Smoke and Mirrors #233 – Guarda Partilhada

No passado Domingo a WWE começou uma nova fase, ou pelo menos começou uma história que poderá ditar uma guerra pelo poder entre irmãos. Claro que é mais uma rivalidade entre os McMahons, mas será uma das histórias que dominará o produto até ao Summerslam e que nos poderá encaminhar para mudanças mais profundas no mesmo.

Digo isto porque alguns acreditam que isto é uma janela para uma possível introdução da Brand Split, enquanto outros pensam que apenas ditará um confronto entre o Shane e o Triple H no maior evento do verão pelo controlo da Raw.

Em qualquer um dos cenários penso ser fundamental que as clivagens não surjam de imediato, porque se o confronto acontecerá apenas em Agosto ainda é cedo para que as hostilidades comecem verdadeiramente. Dai serem importantes segmentos como o do Ambrose na Raw onde apesar de aparentar ser uma “nova Stephanie”, ela acabou por demonstrar o seu lado de vilã mas fê-lo sem retirar o holofote da rivalidade entre o Ambrose e o Jericho.

E o mesmo se pode dizer do combate pelo título da WWE no Payback, onde apesar do overbooking, a guerra de irmãos não se sobrepôs à história que Styles e Reigns estavam a contar no ringue, embora pudéssemos ter tido menos paragens no combate.

Contudo o que quero dizer é que esta semana de guarda dividida foi positiva, e sobretudo de continuidade com a linha coerente que o produto tem apresentado desde da Wrestlemania, e isso é um ponto positivo. Além disso conseguiram fazer com que esta rivalidade se misture com outras rivalidades sem que elas sejam prejudicadas. E como falamos de uma futura guerra de poder é fundamental que esta seja capaz de manter esta capacidade.

Até porque como estamos a falar de uma história que envolve decisões de poder, é um pouco óbvio que elas acabarão por influenciar as restantes rivalidades que o produto nos irá apresentar até ao final do Verão. Dai ser tão importante o modo como a equipa criativa conseguirá manter o equilíbrio entre histórias quando as apresentar em conjunto, caso o contrário as rivalidades de menor status poderão acabar por ser engolidas pela guerra dos McMahon´s.

Desse modo a opção de Vince McMahon no Payback embora tenha sido uma escolha típica da WWE, e sobretudo uma opção conservadora acabou por não ser totalmente negativa. Claro que não foi uma decisão definitiva, mas neste momento temos duas opções em aberto para o final desta mesma história. Sendo que de seguida irei apresentar as principais vantagens e desvantagens de cada uma delas.

Começo pela solução mais conservadora e possivelmente aquela que a WWE optará, pelo menos é aquela que acredito que ser mais provável: Guerra pelo poder sem divisão de Brands.   Digo isto porque até agora não nos deram pistas que a divisão de brands poderá voltar, claro que não fecharam a hipótese, mas pela forma como a WWE tem apresentado a história o mais sensato é partir do princípio que ela não está em cima da mesa.

Ou seja, a impressão que tem passado é que eles acabarão por lutar pelo controlo da Raw, e controlar a Raw será como se controlasse a WWE, não criando uma figura de autoridade para a Smackdown.

Nesse sentido vejo esta primeira fase como uma fase de “falsidade” onde eles irão concordar com todas as decisões do outro, ou pelo menos tolerar. Contudo mais cedo ou mais tarde a popularidade do Shane acabará por afectar a Stephanie, e a vontade de restaurar o controlo total da companhia da para a Autoridade acabará por criar um combate entre eles. Nesse combate vejo facilmente o Triple H a representar a sua mulher e Shane a confrontá-lo, ou a ser representado por alguém que poderia ser facilmente o Seth Rollins como provocação ao seu rival.

A principal vantagem desta solução é que ela é permite manter na mesma a unificação dos títulos máximos, algo que parece ser uma aposta da WWE para os próximos anos, seja porque pretende um número limitado de nomes no main-event, ou simplesmente por querer que exista apenas um campeão de topo na companhia. Depois é claramente que mantêm um caminho do produto igual ao dos últimos anos, que embora seja muito criticado parece ser uma opção que a WWE aparentemente aprecia.

Contudo essa é exactamente a principal desvantagem da manutenção da “unificação de Brands”, porque permite a perpetuação de um booking onde apenas cinco a seis wrestlers são trabalhados, e os restantes acabam presos ao um booking de 50/50. Claro que essa mudança podia acontecer com apenas uma brand, contudo o tempo onde a WWE promovia vários wrestlers com apenas uma Brand vai bastante longe.

Isso leva-me à segunda solução possível para esta rivalidade: o regresso da Brand Split. Apesar de não termos sinais claros que esses são os planos da WWE, a verdade é que nunca como agora esse cenário pode tornar-se numa realidade dentro de alguns meses. Contudo, e ao contrário do que li noutros artigos sobre este tema, acredito que caso este passo tenha de ser acompanhado pelo regresso do Título Mundial, ou pela criação de um novo título de topo para a Smackdown.

A ideia de termos um campeão unificado que pertenceria à Raw , mas que simultaneamente apareceria no Smackdown seria uma ideia desprovida de lógica porque faria da Brand Split totalmente inútil. Do que adiantaria dividir o roster pelos dois programas se os wrestlers da Smackdown não tivessem um título principal do programa pelo qual lutar?

Assim, caso a WWE avance verdadeiramente para a divisão do roster depois do Summerslam é importante que a Smackdown se torne importante, e isso só é possível caso tenha títulos exclusivos pelos quais os wrestlers iriam lutar ( World Championship e Intercontinental por exemplo).

As principais vantagens desta divisão de brands seriam a possibilidade de desenvolver rivalidades e superstars de topo específicas de cada uma das brands. Claro que nem todos os talentos que merecem push para main-event teriam essa oportunidade, contudo seria uma boa escolha para colocar como campeão alguém que não teria facilidade de ser campeão da WWE, mas que pode perfeitamente ser a figura da Smackdown.

A principal desvantagem desta solução é que implicaria um booking muito cuidado por parte da WWE, uma vez que teria que pegar em alguns wrestlers que perderam importância nos últimos anos e recuperar lentamente o seu ímpeto e credibilidade. E não venham dizer que quase todos são casos perdidos porque o wrestling vive da forma como as histórias são construídas, e com a história é certa é possível recuperar a credibilidade de alguns nomes que já foram possíveis grandes nomes e que se perderam.

Contudo, e tal como referi anteriormente não acredito que este seja o passo que a WWE irá tomar. O mais provável é que acabemos por ver o Shane a vencer um combate no Summerslam, e a partir dai assumir o “controlo” da Raw de modo definitivo dando inicio a ” Era Shane”. Mas posso estar errado, e a esta nova guerra dos McMahons pode acabar por surpreender-nos com escolhas criativas improváveis, mesmo que essas surpresas sejam sobretudo um desejo do que propriamente uma verdadeira possibilidade.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Smoke and Mirrors”.

15 Comentários

  1. Yago - há 7 meses

    Na minha opniao deveremos ter um Team authority vs team shane no survivor series pelo controle do raw. Acho que até o summerslam eles vao estar em “harmonia” mas depois vao desenrolar uma rivalidade.

    • HHH - há 7 meses

      Acho que essa ideia muito repetitiva,se for ter um combate de equipes melhor no Summer Slam mesmo.

    • José Sousa - há 7 meses

      Isso também acho mas a rivalidade deverá ficar apenas pelo Summerslam, ou pelo menos terá o primeiro combate no mesmo.

  2. SkillerPT - há 7 meses

    Concordo com o que o Yago disse.
    Penso que talvez o Shane perca no survivor series, e como perde o controlo da raw ele iria pedir o controlo da smackdown ao vince, e tentar recuperar a reputação e qualidade que a Smackdown teve em tempos.
    E ao que mais tarde poderia levar a uma guerra smackdown vs raw .
    Seria interessante mas penso que não irá acontecer

  3. Fabiano - há 7 meses

    A brand split vai ser obvia! Uma rivalidade depois do SummerSlam tambem

  4. Reigns one versus all - há 7 meses

    Bom artigo,José.
    Acho que esta história não vai ser mais do que uma feud já recorrente entre os Mcmahons.
    Isto até poderia dar origem a Brand Split com cada um deles a controlar uma brand mas este caminho pelos vistos não agrada ao Vince.
    Se isto vai ser a Storyline do verão acho que se vai ter que dar mais interesse a rivalidade,e é aqui que entram o regresso de HHH(que ainda deve ter a rematch pelo título).
    Com isto,teríamos Shane vs HHH no Summerslam com o vencedor a ter direito de controlar o RAW.
    Outra possibilidade é Rollins a voltar como face e ajudar o Shane,mas acho que ele vai estar no main event do Summerslam

    • José Sousa - há 7 meses

      Eu acho que não temos rematch. Nem todos os campeões no passado tiveram, e não acredito que a direcçao seja a rematch,. Por acaso acho que o main-event do Summerslam vai ser Cena vs Reigns pelo titulo. O Cena deve lutar com o Taker na WM, e como Cena e Reigns vai acontecer acho que o fazem no Summerslam.

      O Rollins vai lutar com o Reigns pelo titulo, mas talvez não seja no Summerslam.

  5. Vitor Oliveira - há 7 meses

    Excelente artigo, muito bom

  6. Não avançar para a Brand Split seria o maior erro da História da WWE! Com o enorme número de talentos de enorme qualidade que a WWE tem hoje no main roster e outros com a mesma qualidade ou com potencial para tal no NXT, não dividir o roster irá estagnar 90% do roster no futuro e irá acabar por prejudicar a WWE.

    • José Sousa - há 7 meses

      Mesmo com estes despedimentos acho que a Brand Split faz sentido. A questão é sobretudo se eles estão verdadeiramente disponíveis para tal.

  7. RFBM - há 7 meses

    Bom artigo. Esta história deve apenas ser mais uma feud entre os McMahons, que tal como tu, penso que irá acabar com a luta pelo poder sem o regresso da brand split, embora gostasse muito que acontecesse.

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