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Opinião Feminina #289 – The End

Dentro de poucos dias, o WWE NXT irá realizar o TakeOver: The End. Embora envolva desforras e tenha até combates históricos, o evento não tem gerado muito interesse, o que não é muito normal para um TakeOver. Pessoalmente, este é o primeiro especial do NXT sem um combate que esteja particularmente interessada em ver. Não tenho dúvidas que será um sólido evento e que vários combates vão, muito provavelmente, ser excelentes, mas nenhum deles possui uma particular atração.

Existem várias razões que justificam esta situação e uma delas, talvez a mais importante de todas, é a reticência (ou incapacidade) do NXT em estrear novos talentos. Isto poderá parecer um pouco hipócrita, visto que neste mesmo evento iremos assistir à estreia de Andrade “Cien” Almas. No entanto, esta estreia – como várias outras – peca por tardia. Ao longo dos últimos meses, pelo menos duas divisões do NXT foram severamente afetadas pela falta de novos talentos – a divisão de equipas e a divisão feminina.

Antes do NXT TakeOver: Dallas, falei de Jason Jordan & Chad Gable como a melhor equipa no NXT e como a coroação da dupla como campeões tinha o potencial de começar um novo capítulo na história da divisão e ainda acredito que tal é possível, mas não vi passos a serem dados nesse sentido. Jordan & Gable são significativamente melhores que os seus adversários e para a sua coroação ajudar a divisão como um todo, estes iriam precisar de novos adversários. Ora, no próximo TakeOver, Jordan & Gable irão defender os títulos contra os Revival – equipa que já derrotaram.

Tal, analisado de forma isolada, não é um problema. O facto dos Revival terem perdido na semana anterior ao seu combate pelos títulos é desagradável e algo que esperava da programação principal da WWE, não do NXT. Não tenho problemas nenhuns com o investimento, assumo que temporário, em Gargano e Ciampa como dupla para fornecer aos campeões os seus próximos adversários, mas acho que a vitória contra os Revival não devia ter sido transmitida imediatamente antes da desforra.  Habituados a ver este tipo de situações a acontecerem na programação principal, vários fãs suspeitaram que isto iria resultar numa troca de adversários no evento. Admito que também pensei isso, mas tal não parece ser o caso.

Outra situação questionável foi a carreira da nova equipa, TM-61, começar com uma derrota. Foi uma decisão terrivelmente grave e irreversível? Não, mas tendo em conta a falta de equipas na divisão e a falta de adversários credíveis para os campeões, pareceu-me uma decisão bastante questionável. Nestas circunstâncias, o NXT não se pode dar o luxo de começar a carreira de uma nova equipa com uma derrota. Não quando precisam de equipas credíveis já!

Ambas as equipas – TM-61 e Gargano & Ciampa – deveriam ter sido protegidas à parte para desafiar os campeões ao longo das próximas edições do TakeOver. Ou melhor, talvez os TM-61 devessem ter sido protegidos e mantidos afastados o máximo possível dos campeões para, quando finalmente lutarem, os títulos trocarem de mãos e os American Alpha finalmente serem promovidos à programação principal. Em qualquer um dos cenários, marcar a primeira impressão dos TM-61 (que são talentos sob contrato, não talentos individuais que foram contratados para aquela noite) com uma derrota, em vez de pensar a longo prazo, parece-me uma má decisão.

Não vale de muito aos American Alpha ser a melhor equipa da divisão quando não existem outras equipas credíveis. A dupla merece todo o crédito pelo seu trabalho e carisma, mas a fasquia não está elevada. Como se deve calcular por este discurso, prevejo uma vitória dos campeões no TakeOver e novos adversários em Brooklyn.

Como comecei por dizer, outra divisão que precisa desesperadamente de novos talentos é a divisão feminina. Nia Jax serviu o propósito de empatar Bayley, enquanto o combate com Asuka – consideravelmente mais importante – era guardado para Dallas, e agora irá empatar Asuka, enquanto a desforra contra Bayley é guardada para Brooklyn.

E, em teoria, não há nada de errado com essa lógica. O problema é que já assistimos ao reinado de Bayley, onde esta deu oportunidades individuais a cada uma das estrelas que estão agora na divisão feminina – Eva Marie, Carmella, Alexa Bliss e Nia Jax. Tendo em conta que Bayley, não só as venceu, como sempre esteve bem claro que estes talentos ainda não estavam prontos para vencer o título, parece um pouco redundante repetir tudo novamente com Asuka. Quando se tem em consideração que Asuka continua invencível e incrivelmente dominante, tal torna-se ainda mais redundante do que já era.

A divisão feminina precisa de sangue novo. Bliss, Carmella, Jax e Eva não estão ao nível de uma Sasha Banks ou Becky Lynch que podiam aparecer repetidamente em especiais. Gosto da ideia de ir dando oportunidades a vários talentos, para exibir a sua evolução, mas chega a uma certa altura em que constantemente provar que não estão prontos apenas os prejudica.

O NXT tem imensos talentos femininos à disposição com talento e currículo para suportar a divisão, enquanto outros talentos evoluem, com várias rivalidades de qualidade. Segundo alguns relatos, alguns dos nomes que ainda não se estrearam já brilharam ao ter os melhores combates da noite em certos live events, portanto não é como se não tivessem talentos sob contrato para o fazer.

Nia Jax não precisa de provar que não está à altura do título duas vezes em tão curto espaço de tempo. Esta não tem a experiência ou o talento para convencer os fãs que realmente representa um perigo para Asuka, apesar da diferença de tamanhos, nem sequer tem o potencial de fazer frente à história que contou com Bayley em Londres.

Bayley e Asuka são heroínas completamente diferentes. Bayley brilha como “David” na luta contra Golias. Embora seja uma abordagem interessante e diferente colocar a tradicionalmente dominante Asuka como “David,” não sei se esta tem o carisma inocente e ligação com os fãs de Bayley para fazer a história funcionar tão bem. Além disso, Nia precisava de ser mais experiente e receada para a história ter verdadeiro peso. Assim como está, parece-me algo competente, mas inofensivo.

Acho que é demasiado cedo para Nia estar na contenda pelo título novamente e, definitivamente, este é um dos casos em que a divisão beneficiava de ter múltiplas rivalidades femininas ao mesmo tempo. Embora o NXT esteja muitos anos à frente da programação principal, no que toca à forma como apresenta os seus talentos femininos, a verdade é que também tem um longo caminho para percorrer.

Não faz sentido nenhum saltar de vitórias contra jobbers para combates pelo título, mesmo vencendo a antiga campeã pelo caminho. Precisa de existir um meio-termo, uma ponte de transição. Algo para manter os talentos que não estão prontos para o título ocupados. Jax precisa de rivalidades, precisa de ganhar experiência e fazer carreira. E para isso, precisa de adversárias, precisa de histórias e precisa de mais combates. Afinal, já passaram mais de oito meses desde a sua estreia.

Da primeira vez, a experiência funcionou porque os fãs têm uma ligação bastante especial com Bayley e porque esta é o tipo de heroína que brilha em situações do género. Desta vez, apesar de ter fé que irão ter um bom combate – porque é assim que o NXT funciona – não acredito que tenha um verdadeiro impacto emocional na audiência.

Não tenho dúvidas que Asuka sairá vencedora.

Também no evento teremos Shinsuke Nakamura vs Austin Aries. Este último viu a sua estreia ser extremamente ofuscada pela onda de carisma que é Shinsuke Nakamura, no entanto, é preciso ter em conta que Aries também não foi explorado da melhor forma desde o início. O problema da contratação de várias estrelas do circuito independente é que estes talentos deixam de ter personagens. São conhecidos e populares, pelo currículo que estabeleceram fora do NXT, e isso automaticamente coloca-os na posição de heróis, quando por vezes não é o melhor para eles.

Austin Aries é um desses casos. Este é alguém que precisa, desesperadamente, de se soltar como vilão, algo que lhe parece ser bastante mais natural. Algo semelhante aconteceu com Samoa Joe que, depois do histerismo inicial da sua estreia, precisou de fazer uma pausa, se reinventar e voltar a encontrar-se com a personagem que lhe assenta melhor.

Foi um processo que Apollo Crews nunca chegou a terminar, pois antes de se ter reinventado e adaptado, como personagem, foi promovido à programação principal da WWE. Mas, é um processo a que todos os novos talentos são sujeitos, a não ser que sejam terrivelmente carismáticos como Nakamura, que simplesmente já são aquilo que vão ser na WWE. Já são um produto finalizado.  Colocam-se várias questões quando talentos populares fora da WWE se estreiam. Será que a ovação se deveu à surpresa ou ao apreço dos fãs pelo talento? Será que a popularidade é verdadeira ao ponto de durar depois do histerismo inicial da estreia ou não?

É que quando se estreiam, são todos populares e todos causam choque – como se viu no caso de Eric Young. É preciso depois fazer planos para o futuro e, como se já viu em alguns combates, os fãs já não estão do lado de Aries, de forma unânime, e o combate com Nakamura é a altura ideal para o transformar num vilão – faceta que lhe assenta muito melhor. Está na altura de Aries evoluir para melhor ser aproveitado no NXT.

Não há qualquer necessidade para Shinsuke Nakamura perder no TakeOver e uma derrota irá facilitar a mudança de atitude de Aries.

Falando em estrelas vindas do circuito independente, o main-event é um combate histórico – pela primeira vez no NXT, irá ser realizado um combate de Steel Cage – entre Samoa Joe, atual campeão, e Finn Bálor. Falando em estrelas que estão à espera da sua evolução para personagens que lhe assentam melhor temos Finn Bálor. A rivalidade dos dois tem sido bastante longa, começando no TakeOver: Respect, onde venceram o torneio de equipas em memória de Dusty Rhodes, e desde Londres que têm lutado em todos os especiais. Este será o terceiro combate dos dois e, pelo nome do evento, suspeito que seja o último.

A melhor palavra que consigo arranjar para descrever esta rivalidade é “competente”.  A construção tem sido lógica e paciente, os combates têm sido excelentes.Todas as grandes decisões conseguem ser justificadas e entendidas, mesmo que não sejam aceites. O problema é que, salvo alguns momentos – como tiveram no combate em Dallas – a rivalidade não tem chama. Não tem garra ou intensidade emocional.

A ideia de um Samoa Joe imparável e implacável, como aquele que mesmo a sangrar queria continuar o ataque a Bálor, é fantástica, mas precisa de um verdadeiro, emocionante, herói para o complementar, algo que Finn Bálor não é. O problema com Finn Bálor começou logo na sua estreia. Este foi contratado com a promessa que não iria ficar muito tempo no NXT, algo que impediu quaisquer planos a longo termo. Este estreou-se com toda a sua personalidade e tornou-se num sucesso de vendas de merchandise. Isso aliado às mudanças de necessidades do NXT transformaram Bálor na cara do NXT, enquanto Bayley era o coração.

Ultimamente, tudo isso impediu que este evoluísse para o que lhe é mais natural. Este é um herói perfeitamente competente, dentro de ringue ou ao microfone, mas não é um herói que move os fãs. É alguém que se acha porreiro, não é alguém que mexe com emoções e por quem se sofre. E, infelizmente, para uma rivalidade tão longa – embora sejam apenas três especiais, já lá vão muitos meses – é preciso um desses heróis para manter a chama viva. Foi por isso que a jornada de Sami Zayn até ao topo da montanha funcionou: tinha Sami Zayn. Durou imensos meses, este lutou em vários main-events, perdeu vários combates importantes, mas manteve sempre os fãs do seu lado.

Neste caso, sinto que qualquer coisa pode fazer pender a balança e tornar Joe num favorito dos fãs. Sinto que estamos a assistir a algo superficial, mas porreiro, e não a algo sentido e verdadeiramente forte. Mais uma vez, é competente, nada mais do que isso.

O facto de Samoa Joe ter vencido o título num live event serviu o propósito de promover os live events do NXT e ajudar a bilheteira, mas também ajudou a evitar o detalhe de derrotar Bálor na sua forma demoníaca. Esse detalhe deixa-me com algumas dúvidas em relação ao vencedor no TakeOver.

Por um lado, consigo ver Samoa Joe a vencer e terminar de vez a rivalidade com Finn Bálor. Por outro, nos especiais o NXT tem tendência a dar a vitória aos heróis. É um dos aspetos fundamentais do seu booking – a decisão default é sempre a vitória do herói. Os vilões só vencem quando existe uma boa razão para tal acontecer. Não existem vitórias à vez ou trocas de resultados porque existem demasiados heróis ou vilões a vencer.

Uma vitória de Samoa Joe só faria sentido se Bálor fosse promovido de imediato, o que também não me parece provável. Embora consiga visualizar ambos os resultados, penso que Bálor vence o título, para o perder para Shinsuke Nakamura em Tóquio, durante a tour da WWE em julho.

Nessa altura, estaremos mais próximos da divisão de talentos e já a rivalidade de AJ Styles e John Cena avançou significativamente, portanto penso que será a altura mais provável para promover Bálor. Agora, enquanto o Club e Styles estão unidos contra John Cena, não há justificação para a sua presença. Daqui a um mês, com todos os desenvolvimentos do primeiro combate de Cena e Styles, talvez. E como o SmackDown passará a ser em direto dentro de poucas semanas, a altura torna-se mais propícia para a promoção de Bálor.

Ao dar a vitória a Bálor no TakeOver, o NXT consegue que o herói vença, o demónio não seja derrotado e que Bálor não fique empatado sem nada para fazer.

Não tenho dúvidas que o evento irá presentar os fãs com bons combates e que serão umas horas bem pensadas, mas o NXT TakeOver: The End não é o evento mais empolgante que o NXT já preparou. Vejo este evento como aquele em que a promoção encerra tudo o que estava pendente para começar de arromba novamente em Brooklyn. É um mal necessário. Desejo um excelente evento a todos e até à próxima edição!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

4 Comentários

  1. RFBM - há 6 meses

    Excelente artigo, concordo em parte. Acho que acabaste por exagerar em relação à Nia, os seus combates com a Bayley mostraram que ela tem potencial e não estou a dizer mentira nenhuma se disser que ela esteve soberba nos últimos tempos. Depois no main-event, prevejo uma vitória do Joe.

  2. Anónimo - há 6 meses

    Acho improvável uma derrota de balor mas seria melhor ele ficar mais um pouco no NXT

  3. NXT Fan - há 6 meses

    “A divisão feminina precisa de sangue novo. Bliss, Carmella, Jax e Eva não estão ao nível de uma Sasha Banks ou Becky Lynch que podiam aparecer repetidamente em especiais. ”

    Exatamente, os talentos femininos que tem o nível das The Four Horsewoman ainda estão se limitando a aparecer apenas nos live events ou nem isso. Depois desse TakeOver que representará o “fim” de uma geração de talentos do NXT para que apostem em outros eles precisam urgentemente usar wrestlers como Athena e Billie Kay que estão em um nível de talento superior a 90% das mulheres que estão sendo usadas agora. Mas não entendo porque essas ainda não aparecem, vai ver eles têm outros planos pra elas no futuro, mas ver wrestlers como Athena, Billie Kay e Peyton Royce (essa ainda como jobber de mulheres que não tem metade do seu talento e já vai fazer um ano que está no NXT) não sendo usadas e outros talentos bem inferiores dominando a divisão (o que acaba sendo broxante depois de virmos da “era” das four horsewomen) é bem decepcionante. E ver os combates nos circuitos independentes desses talentos que citei me deixa mais ansioso para o push que irão receber no futuro.

  4. AwesomeChampion2016 - há 6 meses

    Wrestlers femininas do NXT não faltam, Athena, Alexa, Aliyah, Mandy, Asuka, Bayley, Billie, Carmella, Deonna, Eva(TALVEZ, já que ela não está aparecendo no MR), Liv Morgan, Peyton, Santana, Sarah Dobson, Sara Lee e a Tessa Blanchard.

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