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The People’s Elbow #79 – God Put a Smile Upon Your Face

He lied, he cheated and he stole all of our hearts… Esta semana assinala-se o nono aniversário do desaparecimento de Eddie Guerrero, logo, este texto servirá de tributo à sua vida e carreira.

Do início da sua travessia desportiva à sua morte, tudo irá ser recordado com um sorriso, o tal até hoje impossível de esquecer e que Deus lhe pôs na cara.

Eduardo Gory Guerrero (9 de Outubro de 1967 – 13 de Novembro de 2005) lutou por diversas promoções profissionais no México e Japão antes de, nos USA, fazer parte da Extreme Championship Wrestling, World Championship Wrestling e World Wrestling Entertainment.

Seria reconhecido pela sua personagem “Latino Heat”, fazendo tudo e usando todos os recursos para vencer, algo enfatizado pela sua Catchphrase “I lie, I cheat, I steal”, presente na sua Entrance Theme.

Apesar de ter sido vilão durante boa parte da sua carreira, era costume ficar over dentro e fora do ringue, sendo dos mais populares e respeitados na História deste desporto.

Dotado no aspecto técnico, viveu vários problemas de abuso de substâncias, incluindo o alcoolismo e anabolizantes, incorporados, por vezes, nas suas Storylines.

Rapaz novo, assistiria às lutas do seu pai Gory Guerrero no El Paso County Coliseum, sendo-lhe permitido lutar durante os intervalos contra o seu sobrinho Chavo.

No México, seria presença assídua da AAA, fazendo dupla junto a El Hijo del Santo na nova versão iniciada pelos pais dos dois: La Pareja Atómica ou Atomic Pair.

Aliar-se-ia a Art Barr na La Pareja del Terror, tornando-se a equipa mais odiada da Lucha Libre. Em 1994, Paul Heyman aproximou-se deles para os conduzir à Extreme Championship Wrestling.

Todavia, Barr faleceria antes de poder dar esse salto, tendo Eddie adoptado o inovador Frog Splash como Finishing Move e tributo ao seu amigo.

Na sua estreia pela Extreme Championship Wrestling, roubaria o World Television Championship a 2 Cold Scorpio, devolvendo-o a 25 de Agosto de 1995, antes de assinar pela World Championship Wrestling.

Ele havia debutado ali no final dos anos 80, só que desta vez seria a doer, tendo a sua primeira aparição televisiva sido numa 60 Man Battle Royal pelo vago World Heavyweight Championship.

Cuspido do ringue pelos 4 Horsemen, perderia a disputa, recebendo “shots” contra Ric Flair pelo título dos USA, feudando contra ele durante 1996.

Tal aconteceria contra DDP, derrotando-o no Starrcade pelo cinto dos USA, tendo de o defender depois contra Chris Jericho.

Depois de o perder, focou-se no título Cruiserweight do futuro Y2J, perdendo o primeiro desafio no Clash of the Champions e vencendo na desforra exigida.

Deixá-lo-ia cair para Rey Mysterio, recuperando-o na Monday Nitro de 10 de Novembro de 1997 e sendo destituído a 29 de Dezembro pelo Último Dragon.

Apesar do seu sucesso e popularidade, estava frustrado por não lhe ser dada a chance para ser Main Eventer, requerendo ao presidente Eric Bischoff o push ou aumento salarial.

A resposta terá sido o despejar de café pela sua cabeça, segundo a sua autobiografia. Furioso, exigiu a rescisão do seu contrato no episódio ao vivo da Nitro.

Saiu e retornou mais tarde, levando a acreditar-se que os seus discurso descontente teria sido derivado duma “shoot”, o que foi confirmado.

Formaria o grupo “Latino World Order”, resposta à recusa do push, recebendo todos os mexicanos daquela altura, tendo rivalidade contra Rey Mysterio por querer que ele se juntasse a eles.

A storyline foi encurtada quando, a 1 de Janeiro de 1999, se envolveu num acidente de carro. Na sua volta, na edição de 31 de Maio do Nitro, fundou os Filthy Animals junto a Rey Mysterio.

A 19 de Janeiro de 2000, pediu a dispensa, assinando pela World Wrestling Federation.

Ao lado de Chris Benoit, Perry Saturn e Dean Malenko, estreou-se no final de Janeiro como elemento dos Radicalz. Durante a sua primeira luta, efectuou o Frog Splash e lesionou o cotovelo na queda.

Começou a ter o afecto de Chyna (aliada de Chris Jericho que ao início rejeitara aos seus avanços), referindo-se a ela como “Mamacita”.

Confrontaria o “Lion Tamer” pelo European Championship, tendo Chyna ajudado-o a sair vencedor, declarando não resistir ao Latino Heat.

Aos poucos, o casal começaria a ser popular entre os fãs, ao mesmo tempo que se criava fricção entre eles. Lutando numa Mixed Tag Team Match contra Val Venis e Trish Stratus, o Título Intercontinental estava “on the line”, podendo qualquer dos dois conquistá-lo.

Chyna consegui o assentamento e tornou-se a detentora do cinturão. A princípio, o seu parceiro não se importou, sendo inserido na sua “title defense” contra Angle.

No curso da luta, deitou-se sobre ela para tentar despertá-la do ataque de Angle, resultando no pin acidental que lhe daria o Intercontinental Championship e o Heel Turn.

Haveria a reunião dos Radicalz para feud contra os DX, derrotando-os no Survivor Series. Seguir-se-ia Lita e os Hardy Boys, obtendo a vitória noutra luta de eliminação.

Na Mania 17, teria o seu segundo reinado Europeu ao derrotar Test pelo European Belt. Nesta época, desenvolveu a adição à medicação contra as dores e foi enviado para reabilitação.

Para explicar a sua ausência, foi criada a storyline de lesão provocada por Albert. A 9 de Novembro de 2001, foi preso por conduzir embriagado e, na consequência, despedido.

Voltaria a actuar no Circuito Independente, enfrentando Super Crazy no episódio inaugural da Ring of Honor. A 24 de Fevereiro de 2002, competiria pela promoção Australiana World Wrestling All Stars, saindo vitorioso contra Psicosis e Juventude Guerrera.

A 1 de Abril, dar-se-ia o seu regresso à federação, atacando RVD e derrotando-o pelo título Intercontinental, retendo no Insurrection e Judgement Day.

A 27 de Maio, perdê-lo-ia para o “5 Star Frog Splash” numa luta de escadote. A 1 de Agosto, aliar-se-ia a Chavo, constituindo os Los Guerreros.

No Survivor Series, o duo defrontou os campeões Edge e Rey Mysterio e a equipa de Angle e Chris Benoit pelo título, tendo-o ganho quando Eddie obrigou o mascarado a desistir para o Lasso From El Paso.

A derrota surgiria para Charlie Haas e Shelton Benjamin. Cinco dias antes do Judgement Day, Chavo torceu o braço, forçando o tio a procurar outro parceiro.

Seria seleccionado Tajiri, junto ao qual venceria o Tag Team Championship. Depois de o perder, voltar-se-ia contra o japonês.

Apesar de ser retratado como Heel, quando perguntou à audiência se o culpava pelo que ele fez, a resposta foi não.

Entraria no torneio pelo USA Title, avançando para a final, onde se bateria contra Chris Benoit. No Vengeance, utilizou as suas tácticas batoteiras, terminando a luta com a interferência de Rhyno e o seu Gore no “Canadian Cripler”, permitindo-lhe alcançar o triunfo.

Tornar-se-ia Face ao ser engendrado numa rivalidade contra John Cena. De novo ao lado do retornado Chavo, venceu a World’s Greatest Tag Team pelos cintos de pares.

Possuidor de dois troféus, começou a perdê-los no No Mercy contra Big Show, que lhe tirou o título dos USA, e 4 dias depois diante dos Basham Brothers.

A 29 de Janeiro de 2004, recebeu a oportunidade pelo título máximo da empresa após tornar-se candidato ao sair triunfante duma luta ao estilo Royal Rumble.

Elevando-se ao estatuto de Main Eventer, começou a feud contra o campeão Lesnar, ultrapassando-o no No Way Out. A feud seguinte seria contra o “Olympic Gold Medalist”, retendo o ouro na sua grande defesa na Mania XX, até opor-se a JBL, defendendo no Judgement Day, desqualificando-se para continuar na sua posse.

No Great American Bash, numa Texas Bull Rope Match, o agora comentador ganhou após a “Wrestling Machine” (General Manager da brand azul naquele período) reverter a decisão que apontava para a permanência do “Lie, Cheat, Steal” como campeão.

Numa Steel Cage, Angle custou-lhe o combate pelo título, continuando a feud até ao SummerSlam, onde a sua submissão prevaleceu.

Então, aliou-se ao “Maior Atleta do Mundo” para alvejar os aliados da nova Team Angle, tendo, no No Mercy, derrotado Luther Reigns.

O General Manager Theodore Long agendou uma Survivor Series Elimination Match entre as duas equipas, consistindo a de Eddie nele próprio, Big Show, John Cena e RVD, levando de vencida a oponente.

No No Way Out, fez parelha com o amigo de longa data Rey Mysterio para garantis o seu título final contra os Basham Brothers.

Quando era esperada a defesa na Mania 21, encorajado por Chavo, desafiou o por vezes rival para uma “One on One”, não saindo com o resultado desejado.

Embora frustrado, congratulou o parceiro, tendo a tensão entrado em erupção ao perder os cintos de duplas para Joey Mercury e John Nitro, a 21 de Abril.

Na desforra, abandonou-o, tornando-se Heel. Noutro episódio das “Friday Nights”, atacou-o, completando o seu Heel Turn.

No Judgement Day, perdeu por desqualificação e, a 30 de Junho, ameaçou revelar o segredo sobre o seu filho Dominic.

No Great American Bash, seria de novo vencido, revelando no episódio seguinte da marca azul que era o pai verdadeiro do Dominic.

Os detalhes foram expostos numa série de segmentos a que chamou “Eddie’s Bedtime Stories”, absorvendo algo do humor negro nas suas Promos.

No SummerSlam, perderia o combate de escadote pela custódia de Dominic, tendo a feud encerrado quando Eddie obteve a vitória numa Steel Cage.

Foi nomeado Contender ao World Heavyweight Championship contra Batista, saindo o Animal saciado do No Mercy. Tornando-se face outra vez, lutaria a sua última partida a 11 de Novembro, derrotando Kennedy usando as suas tácticas, o que lhe permitia avançar para o Survivor Series.

Na data da sua morte, era suposto ter lugar uma Ameaça Tripla entre ele, Batista e Randy Orton pelo Campeonato Mundial dos Pesos Pesados, tendo sido reportado que estaria destinado ao êxito para que Dave pudesse tirar férias para curar lesões nas costas.

A 13 de Novembro de 2005, foi achado inconsciente no seu quarto de hotel no Minnesota pelo seu sobrinho Chavo, sendo pronunciado morto quando os paramédicos chegaram ao local.

A autópsia revelou que havia falecido como resultado de falha cardíaca e doença cardiovascular, tese apoiada pela sua esposa, que declarou não ter estado no melhor da sua saúde na semana precedente.

Dia 30, Chavo disse que o seu tio estava a trabalhar no duro o seu físico, fazendo treinos de pesos e cardiovasculares todos os dias.

A 14 de Novembro, a programação semanal iniciaria os tributos à sua pessoa, tendo de igual modo a Total Non Stop Action prestado os seus pêsames dedicando-lhe o PPV Genesis, enquanto a Ring of Honor preparou o show Night of Tribute.

A 1 de Abril de 2006, seria induzido a título póstumo ao Hall of Fame por Rey Mysterio, Chavo Guerrero e Chris Benoit, tendo a sua viúva aceite as honras.

Na noite da Mania 22, o 619 dedicou-lhe a vitória pelo World Heavyweight Championship. Numerosas referências têm sido feitas neste negócio, desde simples gestos à adaptação dos seus signature moves e maneirismos no ringue.

A 2 de Outubro de 2009, no episódio especial de celebração dos 10 anos da SmackDown, foi passado um vídeo tributo seu, realçando a sua importância para o aniversariante.

A 19 de Março de 2007, o site Sports Illustrated postou um artigo de investigação continuada sobre esteróides usados por desportistas, mencionando Eddie Guerrero como consumidor através de 2005.

Têm saído vários DVD e livros sobre ele, incluindo “Cheating Death, Stealing Life: The Eddie Guerrero Story” (DVD e livro, 2004) e “Viva La Raza: The Legacy of Eddie Guerrero” (DVD).

Casou com Vickie a 24 de Abril de 1990 e teve duas filhas dela: Shaul Marie (nascida a 14 de Outubro de 1990) e Sherilyn Amber (8 de Julho de 1995).

Teria outra filha – Marie, nascida no ano 2002 – fruto da relação com Tara Mahoney, durante os dois anos de separação de Vickie. A sua segunda mulher seria sua chegada até à data da sua morte.

Não esquecerei o dia que soube da saída da vida terrena deste extraordinário indivíduo: estava a repetir o nono ano e, na aula de Educação Física, oiço dois colegas a falar sobre ele ter morrido.

Ainda havia de esperar anos até ser espectador atento desta modalidade, mas recordo quando, ao mudar os canais da TV, espreitei pedaços do que era depoimentos dos seus parceiros de profissão nos programas realizados em sua memória e que estava a dar atrasado na SIC Radical.

Associei logo a tal conversa àquele clima pesado que ali estava, com choro e lamentação pela perda deste incrível atleta que eu viria a descobrir demasiado tarde.

Costuma-se dizer que o autor morre e a obra fica, portanto, aproveitei para englobar alguns dos seus maiores momentos à lista de recordações que tenho deste desporto.

Das lutas que não me canso de ver está presente aquela contra Lesnar, que indico como uma das mais entretidas a que já pude assistir.

Adoro quando ele reverte o F-5 para o DDT e os festejos no final são de soltar uma lágrima quando se abraça à mãe. Aquele Sunset Flip no escadote também era qualquer coisa de outro planeta.

Ele deu outro vigor ao que ficaria associado como vilão engraçado ou Cool Heel, dos quais não se consegue deixar de dar sustento nas suas acções.

Carismático até nas unhas dos pés, não teria dificuldade a ser face, contudo, quando era para ser sério, destaco aquela fase “I’m Your Papi”, onde foi outro tipo de tirano que não o cómico.

Claro que para tudo isto contribuiu o seu carro e as suas canções de entrada, tal como as frases-feitas e as danças de abanar o corpo.

Ele possuía raça, alma e paixão pelo que fazia e a sua despedida terá marcado a infância ou adolescência de muitos de nós.

Não é à toa que, de entre tantos outros curtos percursos pela Terra de superstars, ele continue a ser dos mais recordados.

Eu sei que a Hurt cantada pelo Johny Cash é linda, mas não quero aqui tristezas, por isso, toma lá disto, caro leitor.

Viva la raza, Latino Heat lives forever…

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

7 Comentários

  1. vendettagaming10 - há 2 anos

    joãop pôe os olhinhos, isto sim é um bom artigo, e deixa de ser infantil :)
    Parabéns Miguel

    • joaop - há 2 anos

      Quantos anos tens? 10? O meu video têm centenas de vezes mais alcance que os teus comentários. Já te lancei o desafio. Fazes melhor? Grava e manda-me e vamos publicar aqui mesmo no WPT. Se não, fica calado, ou vou ser obrigado a humilhar-te publicamente diante de bem mais de 1000 pessoas.

      Miguel, desculpa ter invadido a tua casa desta maneira.

      • Miguel Rocha - há 2 anos

        João, não tens de pedir desculpa, não esperava isto, é algo que está fora do nosso controlo.

    • Miguel Rocha - há 2 anos

      Obrigado por teres lido, gostado e comentado, eu agradeço, só que para a próxima espero que não seja para atacares outros escritores aqui do site. Tanto eu quanto outro qualquer colaborador dá o melhor de si para elevar este site, não há nada mais que respeito e admiração pelos trabalhos aqui exercidos por todos, pois todos remamos para o mesmo lado. Não há quaisquer quezílias entre nós e não vai ser nenhum leitor a iniciá-las, por isso, qualquer assunto que não seja o comentário ao meu trabalho eu dispenso. De novo, fico alegre por teres gostado da minha escrita, mas evita repetir coisas destas nos próximos espaços

  2. DiogoPunk - há 2 anos

    O combate com o Rey na WM 21 continua a ser o melhor combate de abertura do evento, incluindo os MITB

  3. kkk - há 2 anos

    Já estava á espera disto dwsde muito tempo,um artigo sobre o Latino Heat! Parabéns Miguel,simplesmente fantástico
    joaop,não ligues,continua na tua,eu adoro o “The Five Count”, continua,caga nas criancinhas chatitnhas e deixem-nas lá,devem comer p*ça!
    Continuação João! Abraço!;)

  4. danielLP21 - há 2 anos

    Excelente tributo, Miguel. Aquele momento em que ele ganha o título… Enfim, arrepiante.

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