The People’s Elbow #38 – Más Notícias

Bons dias! Cá estamos no início de mais uma semana com uma nova edição deste vosso espaço! Hoje contarão com um texto de opinião sobre um inglês que todos desejamos ver triunfar. É sobre Wade Barrett que me focarei desta vez, fazendo uma retrospectiva da sua carreira e o que virá daqui para a frente com esta personagem de mensageiro.

Stuart Alexander Bennett, nascido a 10 de Agosto de 1980 em Preston (Inglaterra), foi inspirado a tornar-se Pro-Wrestler pelos seus ídolos de infância Bret Hart e Davey Boy Smith. Enquanto treinava, graduou-se em Biologia Marítima na Universidade de Liverpool, trabalhou num laboratório cientifico e como consultor de recrutamento. Aos 21 anos, decidiu seguir o seu instinto competitivo e foi treinado por Al Snow, fazendo o seu debut em Junho de 2004.

Em Novembro de 2006, participou numa tryout pela WWE, assinando um contrato de desenvolvimento em Outubro de 2007, usando o ring name Stu Sanders, mudando para Wade Barrett em Agosto de 2009 e descrevendo a sua nova caracterização como uma extensão do seu lado negro.

Competiu na primeira temporada do NXT em 2010, ganhando e debutando no plantel principal em Junho como líder dos Nexus – stable composta pelos concorrentes do programa. A 12 de Julho, o grupo teria o seu primeiro combate, derrotando John Cena numa luta Handicap.

Na semana seguinte, Wade lutaria sozinho e venceria Mark Henry. Os Nexus continuariam a feud com John Cena, resultando numa Elimination Tag Team Match de 14 homens no SummerSlam, em que o britânico seria o último resistente do colectivo, desistindo ao STF e causando a derrota dos novatos.

De acordo com Edge e Chris Jericho, que fizeram parte da equipa de Cena nesse evento, o plano original era pôr Wade Barrett over, sendo eles eliminados pelos Nexus. No entanto, o senhor “Hustle, Loyalty, Respect” pediu uma alteração de angles, derrotando Justin Gabriel e Wade, acabando com o push que se estava a preparar para este último.

Se o resultado não foi o esperado e prejudicou a pouca credibilidade que existia dentro da facção, o seu chefe ficou marcado como aquele que dera “Tap Out” para a derrota. Sendo certo que o alvo prioritário do conjunto era a cara da empresa, o combate no maior evento do Verão contou com mais superstars envolvidas, que contribuíram para o desenrolar da contenda.

Tudo ia bem até Cena se deparar como único remanescente da sua equipa e aviar uns quantos à sua maneira. Num combate em que o recém inserido Daniel Bryan foi incapaz de prolongar o momentum, sendo eliminado pelos antigos parceiros, e cuja história prejudicou os dois canadianos (ora eram amigos ora inimigos, ora eram face ora eram heel, ora se preocupavam em combater os desordeiros ora não queriam saber), o campeão das massas trata de ter a infeliz ideia de não ler os pensamentos dos colegas.

Os companheiros de equipa sacrificaram-se e fizeram tudo para que a stable parecesse poderosa (o que já de si era difícil) e Cena acaba por estragar tudo. Poderão dizer-me que a derrota dos estreantes foi um tiro no pé à partida, mas há modos de vencer e perder sem desfalcar um grupo de indivíduos da sua verosimilhança. No mínimo, desprestigiavam o conjunto e valorizavam apenas aquele que se aproveitava.

Perdendo no primeiro PPV e numa situação de igualdade numérica, os Nexus demonstravam ser fracos quando não estão em supremacia, como nos ataques e nas lutas anteriores que fizeram. Uma derrota seria inaceitável do ponto de vista da continuidade, logo, poderia terminar ali uma união de elementos muito verdes e a elevação do membro supremo. Entre Wade e Justin Gabriel (os dois melhores performers), o primeiro era o protagonista lógico e o que tinha mais contra si se não fizesse boa figura.

Ter sido o derradeiro representante no combate podia-lhe ter marcado pontos e o cara a cara com Cena no final podia e devia ter sido muito mais benéfico. O que aconteceria era que nem a stable se desintegraria nem o seu líder seria visto mais alguma vez como o macho dominante.

A 30 de Agosto, os Nexus enfrentaram Edge, Y2J, Sheamus, Cena e Randy Orton em mais uma Elimination Tag Team Match, vencendo através da eliminação da Viper por Wade, tentando recuperar algum prestígio, imputado pela garantia de combate pelo título da WWE no Night of Champions, onde não teve sucesso.

A feud continuou no Hell in a Cell, onde a sua vitória forçou Cena a juntar-se aos “amarelos”. Era a chance ideal de angariar alguma vitalidade e sede de vingança e apagar aquele pobre acontecimento que tinha sido o SummerSlam. Com Cena às suas ordens, vimo-lo a ser Number One Contender contra Randy Orton

Contudo, enquanto alguns auguravam algo de bom disto (inclusive uma viragem para heel do subordinado), sabia-se que se teria de aproveitar aqueles poucos momentos de dominação do inglês porque se adivinhava que a resposta não demoraria.

Foi o que veio a acontecer quando ele interferiu nessa luta, permitindo que o Apex Predator retivesse via desqualificação, mas garantindo uma desforra no Survivor Series, para o qual seria escolhido como árbitro. Se Wade ganhasse, Cena libertar-se-ia dos Nexus, se falhasse a conquista do título, ele seria despedido. Nem com esta estipulação o cinto mudou de mãos…

É quase inconcebível e imperceptível uma coisa destas! Vamos aos factos: Wade merecia ter ganho o título de que jeito fosse, não poderia nunca era falhar esse objectivo de qualquer maneira.

Se formos pelo meio da credibilidade que ele tinha para se apoderar logo dum título maioritário, a WWE parecia querer resolver isso quando coloca Cena na boca do lobo, ou seja, a integrar o grupo contra o qual se opunha e a submeter-se às ordens que lhe eram dadas.

Com um trunfo tão alto na manga seria impossível não obter tudo o que se queria, verdade? Mentira! O herói da criançada não levou muitos episódios semanais a suportar todo aquele enredo e cedo se esqueceu das consequências dos seus actos libertinos. O vilão inglês bem tentou impor rédea curta e manter Cena sobre apertada vigilância, porém, não tendo mão nele, claudicou a sua posição de liderança e foi embaraçado dentro do colectivo que tinha composto e como candidato a campeão.

Entre a espada e a parede, Cena prefere ir embora do que garantir a sua saída dos Nexus. Tudo o que tinha de fazer era uma contagem de três a favor de Wade e tudo voltaria a ser como antes, mas a honra e a justiça e o “nunca escolher o caminho fácil” traiu uma estrela em ascensão.

Como se alguém supusesse que ele ficaria muito tempo afastado da empresa, eis que ele interfere numa desforra, atacando-o e custando-lhe novamente o cinturão. Não bastava ter atirado os foguetes, veio apanhar as canas. O cinto com Wade seria um óptimo prenúncio para o seu futuro e dava alento para mais uns meses de Nexus, já que seria mais uma razão e motivação para os outros o seguirem.

O objectivo de Cena era agora desmantelar o conjunto do qual tinha sido obrigado a fazer parte. Depois do enterro, quis certificar-se das cerimónias fúnebres… Como se houvesse mais alguma margem de manobra no seio dos antigos NXT, Cena passa a atacar todos os membros, que, para sua salvação, exigem a sua readmissão ou o exílio de Wade.

É incrível como Cena consegue fazer os elementos dos Nexus questionar a autoridade e a superioridade de um tipo que se preocupara em levá-los consigo e lhes dera chances entre os maiores do ramo. Se a situação de Wade era frágil, o que dizer quando é encostado às cordas por quem não lhe chega aos calcanhares, concordando em recontratar Cena.

Como condição, ambos se enfrentariam numa luta de cadeiras no TLC, que Wade não só perderia mas seria humilhado, acabando literalmente por baixo do seu oponente. Reapareceu no inicio de 2011, confrontando CM Punk, que assumira a liderança da facção na sua ausência.

Destituído das suas funções e com o orgulho ferido, viu-se ainda manipulado numa brincadeira que o enxovalhou: Punk deu-lhe a oportunidade de reaver a sua criação tendo, para isso, de ganhar uma Steel Cage para determinar o Number One Contender ao WWE Championship. Contudo, durante o combate, o Straight Edge atacou-o quando estava prestes a sair da jaula, removendo-o do seu “projecto amarelo”.

A 7 de Janeiro, estreou-se na brand azul atacando Big Show, juntando-se a ele Ezekiel Jackson e os antigos parceiros Heath Slater e Justin Gabriel, que tinham deixado o grupo. Os quatro nomearam-se The Corre e os erros repetir-se-iam, com Wade a qualificar-se para a Elimination Chamber pelo World Heavyweight Championship e a ser o primeiro eliminado.

A 22 de Março, derrotou Kofi Kingston para se tornar Intercontinental Champion, defendendo com sucesso contra o ganês a 22 de Abril. Com a dissolução do quarteto, perdeu o título para Jackson no Capitol Punishment e falhou a reconquista a 24 de Junho. De seguida, teve uma rivalidade com Daniel Bryan, derrotando-o no SummerSlam, e com Sheamus, perdendo em três ocasiões.

A 21 de Outubro, de modo a pôr o passado para trás das costas, definiu as suas antigas alianças como uma legião de parasitas e declarou que a única pessoa com quem se preocuparia seria ele. O seu anúncio foi reforçado com uma vitória sobre Daniel Bryan, sendo o começo da Barrett Barrage.

Perspectivava-se como interessante este reinicio de personagem, muito mais invejosa e individualista, começando uma série de vitórias sobre John Morrison, Trent Barreta, Sheamus e Randy Orton, com quem começaria a feudar em Novembro, atacando-o e distraindo-o durante os combates.

Esta foi mesmo a melhor feud que teve, com uma luta de mesas no TLC (onde a víbora o derrotou) e uma brawl nos bastidores (que levou a uma Falls Count Anywhere), em que o retirou da TV por várias semanas, empurrando-o dum lance de escadas. Quando Orton voltou da lesão em Janeiro de 2012, eliminou-o no combate Royal Rumble, terminando a feud numa No Disqualification Match.

Foi retirado da TV por um cotovelo deslocado, retornando em Agosto de 2012 como um lutador dos subúrbios. A 7 de Setembro, derrotou Yoshi Tatsu para iniciar mais uma senda de vitórias contra Justin Gabriel, Tyson Kid e Zack Ryder. A 31 de Dezembro, ganhou o Intercontinental Championship pela segunda vez. A 7 de Abril, na Wrestlemania 29, perdeu-o para Miz, recuperando-o na desforra da noite seguinte.

A 16 de Junho, perdeu-o para Curtis Axel, sendo derrotado na desforra a que teve direito. Após um período de ausência devido a problemas com o visto, foi reajustado como “Bad News” a 2 de Dezembro, uma personagem com não mais de 1 ou 2 minutos de antena, aproveitados para criticar ou gozar com o público.

Devo dizer que não desprezei este seu novo “ofício”, tolerá-lo-ia mais se fosse parte duma gimnick em ringue, pois o que Wade faz podia ter lugar antes duma luta. Desta vez trouxe alterações que não apenas na música de entrada, visual e finisher. Todavia, creio que aos 33 anos e com uma estampa física de 2,1 metros e 112 quilos não pode andar a perder tempo longe das performances em ringue.

A citação “más notícias” podia ser usada para lhe devolver aquele ar perigoso, isto é, elas seriam para os adversários que consigo lutassem. De resto, o que tem feito são promos normais de quem quer obter heat fácil: pegar nos valores sociais e culturais de cada região onde actua e troçar deles.

Quanto aos seus finishing moves, nem o Wasteland (Fireman’s Carry Slam, 2010-2012) nem o Bull Hammer (Elbow Smash) são dos mais bonitos e fantasiosos, mas para quem enquanto Stu Sanders usava o Spinebuster não parece mal! Espero firmemente que este “Rodrigo Guedes de Carvalho” passe para dentro do ringue tudo aquilo que sabe e nos habituou e que consiga alcançar o topo da luta livre mundial!

Para a semana cá estarei, fico à vossa espera. Abraços a todos!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

5 Comentários

  1. João Leo M - há 3 anos

    Wade Barrett é mais um grande talento desperdiçado enquanto John Cena que é um cara que já encheu o saco com o seu estilo heróizinho sempre está no topo, mas nunca acrescenta, eu não vejo diferença do Cena de 2008 para o de 2014, nunca inovam. Sem falar que em vez da WWE tentar investir nesses talentos que tem em mãos, ficam tentando trazer antigos lutadores julgados como Lendas, para uma ou duas lutas na Wrestlemania, e esses talentos, sentados no backstage. O que posso dizer? Inovação, essa é a necessidade, senão a WWE vai ficar igual a WCW, que do topo foi a lama, em pouco tempo. Não, a WWE não está ruim, mas pode melhorar e muito, enquanto isso vou dar uma chance a TNA.

  2. sXe - há 3 anos

    TNA também é horrível, a melhor companhia neste momento é a ROH, experimenta ver…

    ROH É O FUTURO!!

  3. akujy - há 3 anos

    Bom artigo. Sinceramente não sei onde querem chegar com isto do Bad News Barrett, mas não vejo nada de bom a sair daqui.

  4. Jericho4Ever - há 3 anos

    Eu sou muito fã do Wade Barrett, voltei a assistir WWE na NXT de 2010 e fui também muito fã da The Nexus. É ridículo a WWE desperdiçar um wrestler como ele, não sei até quando não veremos um push merecido para ele.

  5. DheFan - há 3 anos

    Drew McIntyre …… Wade Barrett dois senhores de excelência , o melhor que o wrestling europeu tem para oferecer á melhor companhia americana, e o que acontece? Recebe um push que lhes promete um futuro na empresa apenas para mais um ou dois anos mais tarde ter gimmicks vergonhosas e tratados como m****.
    É triste ver talento como este desperdiçado.

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