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The People’s Elbow #30 – O Tamanho Importa?

A todos muito bons dias, caros leitores! Mais uma semana chegou e com ela um novo artigo do espaço das Terças-Feiras do Universo! O assunto de hoje vai ser uma referência às recentes notícias de aposta nos lutadores mais possantes e alguma falta de reconhecimento pelos pequenos-grandes nomes que trabalham na maior empresa de luta livre mundial. Para não tornar este artigo claro como a água falando naqueles fisicamente abastados que estão a colher os frutos desta decisão, vou recuar para dois enormes atletas (dimensão corporal e não talento) em quem foram depositadas fichas e cuja confiança e expectativa acabaram defraudadas. Voltemos até 2006 para relembrar um bicho indiano e, logo de seguida, até 2011 para analisar o regresso de Diesel e os efeitos dessa óptima história em que se resolveu incorporá-lo!

Dalip Singh Rana, nascido a 27 de Agosto de 1972, é um actor e Pro-Wrestler indiano, mais conhecido pelo seu ring name The Great Khali. Sofre duma doença associada ao gigantismo que causa deformidades na estatura. Fez a sua primeira aparição a 7 de Outubro de 2000, nos EUA, sendo que, em Agosto de 2001, mudou-se para o Japão. A 2 de Janeiro de 2006, tornou-se o primeiro indiano a assinar um contrato com a WWE, tendo sido enviado para a federação de desenvolvimento Deep South Wrestling, onde lutou sob o seu nome real, debutando em TV no episódio da Smackdown de 7 de Abril, com Daivari como seu manager, atacando Undertaker e deixando-o indefeso durante o seu combate com Mark Henry. Na semana seguinte, foi introduzido como The Great Khali e Daivari explicaria que finalmente tinha um cliente capaz de destruir Undertaker, depois de Muhamad Hassan e Mark Henry terem falhado. Fez a sua estreia em ringue na edição da Smackdown de 21 de Abril, derrotando Funaki. A 12 de Maio, lutou contra o World Heavyweight Champion Rey Mysterio, derrotando-o num squash, beneficiando da vantagem de peso e altura em comparação ao seu oponente. No Judgement Day, derrotou Undertaker com um pontapé na cabeça depois de receber ajuda ilegal do Daivari. Continuou a provocar tumulto por diversas semanas, ganhando Handicap matches, sovando superstars etc No Great American Bash, desafiou o Dead Man para uma Punjabi Prison match, a que falhou por não estar clinicamente apto a competir, sendo esse combate substituído por um Last Man Standing no SummerSlam, vencido pelo Phenom, dando ao indiano a sua primeira derrota.

Depois de na Golden Era Vince ter preferido malta pesada que de luta percebia muito pouco, na da “Agressão Impiedosa” resolveu partir para cima de alguém cujas deficiências, achou ele, dariam jeito para formar mais um gigante. Só o patrão da WWE para pensar que todas as vitimas deste estilo de doença se tornam consigo iguais ao André The Giant. As limitações impostas pelo tamanho do homem não serviram de entrave e tiveram de ser disfarçadas com afinco para que a coisa resultasse. O certo é que a ideia do génio-louco Vincent McMahon tinha pernas para andar: com as debilidades cobertas com uma postura heel e um manager que falasse por ele, o indiano era enviado para uma questão pertinente – haveria alguém mais forte e poderoso do que Undertaker? Todas as bestas que quiseram ocupar o seu lugar tinham ido “descansar em paz” mais cedo, faltava alguém que conseguisse arrumar o morto vivo duma vez por todas. Uma história muito bem contada e em que The Great Khali teve um papel fidedigno e preponderante. Atrevo-me a dizer que esta faceta dele e a sua estreia marcam a Ruthless Agression Era, sendo elevado por um homem que aceitava trabalhar com todos os cepos que lhe apareciam. Para além de se ter metido com o imbatível da WM, fez aplicar a sua imponência física sobre o baixinho mascarado, dominando-o e destruindo-o totalmente. Parecia não haver ninguém capaz de o travar, aquela cavalgadura era insaciável em dor e sofrimento, trazendo mesmo um novo tipo de combate num ringue cercado por canas de bambu, até que o sobrenatural que envolve Undertaker prevaleceu, conferindo-lhe a sua primeira derrota. Porém, não seria aí que cessaria de semear o terror…

Ele e Daivari foram movidos para a ECW, com este último a começar uma senda vitoriosa que se prolongou por numerosas semanas, com The Great Khali a arrumar os oponentes depois da contenda com uma Punjabi Plunge. Jonathan Coachman anunciou que ele tinha assinado pela Raw sem o seu manager e que lutaria com John Cena no main event desse próprio dia, ganhando por desqualificação e deixando Cena estendido no ringue para um eventual ataque de Umaga, depois do combate. A 19 de Fevereiro, exigiu competição digna depois de vencer facilmente os Highlanders. Quatro dias depois, interferiu numa Falls Count Anywhere Match de qualificação para o Money in the Bank, custando o lugar a Kane e conduzindo a uma feud que culminou na WM, onde derrotou a Big Red Machine com uma Punjabi Plunge. Se na ECW foi o moço de recados e o protector de Daivari, afastando-o do ringue, encobrindo-lhe as fraquezas e permitindo-lhe fazer o que sabe melhor, foi a solo que esmagou os adversários, todos bem escolhidos, não fosse Cena a galinha dos ovos de ouro e Glen Jacobs uma exímia catapulta de colegas de balneário. Nem a “Máquina Vermelha” resistiria ao “Pesadelo de Punjabi”…

A 30 de Abril, atacou HBK, Edge e Randy Orton, todos candidatos ao WWE Championship, nos bastidores, passando depois para o campeão John Cena, mandando a mensagem de que queria o seu título, objectivo que esteve quase a ser cumprido no Judgement Day, perdendo via submissão ao desistir ao STF. No One Night Stand, perdeu para John Cena com um FU. A 11 de Junho, como parte do Draft 2007, foi transferido para a marca azul com o seu manager e tradutor Ranjin Singh, começando uma feud com Batista em Julho. Edge libertou o World Heavyweight Championship devido a lesão e o indiano apoderou-se dele num Battle Royal de 20 homens, a 20 de Julho. No Great American Bash, dominou e derrotou Kane e Batista e, no SummerSlam, reteve o título, perdendo por desqualificação. Então, começou uma feud com Rey Mysterio depois deste se tornar Number 1 Contender. O General Manager Theodore Long informou-o que ele defenderia o campeonato mundial de pesos pesados contra o mexicano e Batista, no Unforgiven, em que perdeu para o Animal após receber um SpineBuster. Ainda em 2007, começou a perder fulgor, tendo uma curta feud com o World’s Largest Athlete. Em Julho do ano seguinte, rivalizou com o “Assassino Cerebral” pelo WWE Championship, ganhando o direito de o enfrentar no SummerSlam, perdendo no evento com um Pedigree.

The Great Khali deixou bem vincadas as suas intenções pelo campeonato principal da empresa e podia tê-lo ganho. Duas derrotas com John Cena foi demasiado, mesmo que se acredite que o colosso indiano não merecia o título primário. A alteração para a marca azul fez-lhe bem e o Campeonato Mundial de Pesos Pesados veio em boa hora. A rivalidade com Batista foi decente, pena que a margem de manobra na construção de combates e na execução de certos movimentos tenham originado a mudança de título por meio dum SpineBuster, um Signature Move. Se calhar um Spear teria funcionado melhor… A seguir a mais uma oportunidade pelo título máximo, tornou a sua personagem mais divertida, apresentando com Ranjin Singh o “Kiss Cam”. O mais próximo que esteve do destaque foi quando rivalizou com Dolph Ziggler e com Kane, que resultou em combates no SummerSlam e Breaking Point, saindo derrotado de ambos. Como Punjabi Playboy, o seu dever é disfarçar-se, formar equipa com Special Guest Host e outros desprezados do roster e participar em actividades infantis. A 6 de Maio de 2011, Jinder Mahal confrontou-o e todo esse processo tornou-o heel e formou uma aliança com ele, agindo como seu guarda-costas e atacando os seus oponentes terminados os combates. A 1 de Julho, Ranjin Singh revelou o porquê de Khali ter de obedecer a Mahal e, a 9 de Setembro, ele tornar-se-ia face de novo. Uma autêntica pedrada no charco esta história que, desenvolvida doutra maneira, teria recuperado o Khali de anos anteriores e feito muito bem a Jinder Mahal. Perdeu-se essa chance tal como verificar como funcionariam em equipa.

Neste tempo todo longe do main event, é dispensável a sua presença, tendo requerido uma cirurgia ao joelho, tirado umas férias para estar com a família na Índia, trabalhos de caridade e alcances artísticos, como um reality show de Outubro de 2010 a Janeiro de 2011 e aparições em programas do canal Disney e filmes de Hollywood. A 26 de Julho de 2012, submeteu-se a uma cirurgia a um tumor benigno no cérebro, não devendo, portanto, sequer ter voltado a competir. Eu penso que ele teria mais sorte se saísse e enveredasse a sério na representação, há sempre papéis disponíveis para homens da sua condição e nacionalidade. Ele bem pode estar a esfregar as mãos que mais parecem frigideiras com este apoio aos mais encorpados que nada o safará da sua situação, se não foi Mahal não aparecerá mais nada que o retire de onde foi colocado. Com 2 metros e 16 e 157 quilos, funcionou nos dois primeiros anos da sua estadia. Como qualquer estreante, teve direito às histórias principais e a lutar por títulos, para depois cair em desgraça quando não havia mais razão para pegar nele. O fogo extinguiu-se e os fracos recursos que ele tem para oferecer noutras vertentes que não na dum vilão assustador levaram-no ao fracasso, mesmo se tivermos em consideração a recepção que tem do público quando toca a Land of Five Rivers. Havia muito pouco que se pudesse fazer mais, não fosse o mercado indiano ele estaria despedido e sem deixar saudades das suas fantasias ou de como querem fazer parecer que ele não sabe falar Inglês. Mesmo lutando mal, tem três finishing moves de que gosto muito – Punjabi Plunge (ChokeSlam com as duas mãos), Brain Chop (2006-presente) e Vice Grip (2007-2012) – e uns Signatures como Big Boot e Clothesline. Antes de passar ao próximo caso, fiquem com algumas curiosidades sobre a sua vida pessoal: Antes de embarcar pela carreira no Wrestling Profissional, era oficial da Polícia de Punjabi! O reality show em que apareceu teve arranjos especiais para o adaptar, incluindo uma cama em que ele pudesse caber! Em 2001, Brian Ong morreu após receber um FlapJack seu, sofrendo uma concussão fatal, causando inadvertidamente a sua morte. É uma pessoa religiosa, medita todos os dias e não consome alcool, drogas, tabaco, carne e cafeína, seguindo uma dieta vegetariana. Sugeriu o ring name The Great Khali por causa da deusa Hindu Kali, associada à energia eterna.

Kevin Nash (9 de Julho de 1959) é um actor e lutador, conhecido pelo seu ring name Diesel. Lutou sob diferentes nomes para distintas promoções, como a WCW, a WWE e a TNA. Vindo de Detroit – Michigan, com 2,16 metros de altura e 159 quilos de peso, teve a sua estreia a 14 de Setembro de 1990. É um dos membros fundadores da NWO, ao lado de Hulk Hogan e Scott Hall, e isso já para si é determinante no seu reconhecimento, goste-se ou não da sua pessoa. Em 2011, assinou um contrato com o programa de lendas da WWE por 5 anos, e é nesse ponto que vou tocar fundamentalmente.

A 30 de Janeiro de 2011, regressou à promoção que abandonara em 1996, no Royal Rumble. A 2 de Abril, esteve presente no Hall of Fame para celebrar a indução de HBK, juntando-se a ele no palco. Retornou em Agosto no SummerSlam, atacando CM Punk. Na noite seguinte, clamou que o COO HHH lhe tinha dado instruções para o fazer, numa mensagem escrita, e ordenou que fosse agendado um combate contra Punk a John Laurinaitis. Em vez disso, The Game pôs-se no combate e Nash atacou-o na assinatura do contrato, sendo despedido em directo. No Night of Champions, interferiu no combate e foi atacado pelo antigo amigo com uma marreta. Retornou no PPV seguinte (Vengeance), atacando-o nessa noite com uma Jacknife Powerbomb e com uma marreta, impedindo-o de receber tratamento médico e tirando-o da TV. Depois de retirá-lo dos ecrãs e com a rivalidade a meio gás, lutou em House Shows no Japão e na Europa e continuou a aparecer na Raw, competindo a 5 de Dezembro de 2011, derrotando Santino Marella com o seu finisher. Defrontou o antigo comparsa no TLC numa luta de escadote, perdendo depois de receber uma marretada na face, encerrando a feud.

Uma história que começou sem lógica nenhuma, com um companheiro de muitos anos e Punk à mistura. Telemóvel, mensagem, quem ordenou o quê a quem, quem mentia, quem dizia a verdade?… Não teria sido mais simples, já que este voltara no RR, ter ido pelo seguinte: Nash reaproximara-se da WWE depois de tanto tempo, estava sob contrato e ninguém o chamara desde o seu retorno. Nem mesmo o amigo e boss Paul Levesque. Depois da reacção que causara da plateia com a sua chegada, esperava ser convocado a aparecer nos programas semanais e isso nunca mais sucedia. Metia-se a ligação com Hunter ao barulho e a amizade entre os dois à mesma e não se chateava Punk com uma coisa destas, um verdadeiro desperdício de tempo. Isto não serviu de nada ao Straight Edge nem provocou uma viragem para vilão de HHH com base nessa suposta mensagem, ainda que tenha enfrentado Punk com uma ponta de tirania à mistura, que não passou daí. Nash é como o lutador referido atrás – para levantar uma perna tem de pedir licença à outra – e esteve francamente mal até na sua manobra final, chegando-se a pôr em perspectiva uma troca. Adoro a sua variação de Powerbomb, mais perigosa por deixar cair o adversário sem o acompanhar no gesto com os braços, mas ele não teve o mínimo cuidado e estatelou Hunter ao comprido sobre o pescoço, quando era suposto que caísse de costas. Mais tarde, com a marreta, causou-lhe ferimentos na cabeça. É preciso ser muito amigo para aturar isto!

Quis com este artigo demonstrar uma abordagem diferente às notícias que circulam sobre a ressurreição dos grandalhões e a pausa na contratação de lutadores de físico franzino com estas duas experiências mal calculadas. Não sou contra a compra ou o surgimento de alguém assim em posição de destaque, desde que saiba lutar e tenha aptidões e condições para isso. Não gozo e não consigo imaginar como será realizar tarefas diárias para quem tem o corpo fora do normal, quanto mais no exercício da sua função na luta livre. Não me despeço sem um olhar sobre os “búfalos” que andam a ter ou terão a atenção sobre si nos tempos que correm: Big Show chorão irrita, mas contra uma Corporação de Bad Guys ele é verosímil numa manifestação contra o sistema, dado o seu estatuto. Sei que ele está a ter o que não teve quando era mais merecido e que agora é tarde, mas é injusto reclamarmos quando ele está a fazer bem o seu trabalho e a cumprir o papel que lhe designaram só porque não é o favorito de nenhum de nós. Criticar só por ser quem é não. Quanto a Mark Henry, desejo que não se despeça da vida desportiva sem um mês ou dois com o cinturão principal à cintura. Por hoje é tudo, espero que tenham gostado desta edição alternativa, até à próxima!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

4 Comentários

  1. MicaelDuarte - há 3 anos

    Bom artigo Miguel.

    Contratar gigantes apenas porque têm essa estatura, acho que está mal. Para mim, devem sempre tentar conciliar a capacidade em ringue com o tamanho, por isso, The Great Khali’s não me dizem nada. É claro que não estou à espera de ver um Khali ou Big Show a fazerem uma “Hurricanrana” ou um “Moonsault”, mas tem que haver sempre um “mix” entre qualidade “in-ring” e a envergadura do lutador.

    Neste momento, o único grandalhão que tem boas capacidades em ringue é o Luke Harper. Acho que merece todo o destaque e mais algum pelas “performances” que tem vindo a demonstrar (ao contrário do seu companheiro)…

  2. RuiFerreira222 - há 3 anos

    Para aqueles que querem saber a históra da morte de Brian Ong:

    http://z9.invisionfree.com/WWE_For_Extreme/ar/t6237.htm

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