Existem 2 vagas na Equipa do Wrestling PT para publicar notícias. Candidata-te!

Opinião Feminina #92 – SummerSlam Reflections II

A Wrestlemania, o Survivor Series, o Royal Rumble e o Summerslam já fizeram os seus 25 anos de existência. São, sem sombra de dúvida, os pay-per-views mais importantes da WWE. Ora, embora as surpresas e os momentos marcantes não estejam exclusivamente guardados para estes pay-per-views, a verdade é que há sempre uma dedicação especial por parte da WWE aos mesmos. Não é por acaso que as festividades da Wrestlemania e o do Summerslam duram uma semana, que o Royal Rumble é – independentemente do card – um dos pay-per-views mais esperados do ano e que, mesmo sendo o menos bem sucedido de todos, o Survivor Series ainda existe de todo.

A verdade é que nestes pay-per-views estamos habituados a esperar algo mais. E é exactamente esse algo mais que eu senti que não tivemos nesta edição do Summerslam. Mas, na tentativa de ser um pouco mais clara nesta explicação, vamos então analisar o que aconteceu ao certo no pay-per-view.

Como já vai sendo tradição, os fãs tiveram direito a um combate grátis no canal de YouTube da WWE, que viu Santino Marella a defender o seu título de Estados Unidos contra Antonio Cesaro. Este é bem possível de ter sido o combate no pré-show de pay-per-view que mais gostei até hoje.

Foi um combate simples, mas contou uma história e por vezes, é isso que falta em muitos combates. A verdade é que, embora o público esteja do lado de Santino, ninguém naquela arena me parecia extremamente interessado no combate, mas ao longo do mesmo, a atenção dos fãs foi sendo cativada pela simples questão “Conseguiria Santino recuperar a sua “Cobra” e vencer?” Como é óbvio não foi o combate da noite, nem um combate de cinco estrelas, mas serviu o propósito de animar os fãs para o pay-per-view e, pelo meio, rectificar a injustiça que o título de Estados Unidos estava a sofrer, dando-o assim a um dono mais sério.

Noto várias criticas dos fãs em como Santino Marella não é digno de lutar com Cesaro  e que uma vitória sobre ele não significa nada, e muito menos um push a este lutador recém-chegado ao roster.

Ora, eu não podia discordar mais desta noção. Santino Marella pode não possuir uma personagem séria em televisão, mas é alguém conhecido e popular entre os fãs. Quem o vence ou quem lhe tira o título – se for bem feito, como tudo no Wrestling – ganha automaticamente notoriedade junto dos fãs. E é disso que estas estrelas recém-chegadas precisam. Estas estrelas precisam de ter os olhos dos fãs postos nelas e embora Santino, ou Brodus Clay – no caso de Damien Sandow – não seja nenhum “John Cena” ou “CM Punk”, continua a ser um bom início.

Por vezes, pergunto-me se os fãs conhecem a noção de construção gradual. Querem que um lutador tenha um push, mas será que isso significa automaticamente começar pelo topo da cadeia alimentar ou será que significa construir um caminho sólido e consistente, derrubando adversários cada vez maiores a cada passo que se dá?

A meu ver, Santino é um excelente início para Antonio Cesado, assim como Brodus Clay é para Damien Sandow. No fim disto tudo, um título é salvo e lutadores que há meses não eram “ninguém”, passam a ser alguém aos olhos dos fãs, não só dos mais velhos – que pouco querem saber do que acontece a Santino ou Brodus – mas dos mais novos, que assim se apercebem da existência de novos vilões.

Depois do pré-show, está na hora do pay-per-view começar a sério e que grande combate a WWE escolheu para dar início a um promissor evento. Ora, tal como já se esperava de Chris Jericho e Dolph Ziggler, nenhum dos dois desiludiu. O combate, no pouco tempo que teve, conseguiu ser excelente. A experiência de Chris Jericho, o carisma de Dolph Ziggler e o enorme talento dos dois  foi uma mistura de sucesso. Um dos ingredientes que fez deste combate ainda mais bem-sucedido do que já era foi a reacção do público.

A ovação do público, seja negativa para um heel ou positiva para um face, é algo que ajuda os fãs em casa a envolverem-se ainda mais com aquilo que estão a ver. Embora a arena tenha estado a pender maioritariamente para o lado de Jericho, notou-se claramente que uma porção da audiência estava a apoiar Dolph Ziggler. Pode não ser a melhor coisa para um lutador cujo objectivo é ser odiado, mas sem dúvida alguma que ao menos mostra que o trabalho de Ziggler não é ignorado e que este faz a diferença.

Um dos aspectos que adorei neste combate foi o facto dos comentadores estarem constantemente a frisar que ganhar este combate significava ganhar “the big one”. Óbvio que não é um combate especialmente importante, mas estarem constantemente a frisá-lo só valoriza ambos os lutadores, especialmente Dolph Ziggler. Afinal, há vergonha em perder um combate importante quando este é contra um veterano? Só o facto de estar no combate já é uma honra e não disponível para todos.

Este combate, de surpreendente, só teve o resultado. Este era um dos combates dos quais eu pensava ter a certeza do resultado. Aliás, a maioria do card era previsível. Nunca, em qualquer momento desta história, eu pensei que Jericho pudesse de facto ganhar. No momento em que isto ocorreu, fiquei contente por Jericho ter uma vitória e porque – a meu ver – a sua derrota significava que ainda ia combater mais uma vez com Ziggler, onde iria perder. Contudo, por outro, fiquei desiludida e um pouco receosa, especialmente tendo em conta o facto que Jericho estava supostamente “lesionado”.

Afinal, Dolph Ziggler não conseguia vencer um “lesionado” Chris Jericho? Não me parece boa promoção. Se a desculpa estava lá, então porque não a aproveitaram?

É claro que as respostas vieram depois, na Raw, o que embora não tenha tido nada de surpreendente, levantou muitas críticas entre os fãs e deixou-me num dilema. A questão aqui é: deveria ter ocorrido no Summerslam a despedida de Chris Jericho ou deveria ter ficado na Raw, como aconteceu?

Inicialmente, pensei que devia ter ficado no pay-per-view. Afinal, espera-se que em pay-per-views, especialmente pay-per-views tão importantes quanto este, se resolvam as rivalidades ou aconteçam coisas marcantes, como seria a despedida de Jericho. Afinal, porque é que os fãs vão pagar para ver um pay-per-view se a conclusão das rivalidades e os seus momentos decisivos ocorrem em televisão nacional?

Contudo, colocando tudo em perspectiva, não iria a despedida de Jericho no Summerslam tirar ainda mais importância, da pouca que já tinha, ao momento de Triple H, que encerrou o evento?

Perante estes argumentos, a decisão, a meu ver, não é fácil. De qualquer das formas, a verdade é que ganhámos dois grandes combate e Ziggler ganhou uma enorme ajuda por parte de um grande veterano.

Outro combate que colocou as minhas crenças em jogo foi o combate de Daniel Bryan vs. Kane. Nunca me passou pela cabeça que a WWE atribuísse a vitória a Daniel Bryan, mas como é óbvio fiquei bastante satisfeita por tal ter acontecido. A Kane uma vitória não faz diferença, ao contrário de Daniel Bryan que está absolutamente imparável. Acabar com o ímpeto de Daniel Bryan, como fizeram a Zack Ryder no início do ano, não só é absolutamente rídiculo, como correm o risco de o aumentar ainda mais, como aconteceu quando foi despedido e na Wrestlemania 28.

Daniel Bryan está neste momento ao nível de um John Cena. Não em termos de títulos ou posição dentro da companhia, mas definitivamente no que toca a popularidade entre os fãs. A maioria das estrelas da actualidade que consegue colocar os fãs a gritar por eles, geralmente só os consegue fazer gritar pelo seu finisher (619, RKO, por exemplo) e/ou no momento da sua entrada. Daniel Bryan consegue colocar os fãs a interagir com ele durante grande parte do seu combate, em todos os seus combates. Isto vai para além dos YES/NO, isto é também devido à capacidade que Bryan tem de comandar a multidão através do que faz no ringue. Bryan conseguiu estender as suas habilidades de tocar as pequenas audiências dos circuitos indy, para tocar nas grandes audiências do mundo WWE.

Qualquer outra estrela, que não fosse notoriamente de topo, como John Cena ou CM Punk, não teria conseguido tamanha reacção num combate que estava escalado para “encher chouriços”. Este combate decorreu depois de um grande combate de abertura, no qual os fãs estiveram extremamente envolvidos. A construção deste não foi nada por aí além, nem tinha nada importante em jogo. E Kane, por muito que todos gostemos dele e o respeitemos, não é um veterano com a relevância ou com a capacidade de atrair a atenção dos fãs, como um Chris Jericho, por exemplo.

E mesmo assim, no meio de todas estas adversidades, um combate “para encher chouriços” conseguiu ser bastante animado. Certamente é algo que dá de pensar e que espero que esteja a fazer pensar os oficiais da WWE.

Na sua derrota, a credibilidade de Kane também não saiu magoada, continuando Bryan a agir como um dissimulado e sorrateiro lutador. Kane e Daniel Bryan estão de parabéns por terem colocado um combate extremamente interessante e ter assim continuado a boa maré do pay-per-view.

Rey Mysterio é um excelente adversário para The Miz e outras estrelas como Damien Sandow, Antonio Cesaro, Curt Hawkins e por aí adiante. Rey é um lutador consistente. É um facto que Rey não faz as mesmas manobras, nem lá perto, como fazia no início da sua carreira. Mas, também é um facto que independentemente do número de lesões que possuiu, Rey Mysterio é perfeitamente capaz de ter um excelente combate com qualquer lutador minimamente capaz, isto tendo sempre a garantia de que grande parte dos fãs está a ver. Graças a isto, sou fã do uso de Rey Mysterio neste lugar e com este tipo de lutadores.

De qualquer das formas, há uma crítica que tenho a fazer e é direccionada à indumentária de Rey Mysterio. Entendo que Rey goste de homenagear certas personagens de filmes que estão a ser um sucesso no momento em que o seu lançamento coincide com o pay-per-view em que Mysterio participa. Contudo, no que Joker e o Capitão América era personagens relativamente coloridas, na sua indumentária, o Batman não o é. Talvez seja um exagero e um pormenor tão pequeno, que não vale a pena ser notado, mas fez-me imensa confusão ver o Rey Mysterio todo vestido de preto. The Miz já por si usava um ring gear de tom escuro, portanto visualmente foi um pouco perturbante.

Contudo, isso não influenciou a qualidade do combate, que foi mesmo elevada e de louvar. É nestas situações que o título Intercontinental deve ser defendido e não me importava que esta rivalidade continuasse quando Mysterio voltar de lesão e Miz voltar das suas viagens de promoção. Mesmo que não continue, acho que é do melhor interesse da WWE continuar a usar Mysterio contra os lutadores que mencionei acima.

Sheamus e Alberto Del Rio são lutadores perfeitamente capazes de terem um combate consistente e de boa qualidade com a maioria do roster. A construção de ambas as personagens não foi sempre consistente, mas a WWE parece determinada a mudar isso investindo a sério nesta história, o que já não é mau. Disse há meses atrás que Del Rio precisava de algo mais consistente antes de lutar pelo título, e neste momento estou ainda mais de acordo. Talvez uma ligeira mudança de atitude ou um melhoramento em certos aspectos, mesmo mantendo a ideia original seja uma boa solução para renovar um heel que as pessoas já não levam muito a sério.

Em relação a Sheamus, nos últimos eventos da WWE, este tem sido menos como um babyface perfeito e começou a ser construído de forma mais real. Não acredito que Sheamus se esteja a preparar para um heel turn, penso sim que a WWE está a tentar fazer com que ele conquiste os fãs através destas manobras, que mesmo não sendo 100% correctas, são aquilo que a maioria das pessoas deseja poder fazer àqueles que julgam ser vilões: dar-lhes a saborear o seu próprio veneno.

No Summerslam, as pessoas não se perceberam disso a início, chegando mesmo a revoltar-se e a convencer-me que tinha sido apenas um erro, afinal Sheamus precisa de tudo, menos de confusões deste género depois do que aconteceu na Wrestlemania. Contudo, na Raw a reacção foi melhor, portanto acabo por me questionar se não será uma manobra  inteligente por parte da companhia.

Isto é, sem dúvida, uma faceta mais realista e com maior capacidade de ajudar os fãs a identificarem-se com ele. Já para não falar dos fãs mais novos que poderão achar piada. Mesmo assim, Sheamus ainda não conseguiu apagar a imagem de invencibilidade, que lhe estava a ser associada, levando-me a perguntar até onde é que isto vai. Visualizo Sheamus a fazer isso a Alberto Del Rio, porque agora já possui passado com ele, mas irá fazê-lo a todos os heels que enfrentar? Duvido muito.

Sheamus enfrenta o problema sério que é possuir um título que não significa nada, especialmente quando se olha para o que outro campeão principal está a fazer. Todos os fãs reclamam, e agora até CM Punk reclama, de que não é ele a encerrar um evento, ou de que ele não está a ter atenção suficiente. Contudo, onde se encontra Sheamus no meio disto? Simplesmente não se encontra. Prevejo que as rivalidades pelo título World Heavywieght continuem assim, estagnadas e sem muita importância, mas não só porque as personagens ou as histórias podem falhar, mas porque a WWE não faz crer que o título seja relevante.

A grande maioria dos fãs, que é aquela que a WWE tenta atingir, porque nunca conseguirá agradar todos os fãs, ficará interessada naquilo que a WWE se mostrar interessada em apostar ou quiser dar uma oportunidade. De momento, a WWE sente-se contente com o estado do Título, mas também porque o mesmo não é decisivo. Neste momento, o interesse está todo em CM Punk, Daniel Bryan, Brock Lesnar – quando o mesmo aparece, e em John Cena.

Esta fase em que o Título WorldHeavyweight é esquecido e posto de parte, comparativamente ao outro, é mesmo isso, uma fase que acabará por passar. Afinal, também já houve alturas em que, claramente, o titulo mais relevante era o World Heavyweight, ao contrário do título da WWE.

Ora, penso que não haja dúvidas que o combate pelo Título de Tag Team tenha tido como objectivo unicamente “encher chouriços”. Como é óbvio, já houve combates de Tag Team melhores recentemente, especialmente no fim do ano passado a abrir pay-per-views, mas Kofi Kingston e R-Truth conseguiram manter um combate aceitável, mesmo frente a uma equipa muito verde. Não é novidade que os Prime Time Players perderam gás com o despedimento de Abraham Washington, contudo não acho que seja motivo para serem prejudicados. Mesmo assim, considero ser muito cedo ainda para eles ganharem o título. A meu ver, faz-se o que se fez o ano passado com a equipa de Evan Bourne e Kofi Kingston. Constrói-se um reinado, minimamente longo, dá-se oportunidade às rivalidades para se desenvolverem, e especialmente às equipas para se darem a conhecer. Não só os Prime Time Players, agora sem manager, mas como as outras equipas: Usos e Primo & Epico.

Este combate era suposto ser uma Triple Threat, mas foi praticamente um “Handicap Match”, como o próprio Big Show disse. Isto, tal como já tinha dito em artigos anteriores, foi exactamente aquilo que eu temia e que não queria ver. Big Show teve demasiado destaque e atrasou o ritmo do combate. Aquilo que a maioria dos fãs queria ver, a interacção entre CM Punk e John Cena, ficou guardada para o próximo pay-per-view, numa manobra bastante inteligente por parte da companhia.

Ora, mesmo sendo inteligente pensar a longo termo, a verdade é que no Summerslam acabámos por ficar com um combate pelo Título da WWE de qualidade duvidosa. Não só foi curto, como o combate não fez qualquer justiça à história que anda a decorrer na Raw. A mesma história que é, neste momento, a mais importante da companhia. Se um fã antigo voltasse a ver WWE por uma noite, apenas interessado no que CM Punk andava a fazer de novo, porque tinha ficado familiar com o seu percurso o ano passado, ficaria terrivelmente desapontado, pois este combate não transpareceu nada que valesse a pena o esforço. Este combate mais parecia ter sido feito no Over the Limit ou no No Way Out, do que num Summerslam.

Isto depois de um combate pelo Título World Heavyweight acabar envolto em dúvida e confusão, que só começou a ser entendida e aceite na noite seguinte, não fez uma boa sequência de decisões para o pay-per-view.

Quando no fim do evento, o objectivo é convencer os fãs que o dinheiro foi bem gasto, não é com dúvidas e a guardar tudo para o próximo que se faz. Não me interpretem mal, eu apoio e concordo a 100% com a lógica de pensar no futuro, aliás ultimamente parece que não falo noutra coisa, mas isto não são combates de Summerslam.

Mais uma vez, a WWE está a construir as coisas com calma e ainda bem que está ciente que a pressa, por vezes só trás sarilho, mas quando se faz isso, convém ter algo reservado para o maior pay-per-view do verão.

Podia perder tempo a criticar o facto da performance musical ter tirado tempo precioso a outros combates – como o combate pelo Título da WWE e o combate de Jericho vs. Ziggler – mas o segmento foi tão triste e deprimente que acredito que a opinião é unânime e nem vale a pena falar do assunto. Vamos passar assim ao main-event da noite.

Sem qualquer dúvida que este combate não esteve à altura das expectativas, mesmo não sendo mau. Está certo, quem leu a última edição pode dizer que, como eu não estava convencida neste combate, era mais fácil desiludir-me. Compreendo esse argumento e não vou questionar algo que pode ser verdade. Contudo, há vários aspectos neste combate que falharam, como também houve aqueles que foram tiros certeiros.

Como é óbvio, o segmento de bastidores com Triple H a dizer ao árbitro para ignorar as regras era necessário e a sua colocação no pré-show foi extremamente inteligente, convencendo assim alguns fãs mais indecisos a comprarem o pay-per-view.

A forma como usaram os focos de luz durante as apresentações foi absolutamente brilhante e só esse detalhe deu-me motivação para ver o combate, porque fez o mesmo soar importante, algo que a construção do mesmo não tinha feito muito bem. Foi uma ideia de génio, criou um efeito espectacular e não deve ser abusado. Deve sim, ser usado em combates realmente importantes, não em todos os pay-per-views. Esta manobra só vem mostrar como certos efeitos visuais são mais convincentes e ajudam mais a promoção de algo do que as pessoas realmente pensam.

Como de costume, também o trabalho de Heyman deve aqui ser elogiado. Mais uma vez, foi soberbo, complementando muito bem o combate, sem lhes tirar o foco de cima.

Ora, mesmo tendo gostado do jogo de luzes, algo que foi fortemente criticado por vários fãs e que em parte, concordei foi o facto do combate ter começado normalmente e sem qualquer tentativa de ataque por um dos dois. Segundo os fãs, Brock Lesnar devia ter atacado Triple H nas costas durante a sua entrada. Repito, concordo e compreendo o argumento que defende que o combate não devia ter começado de forma tão pacífica, contudo, nunca poderia ter sido Brock Lesnar a atacar Triple H.

Foram os filhos de Triple H que foram gozados, foi o amigo de Triple H que Brock Lesnar agrediu e foi a companhia a que Triple H é leal que Brock Lesnar desrespeitou. Era Triple H que tinha que ter atacado Brock Lesnar, logo a WWE devia ter mudado a ordem das entradas para fazer isso. Óbvio que assim o detalhe das luzes teria de ser esquecido, mas acho que um Triple H mais agressivo e violento – afinal, é suposto ter motivos para tal – também teria feito um bom trabalho a dar início ao combate.

Brock Lesnar é uma besta indomável, é alguém que – ao contrário dos lutadores do roster da WWE – foi campeão da UFC, como a WWE gosta de lembrar. Ele nunca pode mostrar medo ou insegurança ao atacar primeiro alguém. Brock Lesnar – supostamente – não precisa desse tipo de vantagem porque já tem o combate ganho.

Outro aspecto que me fez confusão neste combate foi a repetição de manobras. Brock Lesnar tentou, várias vezes, aplicar o Kimura Lock e Triple H respondia quase sempre da mesma maneira e era apanhado quase sempre da mesma maneira. Tendo em conta o que aconteceu depois do combate, faz sentido Triple H ter sido maioritariamente dominado, contudo não faz sentido ele ter passado o combate todo a reagir da mesma forma, sem tentar ser melhor que Lesnar ou contra-atacar o que este fazia.

Já li várias críticas que diziam que este combate precisava de sangue ou de mais agressividade. Não quero cair no cliché de dizer que era isso que faltava, em parte porque esse argumento é usado todos os dias, por tudo e por nada, sem qualquer sentido de prioridade ou oportunidade. Aliás, esse argumento já foi tão mal usado que hoje em dia, já é frequentemente mal entendido por aqueles que lêem.

Por isso, para não cair nesse cliché, prefiro dizer que não sei o que faltou neste combate, mas faltou qualquer coisa, certamente. Este combate foi tudo, menos um combate pela honra da família, para vingar um amigo ou para fazer justiça perante uma companhia. A WWE já provou muitas vezes que consegue transmitir muita emoção, sem chegar a usar o elemento do sangue ou outros elementos mais exremes, por isso não percebo de todo como não o conseguiram fazer neste combate.

Este pay-per-view não teve, a meu ver, maus combates. Variou tudo entre o excelente, bom e aceitável. Contudo, também não teve aquele combate especial e único que será lembrado. Aquele combate que nós, como fãs, sentimos no momento que é especial.

No fundo, neste pay-per-view não houve nada que justificasse a compra por parte dos fãs. Não porque não houve esse tal combate, mas porque não existiram momentos que fiquem na memória. Repito o que disse acima, vimos o Summerslam, mas podíamos ter visto um Over the Limit ou um No Way Out que não teríamos notado a diferença.

Este pay-per-view não resolveu nada, nem trouxe nada de novo às histórias actuais. Está certo, foi neste pay-per-view que Big Show foi retirado da história pelo título da WWE e que Brock Lesnar e Triple H lutaram. Acontece que, não só o fim do combate pelo título da WWE era previsível, como não será aquilo que vai ser lembrado para a posteridade. Qualquer momento da história de CM Punk e John Cena será facilmente mais relembrado que este combate no Summerslam.

No que toca a Triple H e Brock Lesnar, a WWE simplesmente colheu aquilo que semeou. A história foi mal construída e o combate mal promovido. Em vez de promoverem isto como algo especial e único, soou a qualquer outra rivalidade normal. Todas as manobras da WWE para promover esta rivalidade foram previsíveis e feitas à pressa, enquanto também existiu um largo período de tempo em que nem se falava no assunto.

Se o supostamente emocionante momento de Triple H no fim do pay-per-view é para ser o grande momento do Summerslam, então mais uma vez a WWE deu um tiro no próprio pé. Porque é que os fãs se vão preocupar com a possível reforma de alguém que já não é lutador activo? Isto é o equivalente a Undertaker, The Rock ou até, o próprio Brock Lesnar se reformarem!

Tendo em conta que nos últimos dois anos, Triple H só lutou uma mão cheia de vezes, não se pode esperar que um anúncio destes abale os fãs da WWE. Lembrem-se, quando Shawn Michaels o fez , ele ainda era um lutador a tempo inteiro, embora tivesse mais liberdade e poder sob o seu horário que os outros lutadores. De qualquer forma, a questão permanece: Shawn estava lá todas as semanas em televisão.

Não só a multidão nunca levou este combate a sério ao ponto de não saber como reagir no fim, como a WWE claramente falhou na promoção. Se Brock Lesnar tivesse sido convincente como heel impiedoso e Triple H como babyface justiceiro, talves não tivessem existido os cânticos “You tapped out”. Essa atitude só provou que os fãs não tiveram a mínima pena que Triple H perdesse, ou porque já achavam o resultado prevísivel, ou porque queriam que o suposto vilão vencesse. No fim de tudo isto, o segmento final não teve a emoção e a profundidade que devia ter tido para ser marcante.

E agora pergunto, mais uma vez, em que é que isto foi melhor do que tivemos na Wrestlemania 28? Em que é que isto vai mudar alguma coisa, com ou sem desforra no horizonte? Repito o que disse depois da Wrestlemania, Triple H e Undertaker deviam ter-se reformado definitivamente, no caso de Triple H – ter-se reformado, naquela noite. Um combate brilhante, com uma história brilhante e uma despedida verdadeiramente emocionante, sem cânticos embaraçosos.

Se calhar sou só eu, mas não só é altamente duvidoso que Triple H se reforme de facto, como estão a fazer uma história que não afecta os fãs a nível emocional. A reforma de Triple H não é relevante, nem significativa ao ponto de criar uma história à volta da mesma, como se fez com Shawn Michaels, porque ele já não é uma presença constante. Se isso é algo mau? Claro que não, é bom que Triple H esteja de fora, está na altura dele sair de facto.

A verdade é que, embora tenha sido um pay-per-view consistente do início ao fim, não foi um pay-per-view à altura do seu nome e estatuto. Dificilmente alguém vai relembrar alguma coisa que aqui se sucedeu no futuro. Certamente, não é o pay-per-view que vou relembrar daqui a vinte anos.

Algo que conto em lembrar daqui a vinte anos é o que espera CM Punk que, tal como já referi, parece estar a tornar-se cada vez mais maléfico. Será que desta vez a WWE não lhe estraga o ímpeto? Teremos que esperar para ver. Por esta semana é tudo, até à próxima!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

18 Comentários

  1. Tibraco - há 4 anos

    Quando acabei de ver o PPV fiquei com essa sensação de ter faltado “algo mais”. Com a exeção da vitória do Jericho não houve nenhum momento em que tenha ficado surpreendido. Foi tudo previsivel demais, e para mim um bom PPV não vive só de bons combates.

    Em relação ao Ziggler e ao Jericho, concordo contigo. A WWE tinha dois caminhos possiveis e qualquer escolha era legitima. Embora achasse que o Ziggler ia ganhar, uma vitória do Jericho acaba por ser justa.

    Bryan ao mesmo nivel de popularidade do Cena? Isso já não concordo nada. Gosto muito do Bryan mas a grande maioria do impacto que ele tem no publico deve-se ao YES/NO. A meu ver, isto é uma fase e quando o publico fartar-se de cantar o Bryan volta a cair no esquecimento. Com muita pena minha, porque tem feito um trabalho exelente.

    O grande problema do Sheamus é que lhe falta uma feud de topo. Já defrontou o Bryan, o Ziggler e o Del Rio mas nenhum dos 3 tem o “peso” necessário para que as pessoas prestem MESMO atenção ao combate. Quando no último artigo referiste que o Lesnar poderia estar a ser usado de uma maneira diferente, ocorreu-me que uma feud entre ele e Sheamus seria o ideial.

    Para explicar o quão “mehh” foi o combate pelo titulo da WWE é só compará-lo com o do SummerSlam de 2011. Não tem comparação alguma. Estava tão óbvio que o Punk venceria com um pin sobre o Show que ainda pensei que a WWE fugisse desse cenário. Mas não, fizeram o óbvio e este combate não passou de uma transição para a feud Punk vs Cena. O problema é que o SummerSlam não é palco para “combates de transição”.

    A suposta reforma do HHH é ridicula. Toda a gente sabe que ele não se ia reformar num SummerSlam e que vai ter a desforra no Survivor Series. Portanto, um momento que a WWE considerou que seria extremamente emocionante para mim foi aborrecido. Mais uma vez senti que este não era um combate para culminar uma feud, mas sim mais momento na rivalidade entre HHH e Lesnar.

    Outro aspeto que me desiludiu foi a ausência do HBK no combate. Não faz sentido ele ter tido um papel ativo durante as Raw’s e não ter tido qualquer interferência no combate. Aliás, penso que esse foi mesmo a maior surpresa do PPV, pois antes do mesmo ninguém estaria à espera que o Shawn não aparacesse. Quanto a mim , foi um belo tiro no pé que a WWE deu.

    • José Sousa - há 4 anos

      Sinceramente só discordo de ti na parte do Bryan ele é excelente e fará parte do futuro da WWE, ele tá a passar pelo que passou o CM Punk quando ganhou o título após os cash-in ao Jeff Hardy, e depois crescer mesmo que seja com outro tipo de gimmick o Bryan tem que ser uma das caras do futuro main-event da WWE sem margém para duvidas

      • Tibraco - há 4 anos

        José,

        Eu também considero o Bryan excelente, não é isso que está em questão. Provavelmente estou enganado, mas não consigo visualizar o Bryan como main eventer nos próximos anos. A febre do YES/NO é algo que no futuro irá perder força e nessa altura duvido que a personagem do Bryan consiga ter força para se aguentar no Main event.

        Salvaguardando as devidas distâncias , tens o exemplo do Ryder. Foi uma moda que pegou, a WWE apostou nele e depois, quando o publico perdeu o interesse, nunca mais teve um papel relevante.

        Referes uma mudança de Gimmick e , nesse caso, talvez ele tenha mais hipóteses. Apenas acho que com esta Gimmick não o vejo manter-se no topo por muito tempo.

      • José Sousa - há 4 anos

        Sim com esta gimmick de YES/ No não concordo contigo, apenas acho que pode evoluir ele não me parece limitado e tem o dobro do talento do Ryder( não que o Ryder não o tenha).
        Mas o Bryan tem todo o talento para ser relevante nem que seja porque já foi campeão de topo e teve feuds contra o Punk onde esteve bem. O Ryder foi campeão dos USA mas durou pouco tempo, e foi mais usado para promover a story do Cena e do Kane que para seu proprio proveito.

        Na minha perspectiva situações diferentes, mas tenho o mesmo receio que tu tens.

        É bom saber que temos pessoas no site onde podemos debater wrestling a sério Tribaco, a sério.

      • Tibraco - há 4 anos

        Quando comparei o Bryan ao Ryder fiz questão de referir “salvaguardando as devidas distâncias”. Isto porque acho o Ryder extremamente irritante. A comparação baseia-se mais nas “modas” que existem. Ontem foi o Ryder, hoje é o Bryan e amanhã será outra. Sempre foi e continuará a ser assim.

        Sim, concordo contigo , não acho o Bryan limitado em nada. Excelente no ringue e bastante aceitável no micro. Considero que ele consegue fazer coisas bem diferentes do que andar a dizer YES/NO, apenas tenho sérias duvidas de que a WWE irá continuar a apostar nele para feuds de topo. Mas isso cá estaremos para ver :)

  2. Poborsky - há 4 anos

    O Bryan cair-se no esquecimento? Já viste a carreira dele antes da WWE? e agora está muito melhor.

    Concordo, marella tem um pop muito bom entre o público, apesar de ter uma gimmick ridicula, tal como o Brodus. tenho gostado bastante do trabalho de Cesaro e Sandow

    Ziggler vs Jericho foi o melhor combate da noite e um dos melhores “opens” de sempre, o resultado não desiludiu-me, mas podiam ter feito outra forma do Jericho “lesionar-se”, como ser atacado após o combate.

    Daniel Bryan vs Kane, o Bryan é sem dúvida um dos meus preferidos e um dos melhores que a WWE, pena a WWE agora não ter um rumo para ele, Kane mais uma vez fantástico a elevar lutadores, não saiu descredibilizado é claro, apenas promoveu mais um “futuro” da WWE.

    Miz vs Mysterio: Em relação ao Mysterio vestido de Batman, desvalorizei totalmente é uma questão pessoal(sua personagem preferida, etc). O Combate em si foi muito bom e mais uma vez quem saiu a ganhar foi a valorização do IC title e The miz a querer fazer um “restart” na carreira.

    Alberto del rio vs Sheamus: Combate bom, mas não gosto muito do sheamus face está a ficar um “Super Sheamus”, ou seja, cansativo, o Del Rio também aborrece me.

    Combate de tag team: Foi o pior da noite e sem duvida que os PTP deviam seguir um rumo diferente: A separação.

    Sinceramente, o Big show estragou o combate da WWE, mas não desgostei do combate apenas houve tempo de antena a mais para o big show.

    O ùltimo combate foi bom, mas não foi uma tempestade perfeita, foi uma brisa suave apenas.

    Eu sinceramente fiquei com aquela pena do HHH poder se reformar, mas acho que precisa de mais combates e uma história convicente para reformar-se

    Este PPV foi bom, mas já houve muitos SS’s melhores.

    Parabéns por mais um excelente artigo Salgado.

  3. danielLP21 - há 4 anos

    O artigo está perfeito.

    Concordo em tudo com o que escreveste,até fiquei sem vontade de escrever um comentário relativamente extenso,o que não é normal :p

    Parabéns Salgado,continua assim.

    • Ayatollah of rock and rollah - há 4 anos

      Eu tenho escrever qualquer coisa mas como? Ela diz tudo, porra xD

      • danielLP21 - há 4 anos

        É isso mesmo que eu sinto depois de ler estes artigos!

        Um gajo fica sem nada para acrescentar…

  4. Frederico_WWE - há 4 anos

    Aliás eu leio sempre este artigo nunca falha mas o facto de eu não comentar o Opinião Feminina na maioria das vezes deve se ao facto de eu ficar parvo com tanta qualidade isto é sempre simplesmente 5 estrelas que nem consigo sequer dar uma opinião concreta mesmo inacreditável!
    Não se vê disto nem no WWE.com meus amigos :)

  5. Vinícius BullyMiz Nunes - há 4 anos

    Ótimo artigo, e essa desvalorização do título mundial começou da maneira errada de como Sheamus ganhou, ou até antes, quando o Mark Henry perdeu este título, já que pra mim o reinado de Bryan foi apenas de tapa-buraco, como todo respeito a esse grande talento.

    Para mim o Triple H devia ter se aposentado no fim da Wrestlemania, era o momento perfeito, e uma luta dele contra Lesnar, só se for entre times no Survivor Series, e queria, mas sei que não é possível, que Lesnar vencesse de novo, com um F5 dessa vez, aí aparecia o Undertaker, os dois se olhariam de novo, e começaria a rivalidade pra Wrestlemania 29.

    E queria que Sheamus tivesse outra feud antes de sofrer um cash in de Ziggler, contra Rhodes ou Barrett, pois não aguento Del Rio sempre na disputa dos títulos principais, e acho melhor que Ziggler demore de fazer o cash in para ele entrar na Wrestlemania como campeão.

  6. GJD - há 4 anos

    Sobre a falta de importância do WHC é claramente porque a WWE quer , faz um combate que nem pode ser chamado de squash match no maior evento da WWE, deu reinado patético ao Daniel Bryan que venceu lutas escondendo atrás de AJ, escapando das mãos do Show na jaula, e obrigando o Santino a dar o tap out .
    Sobre TRIPLE H eu sinceramente penso que ele deveria já ter se aposentado na Wrestlemania 28 , Brock Lesnar a WWE fez simplesmente lutas patéticas contra o Cena fazia um golpe e ficava pulando, contra o HHH só tentava fazer Kimura, acho que o combate teria um clima melhor se o Brock Lesnar tivesse atacado todos os colegas do HHH de DX no Raw 1000 E MANDASSE UM RECADO FALANDO QUE O HHH SERIA O PRÓXIMO

  7. Willian Silveira - há 4 anos

    Salgado, como sempre um ótimo artigo, mas cometes-te um pequeno engano (não és a unica), pois o SummerSlam tem apenas 24 anos, visto que essa foi a 25° edição e não o 25° aniversário, como a própria WWE assim o promoveu.
    O mesmo acontece com o Royal Rumble que, assim como o SummerSlam, teve sua 1° edição em 1988.

    Tirando esse pequeno engano, que não a culpo de cometer, o artigo está ótimo.

    • Willian Silveira - há 4 anos

      E considerando que essa é a 92° edição deste espaço, mesmo eu tendo lido todas, nunca achei nenhum erro, é a pessoa mais sabia que conheço.

    • danielLP21 - há 4 anos

      Tens razão,eu também reparei nisso quando o Michael Cole disse que o primeiro Summerslam foi em 1988. Na altura pensei que houvesse uma pequena confusão ou assim mas pelos vistos é mesmo um erro por parte da WWE.

      Mas…então o 25th Anniversary da WrestleMania foi uma mentira! :o

      • Willian Silveira - há 4 anos

        Sim…
        Acho que é uma estratégia de marketing da WWE, pois eles não devem ser estúpidos a ponto de não saberem calcular.

  8. João Macedo - há 4 anos

    Acabei de ler isto e…vale a pena acrescentar algo? Tu disseste tudo!

  9. The Chosen One - há 4 anos

    RuiFerreira222 Nao meu amigo tipo assim escolho os Superstars tudo certo nome da tag etc.. so aque ali pra arrumar a entrace,music,titantron e o save nao aperece(digamos assim tu tenta apertar A mas nao funciona) ae nunca consigo salvar as tag se alguem podeder me ajudar agradeço

Comentar

Login com Facebook

Editar avatar »

Notificações por email:

Wrestling.PT © 2006-2016 / Política de Privacidade / Disclaimer / Sobre Nós / Contactos / RSS Feed / Desenvolvido por Luís Salvador