Top Ten #163 – “B Shows” de Antigamente

Sejam bem-vindos a um novo Top Ten. Foi uma semana tudo menos parada. E até nos trouxe umas belas novidades em termos de conteúdo televisivo. Ao mesmo tempo que nos despedimos de outras coisas, das quais… Muitos já eram bem capazes de se ter despedido há muito tempo. Parece que há razões para entusiasmar com o novo 205 Live, que se apresentou esta semana, trazendo-nos Cruiserweights e novidades.

Com a chegada desse novo programa, anexa-se o fim e cancelamento do WWE Superstars após sete anos a fazer parte da programação daquele fã que via tudo, nem que fosse para cumprir calendário. Como comemoração do programa e do seu percurso e como consolo dos seis espectadores que o programa ainda tinha, olhemos para trás para vários programas “menores” na programação da WWE, já extintos que poderão deixar saudades ou não ser conhecidos sequer. Com formatos diferentes, todo o tipo de “B Shows”!

10 – WWF Action Zone

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Um programa de curta duração que preencheu um período pré-Attitude Era, entre 1994 e 1996. Como muitos dos programas secundários da programação da WWE até mesmo nos dias de hoje, começou com a pica toda. Nos dois primeiros episódios constava estrelato de nomes Bret e Owen Hart ou Shawn Michaels e Diesel, com defesas do WWF Championship e dos Tag Team Championships a marcar esses inaugurais episódios. Mas todo esse destaque até demorou pouco tempo a começar a desvanecer. A relevância dos combates ia-se perdendo e ainda em 1995 já o programa mudava o seu formato para um programa de recapitulações da semana que dava aos Domingos de manhã. Já em 1996, dois anitos de existência, lá acharam que a sua existência não valia muito a pena e lá se foi a sombra de um programa que apresentara um episódio da saga Bret vs Owen, com título à baila…

9 – Super Astros

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Com o conceito de uma divisão à parte, podem ver este programa como um 205 Live daquele tempo. Não com uma divisão Cruiserweight, mas com luchadores, acabando por ter semelhanças. O intuito do programa era dar destaque a lutadores estrangeiros, com a evidente supremacia e principal foco para luchadores latinos, para atrair fãs na América Latina. Foi para o ar em 1998 e tinha quase o seu plantel exclusivo, tinha as suas próprias storylines dentro do programa apenas e, também em semelhança aos lutadores da divisão Cruiserweight que ainda competem em independentes, especialmente a EVOLVE, bookava populares lutadores da AAA e da CMLL. Era um bom conceito e pode haver aí muita gema escondida. Mas investiram pouco e lá acharam que não havia grande espaço para luchadores, nem num mundo à parte. Em 1999, um anito e meio depois, desaparecia das grelhas.

8 – Saturday Morning Slam

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E aqui entra um que ainda se lembram! Ou que, por norma e questões temporais, tenha condições para ainda constar nas vossas memórias mas nunca mais se lembraram disto até vir para aqui falar dele. Numa altura em que muitos fãs choravam por mais coisas “à antiga”, eis que a sempre esperta WWE lhes esfrega uma ironia na cara, fazendo a coisa mais “old school” possível: ocupar um bloco aos Sábados de manhã. Hábito normalíssimo, especialmente durante as décadas de 80 e início de 90, quando era um bloco obrigatório, o Saturday Morning Slam voltava-se para o público mais miúdo, encartado num bloco semanal entre desenhos animados. O formato do programa incluía combates – com extra censura de golpes mais violentos – de tom cómico e alguns segmentos educacionais, de comédia ou de trívia historial, com variados WWE Superstars a comunicar com os pequenotes. Curiosamente, até um programa destes viu o seu formato a começar a desleixar-se e, passado uns meses, já retirava os segmentos – talvez a parte mais interessante – e deixava apenas um par de combates medianos e controlados com midcarders. Há para lá uma jóia escondida entre Daniel Bryan e Tyson Kidd mas, de resto, desvanecia o interesse e era possível que os miúdos para quem este programa se dirigia não quisessem ver a WWE através deste programa. Saiu do ar sem grandes menções, sem anúncios, apenas com um ocasional burburinho de regresso de nova temporada que nunca se concretizou. Desvaneceu no ar e de muitas memórias sem fazer grande barulho.

7 – Shotgun Saturday Night

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Um programa de curta vida que muitos não conhecerão mas que teve uma importância subvalorizada. Estreando no início de 1997, foi uma porta de entrada para a Attitude Era. Na altura em que a companhia começava a fazer a sua transição e a esticar a corda no seu conteúdo, o Shotgun Saturday Night era mesmo promovido como um programa mais ousado. Foi nele que se deu o infame momento de Marlena – Terri Runnels, ou ex-Sra. Goldust – levantar o top para um “flash” – com a devida protecção e com uma nudez quase tão segura como o novo programa internauta do António Raminhos – ao público, durante um embate entre Goldust e o Sultan. Não foi suficiente para manter o interesse do programa que já de início tinha o intuito de dar tempo de antena aos talentos mais baixos do card. Mas lá acharam que com a Attitude Era já bem implantada, este programa já não tinha tanta influência e tranformava-se num programa de “recaps” com um par de combates curtos com lowcarders. Formato familiar? Pronto, em 1999 parece que já nem a sua existência valia a pena e lá viu o seu cancelamento e substituição…

6 – WWE Confidential

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Confesso que aqui fujo do tema, mas achei que devia incluir um programa que merecia mais algum reconhecimento hoje em dia. A sua importância, também a considero subvalorizada, já agora que se repitam termos. Este era um programa que espreitava os bastidores e ia por trás das câmaras. E não me refiro a entrevistas pós-combates e essas tretas. Aqui rompia-se kayfabe e saía-se de personagem. Estávamos em 2002, isso ainda não se fazia assim na boa. O programa continha entrevistas com Superstars a utilizar os seus nomes verdadeiros e a contar histórias fora de personagem, ocasionalmente referindo-se à “veracidade do produto”. Foi o primeiro programa produzido pela WWE a tratar os bois pelos nomes e a falar de wrestling como um entretenimento planeado, com guiões, em vez de uma competição atlética legítima. Foi também nesse programa que Shawn Michaels admitiu, pela primeira vez, que realmente estava envolvido no Montreal Screwjob, após anos a jurar que não sabia de nada e que também foi surpreendido. Um programa interessante que hoje já não teria o mesmo impacto, com a exposição, abertura e fácil acesso a tudo o que o programa trata. Mas até podia ter durado qualquer coisa mais que dois anitos, vendo o seu fim em 2004. Muita coisa aconteceu depois disso que podia passar por este bloco…

5 – WWF Jakked

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Mais um dos antigos “B Shows” de formato ainda hoje familiar, que chegou a nós no final da década de 90. Foi em 1999 que o WWF Jakked se apresentou, aos Sábados à noite, com essa mera intenção: alternar combates de Superstars do card mais baixo e menos utilizados, com recapitulações da semana. Sim, é esse mesmo formato que temos actualmente e já é velhinho e está sempre lá. Durou o suficiente para apanhar a separação de “brands” e, na sua última fase, ser o “B Show” irmão ou primo afastado ou o que seja, do Smackdown. De 1999, durou até 2002. Como paralelismo a este programa de Sábado à noite, uma versão semelhante – que era, em muitos casos, a transmitida em países estrangeiros – chamava-se simplesmente WWF/E Metal. Conceito tão básico e nomes ainda menos imaginativos…

4 – WWF Wrestling Challenge

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Aqui um caso bem mais antiguinho e que atravessou e representou bem muito da “Golden Era”. Iniciado em 1986, era simplesmente mais um programa com segmentos e combates “enhancement” de estrelas contra jobbers, algo que era o mais regular em TV, ao contrário do formato “estrela vs estrela” que melhor conhecemos hoje. Promovia outros programas, PPVs e house shows. Duraria cerca de dez anos, estendendo-se até aos meados da década de 90, época mais apertada da companhia. Mesmo que, no geral, possa ser visto como apenas mais um programa, há algo de muito importante a destacar. Foi nele que se aproveitou o tempo para espaços históricos como talk shows de wrestlers. “The Snake Pit” de Jake Roberts, “The Barber Shop” de Brutus Beefcake ou até mesmo o grande “King’s Court” de Jerry Lawler. Todos viram as suas estreias e principais transmissões no WWF Wrestling Challenge que, pela altura do seu fim, já era meramente conhecido pelo vulgar nome WWF Challenge.

3 – WWE Superstars

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“It’s the dawn of a new day!” ainda pode fazer parte de um refrão ainda muito familiar para os quatro de vocês que ainda assistiam ao WWE Superstars. Que eles até montavam agora o genérico de modo a mostrar os New Day quando a música dizia “new day”. É familiar porque fazia parte da rotina semanal até bem agora. Com a chegada do bem mais entusiasmante 205 Live, dedicado à divisão Cruiserweight, acharam que não valia a pena manter tantos “B Shows”, especialmente quando já lá têm um com os seus oito sólidos telespectadores. Possivelmente com as gravações do WWE Main Event a passar para antes do Raw, ou então não, mantém-se igual e o público do Smackdown que aguente com uma barrigada de tudo, já não existem combates curtos e de nula relevância numa arena escura que espera pelo começo do Monday Night Raw. Também já temos menos um programa a recapitular, com segmentos completos, o que aconteceu de mais importante no Raw – que até é uma maneira suficiente de assistir ao Raw. Porque passou a sua última semana e nós, despreparados, nem nos pudemos desistir. Já não tornamos a ouvir a “New Day Coming”. Semanas vazias sem o Superstars daqui para a frente. Semanas em que não perguntamos uns aos outros “Esse programa ainda está no ar?”

2 – WWE Heat

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Um dos mais conhecidos e até duradouros. Muitos ainda o poderão ter apanhado. Iniciado em 1998, como Sunday Night Heat, funcionava como um suplemento do Raw e passou por vários formatos, sendo o predominante, o de recapitulação e inclusão de combates de mid/lowcarders. Semelhante ao actual WWE Main Event e ao ainda-meio-actual WWE Superstars, começou com transmissão televisiva, passando por vários canais como a Spike TV, a USA Network e até mesmo a MTV. Em 2005, lá ninguém queria programas destes e foi um dos que passou a ter a sua transmissão norte-americana no WWE.com, mantendo-se transmissões Europeias nos mesmos canais desportivos. Nos seus tempos televisivos, sendo um programa de Domingo, lá era brindado com um combate de antes de um PPV, quando havia algum, como se fosse um combate de Kickoff. De resto e no geral, tudo semelhante aos programas de agora. Com a diferença de que o Heat durou uns bons dez anos e tinha mais popularidade e até mesmo algum relevo. O Light Heavyweight Championship chegou a mudar de mãos três vezes neste programa. Uma edição especialíssima, em dia de Super Bowl, foi transmitida apenas no intervalo do grande jogo, como o especial “Halftime Heat”, ocupado pelo histórico “Empty Arena match” em que Mankind derrotou The Rock pelo WWF Championship. Hoje em dia, é um programa curioso – assim como o Jakked – de se ver para apanhar alguns jovens talentos de elevação que eles iam pescar para “jobbar”, chegando nomes ainda novatos como Bobby Roode ou AJ Styles a passar pelos ringues da WWE bem antes do recente surrealismo que os trouxe a este palco já como estrelas.

1 – WWE Velocity

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E para a primeira posição fica o programa, de duração mais curta, entre 2002 e 2006, que servia de paralelismo para o programa da segunda posição. O suplemento do Smackdown, o Velocity. Que não passava disso mesmo, recapitulações do Smackdown e combates exclusivos com algumas estrelas menos utilizadas no show principal. O que o Heat era para o Raw, o Velocity era para o Smackdown. Só isso. Então qual a especialidade para a primeira posição, era assim tão bom? Tinha os seus momentos mas posso dizê-lo que muitos que poderão ler isto podem descrever os seus momentos com o Velocity. O WWE Velocity teve a sua transmissão Portuguesa, na SIC Radical, velho lar onde nasceu o “boom” de popularidade da WWE em Portugal. Posso estar em erro mas julgo que foi o primeiro programa a constar na grelha do canal, ainda antes de Raws e Smackdowns. Se não o é, garanto-vos que existirão muitos – porque sei dos casos, até nem é o meu – que vos possam dizer que começaram a assistir a wrestling, a saciar uma curiosidade que ali nascia, a ganhar uma nova paixão, simplesmente a ver gajos de licra enquanto faziam zapping… Uma primeira vez, com o WWE Velocity. É também curioso de se assistir nos dias de hoje pela mesma razão que já mencionei para o Heat: algumas estrelas que lá apareciam, ainda como pré-estrelas. Destaque para a participação de Bryan Danielson num combate com John Cena, onde destaco a presença já tão notável do jovem Bryan e as calças estonteantes do Cena. Recomenda-se!

E é por esta lista de recordaçoes que me fico por esta semana. Espero que não tenha sido um assunto maçador e que tenham gostado, que até sirva como recordação, já que gostava, como sempre, que se pronunciassem em relação a estes programas, aos que conheciam e que se lembravam, aos que assistiam, à sua importância e necessidade. Essas coisas todas do costume. Podem chorar aqui o luto do WWE Superstars se acham que não existem sítios suficientes para o fazer. É para dizer o que quiserem, que eu cá me fico por escorraçado até à próxima semana. Hei-de inventar mais alguma coisa até lá para vos trazer. Até à próxima e, se já vos cheirar a Natal… Malditos sejam, isto para mim continua a ser muito cedo!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Top Ten”.

3 Comentários

  1. Rui Ribeiro - há 2 meses

    Bom Top Ten. Gostei da referência ao António Raminhos xD

  2. Rafa Clau - há 2 meses

    Sempre interessante. O Top ten sempre me prende.

  3. Ziggler IC Champion - há 2 meses

    Verdade.
    GRANDE ARTIGO

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