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Opinião Feminina #293 – Beat Up John Cena

Penso que se pode dizer com segurança que 2016 não será um ano que fãs da WWE irão esquecer com facilidade. Tem sido um ano cheio de reviravoltas inesperadas, anúncios bombásticos e, quando falamos da desesperada missão de lançar Roman Reigns como a próxima nova grande estrela, até histórico. 2016 começou a dar que falar mal tinha começado, assim que se tornou público que AJ Styles, Karl Anderson, Luke Gallows e Shinsuke Nakamura estavam de saída do NJPW com, possível, destino à WWE. Assim se concretizou e, de momento, estão os quatro com a companhia.

No entanto, antes de qualquer coisa estar confirmado – se é que a WWE a abordar os rumores no seu site oficial não conta como confirmação – John Cena publicou uma foto de AJ Styles no seu Instagram. Mais tarde, AJ respondeu na mesma moeda. E assim, com esta facilidade, as cartas estavam jogadas. Um dos últimos verdadeiros combates de sonho que faltava realizar via assim umas sementes serem plantadas. Os fãs – ou se calhar, só eu – salivaram e poucos meses mais tarde, tiveram aquilo que tanto queriam.

Num momento algo arrepiante, os dois conheceram-se pela primeira vez, num ringue da WWE, na noite de regresso de John Cena de lesão. Na mesma noite que todos acreditávamos que este se iria limitar a tirar o título de Estados Unidos a Rusev. O momento é agora famoso pela reação dos fãs, mas na altura estes demoraram a reagir.

Aliás, inicialmente, a maioria dos fãs acusava alguma apatia. Mas depois, tudo mudou. Apesar das reações nunca terem atingido o nível que “Stone Cold” Steve Austin popularizou ou até as que Daniel Bryan conseguia suscitar há uns anos, foi um momento incrivelmente especial e, para todos os efeitos, surpreendente.

AJ Styles, um lutador que passou mais de uma década na TNA e alguns anos a fazer nome no Japão e no circuito independente, foi, desde o primeiro dia na WWE, tratado pelos fãs como sendo uma enorme estrela e tal repetiu-se no seu confronto com John Cena. Aconteceu aquilo com que todos sonhávamos, mas não nos atrevíamos a esperar – AJ Styles foi tratado como um igual pelos fãs, enquanto partilhava o ringue com John Cena. Foi um momento especial que, ao contrário da maioria do que vimos na WWE, surgiu e evoluiu naturalmente. Este momento consagrou aquilo que AJ Styles tinha vindo a provar nos últimos meses – este tem calibre de main event na WWE.

Quando se começou a falar de uma possível ida de AJ Styles para a WWE, de imediato começaram os sonhos e os pedidos de cautela pelo subconsciente. A verdade é que existiam certos limites ao que podíamos sonhar com AJ Styles na WWE. Não só este já contava com quase quarenta anos, como andava com problemas nas costas e, acima de tudo, a WWE não era propriamente o ambiente mais simpático para um lutador da sua estatura. Quem já assistia à WWE há algum tempo sabia que não podíamos esperar, nem devíamos, muito.

Para todos os efeitos, AJ Styles não era um lutador em quem a WWE podia confiar os próximos dez anos da sua existência, portanto o melhor que podíamos esperar dele é, na verdade, o que tem acontecido – brilhantes combates no main event com as estrelas da atualidade e a realização de combates de sonho que tivemos de esperar vários anos para ver.

Depois de uma apresentação cliché, repetitiva e sem inspiração durante a época de WrestleMania, onde AJ trocava vitórias e derrotas à vez, enquanto era acusado de ser inexperiente a cada cinco segundos pelos comentadores, a sua situação melhorou um pouco depois do grande evento.

Aliás, nem deveríamos ficar muito chocados ou desiludidos pela sua derrota na WrestleMania, afinal AJ não seria um verdadeiro membro do plantel a tempo inteiro senão fizesse as honras. Podemos ver todo o incidente como um ritual de iniciação. Um ritual que, tal como todos os outros, é desnecessário e ridículo.

Depois do grande evento, AJ somou vitórias contra vários nomes, foi retratado como um herói na sua rivalidade com Roman Reigns, para detrimento deste último, e protagonizou dois combates de elevada qualidade. Combates que cimentaram ainda mais a sua posição aos olhos dos fãs e ajudaram a sua popularidade. Sim, este perdeu os combates, mas ganhou muito por ter perdido de forma tão fantástica. Não é por acaso que AJ Styles saiu da sua rivalidade com Roman Reigns com mais popularidade e credibilidade de main eventer que Dean Ambrose depois das suas vitórias contra Chris Jericho.

Não quero com isto dizer que vitórias e derrotas não têm qualquer peso – errado! – apenas que a história contada e a qualidade dos combates são fatores que não devem ser ignorados. Vitórias são necessárias, especialmente quando acontecem nos momentos certos, com a história certa, mas uma derrota não significa necessariamente o fim do mundo e o fim da credibilidade de uma estrela. É uma apresentação que precisa de ser avaliada e uma vitória (ou derrota) é uma peça fundamental dessa apresentação, como várias outras.

Quando se fala de AJ Styles na WWE não podemos dizer que tudo faz sentido ou é perfeito, mas – e podem culpar a minha paranoia e experiência como espetadora neste aspeto – esperava muito pior.

A rivalidade com John Cena, por sua vez, não foi nem melhor, nem pior, do que se esperava. Foi exatamente aquilo que passámos os últimos anos a ver, quando uma talentosa estrela vinda do circuito independente enfrenta a cara da WWE durante a última década. Salvo algumas pequenas diferenças, o que temos assistido com AJ Styles não é muito diferente do que vimos quando John Cena enfrentou CM Punk, Daniel Bryan ou Kevin Owens. Quando analisado minuciosamente, dificilmente se pode dizer que o John Cena que enfrenta talentos desta natureza é um herói honrado.

Com frequência vemos John Cena a responder a uma adversidade com palavrões e ataques à masculinidade dos seus adversários até estes finalmente aceitarem um combate ou a estipulação que John Cena quer. Esta não é uma atitude muito nobre, assim como não é decente recusar uma derrota limpa e apenas reconhecer que o seu adversário é legítimo e talentoso depois do derrotar.

John Cena é aquele amigo que todos tivemos na infância, aquele que odiava perder e usava todos os argumentos possíveis e imaginários para desvalorizar o acontecimento. É também aquele que depois de uma vitória nunca se calava, fazendo-nos considerar homicídio a uma tenra idade. Esta é a sua atitude padrão com vilões, pois com heróis John Cena aborda todo o seu trabalho na WWE e faz referência ao seu incansável e fantástico – sem ironias – trabalho com a fundação Make a Wish.

É isto que John Cena se tornou – num padrão. Até os resultados dos seus combates com favoritos dos fãs são previsíveis. John Cena pode perder um, seja de forma limpa ou questionável, mas por cada derrota que sofre consegue sempre somar uma mão cheia de vitórias. Foi assim com Bray Wyatt, Rusev, Dolph Ziggler, Kevin Owens e outros tantos.

Para além disso, assistimos também a um desvio da realidade imposta pela WWE e a várias menções de grupos, promoções ou acontecimentos considerados tabu na companhia como, por exemplo: ROH, Bullet Club, New Japan Pro Wrestling ou a implicação do termo “bury“. Afinal, quantas vezes podemos ouvir uma palavra proibida no Raw até deixarmos de ficar chocados?

Podemos sempre contar com discursos emocionados e sentidos, momentos de destaque e combates fantásticos, mas o preço a pagar por tão fantástico pacote é uma fórmula cansada que, quando repetida ad nauseam, deixa de fazer sentido. Deixa de ter qualquer peso.

Isto reflete um dos maiores problemas da WWE da última década – situação criativa. Raramente, muito raramente, a WWE consegue contar uma história com pés e cabeça, do início ao fim, com personagens bem definidas. E ainda mais raramente consegue fazê-lo de forma fresca e revigorada. A esmagadora maioria das vezes, a WWE apresenta fórmulas cansadas e inadequadas que apenas prejudicam os envolvidos e saturam os fãs. Fórmulas que perderam o seu sentido e são repetidas por pura teimosia e ficam em vigor até a WWE vencer os fãs por puro cansaço.

Para além da execução da rivalidade, podemos olhar também para a forma como o combate terminou no Money in the Bank. Apesar de AJ Styles, sob os insultos de John Cena, ter recusado um contrato que incluía The Club e assinado o contrato que estipulava um combate individual com John Cena, este acabou por receber ajuda dos amigos para vencer no Money in the Bank.

Tal como vimos há anos atrás com o combate de Steel Cage com Bray Wyatt, a WWE frequentemente apresenta estipulações com o único propósito das violar. É o que leva os fãs a não ter qualquer respeito ou interesse nas estipulações apresentadas pela companhia. Como se pode respeitar a palavra de uma companhia, a santidade de uma estipulação, se na maioria das vezes parece que são introduzidas apenas para serem violadas sem quaisquer consequência? Quando acontece raramente, o resultado é uma rivalidade acesa e intensa. Quando acontece a toda a hora, o resultado é a indiferença dos fãs ao drama de uma estipulação e enquanto AJ Styles e John Cena são estrelas grandes o suficiente para garantir uma reação, o mesmo não se aplica a outros que depois não têm a ajuda de ferramentas que a WWE desvalorizou.

O problema não foi o resultado. Vilões mentem e fazem batota. Tendo em conta que estamos a falar de AJ Styles, até ultrapassou as minhas expetativas pessoais do que a WWE iria fazer – mais uma vez, pura paranoia, o problema é, como tudo, a repetição.

Outro padrão curioso, relacionado com John Cena, é o que acontece aos seus amigos. Isto é deveras preocupante quando tomamos nota que Enzo Amore e Big Cass serão os seus parceiros no Battleground contra The Club.

Embora Enzo e Cass sejam escolhas muito mais interessantes, carismáticas e frescas que, por exemplo, os Usos, a verdade é que Cena não tem um passado simpático no que toca às amizades. Os Cryme Time ou Zack Ryder são alguns exemplos. Ora, fãs muito menos alarmistas que eu poderão defender que os Cryme Time criaram suficientes problemas nos bastidores para dificultar a sua carreira e a embirração da WWE com Zack Ryder surgiu muito antes de John Cena. Neste último caso, Ryder estava condenado de qualquer das formas e Cena apenas foi usado porque era quem a WWE queria que herdasse a popularidade de Ryder.

São argumentos plausíveis e, ultimamente, os verdadeiros culpados pelo que acontecer são os responsáveis pelo lado criativo da WWE, mas não deixa de ser outro padrão curioso. Afinal, John Cena é salvo com frequência, mas raramente aparece para salvar alguém.

Tudo nesta rivalidade se resume à execução de fórmulas cansadas. Até recentemente, quando vimos no Raw John Cena e AJ Styles lutar pela oportunidade de serem incluídos no combate pelo título no Battleground, sabíamos perfeitamente como cada combate iria acabar. Tendo em conta que os dois estão em rivalidade um com o outro, seria apenas natural que interferissem nos combates um do outro. Além disso, quem iria arruinar a poética Ameaça Tripla com todos os antigos membros do The Shield?

Estas fórmulas são rede de segurança da WWE. Aquela que assegura a companhia que a credibilidade da sua galinha dos ovos de ouro não foi beliscada. Depois de um combate onde AJ Styles teve resposta para todas as manobras de John Cena e o dominar por completo, o foco está em padrões esgotados que ignoram por completo o que foi apresentado no Money in the Bank. Fazer o contrário é demasiado arriscado, especialmente quando não existe a segurança de um herdeiro para receber o trono de Cena.

Por isso, no Battleground, é possível que The Club consigam a vitória com pin em Enzo Amore, mas é o melhor que acredito que podem conseguir. O combate será, com certeza, excelente e bastante animado com o apoio dos fãs, mas o padrão faz parte do pacote. Caso, depois do WWE Draft, AJ Styles e John Cena terminem no mesmo programa e continuem a rivalidade no SummerSlam, o resultado também não fica em dúvida.

A única dúvida é Finn Bálor e o seu envolvimento com The Club. Karl Anderson e Luke Gallows perderam bastante credibilidade ao longo dos últimos meses, depois de combates repetitivos com os Usos onde trocavam vitórias e derrotas. Embora se acreditasse, inicialmente, que tudo seria anulado quando a dupla se juntasse ao seu novo líder e começasse a sério, a verdade é que com a mudança de atitude de AJ Styles, tal tornou-se bastante mais complicado.

Como lacaios, Anderson e Gallows ainda têm os seus usos e poderão vir a ajudar bastante Finn Bálor, afinal a Wyatt Family também funciona para benefício de Bray Wyatt, enquanto Erick Rowan e companhia têm uma credibilidade bastante fraca. Não deixa de ser uma pequena desilusão que os novos brinquedos tenham perdido o lustre tão depressa, especialmente quando sonhávamos com a vinda de uma nova versão de The Shield e da eventual batalha entre os dois grupos.

Mas, é assim a vida na WWE – nem fantástica, nem terrível, apenas previsível.

Antes de me despedir, quero pedir desculpa a todos por ter falhado em produzir um artigo na semana passada. A verdade é que, depois de uma semana cansativa, onde foi complicado acompanhar tudo o que queria, não tive confiança suficiente para elaborar um artigo e não queria fazer algo apenas para preencher calendário. Agradeço a compreensão. Desejo uma excelente semana a todos e até à próxima edição!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

4 Comentários

  1. danielLP21 - há 5 meses

    Welcome back e excelente artigo.

  2. RFBM - há 5 meses

    Excelente artigo.

  3. 434 Days - há 5 meses

    Voltaste em grande. Excelente artigo.

  4. Rui Ribeiro - há 5 meses

    Excelente artigo!

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