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Opinião Feminina #78 – Living Proofs of Success

A 27 de Junho de 2011 o mundo do Wrestling Profissional tremeu. Foi dado o microfone a uma das personalidades mais reais e genuínas que tocaram este mundo e ele não se fez rogado e aproveitou a deixa. Sobre tudo o que aconteceu as opiniões divergem, os pontos de vista mudam, mas uma constante é inegável: a promo que CM Punk fez lançou-o para uma dimensão que certos lutadores só sonham em conseguir alcançar.

Desde então, o seu percurso até hoje tem sido bastante discutido pelos fãs da WWE. Após ter feito a sua grande promo, ter ganho o título em Chicago, regressado à WWE semanas depois e perdido o título para Alberto Del Rio, muitos acharam que CM Punk estava a ser mal gerido pela WWE. Estava a ser inclusive sabotado pelos enormes egos que dominam aqueles bastidores.

CM Punk ainda não era apoiado com a unanimidade que é hoje após a sua promo ou sequer após o Money in the Bank. Mesmo depois deste grande ppv, CM Punk precisava de algo mais. Ele lançou-se como o rebelde que ninguém consegue calar, mas precisava de alguém que consolidasse isso e o continuasse a semear. O seu alvo não podia ser John Cena durante muito tempo. John Cena é a verdadeira e única cara da WWE e estar constantemente a apontar as falhas dele, não iria ajudar em nada.

Para isso, CM Punk precisava de uma nova vítima. CM Punk precisava de alguém que ele pudesse criticar, apontar falhas e dar ideia de que estava a fazer afirmações inéditas para que a sua imagem de rebelde se fixasse para sempre na cabeça dos fãs. CM Punk precisava de alguém cujo estatuto estivesse tão inabalável em frente dos fãs, que nenhuma crítica, por mais polémica que fosse, o pudesse abalar.

E é então que aparece Triple H. Ninguém melhor para este papel de crucificado que Triple H. Embora se concluísse que Kevin Nash era quem estava planeado para enfrentar CM Punk – o que felizmente, não aconteceu devido a problemas médicos –, foram os ataques de CM Punk a Triple H que deram uma lufada de ar fresco ao que estava a ser assistido.

Triple H é fácil de atacar. Possui assumidamente um grande ego, é casado com a filha do patrão o que inevitavelmente conduz a acusações de abuso de poder para se favorecer, favorecer outros e desfavorecer mais uns quantos. Algumas coisas são óbvias de se concluir e assumir que funcionam dessa forma, embora nunca se chegue ao fundo da questão, pois todos os lutadores possuem o seu próprio ponto de vista e forma de contar as coisas. Contudo, isso não interessa, nem sequer é relevante à história de CM Punk.

Triple H deu a CM Punk aquilo que ele precisava naquele ponto da sua carreira: realismo. Todas as suas promos pareciam shoots e a verdade é que se não tivesse tido essa série de promos com Triple H, o rótulo de rebelde que Punk possui agora podia já ter morrido de vez.

A WWE deixou que Punk agarrasse numa crítica feita pelos fãs e a esfregasse na cara de Triple H em televisão, em directo para toda a gente ver.

E embora Triple H possua o apoio ensurdecedor dos fãs na arena, não significa que eles não tenham ouvido ou pensado o que as más-línguas dizem, portanto quando viram Punk a expô-las, sentiram que estavam a ver algo de novo. Automaticamente, tudo o que Punk dizia soava a “Pipe-bomb”, embora não fossem críticas novas, e Punk consolidou assim o seu estatuto de “voz do povo” ou “the voice of the voiceless”.

Muitos dizem que o combate de Triple H e CM Punk no Night of Champions foi a forma que o ego de Triple H encontrou para se elevar ainda mais. Talvez seja, não conheço pessoalmente nenhum dos dois para fazer juízos de carácter, mas a meu ver, não é desse combate que as pessoas se lembram quando pensam nessa rivalidade. Lembram-se sim, dos comentários mordazes e trocistas que CM Punk fez acerca do passado de Triple H e acerca da sua mulher, Stephanie.

Triple H não matou o ímpeto de CM Punk, fosse ou não fosse a sua intenção. Triple H consolidou-o e aumentou-o exponencialmente. Embora se tenha debatido bem nos confrontos verbais, era CM Punk que ficava por cima pois dizia aquilo que ninguém estava à espera de ouvir em televisão. Pelo menos, é disso que eu me lembro.

CM Punk possui algo que o destaca imenso de muitos outros lutadores/personalidades e que acima de tudo, é a imagem de marca desta Era que vivemos. CM Punk possui genuinidade. CM Punk passa a imagem de que está a ser verdadeiro. Talvez até está a sê-lo, não tenho meios de comparação pois não o conheço, mas o facto que ele me consegue convencer de tal, mesmo sem o conhecer, é um ponto a seu favor.

Quanto mais reais as coisas soarem, mas a dúvida aumenta entre os fãs e por consequente a curiosidade no produto e o seu impacto.

CM Punk lançou-se como “The Voice of the Voiceless” a sua promo, Triple H consolidou essa imagem e Chris Jericho consolidou-o como main-eventer. Toda a rivalidade de Jericho e CM Punk serviu o seu propósito, tornando-o oficialmente numa das estrelas de maior relevo da WWE. Muitos podem dizer que já o era antes, mas a prova veio com a Wrestlemania, onde não só foi defender o título, como saiu bem-sucedido do mesmo.

A caminho do seu combate com Daniel Bryan, CM Punk é indiscutivelmente uma das estrelas verdadeiramente importantes e aos olhos da WWE, indispensável. Ora, a Wrestlemania 28 não foi só o sítio onde CM Punk mais uma vez se consolidou, foi também o evento onde Daniel Bryan se lançou oficialmente.

O talento de Daniel Bryan dentro de ringue é indiscutível. A meu ver, Daniel Bryan chega a ser melhor que o próprio campeão. Isto acaba por ser assim, pois Bryan literalmente desenvolveu um estilo próprio através de várias influências diferentes, com uma adição de diferentes modalidades que ainda practica hoje. Daniel Bryan é extremamente multi-facetado em ringue e perfeitamente capaz de combater com várias pessoas de estilos diferentes e adaptar-se a cada um deles. O trabalho de Bryan é brilhante, não só fisicamente, mas psicologicamente e na forma de contar a história e destaca-se sempre que o mesmo lhe é permitido. Não significa que Punk é mau, nem perto disso. CM Punk chegou onde chegou merecidamente. Ninguém lhe tira esse mérito.

E exactamente por ser facilmente um dos melhores lutadores na WWE, senão o melhor, é que o que aconteceu na Wrestlemania foi tão revoltante e frustrante.

Já o disse antes e repito: embora não seja algo que eu aprecie e ainda me faça confusão assistir, pois Wrestling foi descredibilizado em detrimento de concertos naquela noite, a verdade é que foi a melhor coisa que aconteceu a Daniel Bryan.

Daniel Bryan perdeu em 18 segundos o que mostrou exactamente o que é que ele e o seu reinado significaram para a WWE: absolutamente nada. Daniel Bryan foi, para os grandes senhores que controlam esta companhia, um campeão de transição e provavelmente, se não fossem os fãs, estaria agora no mid-card e se calhar nem combates teria tido no Extreme Rules ou no Over the Limit. Não acredito de forma alguma que tivesse sequer neste combate pelo título, afinal nem a merecida desforra lhe queriam dar.

E acima de tudo, se a WWE considerasse Daniel Bryan um adversário legítimo e alguém sério, não o teria feito perder assim no maior evento de todos.

Contudo, os fãs trocaram-lhes as voltas e não só Daniel Bryan teve direito a uma desforra em detrimento de Alberto Del Rio, um dos meninos bonitos da companhia, como agora está a lutar pelo Título da WWE contra CM Punk em pay-per-view.

A WWE pode querer continuar a ver Daniel Bryan como heel. Pode tê-lo a criticar as multidões, a maltratar os bons da fita, a ser arrogante e malvado para a AJ, basicamente, ele pode ser o maior heel da actualidade se eles quiserem. Ele já provou que o consegue ser, afinal foi o maior heel da actualidade após ter feito o cash-in da mala.

Independentemente do que a WWE quiser que ele seja, a sua popularidade não vai descer.

Seja para dizer “YES” ou “NO”, Daniel Bryan é das personalidades mais relevantes, importantes e ovacionadas da WWE, seja para apoiar ou vaiar. Enquanto assim for, ele irá estar envolvido em rivalidades interessantes e dignas de si, garantindo assim o seu lugar na companhia. A cada combate justo que tiver, Bryan irá continuar a mostrar o seu talento e mais fãs irão ficar apaixonados com as suas habilidades em ringue. Sinal  da sua popularidade crescente e da força da mesma é o facto de Bryan estar a lutar pelo título da WWE, contra uma das pessoas mais relevantes dos últimos tempos, no programa principal da WWE, a Raw.

E ainda melhor que isso, quando Daniel Bryan oficialmente virar face, a sua popularidade irá ser ainda maior, porque nessa altura, ele irá estar a apoiar as ovações que muitos fãs estão mortinhos para dar. E por vezes, não se pode dar de imediato aos fãs o que eles querem. Deve-se fazê-los esperar, semear a lealdade que sentem e incutir-lhes ainda mais o desejo de apoiar os que preferem. Tal como disse há semanas sobre a possibilidade de Bryan estar a ser sabotado pela WWE, não acredito que o estejam a fazer, mas se estivessem, só iria instigar mais o apoio dos fãs.

A verdade é que Daniel Bryan agora seria um grande babyface e provavelmente correria tudo bem para o seu lado, mas como babyface daqui a uns meses, talvez anos depois de uma grande temporada como heel, irá possuir muito mais impacto, muito mais interesse e acima de tudo, a sua popularidade irá atingir um topo inigualável até hoje na sua carreira. Afinal, os grandes lutadores e por consequente, personalidades conseguem representar qualquer papel, seja de bom da fita ou de vilão. E a verdade é que alguns dos maiores faces de sempre, foram também os maiores heels.

Exemplos? Shawn Michaels, Steve Austin, The Rock, Triple H e Edge são nomes e carreiras que simplesmente falam por si.

Basicamente, se quiserem mantê-lo como heel, apenas irão torná-lo mais popular no futuro e além disso, como top face, Bryan não possui muito espaço no main-event. Mas como top heel? É a melhor, mais bem sucedida e viável de todas as opções disponíveis. E mesmo sem verdadeira competição, Bryan é o melhor heel da actualidade. É-o desde o cash-in da sua mala de Money in the Bank.

Eu já estive preocupada com o futuro de Daniel Bryan. Já estive revoltada com o tratamento que a WWE lhe deu na Wrestlemania e embora hoje ainda me custe ver aquele início e prefira passar à frente e ignorar que aconteceu, foi um combate que garantiu a permanência de Bryan no topo e ajudou a garantir o seu enorme sucesso, grande parte dele ainda está para vir. A única pessoa que não ajudou foi aquela que a WWE queria colocar no topo a todo o custo, Sheamus.

Portanto, dois lutadores que passaram pelas Indys e que ninguém diria que chegariam onde chegaram. É inegável o talento de ambos, tal como é absolutamente inegável todo o esforço, trabalho e dedicação que tiveram de possuir para vingar num mundo que não ajuda os mais pequenos. São ambos a prova viva de que o talento e o trabalho dá os seus frutos. Um dia foram ambos tratados como apenas lutadores que agradam aos fãs da internet, como pessoas que não arrastariam multidões para os ver e que não iriam esgotar merchandise.

Hoje são tratados como duas estrelas de topo da WWE. Ambos movem milhares e obrigam esses milhares a gritar os seus nomes. Merchandise? Esgotado, não só nas suas noites de maior sucesso, mas também nas vendas normais do dia-a-dia. Desta vez, este combate será algo que não só os fãs da internet irão apreciar, mas sim algo que todos os fãs à volta do mundo querem ver, se de facto conseguem reconhecer talento dentro de ringue.

A partir de uma construção nula, a partir de um ppv que se prevê ou bastante surpreendente ou bastante previsível, irá nascer um dos candidatos a combate do ano, se a WWE assim deixar.

Embora adorasse ver Daniel Bryan a ganhar o título contra CM Punk e a partir daí, ambos desenvolverem uma rivalidade que durasse meses, não sei se é isso o caminho que a WWE pretende seguir. Penso que a falta de construção e dedicação posta neste combate é prova de que nem a WWE sabe até onde quer levar isto.

Basicamente, o quero dizer é que se este combate de facto impressionar e obtiverem grandes críticas positivas, é possível que a WWE queira arrastar isto, pelo menos até ao Money In The Bank. Ou Vince pode-se estar absolutamente a borrifar para isto e Bryan é apenas mais um candidato de transição para CM Punk.

Se a WWE quiser de facto fazer uma rivalidade entre ambos, precisa de investir em algo com uma construção sólida, algo com um início, meio e fim, o que é exactamente o que este combate não teve. A promoção foi absolutamente nula, nem sequer uma promo entre ambos houve e foi tudo decidido com Bryan a vencer um comentador!

Isto é absolutamente ridículo, especialmente depois do título da WWE ter estado tão em alta nos passados meses. Nem sequer escolheram um lutador actual para se candidatar a adversário de Punk e tudo isto foi tão anedótico quanto ver Bryan, Cody Rhodes e CM Punk num combate de Tag Team envolvendo Santino Marella. Gostava que isto se arrastasse para uma rivalidade séria, obrigando a uma construção melhor.

O Over the Limit já vai ter poucas vendas graças ao grande número de PPVs que temos tido recentemente e com esta falta de construção e empenho, não só neste combate, mas em vários outros, acabará por ser mesmo uma desilusão nesse sentido. E o que vai a WWE fazer depois? Culpar um lutador em específico, como rumores dizem que fizeram com o Miz?

Se for isso de facto que vai acontecer, então o discurso é exactamente o mesmo que se fez quando se falou do The Miz e do Survivor Series: façam construções melhores, menos ppvs e as vendas irão subir!

Ora independentemente do que acontecer no ppv no seu geral ou em como vender, este combate está destinado a ser candidato a melhor do ano. Em relação ao vencedor, acredito que a vitória vá para CM Punk. Não estou a ver a WWE a acabar um reinado tão longo e bem defendido como o de Punk num combate sem qualquer promoção ou ímpeto.Contudo posso estar enganada e devido às recentes crises de AJ, não ponho de parte uma interferência dela, seja para ajudar qualquer um dos participantes. Já o esperava no Extreme Rules e continuo a esperar no Over the Limit. Veremos se é essa a surpresa que a WWE anda a preparar, se é que há uma. Por hoje é tudo, até à próxima semana e bom ppv a todos!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

13 Comentários

  1. DX Rules - há 5 anos

    Grande artigo como sempre e espero que continues e nunca pares

  2. Mario Magalhaes - há 5 anos

    Grande artigo Salgado.

    Concordo contigo, Punk e Bryan são merecedores de estarem como lutadores de topo na WWE. Espero um grande combate, muito técnico e torço por uma vitória de CM Punk, mas não me surpreenderia com uma vitória de Bryan, pois a WWE deve começar a pensar em alguém para derrotar Punk, para que ele não se torne um novo Super-Cena.

  3. 619 D-generation X - há 5 anos

    acho que bryan conquista este cinturao

  4. Dolph Ziggler - há 5 anos

    Salgado, posso-te fazer uma pergunta? És Brasileira ou Portuguesa?

  5. Frederico_WWE - há 5 anos

    Eh lá! XD Por acaso também aprecio e muito uma mulher que goste de Wrestling e se percebe desta forma ainda melhor ahahahah mas não se iludem isto não passa de um comentário :D

  6. grilinho - há 5 anos

    acho q o punk ganha

  7. JeffHardyRules - há 5 anos

    Gosto do ptwrestling porquew normalmente os comentarios são igualmente bom aos artigos, obrigado pelas belas opinioes de todos! Muito bom conviver num meio de pessoas que entendem de warestling eu aqui novato posso aprender com todos..

  8. Ricardo Fonseca - há 5 anos

    Salgado, é mais um excelente texto, tal como ja nos habituaste.

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