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Opinião Feminina #314 – The proof is in the pudding

O que significa ser um Cruiserweight? Melhor ainda, o que significa ser um Cruiserweight na WWE? Recentemente, a realização do Cruiserweight Classic definiu Cruiserweight como um lutador que tem um peso máximo de, aproximadamente, 93 kg (ou 205 lbs). Devido ao sucesso do programa em questão junto dos fãs mais entusiásticos da WWE, a companhia decidiu trazer de volta a divisão de Cruiserweights com o seu próprio título, integrando-a no Raw.

A sua adição foi tratada como um trunfo que o Raw tinha contra o SmackDown na batalha pela supremacia dos programas principais da companhia.  Infelizmente, foi aí que terminou o sucesso dos Cruiserweights na WWE, pois no Raw transformaram-se em personagens unidimensionais – longe dos desenvolvimentos e momentos emocionantes que ajudaram ao sucesso do Cruiserweight Classic – a lutar em combates genéricos frente a uma audiência que não tinha razões para estar interessada. Existem várias razões que podem ser responsabilizadas pela falta de sucesso da divisão. Podemos começar pelas mais famosas – a mentalidade de Vince McMahon no que toca a estes talentos.

Sempre me opus ao regresso da divisão (e do título) de Cruiserweights porque sempre achei que seria apenas mais um título secundário que ninguém levaria a sério e tal é algo que a WWE definitivamente não precisa.  Para os Cruiserweights terem algum significado e serem tratados seriamente, a companhia precisa de mudar fundamentalmente a sua opinião sobre estes talentos.

Quando olhamos para o legado da divisão de Cruiserweights da WCW e dos excelentes combates que apresentaram, esquecemo-nos de como aqueles talentos eram tratados. Esquecemo-nos que passaram anos e anos a enfrentarem-se uns aos outros e a verem o seu futuro limitado, independentemente da qualidade dos seus combates ou da sua popularidade, porque ninguém olhava para eles como talentos dignos do combate principal da noite. Nos bastidores, ninguém se queria aproximar dos Cruiserweights e ser comparado a eles era um insulto.

Embora cada vez mais pessoas com diferentes tamanhos tenham oportunidades de chegar ao topo da WWE, no fim do dia, Vince McMahon irá apostar e investir naquilo que ele entende e prefere. Foi por isso que o Cruiserweight Classic funcionou tão bem – existiu independente de tudo.

Foi uma apresentação inovadora e diferente do que estamos habituados a ver na WWE. E apesar do foco ser a capacidade atlética dos talentos em questão, havia sempre forma de promover as personalidades de cada talento e contar a sua história. Nem que fosse com legendas! Sem esta mistura perfeita de talento e história, o torneio nunca teria sido palco para vários momentos emocionantes que mexeram com os sentimentos dos fãs. O percurso de Cedric Alexander e Brian Kendrick, o choque de Gargano e Ciampa são apenas alguns exemplos dos momentos mais emocionantes e das melhores histórias que o torneio apresentou. Histórias que existiram dentro de um ambiente principalmente competitivo e atlético.

É curioso que apenas quando está a apresentar algo que acredita que apenas os mais fanáticos vão gostar, a WWE faz o seu melhor trabalho. Pode parecer muito típico estar a dizer isto, visto que estou a elogiar aquilo que a WWE fez especificamente para me agradar, mas desafio qualquer pessoa a mostrar a série de episódios do Cruiserweight Classic a um fã casual e a ver se a pessoa gosta ou não. Quem procura WWE para ver combates de qualidade num ambiente com personagens e histórias cativantes não vai virar as costas ao Cruiserweight Classic.

Essa é a lição que a WWE ainda não aprendeu. Não era preciso conhecer todos os 32 participantes para gostar, perceber e se investir no torneio, porque o torneio tratou da apresentação. Não é preciso ser um fanático para apreciar boas histórias e ainda melhores combates num ambiente brilhantemente preparado. O mesmo se disse em tempos do NXT.

Pequenos detalhes como limite de tempo nos combates, não só facilitam as comparações a competições reais, como ajudam a tornar os combates mais credíveis. Algo muito semelhante à manobra brilhante do NXT quando Sami Zayn e Samoa Joe lutaram durante todo o episódio e os comentadores anunciaram que os combates que tinham planeado para essa noite foram adiados para a próxima semana. São detalhes como estes que tornam a apresentação destes programas ainda mais realista e, por consequência, melhor.

Na programação principal da WWE, a apresentação foi completamente diferente. Primeiro, no dia da sua estreia, o campeão esteve ausente, enquanto os restantes membros da divisão foram apresentados em grupo, como se fossem substituíveis e o General Manager (Mick Foley) fazia o seu discurso da praxe, onde celebrava sucesso ainda não conseguido e recolhia louros que não tinha merecido. De certa forma, foi bastante semelhante ao que Stephanie McMahon fez com a revolução feminina e a estreia de Charlotte, Becky Lynch e Sasha Banks. Os mesmos erros, mas com protagonistas diferentes.

A WWE não fez a sua parte. A WWE não investiu no que estava a apresentar. A WWE, simplesmente, limitou-se a colocar em ringue algumas pessoas que os fãs não conheciam para lutar pela oportunidade de enfrentar outra pessoa que também não conhecem por um título que não tem a melhor imagem junto dos fãs, visto que a companhia sempre o tratou como uma anedota. A WWE fez aquilo que lhe dava menos trabalho, como normal. Desde então, foi tudo extremamente previsível. Os Cruiserweights saíram de um ambiente controlado, inovador e inteligente do Cruiserweight Classic para o Raw, onde se contam pelos dedos de uma mão quem tem direção definida e uma história preparada para contar. Pelo caminho, em vez de se contarem histórias e desenvolver personagens transformou-se o tamanho destes lutadores em tópico de conversa.

E a realidade dos Cruiserweights é assim porque, apesar de algumas das pessoas mais populares e bem sucedidas dos últimos anos em desportos de combate terem todas o aspeto de Cruiserweights (Floyd Mayweather, Manny Pacquiao, Conor McGregor, Ronda Rousey, entre outros), Vince McMahon ainda acredita que é preciso ter-se um certo tamanho para ser uma estrela. Repito, o que significa ser um Cruiserweight? Para a WWE, ser um Cruiserweight significa ser-se pequeno, em alguns casos desinteressante e sem carisma e, em todos os casos, significa não ter o porte de campeão.

Para os Cruiserweights terem uma hipótese de ter verdadeiro sucesso na WWE, a companhia de mudar fundamentalmente a sua atitude em relação a estes talentos. A WWE precisa de aceitar que se calhar consegue fazer dinheiro com outro tipo de talentos que não o clássico moreno, alto, com muitos músculos e um olhar sedutor.

Todavia, não é apenas a mentalidade da companhia que precisa de mudar, é também a apresentação. Ser um Cruiserweight hoje em dia não é o mesmo do que ser um Cruiserweight em 1997 ou 1998. Na altura, os Cruiserweights tiveram a oportunidade de mostrar à audiência norte-americana algo que raramente tinham visto no passado – combates a ritmos alucinantes e manobras incríveis. Era o exato oposto daquilo a que os fãs estavam habituados – combates lentos e metódicos entre gigantes. Hoje em dia, este estilo não é uma novidade. Apesar de muita resistência dos chefes principais da WWE e das constantes histórias sobre tamanho, a verdade é que vários dos Cruiserweights da WCW se tornaram campeões principais na WWE. A verdade é que, hoje em dia, temos vários lutadores no topo do card que seriam considerados Cruiserweights há décadas atrás.

Quando temos AJ Styles e Seth Rollins e tantos outros no topo do card a ter combates fantásticos com excelentes acrobacias, o que é que os diferencia dos Cruiserweights da divisão? Para além de meia-dúzia de quilos? Não podemos tratar os Cruiserweights como os lutadores que vão ter o combate rápido e excitante da noite, quando quase todos os combates do card têm esse estilo ou semelhante. Nos anos 90, os Cruiserweights eram uma atração porque apresentavam algo diferente. Hoje em dia, onde está a diferença? Portanto, tendo em conta a forma como a indústria evoluiu, será possível apresentar uma divisão de Cruiserweights?

Acho que sim, acho que é perfeitamente possível, mas não se seguirmos o mesmo formato e ideias de há quinze anos atrás. A indústria mudou drasticamente desde então, portanto aplicar as mesmas fórmulas e ideias de então, no que toca à apresentação dos Cruiserweights, é uma receita para desastre.

Uma das formas de implementar a divisão de Cruiserweights é implementar categorias de peso e dividir assim os lutadores, criando títulos para cada categoria (desta forma não teria havido um drama tão grande sobre dar um título Heavyweight a Rey Mysterio) e tratando-as como igual. Como é óbvio, hoje em dia tal não é possível. A WWE limitar-se-ia a tratar a divisão de pesos pesados como a mais importante, algo que já faz de qualquer das formas. Porém é a única forma da existência da divisão de Cruiserweights ser lógica. Porque, de momento, não existe nada (talento, estilo, etc) que diferencie os lutadores da divisão dos restantes. Não podemos dizer que os Cruiserweights não têm carisma, não quando entre eles se encontra Jack Gallagher, Cedric Alexander, entre outros. Mas também não podemos dizer que só eles têm combates rápidos e empolgantes.  Não quando temos pesos pesados como Roman Reigns a fazerem dives por cima das cordas, ou temos lutadores que têm poucos quilos a mais que os Cruiserweights como Seth Rollins e AJ Styles a competirem para terem a melhor acrobacia da noite.

Não podemos continuar a definir os Cruiserweights como os pequenotes sem carisma que são capazes de combates rápidos, atléticos e empolgantes. Portanto, ou a companhia divide todo o plantel por peso e trata cada divisão com respeito, permitindo que cada talento mostre o que vale e coloque os mais talentosos e carismáticos no topo quando a altura chegar, assim aceitando que qualquer lutador, independentemente do seu tamanho ou género, lhe pode lucrar bastante dinheiro, ou então dividem-se os talentos da divisão de Cruiserweight pelo Raw e SmackDown e eles passam a fazer parte do plantel normal. A noção de Cruiserweight como ela existia há décadas atrás é que já não faz sentido nos dias de hoje, não como a indústria evoluiu.

Esta falta de identificação e organização lógica é uma das razões que ninguém levou os Cruiserweights a sério quando chegaram ao Raw. É certo que a falta de introdução criativa e investimento da WWE arrecada a maior parte da culpa, mas não vale de nada apresentar um grupo de lutadores com um nome diferente se vão fazer o mesmo que os outros. O rótulo de Cruiserweight, por si só, já prejudica estes talentos o suficiente junto dos oficiais nos bastidores, portanto eles não precisam que funcione contra eles junto dos fãs também, especialmente depois da companhia ter tentado que os fãs encarassem estes lutadores como uma anedota.

Não foram os Cruiserweights que falharam, foi a WWE. E a WWE falhou por nem sequer se dignar a tentar. Porque nada do que os Cruiserweights fizeram ao longo dos últimos meses se pode qualificar como um esforço por parte da WWE. A sua mentalidade retrógrada e a sua fixação com fórmulas e hábitos antigos que nunca fizeram sentido, mas que qualquer pessoa que não esteja completamente apaixonada pela indústria vai questionar – é tão inevitável como uma criança a perguntar aos pais de onde surgem os bebés – são problemas que a companhia se recusa a resolver.

E agora temos o 205 Live – a continuação do Cruiserweight Classic. Acredito que, eventualmente, a divisão irá resumir-se unicamente ao 205 Live e sair do Raw. Acho que foi mesmo por isso que o 205 Live foi criado, para impedir que o Raw ficasse mal na fotografia quando deixasse de ter os Cruiserweights, depois de terem feito tanta pompa e circunstância da sua inclusão.

No fim do dia, de que serviu o Cruiserweight Classic? Ora, para além de fornecer várias horas de excelentes histórias e combates emocionantes, o Cruiserweight Classic junta-se ao NXT na lista de provas que quando está a tentar criar algo que irá apelar unicamente aos mais fanáticos, a WWE consegue criar conceitos inovadores e de qualidade que renovam a paixão de qualquer fã à indústria. A WWE faz o seu melhor trabalho quando tenta agradar aos fãs que menos respeita. A prova está no Cruiserweight Classic.

Até à próxima semana!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

8 Comentários

  1. The Talker - há 5 meses

    Não quero ser repetitivo, mas não será demasiada coincidência os tais “programas para fanáticos” terem mais o dedo do Triple H?! Para mim, isto só revela que ele se está a adequar ao wrestling mais moderno, ao contrário de ficar mais preso ao passado e aos heavyweights como o Vince McMahon.

  2. Vitor Oliveira - há 5 meses

    Excelente artigo, concordo em tudo. Nunca fui a favor da volta da divisão Cruiserweight, pois penso que é inútil ter uma divisão e muito menos um titulo para ter combates nesse estilo.
    Se eu fosse da wwe tiraria essa divisão, faria a edição 2017 do CWC e posteriormente alguns ficariam no nxt e outros seriam demitidos

  3. Awesome One - há 5 meses

    Nao sei para que criaram uma divisão cruserweight sinceramente. A wwe ja é quase só cruserweights no main-event ou se nao o são perto disso andam por isso nao encontro justificação para criarem essa divisao que ja de si é totalmente descredibilizada e por muito que os fanaticos tentem forçar e elogiar os lutadores desta divisao é inegavel que o legado que deixaram é indiferente à maioria dos fas ate porque de lutadores desse perfil so rey mysterio e poucos mais chegaram ao topo.

  4. Anónimo - há 5 meses

    Para mim a melhor soluçao seria manter a divisao crwserweight no Raw mas ao mesmo tempo estes lutadores poderem subir de “categoria”. Chris Jericho, Rey Mysterio, Eddie Guerrero entre outros for lutadores que começaram como crwserweights mas chegaram a campeos mundiais e isso era algo que eu gostaria de ver nestes crwserweights mas neste momento nenhum deles tem carisma e personalidade para terem essa ascensao

  5. FFNXT - há 5 meses

    Como disseram ali em cima, depois do fim do CWC deveriam ter anunciado a edição 2017 do programa (com novos atletas) e após o fim da edição desse ano ofereceria contrato de desenvolvimento (NXT) para alguns, para que esses tenham a trajetória NXT – main roster assim como a maioria dos novatos, já que hoje em dia quase não há diferente entre um CW e um main eventer do RAW ou Smackdown. Com o direcionamento certo começando pelo NXT muitos poderiam ser futuros main eventers ou poderiam ter sucesso no roster principal em outros seguimentos como o de duplas, é só ver até onde o Finn Balor que poderia muito bem se encaixar na categoria chegou… Não existe lógica de ter um divisão CW no main roster visto o quanto o pro wrestling evoluiu e mudou durante quase duas décadas.

  6. Dobe - há 5 meses

    Uma coisa que poderia eventualmente elevar os cruiserweigths era haver algo como a opção C do titulo da x-division da TNA. Existir um ppv em que o campeão cruiserweigth podia lutar pelo titulo principal.
    Seria copiar mas a WWE e a TNA já fazem isso uma à outra várias vezes…☺

  7. LuísZiggler - há 5 meses

    Eu não posso concordar com ter os lutadores divididos por pesos. Isso impossibilitaria combates de David contra Golias, que são alguns dos meus combates preferidos e é o que dá sentido, muitas vezes, ao wrestling. Se ninguém for underdog é muito dificil para mim achar piada (Goldbergs vs Brock Lesnar ou Cena vs Roman Reigns são o tipo de combate mais entediante e desinteressante para mim).
    Por outro lado não acho o drama assim tão grande. A única coisa que a Cruiserweight Division precisa para ser credível é de boas histórias e tempo de antena. E dar-lhe tempo e benefício da dúvida. É wrestling. Não tem de ser credível, tem de nos distrair disso com boas histórias.
    Ninguém acha que o Daniel Bryan poderia sobreviver a um brock lesnar no mundo real e, no mundo do wrestling, todos acreditaríamos com todas as nossas forças. Ser “realista” nunca é um requisito para o wrestling, para mim.
    Boas histórias e tempo de antena decente sim… e aí sim, vai sempre haver um problema enquanto o Vince mandar na WWE.

  8. KILL OWENS KILL - há 5 meses

    Traduzindo: quando o Vince não mete seu dedo em nada e deixa quem entende do negócio fazer seu trabalho em paz, temos dos melhores conceitos dos últimos anos no Professional Wrestling.

    Contudo, é importante lembrar que do lado oposto ao Vince temos o HHH, que tem lá seus defeitos e qualidades também, apesar das qualidades ficarem acima dos defeitos, é sempre bom lembrar que ele não é o cara perfeitinho que todo mundo acha.

    Excelente artigo.

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