The People’s Elbow #75 – Don’t Stop Bolieving

http://youtu.be/VcjzHMhBtf0

Ora viva, caros leitores! Cá vos trago nova rubrica neste início de semana, na qual vos falarei sobre a perda de interesse de Vince McMahon sobre Bo Dallas.

Segundo consta, tal foi evidenciado pela derrota que ditou o final da sua senda vitoriosa. Vou reflectir acerca deste acto e tentar perceber se há razão para não se acreditar no irmão do Bray Wyatt.

Taylor Michael Rotunda (nascido a 25 de Maio de 1990) assinou contrato de desenvolvimento pela World Wrestling Entertainment, estreando-se no Centro de Treinos da Florida a 16 de Dezembro de 2008.

Continuou a lutar durante o princípio de 2009 sob o seu nome verdadeiro até Junho, quando alterou para Bo Rotunda e, a seguir, Bo Rotundo.

Isto proporcionou-se para fazer equipa com o seu irmão Windham Rotunda. Os Rotundo Brothers sairiam Number One Contenders ao Florida Tag Team Championship contra os Dude Busters.

Nessa noite, os títulos passaram para as suas mãos, perdendo-os para Caylen Croft e Trent Barreta a 19 de Novembro. No ano 2010, iniciou-se uma feud contra os Usos, perdendo para eles a 14 de Janeiro.

A 11 de Março, a vingança servir-se-ia fria. Bo estaria ausente até Junho devido a lesão, sendo movido para a competição de singulares, derrotando lutadores como Brodus Clay e Derrick Bateman.

Na sequência, o Florida Heavyweight Champion Mason Ryan desafiou-o, tendo o duelo sido aceite e perdido pelo candidato via submissão, o que não se repetiria quando conseguiu vencê-lo.

Tendo perdido o cinto de imediato, recuperou-o a 19 de Maio de 2011. A 25 de Julho, faria a sua estreia no plantel principal, derrotando Primo antes da Raw ir para o ar.

A 1 de Setembro, despojar-se-ia do cinturão devido a lesão, retornando a 29 de Janeiro de 2012, declarando a sua intenção de resgatar o ouro.

Entretanto, ele e o irmão tornar-se-iam detentores dos títulos de duplas pela segunda vez, mantendos-o até 15 de Março. Pela metade de 2012, faria várias aparições nos house shows do main roster.

No evento ao vivo de 16 de Junho de 2012, conquistou o Florida Heavyweight Championship, pela terceira vez, tendo o reinado durado 30 dias.

Quando o território de desenvolvimento foi transferido para o NXT, ele encarnou a caracterização que ostenta agora.

Sendo face, foi inserido no Gold Rush Tournament para coroar o campeão inaugural da revitalizada brand amarela, só que foi eliminado pelo Jinder Mahal nos quartos de final.

A 7 de Novembro, competiu numa Number One Contender Fatal 4 Way Elimination Match contra ele, McIntyre e Justin Gabriel e, apesar de ter eliminado os dois últimos, sucumbiu ao indiano.

Beneficiaria de nova oportunidade pelo título, mas Jinder Mahal prevaleceria. A 26 de Janeiro de 2013, no Royal Rumble Fanfest, qualificou-se para a luta Royal Rumble ao ganhar o torneio de acesso ao PPV, tornando-se o primeiro representante da nova vida do NXT a entrar na disputa, durando 20 minutos e eliminando o Intercontinental Champion Wade Barrett, que voltaria ao ringue para se vingar.

Isto configurou uma feud entre os dois, conquistando a sua primeira vitória no main roster contra o Inglês, o que lhe permitiu desafiá-lo pelo Campeonato Intercontinental a 24 de Abril, sendo vencido.

Isto pareceu ser precipitado e o que seria uma prenda oriunda da reabilitação do programa do qual fazia parte virou rivalidade que se sabia ir durar pouco.

Entrar numa luta de eliminação não é forma de apresentar novo talento porque se espera que seja logo eliminado e, entre outros regressos, esteja ali para encher o ringue.

Tanto podia lá estar ele como qualquer outro e qualquer proeza que viesse a cometer seria encarada como sorte ou motivação para acelerar o seu trabalho na brand amarela.

Nunca esteve decidido a sua manutenção a longo prazo, daí qual a lógica de andar a atacar o detentor de título do Mid-Card, vencê-lo e ainda poder tentar chegar ao seu troféu?

Era notório que lhe faltava muito para poder ser tido como material de divisão superior, tal como personagem que camuflasse o seu ar desengonçado e aquele visual de cabelo até às costas que não dá para mais que uns “Squashs” e uns “Jobs”.

Entrou no NXT Tag Team Championship Tournament tendo como parceiro o filho de Curt Hennig, que o havia salvo duma emboscada de Primo e Épico, derrotando-os no torneio.

Na Semifinal, foram vencidos pela Wyatt Family, devido à interferência de Bray. Depois disto, foi atacado pelos Shield, o que o impediu de participar numa Number One Contender Match pelo NXT Championship contra Conor O’Brian e Corey Graves.

A Ameaça Tripla ocorreria na semana seguinte, sendo de novo impedido de vencer por Bray por causa da sua recusa anterior em pertencer à Família.

Foi agendada luta entre os dois, tendo Bo saído triunfante. A partir de Abril do ano passado, a audiência começou a assobiá-lo e a protestar contra ele, apesar de não ter havido mudanças na sua caracterização.

Pouco depois, começou a exibir tratos subtis de vilão ingénuo, o que causou ruído acerca da necessidade desta alteração: o público teria topado a sua falta de qualidade e ele iria escondê-la desculpando-se por estar a fazer tudo de propósito?

O seu finishing move causou estranheza por se tratar dum Suplex, quando usara o Spear e o Snap DDT. Entendia-se que o objectivo dele era ser falado, mas havia a dúvida sobre a verdadeira intenção à volta disto, se protegê-lo da falta de potencial se criar confusão através de algo estruturado à volta do ser ou não ser Face ou Heel.

Tanto falatório gerou a que o campeão de Tag Team Adrian Neville o escolhesse como substituto do lesionado Oliver Grey, falhando a sua primeira defesa, tendo perdido para os Wyatt.

A 29 de Maio, entrou na Battle Royal para determinar o candidato ao título, eliminando o antigo parceiro para a vitória. A 12 de Junho, derrotou o Big E Langston para se tornar o novo campeão.

Por esta altura, a audiência não apreciava a sua caracterização estereotipada de Face, indo ao ponto de lhe virar as costas nas suas promos e apoiar os seus oponentes, fosse heels estabilizados como Cesaro ou perfeitos desconhecidos.

Enfrentaria Adrian Neville, retendo ao perder por Count-Out. Todavia, perderia para ele numa luta de escadote no Arrival e não faria melhor na desforra de 27 de Março deste ano.

Participaria noutra Battle Royal, mas seria eliminado. A 15 de Maio, foi anunciado que seria colocado contra Big E Langston com a estipulação de que, obtendo a vitória, receberia outra chance, caso contrário, seria forçado a abandonar o show.

Foi isso que sucedeu, tornando-se heel ao dizer que odiava toda a gente, tentando regressar mascarado, perdendo uma contenda contra Sami Zayn, sendo exposto e levado pela Segurança.

Enquanto isto acontecia, desde 7 de Abril que vídeos introdutórios seus eram projectados nos Titantrons de cada transmissão da brand azul e vermelha.

Eles eram demonstradores do seu estilo de vida, reflectindo frases positivas e cenas de superação contra adversidades ou indicadoras de que tudo é possível quando se acredita.

O seu retorno dar-se-ia na vitória contra Sin Cara, a 26 de Maio, o que seria o início de diversas conquistas seguidas sobre R-Truth, Fandango, Titus O’Neil, El Torito, Damien Sandow, para referir alguns.

A sua bondade, ingenuidade e o conforto que dava aos perdedores dos seus combates chegava a dar pena, pois era considerado parvo ou verde para estas andanças.

A volta que dá ao ringue de cada vez que ganha e a celebração exagerada, seguida dos maus tratos em virtude do apoio moral aos “loosers”, podia estar a traçar mais Eugenes e Santinos, não fosse, ao contrário destes, não ficar nada surpreendido por saber das suas capacidades.

Não podendo haver pessoa tão boa, a sua celebração nada inibida foi considerada trocista e o alento dado aos oponentes sinal de primazia sobre eles.

Estes gestos nada inocentes, não sendo explícitos e podendo ser parte da sua personalidade na realidade e não no intuito de gozo, serve os interesses duma personagem intrincada.

Tanto se pode ter um tanso que não sabe controlar a sua felicidade como um cínico. A violência e revolta com que é pago pelos seus discursos fazia dele a vítima não fosse tudo fogo de vista.

Não é credível existir um ser-humano sem maldade, daí aquilo não funcionar. Não estando toda a gente na disposição de aturar conversas, também ele acabaria por perder a paciência, estabelecendo-se como heel ao atacar o touro dos Matadores, após a luta contra Diego, a 4 de Julho.

Lá está o oposto do que se esperaria se não tivesse sido construído da maneira que tenho vindo a relatar: fora o bovino a lançar a ofensiva contra ele, só que a estratégia montada faz da resposta de Bo a negativa e assume-o como mau por responder à letra.

No BattleGround, participou na Battle Royal pelo vago Campeonato Intercontinental, conseguindo livrar-se de Sin Cara e Titus O’Neil até ser eliminado pelo Dolph Ziggler.

O seu estado “undefeated” foi finalizado pelo R-Truth, propondo uma pequena feud entre os dois. Em Agosto, começou a atormentar o Real American pelo seu desaire contra Ruser no maior evento do Verão e a sua actividade mais recente foi contra o “Homem Mais Forte do Mundo”.

Não possuo outra explicação para o final da sua senda vitoriosa contra uma superstar irrelevante do que novo atentado de Vince McMahon contra os planos que ele próprio definira.

Não sei se serei o único, mas aprecio Bo e o papel que ele representa. Vi-o fazer mais qualquer coisa no ringue no sector inferior, sendo que entre os grandes ainda não o vi fazer nada digno de registo.

Ele é feito da falta de esperança na Humanidade, do facto de não haver ninguém imune à crueldade. Quando evidencia o inverso, não é levado a sério e acaba por se chatear e ser o mau da fita.

O futuro da nossa raça poderia ser o mote para se pegar nele e não desistir. Os defeitos e qualidades, o “ter duas caras”, tudo isso ficaria perfeito se lhe fosse entregue para ele cuidar.

Ficarei desiludido se tudo isto for rejeitado. Não sendo essencial, ele está preparado para se manobrar entre a metade da tabela e não cair a pique até ser despedido.

Aos 24 anos e na terceira geração da sucessão familiar (o seu pai é IRS, o tio Barry Windham), precisa duma alavanca que o faça subir e não qualquer criativo pouco paciente que o faça descer.

Foi a crónica de hoje, fico à espera do vosso comentário e se têm o desejo desta “inspiração” não ficar por aqui “all you have to do is bolieve”.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

2 Comentários

  1. danielLP21 - há 2 anos

    Mais um belo artigo. Também aprecio o trabalho do Bo Dallas, e, pelos vistos, é mais um boneco do qual o Vince se fartou. Continua a não fazer sentido aquela derrota para o R-Truth. Completamente aleatória…

  2. Luís Just (BR) - há 2 anos

    Eu não gosto do Bo Dallas, justamente por essa necessidade que ele tem de querer enfrentar e amolar os perdedores das matches contra o Rusev. A mesma coisa acontece com o comentarista JBL, que também se chateia toda vez que algum deles perde e diz que “eles deixaram o seu país na mão”.

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