The Bottom Line #88 – Wrestling Nostalgia (16)

Olá a todos e sejam muito bem-vindos a mais uma edição do “The Bottom Line”. Na edição desta semana, irei apresentar um novo capitulo da minha fase como mark, onde assistia Wrestling todas as semanas na televisão por cabo. Para quem não percebeu ainda, o meu objectivo é partilhar com vocês algumas das minhas histórias como “wrestling mark”, que durou desde o momento onde comecei a ver wrestling (Novembro de 2004), até ao momento onde comecei a ter acesso á Internet com regularidade (Finais de 2009). Irei dar a entender como eu via wrestlers, certos programas e wrestling em geral durante esta fase, comparando o que eu pensava na altura, com o que eu penso agora.

No artigo desta semana, irei analisar o Great American Bash de 2006, um PPV exclusivo da Smackdown. Vou analisar este PPV, pelo motivo de ser um evento muito interessante, por boas e más razões. Este evento construiu-se à volta de 3 combates. O mais importante, não é o Main Event, mas teve o maior destaque. Falo do combate Punjabi, entre The Great Khali e o Undertaker. Khali estreou-se na WWE na Smackdown após a Wrestlemania 22 e atacou o Undertaker. Tendo Daivari como manager, Khali era este gigante com mais de 2 metros de altura, vindo da Índia. Khali era e sempre foi um lutador muito, mas muito, mau, sem quaisquer Mic Skills nem Carisma. A única coisa que a WWE viu no Khali foi o sua grande altura e uma oportunidade de criar ligação com fãs na Índia. Khali e Undertaker defrontaram-se no Judgment Day e Khali, para surpresa de todos, dominou por completo e humilhou o Undertaker, vencendo-o no meio do ringue. Undertaker regressou semanas depois e pediu uma desforra. Contudo, foi anunciado um Punjabi Prison Match. A WWE falou pouco sobre como seria este novo combate, de forma a criar interesse e esconder o facto de que, na prática, o combate era ridículo. Assim, os dois iriam se enfrentar neste novo tipo de combate no PPV.

Outro combate de interesse, era o regresso do ex-campeão Mundial, Batista. Semanas antes do PPV, o Batista faz o seu regresso á competição, depois de 6 meses de paragem por lesão. Ele ataca o homem que o lesionou, Mark Henry, e um combate fica marcado para o PPV. Porém, Mark Henry lesiona-se gravemente poucos dias durante o PPV. Assim, um dos combates grandes do evento perde qualquer propósito. Porém, o Batista vai combater de qualquer maneira e contra Mr.Kennedy, um wrestler, que adorava repetir o seu nome após o dizer pela primeira vez e era um fala barato de primeira. Nesta altura, ele ainda não estava Over e a sua personagem ainda estava a ser construída. O Main Event é um combate pelo Título Mundial de Pesos Pesados. O campeão Rey Mysterio defende o seu título contra King Booker. King Booker? Pois bem, para quem não sabe, o Booker T venceu o torneio King of the Ring, no Judgment Day, ao derrotar na Final, Booby Lashley. Assim, a sua personagem mudou e do nada, ele ficou com a Gimmick de Rei, ao estilo de King Barret. Porém, este Rei começou a ter um bom booking á sua volta e Booker T tornou-se no maior Heel da Smackdown em poucas semanas. Ele ganhou a oportunidade pelo título ao vencer um Battle Royal. Curiosamente, o reinado do Mysterio começou a tornar-se bom quando ele se envolveu com King Booker, pois passou a ser construído como um campeão credível. Porém, já era tarde demais e a WWE apenas fez isto por motivos do que iria acontecer no PPV.

O evento começa com um combate pelos Títulos de Tag Team da WWE. Os campeões, Paul London e Bryan Kendrick, defrontavam os Pitbulls (Kid Kash e Jamie Noble). London and Kendrick, são até hoje uma das minhas Tag Teams da WWE preferidas. Eles usavam um estilo High Flyer, tal como os Rockers e Young Bucks. Eles venceram os MNM no PPV Judgment Day para ganharem os títulos. Os seus adversários são a versão WWE dos Pitbulls, uma Tag Team da antiga ECW. Porém, usaram wrestlers completamente diferentes dos antigos Pitbulls. Contudo, o Kash e o Noble eram bons wrestlers. O combate em si, foi bastante bom. Enquanto London e Kendrick usaram o estilo High Flyer, os Pitbulls usaram muito Wrestling Técnico, de forma a contra-atacar o estilo dos campeões. Achei isso uma boa combinação e achei que as suas Tag Teams se complementavam muito bem. Após 13 minutos de combate, os campeões retêm os títulos, naquilo que foi uma maneira bastante boa de abrir um PPV.

Num segmento de Backstage, Khali está de muito mal humor, pois não quer esperar até ao combate. Ele quer lutar já com o Undertaker. Ele vai então á sua procura.

De seguida temos um combate Triple Threat pelo título dos Estados Unidos. Finlay, semanas durante o PPV, derrotou Bobby Lashley para ganhar o título dos EUA. Lashley pediu a desforra e William Regal também se misturou e foi marcado um Triple Threat. Contudo, o Lashley, no dia do evento, é retirado do combate pois andava metido em esteróides. E assim, do nada, Finlay vai defender o seu título apenas contra William Regal. Isto em papel parece boa ideia, mas na prática foi uma má ideia, pois os dois nesta altura eram heels. Sem ninguém para torcer no combate, o público simplesmente não se interessou. E os dois wrestlers não conseguiram fazer o combate mais interessante, pois se o fizessem, um deles teria de fazer o Face turn, mas como isso não estava nos planos da WWE, isto apenas foi um combate razoável. É uma pena, mas as alterações em combates não ficariam por aqui. O Finlay manteve o título, depois de atingir o Regal com a sua bota.

No Backstage, Chavo Guerrero está a dar apoio ao Rey para o seu combate. Os dois dão um abraço para terminar o segmento.

Agora temos um combate para encher chouriço. Gregory Helms, o campeão Cruiseweight, defronta Matt Hardy. Eu juro que este combate não foi anunciado antes do PPV. Este combate não tem história nenhuma, por isso não ganha muito interesse. Mas os dois wrestler trabalharam muito apesar disso. Porém, os dois não se complementaram lá muito neste combate. O Helms vence depois de um Roll Up e de um agarrar de calças ilegal. Foi um combate decente, mas sem nenhuma storyline para criar heat. Porém, a pessoa certa ganhou.

Agora temos um segmento de Backstage. Khali acaba por encontrar o Undertaker e os dois começam uma troca de murros. Mas o Big Show, actual campeão da ECW, ajuda Khali e os dois atacam o Deadman. O GM da Smackdown, Teddy Long aparece e diz que os planos foram alterados. Já que o Big Show quer invadir a Smackdown, então será ele a enfrentar o Taker no combate Punjabi, invés do Khali. Acho que o Khali também foi apanhado com esteróides no corpo e essa foi a razão para ele ser substituído pelo Big Show. Mas mais uma vez, nada foi anunciado até ao evento em si. Num instante, os fãs deixam de poder ver dois combates que lhes foi prometido (e que pagaram), mais a mudança de combate do Batista.

E temos logo de seguida o combate Punjabi. Vou tentar explicar este combate da melhor maneira possível. Existem duas jaulas, feitas de, ao que parece, bambo ou algo parecido.Uma dessas jaula cobre o ringue, ao estilo de uma jaula normal, enquanto a outra, ligeiramente maior, cobre os tapetes que se encontram á volta do ringue. Existem várias armas dentro da segunda jaula. Para ganhar o combate, é necessário escapara ás duas jaulas. Este combate foi absolutamente ridículo. O Big Show nesta altura tinha peso a mais e não se conseguia mexer muito no ringue. O Taker não consegue fazer milagres, especialmente nesta fase da carreira. O combate foi aborrecido, pouco heat e pouco uso das armas e da jaula. O Taker vence depois de aplicar um Crossbody, que acaba por abrir a porta da segunda jaula e este vence pois atravessou a porta primeiro. Isto foi um mau combate e seria um mau combate quer lá estivesse o Khali ou não. Este tipo de combate foi uma má ideia, mas isso não travou a WWE de repetir a Gimmick no ano seguinte.

Agora temos um Fatal Four Way entre Divas, um Bra and Panties Match. Caso sejam mais novos e nunca tenham visto nenhum combate deste tipo, uma Diva é eliminada quando é despedida até á roupa interior. Krystal, Ashley, Jillian Hall e Michelle McCool são as participantes do combate. Outro combate para encher chouriço sem interesse. A Ashley vence um combate mau de 5 minutos.

Agora temos o semi-Main Event. Batista contra Mr.Kennedy. O Batista tem uma reacção muito boa. Devo de admitir, antes do Batista se lesionar, ele era o meu wrestler preferido na altura. Então, quando ele regressou, estava muito entusiasmado. Quanto a este combate, foi uma desilusão. O Kennedy ainda não era o bom worker que se tornaria um ano depois e a lesão do Batista tornou-o um pior wrestler. O Batista, antes da lesão, era um dos melhores workers, em termos de Big Men, que a WWE alguma vez teve. Com a lesão, ele perdeu muito da sua mobilidade. Para piorar tudo, este combate foi construído para que o Batista descarrega-se toda a sua fúria em Kennedy, que tinha substituído Henry, o rival do Batista. Então, durante 8 minutos, foi quase um Squash Match. O Batista faz o Kennedy sangrar e tudo. O Mr.Kennedy vence o combate por desqualificação, depois de o Batista ter recusado terminar o seu ataque no Kennedy, quando este estava nas cordas. Medíocre.

Chegamos então ao Main Event. King Booker é o primeiro a entrar. A sua entrada é de um completo heel. Ele em todos os momentos acha que é um rei legítimo. E a sua rainha, Sharmell, também faz um belo trabalho a conseguir Heat. O Rey consegue uma razoável reacção. Os dois wrestlers trabalharam bem durante todo o combate, apesar de não terem lá muita química. Rey foi um bom Babyface e o Booker um bom Heel. Foi um combate digno de Main Event, com uma história simples pelo título. Os momentos finais do combate, trazem um ataque ao árbitro e por consequência, Chavo Guerrero vem até ao ringue e ataca o seu amigo, Mysterio com uma cadeira. Chavo torna-se assim num heel. Booker faz o Pin e torna-se no novo campeão da WWE. Achei que o combate foi bom, mas que o turn do Chavo foi demasiado previsível. Porém, o facto de ver o Booker ganhar o título por uma última vez, é um ponto de destaque. O PPV acaba assim de uma forma positiva.

Concluído, acho que este show desaponta é vários aspectos. Não é um mau PPV, mas deixou muito a desejar. O Opener e o Main Event são bons combates e recomendo, mas o resto ou é mau, ou então é desinteressante. Numa escala de 1 a 10, diria que este PPV é um 5. E este é o meu artigo por hoje. Muito obrigado por terem lido o artigo. O que acham desta análise? Concordam? Deixem também as vossas opiniões. Até para à semana!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The Bottom Line” e Ex- escritor do artigo "One on One". Acompanha Wrestling à 10 anos.

5 Comentários

  1. RFBM - há 1 ano

    Óptimo artigo. Concordo com a tua análise em tudo, este PPV valeu mais pelo opener e pelo main-event. O combate Punjabi é uma má ideia e ainda o repetiram no ano seguinte. Dois dos combates mais importantes do card foram alterados e para mim, a desilusão foi a foi a forma como o combate entre o Batista e o Mr. Kennedy acabou. Daria 4 em 10 a este PPV.

    Concordo exactamente contigo em relação ao Batista. Aquela lesão prejudicou e de que maneira a sua qualidade in-ring, mas também acho importante salientar que ainda nos próximos anos, o Batista ainda conseguiria ter combates bons/bastantes bons com wrestlers como Undertaker e Edge.

  2. Reigns one versus all - há 1 ano

    Ótimo artigo.

    Aquele combate de punjabi não foi uma grande ideia.
    Cheguei a ver um combate desse e não era nada de interessante.

  3. you cant see me - há 1 ano

    Otimo artigo. Eram bons wrestlers mas pelo que disseste não foi assim um grande ppv. Apesar de eu só ter visto wrestling a partir de 2007 mas se calhar foram bons tempos de wrestling. Um ppv a começar com títulos de tag team começa sempre bem o ppv. Mas acho pelo que tu disseste só o main event foi bem vendido. Em vez de porem o lashley vão por o william regal e o finlay pelo título dos estados unidos não foi assim muito bom pelo que disseste. Mas acho que pelo que disseste o big show nem o great khali não eram adversários para o taker. Mas acho que o main event foi muito bom.

  4. Marques - há 1 ano

    O Batista e o Great Khaly( de 2006 e 2007) são a prova provada que um bom booking faz milagres.

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