamente por isso é que era extremamente importante que o reinado terminasse com toda a pompa e circunstância possível, de preferência com John Cena a passar o testemunho a uma jovem estrela. Embora o reinado tenha sido excelente e um dos destaques de 2015, o seu impacto no Título a longo termo depende bastante da forma como o reinado termina e da qualidade do reinado seguinte.

Se John Cena tiver um excelente reinado com o Título de Estados Unidos, recheado de combates fantásticos e momentos memoráveis, mas se a mudança de Título e o próximo reinado não forem nada de especial, então o Título não ganha qualquer credibilidade. John Cena teve um excelente reinado porque é John Cena, não porque o Título de Estados Unidos é especial. Se, no entanto, o Título continuar nas mãos de uma estrela de destaque e for alvo de mais um reinado empolgante e memorável, então o Título começa a recuperar alguma da sua credibilidade.

Se for alvo de uma boa série de reinados convincentes e de qualidade, o Título poderá até mesmo voltar a ter credibilidade suficiente para lançar alguém por si só. Isto tudo para dizer que a WWE corre o sério risco de ter desperdiçado tudo o que fez com o US Open Challenge ao terminar o reinado de John Cena com o Título duas vezes, sem qualquer pompa e circunstância, sem qualquer momento memorável ou um reinado promissor no horizonte.

Primeiro, o breve reinado de Seth Rollins com o Título de Estados Unidos não ajudou nenhum dos envolvidos. Num curto espaço de tempo, John Cena venceu Seth Rollins, na altura campeão principal da WWE, de forma decisiva apenas para sublinhar quem, entre os dois, era a verdadeira estrela. Não fez sentido ter John Cena a vencer talento atrás de talento durante meses, a escapar-se aos finishers de toda a gente, apenas para perder o Título para o campeão principal da companhia numa distração e voltar a vencê-lo poucas semanas depois.

Dessa forma, a WWE apenas conseguiu frisar que, embora não esteja nas luzes da ribalta, John Cena continua a ser a verdadeira estrela da companhia e todos os outros são midcarders por comparação. Não há nada nessa estratégia que faça sentido. Qual é o objetivo de tirar John Cena do main-event, se os seus substitutos irão continuar a ser tratados como midcarders? Apenas tira o interesse ao main-event e desvaloriza o Título principal.

Ter o primeiro reinado de John Cena a terminar desta forma, sem quaisquer frutos, foi uma decisão bastante questionável. No entanto, é possível que não tenha sido tão questionável como o fim do segundo do reinado.

A caminho do Hell in a Cell, John Cena rivalizou com os New Day e Dolph Ziggler, mas nunca teve uma direção bem definida ou rivalidade estabelecida. O seu combate no evento foi anunciado como sendo mais um US Open Challenge, motivando os fãs a fantasiarem com vários cenários diferentes. Sabia-se, com alguma antecedência, que John Cena se iria ausentar depois de Hell in a Cell e que, por isso, havia uma séria possibilidade deste perder o Título no evento.

Ora, numa surpresa que arrasou com muitas das fantasias dos fãs, revelou-se que Alberto Del Rio tinha feito o seu regresso à WWE e era o adversário mistério de John Cena. Não só Del Rio trouxe Zeb Colter como seu aliado, como venceu John Cena, de forma limpa, num combate rápido e se tornou o novo campeão de Estados Unidos.

Do que reparei, a reação inicial a estes desenvolvimentos não foi positiva. Pessoalmente, reagi de forma muito apática. No entanto, isto não significa que o que a WWE fez foi um erro. Tudo depende do resultado final da história de John Cena com o Título de Estados Unidos.

Compreendo a estratégia de passar o Título de Estados Unidos para uma estrela como Del Rio, apenas durante uns meses, enquanto John Cena está ausente. Desta forma, o Título não fica vago ou nas mãos de outra pessoa que, possivelmente, poderá não recuperar do facto de ser tratado como campeão de transição durante uns meses.

Faz sentido que a WWE prefira passar o Título para uma estrela já conhecida com a mínima promoção e destaque possível. Desta forma, quando John Cena regressar, este pode retomar o seu reinado como se nada tivesse acontecido. É apenas um desvio no percurso.

Não é uma estratégia empolgante, mas se a WWE tiver um plano a longo prazo que, por exemplo, envolva a Wrestlemania e uma jovem estrela, pode acabar por compensar no fim. Se o prémio final for verdadeiramente bom, então não faz sentido atirar tudo pela janela só porque John Cena se irá ausentar durante uns meses.

Seguindo esta lógica, até faz sentido que a WWE queira desvalorizar o máximo possível este período de tempo, sem promover significativamente o combate de John Cena no Hell in a Cell ou dar uma razão para a sua ausência. A receção a Del Rio tinha sido bastante pior, se a WWE tivesse promovido bastante o combate e o elemento surpresa. Se tiver algo em grande planeado para o futuro, envolvendo o Título e John Cena, então não é muito conveniente mencionar que este perdeu de forma limpa em menos de dez minutos e depois se ausentou durante meses.

Neste sentido, Alberto Del Rio é o adversário ideal, porque não há muito que a WWE possa ou consiga fazer que mude o seu estatuto aos olhos dos fãs. Del Rio tem imenso talento e carisma, mas no ambiente da WWE, este torna-se bastante aborrecido e repetitivo rapidamente. Este passou os últimos anos da sua passagem pela WWE a afundar-se cada vez mais no midcard, sem rivalidades interessantes ou momentos particularmente empolgantes. O melhor período da sua carreira foram os seus primeiros meses.

Ser um campeão de transição, enquanto John Cena se ausenta durante uns meses, não vai ter qualquer impacto negativo na carreira de Del Rio.

Todavia, existe a possibilidade de não haver plano a longo prazo. Existe a possibilidade da WWE querer, simplesmente, dar alguma credibilidade a Del Rio aquando o seu regresso. Desta forma, quando John Cena regressar, os dois rivalizam e a na fantasia distorcida que a WWE tem do seu próprio roster, Del Rio continua a ser uma estrela com impacto e o main-eventer que sempre quiseram que ele fosse.

Nesse caso, se não existe uma razão muito forte e vantajosa que justifique colocarem tudo em stand-by, então porque não fazer criar já um momento único? Criar já uma estrela?

Podia ter acontecido. Com a promoção certa e, se John Cena não tivesse passado semanas a andar em círculos com os New Day e Dolph Ziggler, a WWE poderia ter estreado e lançado uma nova estrela no Hell in a Cell. Era uma novidade, era empolgante e tinha uma rivalidade garantida com John Cena, para quando este regressasse.

O que a WWE fez no Hell in a Cell foi muito arriscado, pois se avaliarmos bem a situação, é a segunda vez num curto espaço de tempo que John Cena perde o Título de Estados Unidos sem beneficiar ninguém. Quanto mais vezes John Cena perde o Título sem quaisquer frutos ou significado, mais complicado é criar uma estrela a partir desta situação.

Não digo que, com as condições e booking perfeito, não se conseguisse lançar uma estrela na mesma, depois de todos estes falsos alarmes. Todavia, estes falsos alarmes complicam consideravelmente essa tarefa.

O problema é que acho que a WWE não olha para John Cena com o Título de Estados Unidos como uma potencial oportunidade para lançar uma nova estrela. Julgo, sinceramente, que o Título de Estados Unidos está nas mãos de John Cena para o manter entretido e relativamente forte aos olhos dos fãs, até a WWE achar que é altura este voltar ao main-event.

Se for esse o caso, então não há plano. Tudo pode acontecer e as variáveis mais importantes em jogo não são o talento certo, nem a ocasião, nem a história. Se fossem, Kevin Owens tinha vencido o Título de Estados Unidos duas semanas depois da sua estreia e ainda era, hoje, o campeão. É possível que, caso as estrelas se alinhem, a necessidade de John Cena regressar ao main-event coincida com a estreia de uma nova estrela, se crie um grande momento. Mas, como não é essa a prioridade e o foco da WWE, julgo que não existem razões para ter muitas esperanças.

Mesmo tendo em conta que, daqui a alguns meses, a situação atual do Título pode ser completamente irrelevante, facto é que o regresso de Del Rio e a forma como a WWE o tem tratado ao longo das últimas semanas não têm impressionado.

A ideia de Del Rio, um lutador de quase quarenta anos e antigo campeão da WWE, regressar e tirar o Título a John Cena, especialmente nas circunstâncias em que o fez, simplesmente não é satisfatória como caso isolado. Em todos os anosque o teve no roster, a WWE não conseguiu perceber como transformar Del Rio num indivíduo interessante durante um longo período de tempo e foi exatamente essa a imagem com que os fãs ficaram.

O próprio combate em si foi dos piores que o US Open Challenge já apresentou. Não só foi bastante rápido, como foi completamente anticlimático, pois acabou através a uma manobra que uma boa porção do roster faz várias vezes por combate.

Tudo isto faz sentido se, como referi acima, o objetivo for atrair o mínimo de atenção possível para o facto de John Cena ter perdido o Título mais uma vez e se encontrar ausente. Mas, como também disse acima, essa não é a estratégia mais empolgante, especialmente quando não há uma garantia de um prémio que compense toda esta desilusão.

Ora, Del Rio não foi o único a regressar no Hell in a Cell. Num desenvolvimento curioso, Del Rio foi apresentado por Zeb Colter, antigo rival seu. Pessoalmente, acho que nada bate a química que Del Rio e Ricardo Rodriguez tinham juntos, mas não nego que fiquei feliz por ver Zeb Colter de volta. Adoro Zeb Colter e adoro o seu método de transporte ainda mais.

Individualmente, ambos têm o potencial de ser extremamente interessantes e de contribuírem bastante para uma rivalidade. Porém, não é isso que estão a fazer juntos. Não me parece que a nação MexAmerica seja a melhor forma de explorar estes dois talentos. Pelo menos, não acho que a execução atual esteja a surtir efeito.

Como acontece a maioria das vezes, os fãs receberam bem Del Rio, depois de uma relativamente longa ausência. Também é possível que a forma como este foi despedido da WWE tenha influenciado a reação dos fãs de forma positiva. No entanto, mesmo sendo recebido de forma positiva, Del Rio comportou-se como vilão e assim tem continuado até agora.

Não acho que tal seja necessariamente um problema, porque, no caso de Del Rio, não acho que a alegria que os fãs sentiram em relação ao seu regresso fosse durar muito mais tempo. Era apenas algo que iria durar enquanto este fosse novidade.

O problema em si é que, a meu ver, este não é um vilão muito convincente. A ideia de quererem unir o melhor de duas nações diferentes não é algo desperte o ódio em relação a um vilão. A não ser que insulte, em particular, um mexicano ou um americano, não é algo que seja digno de apupos. Então para quem não é mexicano ou americano, a reação é mesmo indiferente.

É possível que isto, em breve, comece a fazer mais sentido, mas a verdade é que não há nada no discurso e apresentação desta dupla que os torne detestáveis. Pior que isso, não vejo qual pode ser o propósito da história. O que é que procuram alcançar?

Em teoria, esta dupla de vilões deveria ser ovacionada pelas suas ideias. No entanto, como agem como vilões, serão vaiados, trocando por completo a dinâmica das rivalidades. Jack Swagger, antigo vilão e xenófobo, será então o herói da rivalidade? E depois de Jack Swagger, qual é o objetivo? Sinceramente, não me parece que este plano tenha sido bem estudado. De momento, é apenas confuso e pouco eficaz.

Quando delinearam o plano para trazer Del Rio de volta, isto foi o melhor que conseguiram fazer? Uma aliança mal explicada com Zeb Colter, uma rivalidade com Jack Swagger, um mero jobber que há muito que anda desaparecido, e uma atitude ambígua?

Sou forçada a chegar à conclusão que, um ano depois deste ter sido despedido, a WWE continua sem saber como usar Del Rio. O que é uma tristeza, porque este é um talento formidável. O problema é que, como já referi, se não for bem usado, este torna-se aborrecido e repetitivo bastante depressa.

Tendo em conta que essa já era a ideia que os fãs tinham dele, visto que passou muitos anos assim, era imperativo que a WWE conseguisse fazer algo que cativasse os fãs de imediato, mal Del Rio regressasse.

Era possível que Del Rio tivesse uma passagem pela WWE mais interessante que a primeira, se bem que reservava as minhas dúvidas para o verdadeiro impacto que essa pudesse vir ter. Agora, não tenho quaisquer dúvidas, porque a cada semana que passa, a WWE mostra que não aprendeu e ainda não conseguiu explorar bem este talento. Dentro de muito em breve, Del Rio deixa de ser uma novidade e qualquer potencial que este tinha, criado pela sua ausência, desaparece.

Quando John Cena regressar, existe a possibilidade deste recuperar o Título de Estados Unidos. Caso tal aconteça, Del Rio foi um campeão de transição durante um período bastante desinteressante e confuso. Caso não aconteça, este irá ter um reinado que começou de forma confusa, anticlimática e desinteressante.

É curioso, mas, mais uma vez, a WWE colocou-se numa situação em que mais vale apostar em John Cena e devolver-lhe o Título. Ao menos, John Cena ainda irá ter a credibilidade suficiente para valorizar alguém, caso seja esse o plano da WWE. Pela rapidez com que a credibilidade de Del Rio está a desaparecer, parece-me que daqui a uns meses, este já nem isso vai ter. Espero estar enganada.

Desejo uma excelente semana a todos e até à próxima edição!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

9 Comentários

  1. MicaelDuarte - há 1 ano

    Bom artigo, Salgado.

  2. Jorge - há 1 ano

    Bom artigo.

  3. Vitor Oliveira - há 1 ano

    Excelente artigo, concordo com sua opinião.

  4. paige jadbevis - há 1 ano

    Ótimo artigo, concordo com tudo

  5. Litos - há 1 ano

    Deus queira que o Cena perca o título de vez para o Sami Zayn

  6. Gosto bastante dos seus artigos,mas embora o Cena não tenha perdido o título para nenhuma nova estrela,ele deu ao Seth Rollins algo para se vangloriar pelo resto da vida,primeiro WWE e US Champion ao mesmo tempo na história e ainda deu ao Kevin Owens uma vitória que ele se vangloriou por bastante tempo e agora a WWE tem de volta uma estrela latina que ela pensa que precisa tanto.A princípio eles queria o Carlito que foi quem tirou o US Championsip do Cena anos atrás,mas conseguiu alguém melhor:Alberto Del Rio.

  7. Dan Lannister - há 1 ano

    Ótimo artigo Salgado.

  8. RFBM - há 1 ano

    Bom artigo, é realmente uma pena se tal acontecer ao Del Rio, é um excelente wrestler que merece estar a ter bons combates e envolvido em feud interessantes.

  9. danielLP21 - há 1 ano

    Bom artigo.

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